terça-feira, 9 de maio de 2017

Depressão e suicídio na Igreja: quando os padres precisam de ajuda

Está na hora de estender a mão aos religiosos e religiosas sobrecarregados: eles também são seres humanos necessitados


16 de novembro de 2016: o padre Rosalino Santos, de 34 anos, pároco na cidade sul-matogrossense de Corumbá, publica no Facebook uma foto de quando era criança, legendada com frases soltas: “Dei o meu melhor“, “Me ilumine, Senhor“. Dois dias depois, o seu corpo sem vida é encontrado pendendo de uma forca.
Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, de Salvador, se atira de um viaduto aos 37 anos de idade.


Dentro do mesmo período de 15 dias, um terceiro sacerdote brasileiro dá fim à própria vida, com apenas 31 anos: o pároco Renildo Andrade Maia, em Contagem, Minas Gerais.


A sequência de suicídios de padres católicos chamou a atenção da mídia e voltou a ser abordada recentemente em uma relevante reportagem da BBC Brasil, que, a respeito desses casos, consultou  o psicólogo Ênio Pinto, atuante há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo. Desde que foi fundado, no ano 2000, o instituto voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos a serviço da Igreja atendeu por volta de 3.700 pacientes.
Autor do livro “Os Padres em Psicoterapia“, Ênio observa que “a vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós. Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”.


Esta visão é compartilhada pelo psicólogo William Pereira, autor do livro “Sofrimento Psíquico dos Presbíteros“. Para William, “o grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade. Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”.


Os especialistas consultados pela reportagem da BBC indicam o excesso de trabalho, a falta de lazer e a perda de motivação entre os possíveis fatores que levam religiosos ao suicídio.
De fato, uma pesquisa feita em 2008 pela organização Isma Brasil, voltada a estudar e tratar do estresse, já apontava que a vida sacerdotal era uma das ocupações mais estressantes: dos 1.600 padres e freiras entrevistados naquele ano, 448 (28%) se disseram “emocionalmente exaustos”, um percentual superior ao dos policiais (26%), dos executivos (20%) e dos motoristas de ônibus (15%).


Para Ana Maria Rossi, a psicóloga coordenadora da pesquisa, os padres diocesanos são mais propensos a sofrer de estresse do que os religiosos que vivem reclusos: “Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes: os padres têm que estar à disposição dos fiéis 24 horas por dia, sete dias por semana”.
Muito distante da “vida mansa” que os desinformados imaginam, o dia-a-dia da maioria dos sacerdotes é pontuado por celebrações de batizados, casamentos, unções dos enfermos, escuta de confissões e muitas atividades pastorais que incluem a caridade e as atenções a pessoas necessitadas, além da celebração diária da Santa Missa, das orações pessoais ou comunitárias e dos tempos de estudo – sem mencionar os muitos casos em que o padre ainda dá aulas e atende os fiéis em direção espiritual.


Conforme os dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a média nacional é de 1 padre para cada 5.600 fiéis.


Diretor da Âncora, uma casa de repouso no Paraná para padres e freiras com estresse, ansiedade ou depressão, o padre Adalto Chitolina confirma que, para eles, “sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático. Ao longo de 2016, a nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”.
Um dos sacerdotes atendidos pelo centro Âncora foi o padre Edson Barbosa, de Andradina, SP, que, dormindo pouco, comendo mal e se sentindo irritadiço, começou a beber. Ao se dar conta do rumo que estava tomando, pediu dispensa das atividades paroquiais e se internou durante três meses na casa de repouso. Após as consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos que o ajudaram a trocar o álcool pelo novo hábito de fazer caminhadas e pedalar, o padre de 36 anos está sóbrio há um ano e nove meses e testemunha: “Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”.
O padre Douglas Fontes, reitor do seminário São José, de Niterói, RJ, costuma alertar os futuros sacerdotes sobre a importância de cuidarem mais da própria saúde: “Jamais amaremos o próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não cumpriremos a missão que Deus nos confiou”.
O bom conselho é reforçado pelo arcebispo de Porto Alegre, RS, dom Jaime Spengler, que preside a comissão da CNBB voltada à vida pessoal dos padres. Ele afirma que os sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo quando sentirem tensão psicológica ou esgotamento físico: “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E, nesta família, cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e zelar pelas necessidades dos filhos”.
O Brasil não é exceção no quadro de estresse que afeta os religiosos sobrecarregados. A universidade espanhola de Salamanca ouviu 881 sacerdotes do México, da Costa Rica e de Porto Rico para identificar uma alta incidência, entre eles, de transtornos relacionados à atividade sacerdotal: “Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome do esgotamento profissional”, informa Helena de Mézerville, autora da pesquisa.
burnout é conhecido na Itália, entre alguns sacerdotes, como a “síndrome do bom samaritano desiludido”.
Mas os padres católicos estão longe de ser os únicos atingidos. A BBC também ouviu o xeque do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu, PR, Ahmad Mazloum, para quem “é preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, da mente e do corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”. O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista, concorda e observa que “a natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”.

