domingo, 19 de outubro de 2014

Agridoce da vida

Agridoce foi este meu fim-de-semana.  O estar com as pessoas em diversas situações diferentes, as várias atividades em que participei e/ou presidi, deixaram-me na alma agradabilidade e cansaço.
Agridoce foi o último sábado. As Eucaristias - uma das quais com crianças - e uma longa reunião do Conselho Pastoral à noite.  Se todas as Eucaristias são especiais, então aquela com as crianças é especialíssima, desafiante, exigente. Cansa-me mesmo, mas deixa-me feliz.  Semear a vivência de Deus em corações bonitos, mas de crianças do nosso tempo com pouquíssimo poder de concentração e com poucos ou nulos hábitos de participação.
O agridoce da reunião do Conselho Pastoral.  Feliz pela participação das pessoas que foram eleitas pelos seus povos e grupos. Feliz pela diversidade de opiniões, vivências e opções. Feliz por caminhos percorridos por todos e pela convergência no essencial. Inquieto porque é preciso ir mais além, resolver situações, acrescentar criatividade, crescer em acolhimento e em dinâmica apostólica. Mas as limitações inerentes à nossa condição de pessoas e a falta de tantos meios cortam asas.
Este domingo, além das Eucaristias da manhã, houve terço e Missa em Santa Helena, seguidos de um tempo de oração na Igreja com o Grupo Oração e Amizade. Além, é claro, das pessoas que atendi e das que procurei para resolver situações correntes.
Mas o agridoce que tem acelarado na minha vida tem a ver com o Centro Paroquial. Parece uma fixação que me acompanha dia e noite! 
Doce é a esperança, o sonho, a galvanização que esta obra me incute. Havemos de lá chegar! A ajuda bondosa e gratuita de Deus não falta. ELE nunca falha. Mas a unidade, generosidade, empenho e dinamismo da comunidade e dos amigos desta comunidade, esses aparecerão, porque há muita gente boa. E, como diz o povo, "quem dá aos pobres, empresta a Deus". E quem mais pobre do que aquele nosso menino que é completamente incapaz de crescer um milímetro sem o trabalho e a ajuda de todos nós!?
Azedas são as dificuldades que uma obra, mormente sob administração direta, acarreta momento após momento. Ouvir, unir, procurar a logística, buscar meios económicos... Sim, sobretudo a parte económica é muito preocupante.
Depois, há algo que me pacifica, que me ajuda. Esta luta diária nada tem a ver com interesses egoístas, não é para mim, pois pessoalmente não preciso do Centro Proquial para nada. Quem precisa é a comunidade. Então as minhas preocupações desaguam no belo, advindo dinâmica da doação, da entrega, do despojamento, do amor.

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