quarta-feira, 2 de julho de 2014

Em Portugal "tudo está ordenado para não se ter filhos"


Líder do grupo de trabalho para a natalidade afirma, em entrevista à Renascença que "existe o despedimento quase imediato das mulheres que estão em situação mais precária, em termos contratuais, assim que se torna evidente que estão grávidas."

Joaquim Azevedo diz que em Portugal "vivemos obcecados com o não ter filhos" e esses são também os sinais que a sociedade dá para os cidadãos. "Tudo está ordenado - até o apoio que existe ao aborto - para não ter filhos", afirma o líder do grupo de trabalho para a natalidade.

Em entrevista ao programa Terça à Noite da Renascença, o professor catedrático encarregado pelo primeiro-ministro para traçar um plano para o crescimento demográfico diz que os sinais de decadência na sociedade portuguesa estão à vista com os últimos dados conhecidos.

Para Joaquim Azevedo, o índice de fecundidade de 2013 diz-nos que "o país, continuando assim, até do ponto de vista do Estado social, é inviável a 30 anos ou menos".

Nesta entrevista, Joaquim Azevedo reitera que são muitas as queixas que lhe chegam de mulheres que são forçadas a assinar compromissos com os empregadores, garantindo que não vão engravidar, e diz que este é um facto que muita gente conhece.

O homem que o primeiro-ministro escolheu para fazer propostas para o incremento da natalidade diz que as queixas que lhe chegam não ficam por aqui e denuncia: "existe o despedimento quase imediato das mulheres que estão em situação mais precária em termos contratuais assim que se torna evidente que estão grávidas."
Joaquim Azevedo garante que recebe, diariamente, relatos de pessoas "que contam as suas situações e que dizem que não são respeitadas" e insiste: "temos que falar sobre isto, não adianta nada pôr a cabeça na areia".
O líder do grupo de trabalho para a natalidade acusa os políticos, em geral, por nunca se terem preocupado com o evoluir desta questão, que está a "hipotecar o futuro do país".
Adianta que é por isso que em todas as sessões em que participa verifica que há um grande desconhecimento sobre esta questão:  "fico escandalizado com o facto de haver uma percentagem  muito vasta da população e, geralmente, até de pessoas bastante informadas que não sabem o que se está a passar".
Fonte: aqui

Novena e Festa de Santa Helena da Cruz/2014




Veja aqui:
- O Programa da novena
- A intervenção dos grupos






terça-feira, 1 de julho de 2014

NADA DE IMPORTANTE ACONTECEU NO BRASIL


A avaliar pelas reacções dos dirigentes federativos, do seleccionador Paulo Bento e de vários dos seus colegas de profissão, nada de importante aconteceu no Brasil. Apenas uma competição que não nos correu bem, mas que já lá vai — agora é preciso é concentrarmo-nos no Euro-2016. Permito-me discordar. Acho que a nossa participação foi má de mais e levantou questões que devem ser discutidas e devem ter consequências. Eis algumas dessas questões:

A BASE DE RECRUTAMENTO

Por mais que se critiquem as opções e exclusões de Paulo Bento, a verdade é que não havia muito mais por onde escolher. Esta selecção, da qual já disse várias vezes que é das mais fracas de que me lembro, não tinha muito mais alternativas. Sendo certo que Portugal é um pais de futebol, onde sempre nasceram e cresceram grandes jogadores, isto levanta um óbvio problema de base de recrutamento sobre o qual é necessário meditar. Será possível continuar com uma política de formação que, nas camadas jovens, já tem um excesso evidente de estrangeiros? Não será necessário e possível limitar o número destes nos escalões até aos sub-21, pelo menos?

AS ESCOLHAS

Porém, e sem me desdizer, julgo que a selecção eleita por Paulo Bento reflecte a obstinada teimosia e conservadorismo dele. Nomes como os de Quaresma, Danny ou Bebé, para só falar da frente de ataque, tinham lugar no avião para o Brasil. Mas é sabido que Bento escolhe segundo critérios de fidelidade pessoal e não de qualidade ou momento que os jogadores atravessam. Só isso justifica a aposta inamovível em jogadores claramente fora de prazo ou de forma (e até mesmo de condição física) e cujos nomes, por delicadeza, me abstenho de enumerar. A imensa responsabilidade que recai sobre os ombros do seleccionador foi usada por Paulo Bento para recompensar e garantir lealdades, em interesse próprio. É a escola de Scolari, mas com a enorme diferença de a base de recrutamento estar longe de ser comparável. Aliás, por aquilo que sigo nos jornais, raramente me dou conta de que o seleccionador acompanhe ao vivo outros jogos que não os dos grandes (onde 90% dos jogadores são estrangeiros), que frequente jogos dos outros clubes, das camadas jovens ou que, menos ainda, acompanhe o desempenho dos jogadores portugueses a actuar no estrangeiro — em Itália, Inglaterra, Rússia, Chipre, Turquia, Espanha, etc. A sua selecção parece feita desde sempre e para sempre.

A PREPARAÇÃO

Foi verdadeiramente chocante constatar até que ponto a selecção levada ao Brasil estava impreparada para o Mundial, sob qualquer ponto de vista: físico, anímico, emocional, táctico, estratégico. Uma armada completamente à deriva, que não parecia saber ao que ia. Como, que se saiba, tudo foi disponibilizado ao seleccionador, em termos de meios, de conforto e de luxos, para que tal não sucedesse, chegando mesmo a renovar-se o seu contrato antes do final do prazo e do Mundial para que nada o perturbasse, não há, à vista, desculpa alguma para o rotundo falhanço. E claro que nem tudo será da responsabilidade dele, mas uma vez que nada foi até agora convenientemente esclarecido, sobram para cima do comandante todas as responsabilidades.

