Antigamente, aprendia-se em casa a cumprimentar quem chegava, a respeitar os mais velhos, a agradecer um favor e a pedir licença. Na escola, reforçavam-se essas regras simples, que ajudavam cada um a saber estar. Não era preciso andar de fato e gravata, nem falar de maneira complicada. Bastava ter educação.
Hoje, há hábitos que parecem ter caído em desuso. Não se trata de dizer que tudo era melhor antigamente, nem de querer voltar a outros tempos. Trata-se apenas de perguntar por que razão certas regras tão simples estão a ser esquecidas. Vejamos alguns exemplos:
Dizer palavrões em qualquer conversa, mesmo na presença de crianças ou pessoas mais velhas.
Falar aos gritos, interromper os outros e querer ter sempre a última palavra.
Não cumprimentar quem chega nem se levantar para receber uma visita.
Tratar por «tu» pessoas mais velhas ou desconhecidas, sem ter confiança para isso.
Não ceder passagem nas portas nem dar o lugar a quem precisa, nos transportes públicos.
Furar filas ou fingir que não se vê quem chegou primeiro.
Estar à mesa com os olhos no telemóvel e atender chamadas durante a refeição.
Começar a comer antes de os outros estarem servidos, mastigar de boca aberta ou falar com a boca cheia.
Servir-se em excesso, sem pensar se chega para todos.
Ir à igreja ou a uma cerimónia com roupa própria para a praia.
Levar cães para espaços públicos e não apanhar os dejectos que deixam no chão.
Deixar os animais aproximarem-se de outras pessoas sem saber se estas o desejam.
Fazer barulho com motas, carros ou música em volume tão alto que toda a vizinhança é obrigada a ouvir.
Estacionar nos passeios, bloquear entradas ou ocupar lugares destinados a pessoas com deficiência.
Deixar que a paixão pelo futebol dê lugar a insultos e ofensas, esquecendo que o desporto, mesmo nos jogos dos mais jovens, deve ser uma escola de respeito e de fair-play.
Chegar atrasado e não pedir desculpa.
Interromper uma conversa para contar uma história própria, sem deixar os outros acabar de falar.
Usar as redes sociais para insultar, espalhar boatos ou humilhar outras pessoas.
Confundir sinceridade com falta de delicadeza e à-vontade com falta de respeito.
Deixar lixo no chão, nas bermas das estradas, nos jardins ou nos locais de convívio.
Poderíamos continuar. São coisas pequenas, dirão alguns. Mas é precisamente nas coisas pequenas que se vê a educação de cada um. E não custa dinheiro cumprimentar, agradecer, pedir licença, falar sem ofender ou respeitar o sossego dos outros.
A boa educação não é coisa do passado. É uma necessidade de todos os dias. Não exige riqueza, estudos ou posição social. Aprende-se em casa, cultiva-se na escola e mostra-se na maneira como vivemos e convivemos. Se queremos uma terra mais agradável para viver, comecemos por aquilo que está ao alcance de cada um: voltar a dar valor às boas maneiras.

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