terça-feira, 12 de março de 2013

A importância da primeira votação

 Apesar do fumo negro ser quase certo, o primeiro escrutínio tem uma importância crucial para determinar quem é que tem verdadeiramente hipóteses de ser eleito Papa.

Apesar de os cardeais eleitores poderem optar, em teoria, por não votar no primeiro dia do Conclave, é praticamente certo que a primeira votação vai mesmo decorrer na tarde desta terça-feira.

A saída de fumo branco da chaminé da Capela Sistina seria uma enorme surpresa e tornaria este o mais rápido Conclave da história da Igreja. Tudo indica, porém, que sairá fumo negro, indicando que o Papa ainda não foi escolhido e ficando a decisão relegada para os dias seguintes.

Contudo, esta primeira votação é crucial em vários sentidos. Ao longo das últimas semanas, e sobretudo desde o início das congregações gerais, todos os cardeais, mas principalmente os eleitores, têm estado a trocar ideias e a definir alianças. Na primeira votação ficará claro para todos quem tem verdadeiramente possibilidades de chegar aos 77 votos necessários para ser eleito Papa.

Este momento é particularmente importante neste Conclave em que não surge um nome como claramente favorito, mas sim vários. Dos cerca de dez cardeais que estão a ser apresentados pela imprensa especializada como tendo possibilidades de eleição, vários devem ficar imediatamente arredados ao fim do dia de hoje.

Neste cenário pode acontecer que dois cardeais recebam 40 votos cada e um terceiro receba 30. A passagem dos apoiantes de um desses cardeais para outro será então crucial para garantir a eleição. Esta passagem pode ser natural caso dois dos cardeais em questão tenham perfis próximos ou pode ser forçada pelo próprio, que dará a entender aos seus apoiantes que desiste da corrida em favor de um dos outros.

A noite servirá para pesar os efeitos dos primeiros resultados, com os apoiantes desses cardeais a escolherem em quem devem votar no dia seguinte.

Há ainda outra possibilidade: dois cardeais com muitos votos, mas ainda longe da maioria de dois terços, criando um impasse em que nenhum parece disposto a ceder. Surge então a hipótese de se procurar um terceiro candidato, de consenso, que poderá até nem ter recebido muitos votos no primeiro escrutínio, mas que se vê assim lançado para a cadeira de Pedro. Foi precisamente isto que se passou em 1978 quando foi eleito João Paulo II.´
Fonte: aqui

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