0 PLANEAMENTO

Creio ter sido o primeiro, ou dos primeiros, a levantar a questão da localização do quartel-general da Selecção em Campinas, obrigando a mais horas de voo do que as necessárias em função dos locais dos jogos e fazendo com que os jogadores treinassem em condições bem diferentes daquelas que já se sabia que iriam encontrar em Manaus e Salvador. Isso, mais a passagem prévia pela costa leste dos Estados Unidos, cuja lógica de todo me escapou, nunca foram esclarecidas e ninguém pode saber até que ponto contribuíram ou não para a diferença abissal de preparação com que nos apresentámos no primeiro jogo, relativamente aos alemães.

A CONDIÇÃO FÍSICA

É absolutamente consensual entre toda a gente que a equipa portuguesa chegou ao Mundial num lastimável estado físico, que o número mais do que anormal de lesões e a moleza mostrada em campo exuberantemente atestaram. Se bem percebi, o médico da Selecção veio dizer que já em Janeiro terá apresentado um relatório onde se preveria a possibilidade de tal cenário. Parece-me cedo de mais, a cinco meses de distância, mas o que não há dúvida é que um conjunto de jogadores a rebentar pelas costuras ou a arrastar-se em campo só pode resultar de todos os factores envolvidos na preparação física: a parte médica, a parte de recuperação, a parte dos treinos. E não é simplesmente aceitável que isto fique por esclarecer e que daqui não se extraiam as consequências que se impõem.

OS ONZES

De jogo para jogo, Paulo Bento só mexeu quando algum jogador rasgava ou era castigado. Fosse qual fosse o adversário, o resultado procurado, as condições de clima ou o estado físico dos jogadores, o seu onze já estava determinado na sua cabeça desde que em Novembro passado garantimos o bilhete para o Brasil. Acabou por utilizar quase todos os jogadores que levou, mas apenas porque circunstâncias alheias à sua vontade o impuseram. Paulo Bento não é conservador: conservadora era a minha avó. O que ele é é um homem de ideias fixas, confiante que a realidade acabará sempre por se render a elas. Viu-se...

0 FUTEBOL JOGADO

Julgo que teremos dividido com a Grécia o pior futebol visto neste Mundial, em que se tem visto tão bom futebol - jogado até por selecções que estavam 20 ou 30 lugares abaixo de nós no ranking da FIFA. Mas, mesmo assim, a Grécia quase que chegava aos quartos, enquanto que nós nunca demos a sensação de poder ir além do que fomos, excepto para aqueles espíritos patriótico-optimistas que acham que basta querer e acreditar para, quem sabe até, chegar ao próprio título. Não se viu nada em campo que pudesse alimentar sombra de tais expectativas - nem sequer contra a equipa de amotinados e desinteressados do Gana. E nem ao menos pudemos queixar-nos da sorte: basta constatar que, dos quatro golos marcados por Portugal, três foram literalmente oferecidos pelos adversários. Segundo depreendi, o futebol planeado pela nossa selecção resumia-se à esperança de que o Cristiano Ronaldo que resolvera o play-off contra a Suécia resolvesse também tudo o resto. Mas não só não havia plano-B, como nem sequer havia equipa para o plano-A.

A EMBAIXADA AO BRASIL

Podíamos ter feito fraca figura em campo, mas boa figura fora dele. Era nossa estrita obrigação, disputando um Mundial num país descoberto por nós, onde se fala a nossa língua e onde, para mais, dispusemos do apoio permanente dos brasileiros. Mas a selecção portuguesa passou pelo Brasil numa postura de vedetas inacessíveis, fechados numa fortaleza onde os únicos que entraram de fora foram dois cabeleireiros. Outras selecções treinaram na praia com o povo a vê-los, visitaram favelas, confraternizaram com os índios e populações locais. A nossa, não: nem uma visita a um centro português, a uma escola, a uma instituição qualquer. Nem um minuto de paragem para falar com as pessoas, nenhuma declaração, fosse de dirigentes, treinador ou jogadores, que, de alguma maneira agradecesse ao Brasil o Mundial e o apoio dado, ou até revelando ao menos que sabiam em que pais estavam - coisa que não tenho como certa.

0 FUTURO

Paulo Bento já revelou não estar disponível para a renovação radical que se impõe fazer na Selecção — não apenas nos nomes, mas no seu próprio funcionamento. Para ele, tudo terá que ser muito lentamente e com o critério da «gratidão» a sobrepor-se a tudo o resto. Ou seja. é mais importante não melindrar os seus, do que renovar a Selecção. Aliás, afastou desde logo a ideia de começar por renovar o seu próprio cargo. Assim sendo, pelo menos, a Federação sabe com o que conta. E nós também. Afinal, foi tudo a feijões.
MIGUEL SOUSA TAVARES, in abola
Li aqui

