domingo, 12 de junho de 2011

Crianças até aos 17 anos são o grupo mais vulnerável à pobreza

Um estudo encomendado pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, apresentado no Dia Mundial da Criança, mostra que as crianças até aos 17 anos são o grupo mais vulnerável à pobreza, tendo ultrapassado o dos idosos.
Segundo esse estudo, uma em cada quatro crianças (23 por cento) estava, em 2009, inserida em famílias com rendimentos abaixo do limiar de pobreza; 27 por cento viviam uma situação de privação. E mais de uma em cada dez (11,2 por cento) acumulava a forma mais gravosa de pobreza – estava em privação e, ao mesmo tempo, os seus agregados dispunham de rendimentos abaixo do limiar de pobreza.
Os dados mostram que 23 por cento das crianças vivem em alojamentos superlotados e que cinco por cento estão inseridas num agregado que não faz uma refeição de carne ou peixe (ou equivalente vegetariano) pelo menos de dois em dois dias. E não faz porque não tem dinheiro
.
Fonte: aqui

Portugal, século XXI: há escravos levados das Beiras para Espanha

Ao passar por aqui, lembrei-me de Mário Soares quando refere o "direito à indignação."

Em pleno século XXI, portugueses escravizados por portugueses!

Quando o dinheiro toma conta do coração de uma pessoa, esta fica mais tisnada do que a serra devorada pelo fogo avassalante. Sobre os escombros de um coração queimado pelo poder do dinheiro, ergue-se toda a espécie de ervas daninhas: a insensibilidade, o desprezo pela dignidade da pessoa humana, o oportunismo,  a usurpação, o egoísmo, o roubo, a escravatura, a morte...
Gente que se aproveita de pessoas que, por uma razão ou outra, caíram nas margens da vida.
Gente  que, à semelhança da cobra que encanta o passarito para logo a seguir o devorar, faz promessas que encantam o vazio dos pobres para depois, como vampiros, os sugar até à última gota de sangue.
Mas quem assim procede será gente? Não serão fantoches mascarados pelo poder do tirânico dinheiro?

Esses monstros bandidos que escravizam pessoas para enriquecer a qualquer preço não deveriam ter penas adequadas à sua monstruosidade?
O cortejo da escravização do homem pelo homem escorre sob o olhar indiferente da sociedade actual:
- gente escravizada para a agricultura;
- gente escravizada para a prostituição;
- gente escravizada para a guerra;
- gente escravizada para o mundo da toxicodependência;
- gente escravizada para a extracção de órgãos
...

Até quando é que as sociedades vão permitir que o homem seja lobo do homem?

sábado, 11 de junho de 2011

Festas em Honra de São Pedro - Tarouca 2011

Veja aqui.

12 de Junho - Pentecostes

1. Pentecostes: "Vinde, Espírito Santo" - aqui

2. Oração ao Espírito Santo - aqui

3. SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO - aqui

4. "Sem o Espírito Santo, Deus fica longe..." - aqui

sexta-feira, 10 de junho de 2011

No dia 10 de Junho celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

  • Quando nasceu este feriado?O 10 de Junho nasceu com a República quando Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões.
    Camões representava o génio da pátria, representava Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial e era este o significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho.
     

  • O 10 de Junho, dia de Camões, começou a ser festejado a nível nacional com o Estado Novo, um regime instituído em Portugal em 1933, sob a direcção de António de Oliveira Salazar.
     

  • O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é pois um tributo à data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580,  é utilizada para relembrar os feitos passados do povo lusitano E também os milhões de Portugueses que vivem fora do seu país natal.
  • António Barreto critica políticos e pede revisão constitucional

    António Barreto, presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de Junho, fez hoje um discurso fortemente crítico da classe política.

    Barreto começou por realçar aquilo que é novo e aquilo que não o é, na actual crise política: “Nada é novo. Nunca! Já lá estivemos, já o vivemos e já conhecemos. Uma crise financeira, a falência das contas públicas, a despesa pública e privada, ambas excessivas, o desequilíbrio da balança comercial, o descontrolo da actividade do Estado, o pedido de ajuda externa, a intervenção estrangeira, a crise política e a crispação estéril dos dirigentes partidários. Portugal já passou por isso tudo. E recuperou. O nosso país pode ultrapassar, mais uma vez, as dificuldades actuais. Não é seguro que o faça. Mas é possível”, afirmou, realçando de seguida os factores que de facto representam uma novidade no actual cenário internacional.

