terça-feira, 12 de março de 2013

Grandes mudanças para uma melhor continuidade na Igreja

Grandes mudanças para uma melhor continuidade na Igreja
Igreja enfrenta numerosos desafios, mas lidará com eles ao seu ritmo próprio

Annuntio vobis gaudium magnum, júbilo a preceder o ansiado habemus papam. Algo que poderá ouvir-se esta semana, saindo fumo branco do conclave que dita o futuro da firme e abalada Igreja Católica.

São muitos anos. Muita experiência de governação, de política no mais estrito sentido do termo, independentemente da divina inspiração dos cardeais que, a partir de hoje, por volta das 17 horas (em Portugal) estão fechados na Capela Sistina, no Vaticano, com a missão de escolher o sucessor de Pedro, ou, numa visão mais prosaica, de Bento XVI, retirado na paz de Castel Gandolfo.
Daí que todos os prognósticos, relativos ao que virá a ser escolhido ou ao rumo que este ditará para a Igreja, sejam espantosamente falíveis. Sempre que muda o pontífice romano, crentes e outros observadores são atacados pela síndrome "As Sandálias do Pescador", inspirando-se no romance de Morris West para sonhar um Papa protagonista de radicais mudanças, mas é evidente que uma instituição não se perpetua através dos tempos através de ruturas. Não obstante, tempos conturbados, coincidentes com o pontificado de Bento XVI, poderão inspirar algum arrojo.
Até porque o venerando Joseph Ratzinger, eleito aos 78 anos, foi sempre apontado como um Papa de transição. Falta saber em que desaguará essa transição.
É velha a máxima de que os que entram "papáveis" no conclave saem de lá cardeais. Valem essas listagens o que valem, fruto dos contactos estabelecidos pelos vaticanistas (os jornalistas com acreditação permanente na Santa Sé), mas dão para perceber que, de um modo geral, retrata-se uma divisão entre conservadores e reformistas.
Antes das grandes questões, que tanto são levantadas por fiéis como por incréus (celibato, ordenação de mulheres, preservativo...), há que arrumar a casa. Nesta peculiar eleição sem candidatos assumidos, em que 115 cardeais eleitores decidem o futuro de mais de mil milhões de fiéis será maior a preocupação de preservar a solidez da instituição, seriamente abalada com o escândalo batizado pelo porta-voz do Vaticano de "Vatileaks", envolvendo a fuga de documentos secretos de Bento XVI.
Passada a Cúria a pente fino, um relatório foi entregue ao agora Papa Emérito, que o passará apenas ao sucessor. E desse documento, ou dessa batata quente, dependerá em boa parte o Pontificado que em breve se iniciará - havendo Papa, estima-se que possa ser empossado daqui a uma semana, terça-feira santa, dia de São José e do Pai.
Um dos imperativos de evolução - a necessidade de descentralizar - pode passar por essa reformulação da Cúria. Algo que motivará resistências, tal como a adaptação da Igreja à sociedade moderna (não se espere excessiva, mas apenas alguma abertura em questões ligadas à sexualidade).
A crise das vocações, por outro lado, abre o debate de questões como o celibato dos padres ou a abertura do sacerdócio a mulheres. Outros pilares do novo Pontificado serão, ainda, o aprofundamento dos diálogos ecuménico e inter-religioso, muito fomentados tanto por João Paulo II como por Bento XVI.
Fonte: aqui

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