À procura de um político que não prometa milagres

Todos os políticos nos prometem crescimento - crescimento para não haver cortes, crescimento para pagar as dívidas. E se o tempo do crescimento económico sustentado tiver acabado?
Os economistas andam um bocado desorientados. Não falo dos economistas portugueses, mas dos que, à escala global, andam há anos a tentar dar resposta a um novo mistério: porque é que as economias desenvolvidas perderam a capacidade de gerar crescimento?
Pois é. O problema da falta de crescimento não é só de quem nos tem governado. Bem sei que Portugal tem um dos piores registos desde a viragem do século – em toda a Europa desde o ano 2000 só a Itália cresceu menos do que nós –, mas a verdade é que a persistência de ausência de crescimento é um problema de quase todas as economias desenvolvidas. Entre 2000 e 2013 – período que inclui a euforia pré-crise, os anos de recessão e a lenta recuperação que hoje vivemos – o crescimento médio nos países mais ricos foi historicamente baixo. Na Europa Ocidental, entre os países de dimensão razoável, só dois – a Suécia e a Irlanda – cresceram a um ritmo superior a 2% ao ano. O que significa que praticamente nenhum cresceu o suficiente para conseguir continuar a pagar o seu estado social e, ao mesmo tempo, controlar o seu endividamento.
Não se cresce porque a procura é fraca? Porque a desigualdade é demasiado grande? Porque a China se tornou na fábrica do mundo? Porque se está a perder a capacidade inovar tecnologicamente? Porque as nossas infraestruturas estão deterioradas? Tem havido explicações para todos os gostos. Recentemente até se sugeriu, num artigo no New York Times, qua a ausência de crescimento também pode dever-se à ausência de guerras importantes, um argumento perturbador mas bem documentado.
Em Portugal, como é sabido, o debate é um bocado mais pobre e tem por vezes componentes quase mágicas: bastaria mudar os protagonistas políticos e, de repente, a riqueza brotaria do nosso esquálido país. Sabemos que não é assim. Sabemos sobretudo que não será com as políticas que nos levaram a esta longa estagnação – muita obra pública, muita regulamentação, muita protecção das grandes empresas do regime, muitos e muitos impostos – que poderemos ter no futuro aquele mínimo de crescimento que não tivemos no passado recente.
Na verdade um dos problemas desta discussão – da discussão política e também da discussão entre economistas – é que ela não assume uma realidade simples: o mundo mudou e será muito difícil repetir no futuro fórmulas que tiveram sucesso no passado.
Há um ponto em que António Costa tem insistido nos seus discursos que é lamentar o facto de Portugal ter sofrido muito com o processo de globalização, sobretudo por estar preso a uma moeda, o euro, que não lhe permitia adaptar as suas taxas de câmbio. Não deixa de ser verdade, mas como não se propõe nem a saída do euro, nem o encerramento das fronteiras – duas medidas que nos deixariam em muito pior estado –, sugere-se que com muito apoio público e com muita aposta na educação daqui por uma década seremos por fim competitivos. Até lá, acrescenta-se, deixem-nos em paz com as nossas dívidas – melhor, deixem-nos continuar a aumentar o nosso grau de endividamento.
O discurso da actual maioria é diferente mas, de alguma forma, também está preso à mesma lógica que exige doses generosas de crescimento. Para cumprir o Pacto Orçamental, por exemplo, os documentos de estratégia orçamental do governo baseiam-se sempre em projecções de crescimento sustentado que não ocorreram em nenhuma das economias desenvolvidas na última década e meia. Não é não terem ocorrido em Portugal – é não terem ocorrido nas economias que mais parecidas com a nossa.
O discurso e as propostas políticas, tanto à esquerda como à direita, têm por isso de mudar. É necessário assumir que estamos a entrar num tempo novo, de ritmos de crescimento mais baixos, logo de expectativas muito menores. E que estamos num mundo onde o que acontece na nossa economia já não depende apenas de nós e das nossas reformas, pois é um mundo globalizado e muito competitivo.
Dois séculos de crescimento económico sem precedentes, e duas gerações de progresso sem paralelo num tempo com muito menos guerras do que no passado (por volta de 1950, todas as guerras do mundo cobravam em média 20 vidas por cada 100 mil habitantes do planeta, hoje cobram apenas 0,3), criaram sociedades e costumes políticos que têm de ser repensados. Em Portugal, na Europa, nos Estados Unidos.
Os momentos de ruptura, de mudança de ciclo, são sempre muito difíceis. Basta pensarmos no seguinte: há apenas 10 anos Tony Blair apresentava como um sonho a cumprir conseguir que a esmagadora maioria dos jovens ingleses completassem uma formação superior. Um sonho bonito, que todas as almas generosas se apressam a subscrever. Mas hoje olhamos à nossa volta e o que vemos a desenvolver-se são sociedades onde, a par com empregos cada vez mais qualificados e mais exigentes, há também um número cada vez maior de pequenos empregos nos serviços, sem especial qualificação, mas também sem expectativa que um dia venham a desaparecer, eventualmente substituídos por robots. Os rapazinhos das pizzas e as rapariguinhas dos shoppings não vão desaparecer das nossas paisagens urbanas.
Este é apenas um micro-exemplo de uma realidade muito mais complexa. Em todo o mundo ocidental há uma tendência, irreversível, para aumentarem os custos do estado social ao mesmo tempo que diminui o número de contribuintes e já não há crescimento económico para ir tapando o buraco. Ao mesmo tempo, no resto do planeta, legiões de pobres estão a desafiar a velha supremacia do Ocidente, dispostos a esforçarem-se o que um trabalhador europeu hoje já não quer esforçar-se. Não havendo forma de reverter estas tendências, é a política que tem de se adaptar a estes tempos novos.
Nas próximas décadas vamos continuar a aceder a cada vez mais bens de consumo porque a inovação e a tecnologia torná-los-ão cada vez mais acessíveis. Porém, ao mesmo tempo, é bem possível que o número de euros nas nossas folhas de vencimento estagne ou mesmo diminue. É isso a austeridade dos mil anos, como um dia já escrevi? Não sei, pois dependerá muito da forma como encararmos mudanças inevitáveis que aí vêm e a correspondente forte diminuição das expectativas.
Portugal tem obrigação de criar condições para ter o crescimento que não conhece, de forma sustentada, desde a viragem do século. Há imenso para discutir sobre a forma de lá chegar – se com mais Estado, se com menos Estado, se com menos impostos, se com mais consumo público. Mas isso é muito diferente de fazer crer aos eleitores que há por aí uma riqueza escondida que, no limite, evitará todos os cortes e contornará todos os sacrifícios. Esse mundo já não existe e quem explora essa ilusão só torna o nosso futuro ainda mais difícil. Pior: alimenta desilusões futuras e possíveis revoltas, perigosas e imprevisíveis.
José Manuel Fernandes , aqui