    “Tudo é novo. Sempre! Uma crise internacional inédita, um mundo globalizado, uma moeda comum a várias nações, um assustador défice da produção nacional, um insuportável grau de endividamento e a mais elevada taxa de desemprego da história. São factos novos que, em simultâneo, tornam tudo mais difícil, mas também podem contribuir para novas soluções. Não é certo que o novo enquadramento internacional ajude a resolver as nossas insuficiências. Mas é possível”, concluiu.

    Barreto passou então ao ataque à classe política, que culpa por não ter sido exemplo daquilo que exige aos cidadãos: “Novo é também o facto de alguns políticos não terem dado o exemplo do sacrifício que impõem aos cidadãos. A indisponibilidade para falarem uns com os outros, para dialogar, para encontrar denominadores comuns e chegar a compromissos contrasta com a facilidade e o oportunismo com que pedem aos cidadãos esforços excepcionais e renúncias a que muitos se recusam”.

    A estes políticos António Barreto pediu agora um maior esforço de diálogo: “Sem encenação medíocre e vazia, os políticos têm de falar uns com os outros, como alguns já não o fazem há muito. Os políticos devem respeitar os empresários e os trabalhadores, o que muitos parecem ter esquecido há algum tempo. Os políticos devem exprimir-se com verdade, princípio moral fundador da liberdade, o que infelizmente tem sido pouco habitual. Os políticos devem dar provas de honestidade e de cordialidade, condições para uma sociedade decente”.

    António Barreto terminou o seu discurso recordando com apelos aos portugueses e ao país para que aprendam a pensar mais nos seus filhos e a conciliar a eficiência e a qualidade, sugerindo ainda a necessidade de uma revisão constitucional a que, “cada geração tem direito”.

    António Barreto falou antes de Cavaco Silva tomar a palavra, nas comemorações do 10 de Junho, em Castelo Branco.

    Fonte: aqui

    quinta-feira, 9 de junho de 2011

    PRIMAVERA DE SONHO

    Corre o tempo ao seu ritmo
    Traz com ele as estações.
    Vem a primeira, a mais bela,
    A Primavera, e com ela,
    O renascer das emoções.

    Esta fresca Primavera,
    Fez desabrochar um botão.
    Fê-lo nascer, num jardim,
    Um cravo, tão belo assim,
    Alegrou meu coração.

    Toda a terra bateu palmas
    Ao vê-lo só, mas feliz.
    Parece um sonho da natureza
    Dando-lhe tão grande beleza...
    Deixai crescer o petiz.

    É o meu cravo de sonho,
    Vou dele bem cuidar.
    Ai da pequena libelinha!
    Se o magoar, pobrezinha,
    Disso, contas vais dar.

    Tudo brota com a Primavera,
    O que a natureza encerra.
    Deixai crescer o cravinho,
    Tornar-se forte, e fofinho,
    Ser o”fã”de toda a terra.

    Oh! como foi bom
    Nascer no meu lindo jardim!
    Uma fofa e rara flor,
    Nela, está a mão do meu Senhor
    Que a fez tão bela assim!



    É vermelha, cor do sangue
    Que nas veias corre sempre.
    Também ela, agora, faz parte
    Do engenho e da arte,
    Que se gera em cada ventre.

    É bonito, é um cravinho,
    Que de mim já faz parte.
    Falo com aquele petiz,
    Ele ri-se, contente e feliz
    E seu nome é «Duarte».

    Tenho que agradecer
    E deixar de ser ingrata.
    De tantas benesses receber
    Mesmo sem o merecer
    Para mim, melhor que ouro e prata.
     Isabel Seiceira Proença

    terça-feira, 7 de junho de 2011

    “Desenvolvimento económico e social ao alcance de todos”

    “Qualquer sistema democrático deve ser caracterizado pela equidade e pela inclusão social de todos os cidadãos, e na situação em que vivemos isto não está a acontecer, antes pelo contrário” sublinhou hoje a presidente da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), Fátima Almeida, em declarações à Agência ECCLESIA.

    Fátima Almeida considera que o executivo que será liderado por Passos Coelho deverá ter como primeira prioridade “criar emprego, com salário justo, com condições de trabalho que dignifiquem as pessoas”.