Fiéis devem ficar atentos, julgar menos e ajudar mais

É oportuno lembrar aos leitores católicos que é dever cristão de todos nós zelar pelo bem das almas – e isto inclui a alma dos nossos sacerdotes, religiosos, seminaristas, freiras e leigos consagrados. Eles contam com especial graça de Deus, certamente, mas Deus sempre deixou claro que confia o acolhimento da Sua graça à nossa liberdade, inteligência e caridade: precisamos fazer a nossa parte por nós próprios e pelos outros, ajudando-os especialmente quando estão sobrecarregados e necessitados da nossa fraternidade.
Devemos tomar em especial o cuidado de não cometer injustos julgamentos baseados na visão imatura de que “o que falta a esses padres é vida de oração“. Isto é um reducionismo que pode chegar a ser grave pecado de calúnia ou, no mínimo, maledicência. Mesmo as pessoas que vivem intensamente a fé e uma sólida espiritualidade estão sujeitas, sim, ao esgotamento físico e, portanto, à necessidade de ajuda.
Se julgarmos menos e ajudarmos mais, viveremos com mais coerência o cristianismo que dizemos professar e que tanto gostamos de cobrar dos outros.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Ontem recebeste o Leitorado

Foto de Olinda Coutinho.
Parabéns, Fernando! Leitor já és! Segue-se, a seu tempo, o Acolitado. Depois virá o Sacramento da Ordem, 1º como Diácono e depois como Presbítero. Segue-se a missão onde a Igreja o entender. Boa e sólida caminhada!
Já adulto, deixaste o emprego, o curso superior que frequentavas e a tua vida para entrares no Seminário. Não é propriamente fácil para uma pessoa com cerca de 30 anos habituar-se à dinâmica de uma vida de Seminário. Mas porque sabias o que querias e, sobretudo, porque a voz de Deus foi mais forte, arriscaste.
Ontem recebeste o Leitorado.
Aqui do meu canto, continuo a rezar, a apoiar, a acolher e a incentivar. Que a vontade santa e bela de Deus seja a estrada para a tua felicidade.
Parabéns, amigo!|

domingo, 7 de maio de 2017

Macron é o mais jovem Presidente de França


Emmanuel Macron é o novo Presidente de França. O centrista derrotou a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, e, aos 39 anos, torna-se o mais jovem presidente francês.
Nas urnas, os franceses tranquilizaram a Europa, já que o Presidente agora eleito é um europeísta convicto, defende o euro e as regras europeias sobre os défices.
Nas urnas, os franceses afastaram do poder o extremismo e os emigrantes podem ficar mais tranquilos.
Nas urnas, os franceses afastaram a ameaça do populismo e as forças políticas que cultivam o medo e a intolerância,
Ns urnas, os franceses puseram os partidos tradicionais a questionar-se. Macron costuma dizer que ele  nem é de esquerda nem de direita. Quer acabar com as divisões entre os franceses e unir a França. Diz que a bipolarização tradicional entre a esquerda e a direita está ultrapassada.
Por agora, parece que o ocidente ganhou e podemos todos ficar mais descansados.
Démocratie vivante!




sábado, 6 de maio de 2017

A todas as mães, os meus parabéns!


Em 6 de abril de 2007, nasceu o Asas da Montanha

Curiosidade. Ao procurar um post antigo que eu sabia que havia postado, embora não lembrasse a data, dei comigo no início do blog. Raparei que nasceu no dia 6 de abril de 2007, era então Sexta-Feira Santa.
Porque recordar é viver, visitei as primeiras postagens. Uma delas referia-se a Imagens da Ressurreição de Cristo existentes na Igreja Paroquial de Tarouca.
Aqui a volta a colocar. Até porque estamos em pleno Tempo Pascal.


Cristo Ressuscitado na Igreja de Tarouca
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Não deixa de ser interessante verificar que na Igreja Paroquial de Tarouca, cuja origem remonta à Idade Média, existam duas claras referências à RESSURREIÇÃO. Uma bela escultura presente na porta do sacrário e uma pintura existente no túmulo manuelino atestam que os nossos antepassados eram cristãos do fundamental.

De facto, como diz São Paulo, se Cristo não tivesse ressuscitado, seria vã a nossa fé.
"A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo e representa, com a Cruz, uma parte essencial do Mistério pascal."
"A Ressurreição é o culminar da Encarnação. Ela confirma a divindade de Cristo, e também tudo o que Ele fez e ensinou, e realiza todas as promessas divinas em nosso favor. Além disso, o Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa Ressurreição: a partir de agora, Ele garante-nos a graça da adopção filial que é a participação real na sua vida de Filho unigénito; depois, no final dos tempos,
Ele ressuscitará o nosso corpo. "
(Catecismo da Igreja Católica)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Arcispreoado de Armamar/Tarouca - Dia Sacerdotal com a presença do senhor Bispo