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Paradoxo dos paradoxos


domingo, 29 de junho de 2014

A família como preocupação sinodal e pontifícia

Em dois momentos bastante próximos, a temática da família vai ser estudada em duas assembleias gerais do Sínodo dos Bispos – uma extraordinária e uma ordinária – o que revela a momentosidade da instituição familiar e o melindre que a sua problemática representa para a Igreja Católica, no quadro dos desafios que o mundo contemporâneo lança àquela instituição que até há relativamente poucas décadas ninguém punha seriamente em questão.

O Papa Francisco, na linha das constantes preocupações dos seus predecessores, convocou em 8 de outubro de 2013 a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos a decorrer, no Vaticano, entre 5 e 19 de outubro de 2014, que incidirá sobre “os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, tema amplamente discutido na primeira sessão de trabalho do Santo Padre com o Conselho dos oito de cardeais. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Padre Frederico Lombardi, advertia então que “esta é a maneira pela qual o Papa deseja promover a reflexão e o caminho da comunidade da Igreja, com a participação responsável do episcopado de diferentes partes do mundo.”

A esse respeito a Secretaria Geral do Sínodo deu início à preparação dos trabalhos sinodais mediante o envio do Documento Preparatório, que suscitou uma vasta e diversificada resposta eclesial por parte do povo de Deus, não dada a conhecer por todas as conferências episcopais, diga-se em abono da verdade. O documento, publicado no mês de novembro de 2013, depois de dois capítulos de reflexão prévia sobre “o sínodo: família e evangelização” e “a Igreja e o evangelho sobre a família” (este desdobrado em “o projeto de Deus Criador e Redentor e o ensinamento da Igreja sobre a família”), apresenta um questionário estruturado em oito grupos de perguntas relativas ao matrimónio e à família e mais um epigrafado por “outros desafios e propostas”.

Os oito grupos de questões elencam-se segundo os seguintes subtemas, qual deles o mais candente: a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família; o matrimónio segundo a lei natural; a pastoral da família no contexto da evangelização; a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis; as uniões de pessoas do mesmo sexo; a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares; a abertura dos esposos à vida; e a relação entre a família e a pessoa.

Este ano, a 24 de junho, o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos apresentou o Instrumentum Laboris, que nasce das respostas ao questionário constante do aludido documento Preparatório.

Aquele Instrumentum, como documento de trabalho-base para a reflexão e chamariz para as intervenções dos padres sinodais, vem estruturado em três partes e retoma, em conformidade com uma ordem funcional à assembleia sinodal, a matéria do referido questionário. A primeira parte glosa a temática do Evangelho da família, entre desígnio de Deus e vocação da pessoa em Cristo, quadro em que se relevam o conhecimento e a receção dos conteúdos bíblicos e dos documentos do Magistério da Igreja, incluindo as várias dificuldades, entre as quais a compreensão da lei natural. A segunda aborda as várias propostas de pastoral familiar, os relativos desafios e as situações mais difíceis. E a terceira parte equaciona a problemática da abertura à vida e da responsabilidade educacional dos pais, que caraterizam o matrimónio entre o homem e a mulher (sem margem para dúvidas), com referência particular às situações pastorais que marcam a atualidade ambivalente, espelhada no mundo. Parece, mesmo por uma leitura apressada, a aprofundar quanto antes, que nenhum problema fica esquecido no documento de trabalho, inclusive os atinentes ao ponto do questionário referenciado como “outros desafios e propostas”, esperando-se que os bispos procedam a uma reflexão acurada sem preconceitos e usufruam da liberdade de intervenção sem inibições.

Na certeza de que as dificuldades não condicionam irreversivelmente a vida familiar e de que as pessoas não se encontram ante problemáticas inéditas, a Igreja constata de bom grado os claros impulsos que parecem induzir uma nova primavera para a família. Não é por acaso que se encontram testemunhos significativos em inúmeros congressos eclesiais, onde se manifesta nitidamente, sobretudo nas novas gerações, um renovado desejo de família e de vida familiar. Perante tal aspiração, a Igreja sente-se solicitada a oferecer “assistência e acompanhamento, a todos os seus níveis, em fidelidade ao mandato do Senhor de anunciar a beleza do amor familiar”. Em seus encontros com as famílias, o Papa encoraja o olhar com esperança sobre o próprio futuro, recomendando os estilos de vida pelos quais se gera, conserva e se faz prosperar o amor em família: pedir licença, agradecer e pedir perdão, não deixando que o sol se ponha sobre desavença ou incompreensão, e tendo a humildade do pedido de desculpa de um cônjuge ao outro. (cf “premissa” do Instrumentum Laboris).

Sendo assim e, de acordo com o texto da apresentação do documento de 24 de junho, “considerando a amplidão e a complexidade do tema, o Santo Padre definiu um itinerário de trabalho em duas etapas distintas no tempo e no escopo, que constitui uma unidade orgânica”: a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo, em 2014, constará de um trabalho em que os Padres sinodais avaliarão e aprofundarão os dados, os testemunhos e as sugestões das Igrejas particulares, com vista a enfrentar os novos desafios sobre a família (trabalho de avaliação, reflexão e aprofundamento – provavelmente ainda sem decisões resolutivas); e a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo, em 2015, mais representativa do episcopado, inserindo-se no precedente trabalho sinodal, meditará ulteriormente sobre as temáticas abordadas para encontrar adequadas linhas de ação pastorais (é o trabalho de conclusões e linhas de rumo).

