sábado, 17 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE?... NÃO, EU NÃO SOU CHARLIE!



No domingo, dia 11 de janeiro, de cartazes na mão, chefiados e presididos por muitos chefes políticos de primeira linha, franceses e estrangeiros, alguns armados de alguma hipocrisia e outros carregados de muito oportunismo, desfilaram pelas ruas de Paris milhares e milhares de defensores da liberdade de expressão. Reagindo contra o atentado das vésperas, pretendiam os participantes manifestar-se contra a violência e o terror.
- JE SUIS CHARLIE! - gritavam.
Como eles, eu também me confesso defensor da liberdade: da de expressão e das outras.
A liberdade de pensar, de escolher e de viver é um dom sagrado de Deus, que ninguém deve menosprezar nem roubar seja a quem for. A liberdade de expressarmos as nossas ideias, de manifestarmos as nossas opiniões e de revelarmos os nossos pensamentos, é algo indispensável para sermos pessoas, para marcarmos os nossos caminhos, e para construirmos o mundo em que pretendemos viver.
Por isso é que não posso nem quero apoiar censuras, represálias ou boicotes, sobretudo quando as armas usadas são a violência e o crime, e por isso não posso deixar de condenar, veementemente, o ato de terror acontecido nas intalações do jornal “Charlie Hebdo”, causando a morte de pessoas inocentes que estavam no seu trabalho. Atos destes não têm desculpa divina nem perdão humano. Ninguém de bom senso poderá aprová-las ou concordar com elas.
Há porém outra face da moeda.
A liberdade tem limites e deve ter regras. Não vale tudo.
Esse CHARLIE, sai das regras e ultrapassa as fronteiras. Tive o cuidado de consultar na net alguns exemplares do mesmo jornal, com datas anteriores. E que vi eu?
Entre outras caricaturas, censuráveis, ou pelo menos muito discutíveis, pude ver a representação das Pessoas da Santíssima Trindade a ter relações homosexuais, com as seguintes legendas: Le PERE, LE FILS, LE SPRIT SAINT, MARIAGE HOMO; LE VINGT-TROIS A TROIS PAPAS.
Traduzo, para alguém que precise: Pai, Filho e Espírito Santo: Casamento Homosexual. O Arcebispo de Paris – Monsieur Le Vingt-Trois – tem três pais!..
Numa outra, está a Virgem Nossa Senhora, de pernas abertas em grande plano, em estado de parto, a ter “LE PETIT JESUS”.
Isto é de um péssimo mau gosto, de uma enorme irresponsabilidade, e vergonhosamente ofensivo para todos os crentes, e sobretudo para os cristãos! Para mim, pelo menos, é!! Ofende-me no mais íntimo do meu ser! Magoa-me nas minhas mais profundas convicções!
Eu aprecio e admiro muito as boas caricaturas... mas caricaturas destas, não. Nunca.
Infelizmente, em nome de uma falsa liberdade de expressão que esta Europa endeusou e agora adora e canta, que eu saiba, ninguém reagiu a essas caricaturas. Estamos numa sociedade anestesiada por um laicismo perigoso e doentio que, em nome de uma liberdade absoluta, mata todos os dias doutrinas, verdades, princípios e valores na mente e no coração dos cidadãos ocidentais. E, assim sendo, tudo se tolera e tudo se acha moralmente bom ou defensável.
Já nem a Igreja reage? Há muitos modos de reagir, sem usar insultos ou praticar terrorismos! Mas não reage! E assim, com o silêncio da Igreja, o laicismo prossegue livremente a sua campanha de destruição do que ainda resta, e toma conta de tudo, e de todos.
Esta deusa LIBERDADE foi posta num altar ou num andor pelos iluministas do século XVIII. E, desde então, incorporaram-se numa procissão cujo fim se não divisa, os jacobinos, os liberais, os maçons, os agnósticos, os laicos, os republicanos, e muitos, muitos mais.
Se eu me incorporasse nessa grandiosa “procissão” de Paris, o meu cartaz não diria “JE SUIS CHARLIE” mas antes “JE SUIS CONTRE LE TERRORISME”.
Como podia eu apoiar um jornal “Irresponsable” que se diz ateu confesso, que tem como programa zombar de todas as religiões, e como lema ridicularizar tudo o que é religioso? O seu conteúdo existencial é uma sátira constante e contínua à fé dos crentes.
Talvez sem o saberem, que fizeram esses milhões de manifestantes? Apoiaram o jornal, os seus fins e os seus métodos, puseram no pedestal o cartonista que esteve na origem da intervenção terrorista, e incentivaram-no fazer mais imagens do género para serem publicadas no jornal que se seguiu. E o jornal foi procurado por tantos, tantos, em longas filas indianas, indiferentes ao mau tempo, que não chegou para a procura!
Penso que não é este o caminho para a paz mundial e para o fim do terrorismo internacional. Pôr-mo-nos em bicos de pé e mostrar a nossa força, só pode causar mais ódios e provocar mais reações.
Neste campo, como noutros, bem anda o Papa Francisco ao favorecer o respeito por todas as diferenças e ao congregar os esforços de todas as religiões, na luta pela justiça e ela paz no mundo.
Concluo, dizendo bem alto:
Não! Eu não sou “Charlie”! Não quero ser “Charlie”!
Parem com o terrorismo!
Mas parem também com as injúrias e as ofensas aos valores e à fé dos outros!
Joaquim Correia Duarte, in Facebook

1 comentário:

Anónimo disse...

Penso da mesma forma! Parabéns pelo texto! Judeus foram assassinados por causa destas charges desrespeitosas.