Decorreu em 4 de maio, no Centro Paroquial de Tarouca, o Dia Sacerdotal do Arciprestado de Armamar e Tarouca, presidido pelo nosso Bispo, D. António Couto.
Da parte da manhã, na sala dos jovens, decorreu o encontro, que o sr. Bispo orientou, que poderíamos resumir "marcados pelo óleo do Espírito para o serviço do povo de Deus". Serviço marcado pelo acolhimento, pela formação e pela missão.
Houve uma saudável troca de pontos de vista, de experiências e de interrogações que cimentou o espírito de comunhão sacerdotal e ajudou os presentes a sedimentar o fundamental do ministério ordenado, onde a formação dos cristãos funciona como eixo essencial do serviço sacerdotal.
O sr. Bispo, que já conhecia a parte do Centro Paroquial onde funciona o Centro Catequético em virtude da Visita Pastoral que realizou a esta Paróquia, teve então oportunidade de conhecer o edifício recentemente construído. O mesmo aconteceu com alguns sacerdotes do arciprestado que ainda o não conheciam.  Soube bem ouvir a palavra elogiosa do Bispo e dos sacerdotes pelo que viram e sentir a felicitação que dirigiram ao Pároco e à comunidade paroquial.
Recorde-se que, em virtude de doença, D. António Couto não pôde estar presença na data da inauguração em 27 de novembro último.
O encontro encerrou com uma simples refeição fraterna confecionada na cozinha do Centro Paroquial e nele servida.
Obrigado, senhor Bispo pela sua presença amiga e acolhedora.
Obrigado sr. Arcipreste e senhores padres pela vossa amizade.
Obrigado senhoras cozinheiras e a quem igualmente contribuiu para esta refeição.
 
 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Pensamentos de Baden Powell

"Muitas pessoas devem a grandeza de suas vidas aos problemas que tiveram de vencer."

"Deixar o mundo um pouco melhor do que encontramos."

"Creio que Deus nos colocou nesta vida para sermos felizes."

"Se você acha que é possível ter uma vida perfeita, viverá em eterna frustração. Altos e baixos, alegria e tristeza, entusiasmo e decepção são partes integrantes da nossa existência. Lute sempre para melhorar e alegre-se com suas conquistas."

"Diante de cada Homem, abrem-se dois caminhos: o do egoísmo ou o do Serviço.
Cada um terá que escolher por si próprio qual será o verdadeiro lema. O egoísmo é mais cómodo; o Serviço envolve sacrifício.
Se um indivíduo não é capaz de se sacrificar, não tem direito de se chamar Homem.
Mas se se sacrifica para servir, exprimindo da melhor maneira possível o seu amor, pode estar certo de que a vida será para ele um bem muito real, cheia de Felicidade”.

“Se tiver o hábito de fazer as coisas com alegria, raramente encontrará situações difíceis."

"Se a vida fosse sempre fácil, seria insípida."

"Nunca um homem que não cometeu erros fez nada."

"A criança não aprende o que os mais velhos dizem, mas o que eles fazem."
"Se a vida fosse sempre fácil, seria insípida."

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1 de MAIO / 2017: DIA DOS TRABALHADORES e FESTA DE S. JOSÉ OPERÁRIO

Foto de Joaquim Correia Duarte.
O "Dia do Trabalhador" nasceu para lembrar o massacre dos trabalhadores, acontecido em Chicago no ano de 1886....
Durante uma greve, os trabalhadores foram massacrados sem piedade pelos poderosos da época.

O Papa Pio XII instituiu a festa de "São José Operário", em 1955, oferecendo a todos os trabalhadores um protector e um modelo.
São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e permitiu que as profecias se cumprissem.
O Papa Leão XIII disse que os operários têm o direito de recorrer a São José e de procurar imitá-lo. Porque São José, de família real, casado com a mais santa entre todas as mulheres, considerado o pai do Filho de Deus, retirou, do seu trabalho de carpinteiro, o sustento da Sagrada Família. A escolha de São José como padroeiro dos trabalhadores mostra que a Igreja está, e deve estar sempre, do lado dos mais fracos e injustiçados.
Numa sociedade materialista e ambiciosa, que divide as pessoas pelo tipo de trabalho e que valoriza o ser humano pelo que ordenado que recebe e pelo lucro que produz, a Igreja quer lembrar, no dia 1º de maio, o valor humano e cristão do trabalhador.
A propósito deste dia, lembro que devemos lutar, com todos nossos esforços, para que a justiça social aconteça em nosso país. Somos cidadãos e precisamos de exigir o nosso direito de viver numa sociedade mais justa e mais humana, onde ninguém seja abusado e explorado.
Nenhum trabalhador de fé – do campo, indústria, ou do comércio, autónomo ou não, mulher ou homem – se esqueça de que ao seu lado estão sempre Jesus e Maria.
A Igreja, nesta festa do trabalho, pela voz autorizada do Papa Pio XII, diz a todos: - “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire na vida social leis mais justas de equitativa repartição de direitos e deveres.”
São José, que na Bíblia é reconhecido como um homem justo, é quem revela com sua vida que Deus também trabalha sem cessar na santificação de Suas obras.
S. Paulo assim dizia, pedindo a todos os trabalhadores que se santificassem através de um trabalho honrado, competente e bem feito: “Seja qual for o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como para o Senhor, e não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a herança como recompensa…
O Senhor é Cristo” (Col 3,23-24).
São José nos acompanhe nesta luta!
Joaquim Correia Duarte, in Facebook