Muitas expectativas estão criadas em torno dos trabalhos sinodais e do carisma lúcido e voluntarioso do Papa Francisco. São tantas e tamanhas as situações que pedem uma orientação eclesial caldeada pela exigência e pela abertura, que pode desenhar-se um sério risco frustracional (parodiando a nossa Presidenta do Parlamento) face às altas expectativas. Para que o eventual risco fique jugulado ou ao menos minorado, cada um dos peritos – em teologia, antropologia, sociologia, psicologia, gestão de afetos, ciências da saúde, etc. – caraterizados pela suficiente dose de boa vontade deverá oferecer os seus préstimos reflexivos a tempo e fora de tempo e os bispos, mormente os que tiverem assento nas assembleias sinodais agendadas, devem auscultar o genuíno sensus Christi et Ecclesiae, refletir em profundidade e usufruir do direito de intervir sem inibições, de acordo com a consciência do múnus e do sentido de serviço à humanidade.

A lei não tem de ser dura nem deixar de o ser; basta que seja feita para o homem e não vice-versa. E que a lei suprema seja já não a Salus Reipublicae, mas a Salus Animarum, não vertida em código de anátemas, mas em código de inclusão das bem-aventuranças.

A nós, que não temos competências do saber e da intervenção nas pantalhas da ciência e muito menos no areópago sinodal, resta-nos a poderosíssima arma da lex orandi de que é exemplo o final do Instrumentum Laboris:


Oração à Sagrada Família

Jesus, Maria e José,
em vós nós contemplamos
o esplendor do amor verdadeiro,
e dirigimo-nos a vós com confiança.

Sagrada Família de Nazaré,
fazei também das nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se viva a experiência
de violência, fechamento e divisão:
quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado
conheça depressa a consolação e a cura.

Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar de novo em todos a consciência
da índole sagrada e inviolável da família,
a sua beleza no desígnio de Deus.

Jesus, Maria e José,
ouvi e atendei a nossa súplica.
Amém.
 
2014.06.27 
Louro de Carvalho 

sábado, 28 de junho de 2014

Benefícios do Mirtilo


  • Devido à sua riqueza em anti-oxidantes, previnem doenças cardiovasculares, vários tipos de cancro (nomeadamente o cancro do cólon), atenuam processos relacionados com o envelhecimento (como cataratas e doença de Alzheimer) e outras alterações do sistema nervoso (excelente antídoto para a depressão);
  • Alivia sintomas de infecções urinárias e renais, impedindo a fixação e o desenvolvimento da E. Coli, bactéria preferencialmente causadora de infecções no tracto urinário;
  • Apresenta um efeito inibitório na agregação plaquetária inibindo assim a formação de coágulos sanguíneos;
  • Ajudam a combater a memória de curto prazo e reforça a memória dos idosos;
  • Protegem contra a degeneração relacionada com o envelhecimento das vistas, melhorando a visão nocturna e reduzindo a vista cansada devido às concentrações muito elevadas de antocianinas que possuem, sendo excelentes para prevenir cataratas e retinopatias dos diabéticos;
  • Reduz inflamações do aparelho digestivo e regula o trânsito intestinal devido à sua riqueza em fibras e propriedades anti-sépticas, apresentando propriedades laxantes quando consumidos em fresco e auxiliam o tratamento da diarreia quando consumidos em seco;
  • Indicados para dietas para hipertensão arterial, pela ausência de sódio e colesterol.
  • Fortes propriedades anti-inflamatórias pela sua riqueza em antocianinas;
  • Ajudam a baixar o nível do mau colesterol (LDL);
  • Protege a pele dos radicais livres, ajuda a fixar a vitamina A e acelera a cicatrização. (Fonte: aqui)
O MIRTILO está na moda. Há quem o veja como um produto agrícola por excelência, tendo em conta o alto rendimento que a sua exportação acarreta.
Não faltam pessoas que tentam a cultura deste arbusto, até tendo em conta os subsídios ao seu cultivo, dentro de parâmetros que envolvem determinada área de terreno e outras condições.
Há quem fale que, a breve prazo, a demasiada oferta de mirtilo leve à baixa do preço e consequente abandono desta cultura, como sucedeu com outras.


Penso que a falta de orientação dos responsáveis pela agricultura portuguesa tem sido um velho e incorrigível pecado. Os governos tinham obrigação de fazer muito mais, sobretudo no aconselhamento das pessoas no tocante às culturas a explorar.


É claro que há zonas do país onde é fácil, visto serem locais para a cultura de produtos de excelência com mercado garantido. Penso no vinho e no azeite do Alto Douro e do Alentejo. Penso no vinho verde da zona minhota...
E nesta nossa região? Batatas e milho ...está visto que não compensam. Pomares? Vinho? São um risco, tendo em conta o escoamento e o preço pago ao agricultor. Que resta? Que sugerem os responsáveis pela agricultura aos agricultores desta região?


Por estranho que pareça, foi a primeira vez que vi os frutos do mirtilo. E já provei...
Obrigado, prima Teresinha, pela lembrança.

Decálogo de um santo

Decálogo da Quotidianidade
Angelo Giuseppe Roncalli (S. João XXIII)
i - Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.
ii - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, ser cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.
iii - Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.
iv - Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.
v - Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
vi - Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi a ninguém.
vii - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
viii - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado; talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão.
ix - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.
x - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

«Sophia é símbolo de uma portugalidade de excelência»

Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) e responsável pela Capela do Rato, em Lisboa, considera que Sophia de Mello Breyner Andresen é símbolo de “uma portugalidade de excelência”.

