quinta-feira, 21 de junho de 2012

"Eu só vou se lá houver missa... que eu não quero faltar à missa nas férias".

Tal é a força da criança
Conheci o Simão quando o via, rodeado de cuidados em casa da dedicada ama. De olhar vivo e atitude voluntariosa deixava transparecer que estava a crescer ali um garoto decidido.

Voltei a vê-lo, depois, e acompanhei-o na preparação da primeira comunhão. Sempre atento a beber as palavras que ouvia. Tanto quanto lhe permitia a idade interiorizou resoluções para o futuro. E agora na véspera de ir para férias pôs condições à mãe: "Eu só vou se lá houver missa... que eu não quero faltar à missa nas férias".

Adivinha-se ali um arranha-céus que ninguém deitará abaixo. Seremos nós capazes – os mais velhos – de não defraudar o espírito e as intenções lavadas das nossas crianças?

Outro caso delicioso. Foi no final do ano lectivo da catequese, na Festa da Profissão de Fé.


A catequista quis prepará-los para se demitir da Missão... que gostava muito deles... mas agora, passados tantos anos, também se sentia cansada... a família precisava dela... mas esperava que todos continuassem como até agora, assíduos e bem comportados, para, na devida altura, receberem o sacramento do Crisma.
Quem não esteve com rodeios foi a Daniela que saltou, imediatamente, em nome do grupo:
– "Ó catequista, não pense que nos deixa. Nessa altura íamos todos para a sua porta fazer uma grande fome!"

Ora aí está o anúncio de uma greve. Pudessem todas ser assim, tão justas e oportunas! Para matar a fome vale tudo. E o pão do corpo nem sempre é o mais importante. Está escrito que "nem só de pão vive o homem." Castigo do Céu! Quanta coisa boa apodrece no mundo!

"Podre de rico"
é uma expressão do nosso povo. Gosto muito dela. Faço-a minha. É do peito da criança que sai o verdadeiro conhecimento de Deus – disse Pai Américo.

Em Outubro celebraremos a vitória do grupo da Daniela. Tal é a força da criança!


A. Borges de Carvalho, aqui

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