segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O cumprimento perdido

Antigamente, sair à rua era um desfile de “bons dias”, “boas tardes” e acenos de cabeça. Hoje, muitas vezes, é um desfile de auscultadores. A gente nova passa por nós de olhos colados ao chão, ao telemóvel ou ao amigo do lado, como se o resto do mundo estivesse em modo silencioso. Não saúdam, não respondem, não veem. E não, não é timidez: é falta de educação.
Cumprimentar não custa dinheiro, não gasta bateria e não provoca efeitos secundários. É um gesto simples, quase automático, que reconhece o outro como pessoa. Ignorar quem se conhece não é modernidade, nem pressa, nem “coisa da idade”. É má educação, dita sem rodeios.
E convém lembrar: isto não se aprende na escola. Aprende-se em casa. Aprende-se com os pais, com os avós, com o exemplo diário de quem diz “bom dia” ao vizinho e “obrigado” a quem ajuda. A escola ensina muita coisa importante, mas não pode ensinar tudo — muito menos aquilo que devia vir de berço.
Talvez esteja na hora de tirar um auricular, levantar os olhos e recuperar um velho hábito. Um simples “olá” ainda faz milagres.

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