O sacerdote e poeta madeirense falou à Agência ECCLESIA a respeito da trasladação do corpo da escritora para o Panteão Nacional, uma cerimónia marcada para 2 de julho cujo percurso, desde percurso o Cemitério de Carnide, em Lisboa, inclui uma passagem pela Capela do Rato, onde será celebrada Missa, e pela Assembleia da República.
Numa altura em que Portugal precisa “de símbolos, de mulheres e de homens que corporizem um ideal de nação”, o padre Tolentino Mendonça entende que a distinção é “absolutamente” certa.
Em declarações publicadas nas mais recente edição do Semanário ECCLESIA, cujo dossier temático é dedicado a Sophia de Mello Breyner, o poeta e ensaísta diz que a vida desta escritora foi marcada por uma “perceção profunda daquilo que os portugueses são como povo” e ao mesmo tempo por uma “grande abertura ao mundo”.
Toda a sua “criação poética” deixa transparecer uma mensagem de “empenhamento no mundo, uma grande atenção ao real”, o que “num tempo em que faltam mestres de humanidade, do que é ser pessoa”, representa “um legado incalculável”, acrescenta.
O capelão da Capela do Rato acredita que a trasladação de Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional pode servir de inspiração para várias “gerações”, dado que “a sua obra é um legado profético, sempre desafiador”, que aponta para o “futuro” e tem um caráter “absolutamente transversal”.
“Sendo um clássico da nossa língua, Sophia tem um discurso legível para todos, desde um operário a um intelectual, todos são capazes de entender o significado e a força da sua palavra”, realça o padre Tolentino Mendonça.
Quanto ao significado da Eucaristia na Capela do Rato, que vai anteceder a transladação do corpo da poetiza para o Panteão Nacional, 10 anos após a sua morte, o sacerdote recorda o papel que aquele espaço desempenhou para “uma geração” de católicos, como a de Sophia, que lutou “contra o Estado Novo, a guerra colonial e contra a posição da Igreja nesse contexto”.
“A Capela do Rato também é um lugar de cultura. E nesse sentido, penso que é uma grande alegria e o reconhecimento que nos reunamos naquele espaço para celebrar uma oração em memória da grande poetisa”, complementa.
Segundo o responsável católico, o facto de Sophia de Mello Breyner Andresen ter assumido uma posição critica face ao posicionamento da hierarquia católica perante o regime de Salazar não marcou de forma negativa a sua relação com a fé.
“É muito clara a pertença espiritual de Sophia de Mello Breyner ao espaço cristão e católico e essa foi uma linha persistente na sua vida, sobre isso não há dúvidas”, sustenta.
José Tolentino Mendonça destaca a forma “ativa” como a poetisa viveu a sua condição católica, sobretudo numa época em que o Concílio Vaticano II (1962-1965) deixava antever uma maior “abertura” da Igreja ao mundo, aos “leigos”, e também exortava à “construção de um mundo justo”.
“No fundo, essa viragem eclesiológica que o Concílio inaugura vai ser depois corporizada também por tantos leigos e pastores no interior da Igreja Católica, e na Igreja portuguesa, que vão viver a sua fé de uma forma desassossegada. Mas bendita da fé que é vivida de uma forma desassossegada”, conclui o diretor do SNPC.
Fonte: aqui

quinta-feira, 26 de junho de 2014

quarta-feira, 25 de junho de 2014

7 conselhos para ser um bom pai

É preciso aprender de Deus Pai, pois todo pai tem n'Ele não apenas um modelo, mas uma fonte de graças para realizar sua missão
São muitos os homens que gostariam de ser bons pais, mas não sabem o que é preciso fazer para conseguir isso e, ainda que hoje em dia haja muitas ferramentas para educar os filhos, nem sempre se tem o tempo ou o dinheiro necessários para adquiri-las.

O que fazer, então?

Basta usar o método de aprendizagem mais antigo e simples que existe: aprender de Deus Pai, pois todo pai tem nEle não somente um modelo a seguir, mas também pode lhe pedir a graça de poder imitá-lo em suas qualidades paternas. Algumas delas são as seguintes:

1. Ame incondicionalmente seus filhos

Deus nos ama como somos, com todos os nossos defeitos, vícios e pecados -  o que não significa que Ele os aprove (Ele quer que os superemos), mas que nem por isso deixa de nos amar. Pais, peçam ao Pai que lhes comunique um amor incondicional aos seus filhos, para aceitá-los como são.

2. Expresse seu amor aos seus filhos

Ao longo da Bíblia, vemos que Deus sempre exprime seu amor por nós. Pais, peçam ao Pai que não lhes permita "dar por descontado" que seus filhos sabem que vocês os amam, mas que os inspire a dizer isso a eles e, sobretudo, a demonstrá-lo.

3. Conheça bem seus filhos

Jesus disse que o Pai sabe do que precisamos. Mas como Ele sabe? Porque está sempre prestando atenção em nós. Pais, peçam ao Pai que os livre de ignorar seus filhos e os ajude a dedicar mais tempo a conhecê-los e descobrir suas qualidades e defeitos, para, assim, incentivá-los a desenvolver os primeiros e dominar os segundos.

4. Dê aos seus filhos apenas o que lhes convém

São Tiago disse que não recebemos tudo o que pedimos porque pedimos mal (cf. Tiago 4, 3). Isso significa que Deus não nos dá aquilo que não nos convém. Pais, peçam ao Pai prudência e sabedoria para não ceder diante de todos os pedidos dos seus filhos, mas saber dar a cada um somente aquilo que contribuir para seu verdadeiro bem.

