segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Hoje estamos aqui para celebrar 50 anos de casamento dos nossos avós.

50 anos é muito tempo. É uma vida inteira de histórias, de mudanças, de momentos bons e de momentos menos bons. E, olhando para trás, é difícil imaginar tudo o que aconteceu desde aquele dia em que decidiram casar.

Até porque, no vosso caso, parece que havia alguma pressa. Começaram a namorar e, 15 dias depois, estavam casados.

Não sabemos se isto foi amor à primeira vista ou simplesmente falta de tempo para pensar bem no assunto.

Mas resultou.

E 50 anos depois, aqui estamos nós.

E entretanto veio uma vida inteira.

Houve França, houve Paris, nasceram lá os nossos pais, e depois veio o regresso a Portugal e uma nova fase da vida.

E dessa vida nasceu também uma família que foi crescendo.

E nós, os quatro netos, tivemos a sorte de crescer muito perto dos avós.

Passámos grande parte dos nossos primeiros anos em casa deles. Foi a avó que nos viu crescer, que cuidou de nós, que nos mudou as fraldas e que esteve presente em tantas das pequenas coisas que, quando somos crianças, nem percebemos a importância que têm.

Hoje percebemos.

A avó sempre foi aquela pessoa que conhece toda a gente. E quando dizemos toda a gente, é mesmo toda a gente.

É quase impossível ir a algum lado com ela sem aparecer alguém que ela conhece.

Acho que, se um dia a deixássemos sozinha no meio de uma cidade qualquer, passado meia hora já tinha feito amigos.

E depois temos o avô, o nosso Pinto, o grande Gadanha.

O avô é uma personagem completamente diferente.

É o homem das piadas, dos conselhos e, sobretudo, dos conselhos que ninguém pediu.

Especialmente quando o assunto é amor.

E lá vem ele “Oh meu netinho, tu ouve os conselhos do teu avô.”

E nós ouvimos. Nem sempre seguimos, mas ouvimos. Também temos de reconhecer uma coisa: o avô sempre foi uma figura de proteção para nós. Aquela pessoa que está ali, que toma conta, que se preocupa e que, se for preciso, aparece logo.

Mesmo quando essa proteção vem acompanhada de uma piada ou de um conselho amoroso completamente inesperado ou então de uma mini sagres.

Os avós também nos ensinaram que uma família é estar juntos. E isso vê-se especialmente na casa deles.

No dia de Santa Tecla, por exemplo, parece que a casa deixa de ser uma casa e passa a ser um restaurante.

Há sempre imensa gente, comida, conversa e muita alegria.

E, de alguma maneira, cabe sempre mais alguém.

Acho que isso é uma das coisas mais bonitas que temos na nossa família: saber que há sempre espaço para mais uma pessoa.

E claro que, para alimentar tanta gente, também era preciso alguma criatividade.

O avô e a avó tinham uma técnica muito própria para fazer o vinho chegar para todos quando estavam em França, que passava por misturar vinho português com água para oferecer aos franceses….

Não sabemos se era uma receita tradicional, uma questão de economia ou simplesmente uma maneira de garantir que ninguém ficava sem beber.

Mas funcionava.

E, olhando para trás, talvez essa seja uma das melhores representações da vida que construíram, fazer muito com aquilo que tinham, partilhar o que tinham com os outros e nunca deixar ninguém de fora, nem ninguém com sede.

Porque, se há uma coisa que reconhecemos nos nossos avós, é que nunca baixaram os braços.

Construíram uma vida juntos, atravessaram mudanças, viveram em França, regressaram a Portugal, criaram uma família e chegaram até aqui.

E fizeram tudo isto mantendo aquilo que sempre foi tão característico deles: a família reunida, a porta aberta e a vontade de estar sempre presente para os outros.

E nós tivemos a sorte de crescer com isso.

Tivemos avós que estiveram presentes quando éramos pequenos e que continuam presentes agora que estamos a crescer.

E talvez seja essa a melhor maneira de explicar o que estes 50 anos significam para nós.

Não são apenas 50 anos de casamento.

São 50 anos de uma história que acabou por se tornar também a nossa história.

Uma história que começou com duas pessoas que decidiram casar 15 dias depois de se conhecerem, e que acabou por dar origem a quatro netos que hoje estão aqui, a agradecer-vos por tudo aquilo que fizeram por nós.

Avó e avô,

obrigado por nos terem dado uma família onde nunca faltou amor, comida, histórias, piadas, conselhos e, aparentemente, vinho com água.

Esperamos poder continuar a celebrar muitos momentos convosco.

Gostamos muito de vocês.

 Os vossos netos: Tiago, Diogo, Camila e Daniel

Daniel: “Quero dizer que gosto muito dos meus avós e espero que eles façam mais 50 anos!”

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