quinta-feira, 29 de abril de 2010

As revoluções são quase sempre um favor de Deus ao mundo

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Revolução Francesa
De França, chegavam entretanto notícias de sangue e de tumulto e ideias subversivas. No mesmo saco, para abanar e deitar fora, metiam os corifeus da revolução a monarquia, a fidalguia e a clerezia. O mundo antigo, feito de grandezas e privilégios em convivência pacífica com opressões e misérias, tudo a coberto de uma Fé ancilosada e instalada, estava gasto pelo tempo e já cheirava a podridão. As revoluções são quase sempre um favor de Deus ao mundo. O maior problema das pessoas nunca foi, nem alguma vez virá a ser, a dor, o sofrimento ou a morte. A maior desgraça é quando se deixa de sonhar: quando as águas param no lago e se transformam em pântano, ou quando o sol se esconde atrás do horizonte e as estrelas não se acendem nas alturas.
Nesses dias de fausto e de grandeza, de acomodação e bem-estar, alguém havia de entrar nas catedrais para purificar os crentes, aceder aos mosteiros para sanear os libertinos e subir às cortes para zurzir as injustiças. Era preciso, mesmo à custa de muitos gritos e algum sangue, remexer consciências hipnotizadas e queimar florestas secas, quase moribundas. Deus só pode ser servido "em espírito e verdade". O céu não pode ser a bandeira que se desfralda para calar a boca dos que sofrem. A terra também tem que ser um pouco de céu, onde haja justiça, igualdade e pão para todos.

Joaquim Correia Duarte, in AS MONJAS DE PORTEJÃES

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