domingo, 29 de setembro de 2013

É mesmo muita “política”, para um dia de eleições!

26º Domingo do Tempo comum. Pode ver as leituras aqui. O Evangelho de hoje apresenta a parábola do «O rico avarento e o pobre Lázaro». Esta parábola não é um ensinamento piedoso, para apresentar o inferno como um tormento, ou o céu como um paraíso fiscal, ou a vida eterna como um bodo aos pobres!
Esta parábola interpela mesmo os homens e mulheres do nosso tempo. Cada um de nós.



1. É mesmo muita “política”, para um dia de eleições! Juntam-se aqui a lei e os profetas, com Amós à cabeça, a malhar, sem dó nem piedade, nesse bando de ladrões, que se sentam a uma mesa farta, a comer como leões, e a cantar como cigarras, sem que os aflija a ruína e a miséria do irmão! No evangelho, a figura do pobre Lázaro é uma representação bem atual do homem das “periferias existenciais”, do excluído, do renegado, do esquecido, que jaz ali mesmo, junto ao portão da grande mansão dos ricos.
2. A parábola não é, pois, um ensinamento piedoso, para apresentar o inferno como um tormento, ou o céu como um paraíso fiscal, ou a vida eterna como um bodo aos pobres! Não. A parábola não é uma promessa eleitoral, para mudar a ordem das coisas, lá num futuro longínquo. A parábola é um grito de alarme social, que se dirige sobretudo, e hoje, aos cinco irmãos do homem rico, a todos esses que vivem para o dinheiro, que jogam tudo na bolsa, que apostam tudo nos mercados financeiros, que especulam para aumentar os juros, que baixam o rating da dívida, para viver no luxo, à custa de quem mandam para o lixo. É esta Terra dos Homens, que importa hoje mudar e salvar do inferno em que vive! É exatamente, em ordem à mudança de atitude dos “cinco irmãos”, dos ainda vivos, que é dado o conselho, para superar o fosso entre ricos e pobres: «Têm Moisés e os profetas. Que os oiçam» (Lc.16,30)!
3. E nós ouvimos bem a Lei e os profetas, de muitos nomes, como Amós, Paulo ou Francisco. O atual Papa não se tem cansado de nos chamar a atenção para as “periferias” do nosso mundo, que não estão apenas no terceiro mundo, mas jazem e gritam à porta de cada um de nós. O fosso intransponível entre o pobre Lázaro e o rico avarento é cada vez mais profundo, na nossa cultura do bem-estar. Como disse o Papa, na ilha de Lampedusa, “a cultura do bem-estar torna-nos insensíveis aos gritos dos outros (…) Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro; este não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa” (Discurso, 8 Jul 2013). Na, verdade, como bem o dissera Bento XVI, “a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos” (C.V., 19).
4. Queridos irmãos e irmãs: escutando isto, não pensemos que a mensagem se destina apenas aos políticos profissionais. Ela desafia cada um de nós, desafia a própria comunidade cristã a combater a cultura do “descartável” pela cultura da solidariedade, uma palavra hoje tão incómoda, que corre o risco de desaparecer dos dicionários dos que só falam o “economês” dos números, das bolsas e dos mercados! É preciso sair à periferia, ao encontro dos pobres, que estão à nossa porta, quando não dentro de portas. E servir os pobres, com humildade, não para tranquilizar a nossa consciência, mas para nos libertarmos do que não nos pertence e nos enriquecermos verdadeiramente ao dar e servir.
5. Mas cuidado, lembrou o Papa, há poucos dias: “às vezes também se serve os pobres, com arrogância. Algumas pessoas gabam-se, enchem a boca com os pobres; instrumentalizam os pobres, por interesses pessoais ou do próprio grupo (…) É um pecado grave, porque é ‘usar’ os necessitados, que são a carne de Jesus, para a ‘minha vaidade’. É um pecado grave! Seria melhor que estas pessoas ficassem em casa”! A todos nós cabe semear a esperança, com obras concretas de solidariedade, ajudando quem mais precisa e no que é mais preciso, colaborando também nós, com as instituições públicas de apoio social, no respeito pelas respetivas competências! Apesar de tudo, o mais importante é que “não deixeis que vos roubem a esperança. Pelo contrário: semeai-a! Na luz da fé, que vos abre ao amor de Deus, abri a todos um caminho de esperança!
Fonte: aqui

1 comentário:

Maria da Fé disse...

O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; é um escudo para todos os que nele confiam. Salmo 18:30
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