5. Cultive a proximidade e a comunicação

Jesus afirmou que, ainda que todos o abandonassem, Ele nunca estaria sozinho, porque o Pai estava com Ele (cf. João 16, 32). Pais, peçam ao Pai que os ajude a manter a proximidade, não só física, mas de comunicação com seus filhos, para conhecer suas alegrias, tristezas, dificuldades, projetos e amizades.

6. Apoie seus filhos

Em todo momento, Jesus se sentiu apoiado pelo seu Pai. Pais, peçam ao Pai que os livre de passar o tempo todo criticando seus filhos, jogando-lhes na cara o que fazem de errado; que os ilumine para saber incentivar seus filhos naquilo que eles fazem bem e para fazê-los sentir que vocês valorizam suas qualidades e estão orgulhosos deles.

7. Conduza seus filhos ao bem

O Pai enviou Jesus ao mundo para nos trazer o maior bem possível: a salvação (cf. João 3, 16-17). Pais, peçam ao Pai a graça de compreender que sua maior vitória será ensinar seus filhos a dar-se, não só a receber; a servir os outros, não a ser servidos; a desfrutar a vida de maneira generosa, não egoísta, descobrindo a alegria de usar seus dons em benefícios de outros.
Fonte: aqui

terça-feira, 24 de junho de 2014

«Estima» pelos sacerdotes

O bispo da Guarda convidou as suas comunidades a fazerem da jornada mundial de oração pela santificação do clero, na próxima sexta-feira, uma oportunidade para manifestarem “a sua estima” pelos sacerdotes que servem a diocese.

D. Manuel Felício realça os "párocos” que desempenham as missões “que lhes estão confiadas” com “um notável esforço".
 Numa altura em que os sacerdotes são “particularmente necessários”, em que “diminuem em número ou as suas forças também diminuem, pelo avanço da idade ou pela doença”, aponta o prelado, é preciso “dar graças a Deus” por todos quantos de forma “generosa” se entregam “à missão sacerdotal”.
De acordo com o bispo da Guarda, “o poder e a força da Graça de Deus são visíveis na vida e na ação dos sacerdotes que dedicada e generosamente muitas vezes vão além dos limites das suas forças físicas e mesmo do que socialmente é espectável”.
No entanto, só através da “oração intensa e fervorosa dos fiéis” é que eles podem alcançar a “santificação ardentemente desejada por Cristo”.
D. Manuel Felício espera “que a próxima solenidade do Coração de Jesus seja oportunidade bem aproveitada por todas e cada uma das paróquias e comunidades para motivar a oração constante e fervorosa pelo dom do Ministério Sacerdotal”.
Fonte: aqui

Finalmente, um ato de reconhecimento!
Não é todos os dias que se vê um Bispo a reconhecer publicamente o trabalho dos seus párocos! Quando algum morre, lá surge uma palavra de reconhecimento. Acho muito mais belo e oportuno que esse reconhecimento seja feito em vida!
Neste campo, confesso que esperava mais do nosso Papa Francisco! Mas o tempo ainda é pouco...
Por norma, o discurso, já batido, é na linha da exigência. Os padres devem ser isto, aquilo, aqueloutro... Um ideal de padre só compatível com seres angélicos, quando os padres são feitos do mesmo barro que os outros seres humanos.
Olhemos para Cristo e para os apóstolos que escolheu. Pedro negou-O; Judas traiu-O; João e Tiago buscavam "tacho"... Apesar disto, algum foi corrido por Cristo!? O Senhor sabia que o plano do Pai não consistia na escolha de seres angélicos, mas na escolha de humanos, calejados por faltas e limitações.
E é a estes escolhidos que Jesus convida: "Vinde e descansai um pouco". Esta atenção, reconhecimento e humanidade de Cristo deveria ser um claro desafio à postura dos nossos bispos.
Os párocos, com todas as suas limitações, são, na minha modesta opinião, os trabalhadores mais importantes da vinha do Senhor. Eles sentem diariamente o "cheiro das ovelhas"!
Dos leigos recebem, bastas vezes, ingratidão, incompreensão, não colaboração, indiferença. As comunidades tanto exigem isto como o contrário disto. Tanto criticam por fazer como não  fazer. Tanto reclamam por ser assim como por ser assado...
Que ao menos experimentem a presença, a defesa e o reconhecimento recriador do seu Bispo!
Assim, obrigado, D. Felício!

Solução baseada apenas na “tirania dos números”

O bispo do Porto considera que a decisão do Governo
em fechar mais 311 escolas do primeiro ciclo no país
é uma solução baseada apenas na “tirania dos números”
e que revela a falta “de uma cultura de visão para o futuro”.

Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, D. António Francisco dos Santos, responsável por uma das dioceses mais atingidas pela decisão do Ministério da Educação, sublinha que mais do que “medidas tomadas por inércia” é preciso encontrar soluções para “as causas” que estão por detrás do fecho destas escolas.
Entre elas, aponta o prelado, estão problemas como “a baixa da natalidade” e o “abandono das terras”, sobretudo no “interior” do país, devido à inexistência de “ideias criadoras de emprego”.
“Não há escolas porque não há crianças, mas isto acontece porque a montante não tem havido um projeto impulsionador de uma transformação do país que leve as pessoas a fixarem-se com motivações, com trabalho, com esperança, com sonhos”, com uma perspetiva de vida integrada “no todo nacional”, sustenta o bispo do Porto.
Para o antigo presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, esta decisão vai reforçar a necessidade das populações em centrarem-se “nos grandes espaços demográficos das cidades”, deixando os restantes territórios cada vez mais “despovoados”.
Algo que é ainda mais difícil de entender porque surge “quase na eminência do novo ano letivo”, ou seja, muitas famílias “nem estão preparadas” para reorganizarem a sua vida.
Em causa está também a “liberdade” das comunidades e das famílias escolherem a solução mais conveniente para as suas crianças e jovens.
“Não pode ser só o Estado a decidir o encerramento das escolas sem ouvir inclusivamente as instituições locais, que podiam proporcionar respostas de escolas particulares que fossem ir ao encontro da realidade local”, sobretudo nas regiões do interior, “que são as mais desfavorecidas”, complementa D. António Francisco dos Santos.
A missiva do Governo dedicada ao “processo de reorganização da rede escolar para 2014/2015” refere que as crianças das 311 escolas em questão vão ser integradas em “centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino com melhores condições”
O gabinete do ministro Nuno Crato frisa que na base desta estratégia estiveram, entre outros pontos, a intenção de “reduzir os riscos de abandono e insucesso escolares, mais elevados em escolas com menores recursos e alunos”.
Assegura ainda que durante o processo foram salvaguardadas “questões como a distância para a escola de destino e tempo de percurso, as condições da escola de acolhimento, o transporte e as refeições”.
“Nos casos em que não foi possível garantir essas condições, foram mantidas em funcionamento as escolas em causa com uma autorização excecional”, realça o comunicado do ME.
Na lista fornecida pelo Governo, os distritos de Viseu (57 escolas), de Aveiro (49) e do Porto (41) estão entre as regiões mais abrangidas pela reorganização da rede escolar nacional.
Fonte: aqui

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O futuro religioso daqueles 25 Adolescentes ficou-me "a moer o juízo"

A propósito da Profissão de Fé que ontem celebrámos em Tarouca, deixo aqui o testemunho do P.e Justino, Pároco de Vila Nova de Paiva.
Também me "ficam a moer o juízo" preocupações iguais!!!
"Ontem foi um dia pleno. De manhã celebramos, com 15 Adolescentes, os seus familiares e amigos, a Festa da Profissão de Fé, depois de seis anos de Catequese. Tudo muito bem organizado, bem celebrado, bem cantado e bem fotografado. E agora, vamos ter mais sangue novo na Eucaristia ou seguem o exemplo dos pardais, mal toca o sino fogem, em revoada, para longe do campanário? Nunca as Catequeses estive...ram tão bem organizadas, nunca tivemos tão ilustres catequistas e nunca geraram tantos pagãos. Nascem e vivem sem tomarem o chá religioso. A maior parte das famílias vivem como se Deus não existisse e não se importam se os filhos vão ou não à Eucaristia. Está a crescer uma juventude incrédula. Não negam Deus nem a Igreja mas vivem como se não existissem. E saíram das nossas Catequeses!...Que falta fazem as Avós! Eram as Mestras da Catequese, da boa educação, do respeito...mas aferrolharam a sua sabedoria nos Lares.. .
Mas o futuro religioso daqueles 15 Adolescentes ficou-me a moer o juízo."
In facebook

DESMESURA

Há uma desmesura em torno do futebol.
Espera-se demais do futebol. Sofre-se demais com o futebol. Gasta-se demais com o futebol.
Quando a expectativa é grande, a decepção arrisca-se a não ser pequena. 
Até parece que esta segunda-feira acordou cinzenta e não por causa das nuvens.
Ponhamos o futebol no seu devido lugar. É um desporto que envolve muitos praticantes e incontáveis espectadores.
Tem, portanto, o seu espaço e o seu tempo.
Mas não deve ocupar todo o espaço da vida. Nem todo o tempo do mundo!
Fonte: aqui

domingo, 22 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

Tarouca: Encontro da Cidadania Política


21 de junho, Auditório Municipal de Tarouca. A Assembleia Municipal organiza o Encontro da Cidadania Política, com a participação ativa de todas as forças políticas.

A forma tradicional de fazer política está esgotada .
Os cidadãos querem participar livremente sem aderir a partidos ou outras organizações. Por isso, este Encontro, com a colaboração de todos os eleitos, independentemente ...da sua força partidária.
A Assembleia Municipal de Tarouca abre as portas para a participação de todos os cidadãos.
  O Congresso da Cidadania Política oferece ao cidadão uma forma de participar na construção do seu futuro.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Papa Francisco e o Batismo

Que mudou?
Eu gosto muito do Papa Francisco.
Muita gente, dentro e fora da Igreja, o admira.
Há muitas pessoas que se ficam pelos seus gestos carregados de humana proximidade, por frases suas, muitas vezes retiradas do contexto, e que circulam pelas redes sociais. Mas conhecer os seus escritos, penetrar na sua mensagem toda, quem o faz?

Em relação aos batismos, o Papa não fez nada nem disse nada que não esteja dentro da doutrina da Igreja. Nem outra coisa seria de esperar...
Não havia na lei da Igreja proibição de batizar uma criança filha de pais recasados ou em união de facto. Até porque ninguém os pais... O que havia e há é a prática pastoral de ajudar a refletir os pais que vivem "juntos" e não estão casados catolicamente, quando podiam estar,  propondo-lhes - não impondo - que repensem a sua situação diante da Igreja antes de pedir a entrada na Igreja para o seu filho.
Certamente haveria casos de paróquias mais "papistas que o Papa", onde porventura houvesse uma interpretação rigorista da lei da Igreja. Mas uma andorinha não faz a Primavera...

E EM RELAÇÃO AOS PADRINHOS, QUE MUDOU O PAPA FRANCISCO?
Nada, nada, nada. Mantêm-se as diretrizes da Igreja, tal como estavam.

OS RECASOS OU EM UNIÃO DE FACTO JÁ PODEM COMUNGAR?
Certamente este assunto será debatido nos dois próximos sínodos sobre a Família. Mas até ao momento, o Papa  não fez qualquer alteração à disciplina da Igreja.