terça-feira, 15 de abril de 2014

O menino, o gato e as cerejeiras

Foto: O menino e o gato

O bichano havia fugido para debaixo do carro. Talvez para fugir ao calor do Sol...
O menino não esteve para meias tintas e gatinhou por baixo do carro até ao gato. Este, ao ver tanto interesse do menino, não foge, aguardando-o pacientemente.
Tal como a bisavó Olinda, também o Tomás parece demonstrar grande carinho pelos animais. 
Também por isto, gosto muito de ti, Tomás!








No passado domingo, desloquei-me à minha terra natal para felicitar minha irmã mais velha pelo seu aniversário.
Estava um "autêntico dia de Verão", como costuma dizer-se. O Sol emprestava ainda mais esplendor às cerejeiras floridas. Uma delícia para a vista, um repouso para a alma.
O Tomás é o mais velhinho dos 3 sobrinhos-netos que tenho. No seu ano e meio de vida, é a irrequietude plena. Tudo o que mexe ou é colorido atrai-o irresistivelmente. Água, animais, brincadeiras... Tudo tem a duração do instante.
Tinha estado a brincar com o gato. Só que este, ou porque cansado da brincadeira, ou porque atazanado pelo calor, refugiou-se debaixo do carro. Então o bom do Tomás não esteve para meias medidas. Deitou-se ao chão e toca a gatinhar por baixo do veículo em direção ao bichano que não fugiu e o esperou calmamente, como quem diz "aqui há sombra, já suporto melhor as tuas brincadeiras..."
Aprecio a posição da minha sobrinha e mãe do Tomás. Não é mãe-galinha. Na maneira como fala com o pequeno e no modo como o deixa correr riscos calculados, embora atenta e vigilante, dá a saber ao filho que a vida é dele, que um filho não é uma coisa propriedade dos pais, mas uma pessoa que é preciso ajudar a crescer, no respeito pela sua idiossincrasia.
É bom, é belo ter família e saber estar em família. Para toda a gente. Também para mim.

2 comentários:

susana disse...

Que bom ouvir estas palavras! Na verdade, acho que passei muitos anos a pensar em que tipo de mãe me queria tornar...e é um facto que nunca desejei ser uma mãe-galinha, super protectora...desejo que o Tomás se desenvolva em direção à autonomia, sentindo-se seguro, sim, mas não aprisionado! "Os filhos são empréstimos que nos fazem para nos ensinar o que é o amor"; não são nossos, são do mundo! Por isso, voa Tomás. Vou estar sempre por aqui, a apreciar os teus ensaios de voo e amparar-te as quedas...assim o espero! Beijos pra ti, querido tio

asas da montanha disse...

Total concordância com o teu projeto educativo para o Tomás. A super-proteção não é amigo do filho ou do educando.
Já to disse e redigo: aprecio a tua postura educativa perante o pequeno. É que amar é respeitar, não é ser controlador. E porque amas demais o teu filhito, saberás que amar é também dizer não algumas vezes, mesmo quando o não faz sangrar o coração.
Apetece-me a dizer: "Feliz Tomás que tais pais tem"!