    Aquela responsável recorda sobretudo os milhares de cidadãos com 45, 50 anos, que de repente, “ficaram sem emprego devido a uma má gestão económica levada a cabo por gestores e políticos”, e que agora “muito dificilmente irão conseguir voltar ao mercado de trabalho”.
    “É importante que, no esforço de reduzir despesas, não se cortem de qualquer forma os apoios sociais a essas pessoas, que têm servido de almofada para a crise que atravessam”, avisa a líder da LOC.

    Fonte: ecclesia

    Conheça o partido que mais gastou na campanha eleitoral

    O Económico fez as contas para ver qual o partido que mais gastou na campanha por cada voto que recebeu este domingo.
    O Bloco de Esquerda foi o partido que mais pagou por cada voto, enquanto a CDU foi quem pagou menos.
    Com uma campanha de 1,99 milhões de euros, cada voto do PSD custou 0,92 cêntimos.
    Já o PS fez a campanha mais cara, no valor de 2,2 milhões de euros, e teve os segundos votos mais caros, com um valor de 1,41 euros.
    Os 700 mil euros que o CDS destinou para a campanha resultaram em 1,07 euros por voto.
    A CDU foi quem pagou menos pelos seus votos, já que gastou 100 mil euros na campanha, o que se traduziu em 0,22 euros.
    Em sentido oposto, o Bloco foi quem mais pagou pelos seus votos, já que gastou 704,8 mil euros na campanha, o equivalente a 2,44 euros por cada voto.
    Fonte: aqui

    segunda-feira, 6 de junho de 2011

    Porreiro, pá!

    Foi bonita a festa. Falaram vencedores e vencidos. Não falaram os responsáveis pelas sondagens. Onde se terão metido eles? Nas últimas semanas, só havia ‘empates técnicos’. Ou, quando muito, uma vantagem de 4 ou 5 pontos do PSD sobre o PS.

    A noite de ontem terminou com o dobro dessa vantagem. Um conselho: os responsáveis pelas sondagens deviam telefonar ao engº Sócrates e combinar com ele umas merecidas férias. Os portugueses não terão saudades desta gente tão cedo. Mas terão saudades do Portugal que conheceram nos últimos anos: um país de festa permanente, onde era possível viver a crédito. Sim, Passos Coelho venceu; a direita tem maioria no Parlamento; mas o país está falido e, para continuar à tona, precisa de fazer em poucos meses o que foi incapaz de fazer em 37 anos de democracia. Isto só se consegue com uma competência e uma determinação invulgares; e nem assim é garantido que regressemos ao mundo dos vivos. Ainda está por provar que a nossa dívida colossal será paga com uma mistura de mais dívida e mais austeridade. E o nosso destino está também intimamente ligado ao destino da União Europeia, do euro e dos nossos parceiros : a Grécia, a Irlanda, até a Espanha. Se eles afundam, afundamos todos.
    João Pereira Coutinho, in Correio da Manhã

    NÃO HAVIA NECESSIDADE

    O momento foi quase surreal e o incómodo tornou-se evidente.

    Estava o ainda primeiro-ministro a responder a perguntas após ter anunciado a sua demissão, quando uma jornalista o confronta com a possibilidade de vir a ser envolvido em processos judiciais.

    Os apupos foram sonoros e a perplexidade notória.

    Acresce que a jornalista era da emissora católica portuguesa.

    Confesso que até eu me senti arrepiado.

    É preciso ter um sentido de oportunidade naquilo que fazemos.

    Percebe-se que haja curiosidade quanto ao futuro dos políticos, mas importa ter uma noção dos limites.

    Aceita-se que a função da comunicação social seja incomodar, mas a daí a provocar vai uma grande distância.

    Independentemente da valoração da acção e do perfil do político em apreço, dava para ver que aquele não era um momento fácil.

    Um político é, antes de mais, um ser humano.

    Que estas atitudes sejam tomadas por alguém em nome de uma emissora católica só faz aumentar o grau de preocupação.

    Não havia necessidade.

    Fonte: aqui

    Ainda não conhece os resultados eleitorais?

    Quer saber os resultados de cada partido a nivel nacional, do concelho de Tarouca, da freguesia de Tarouca?

    A nível nacional: aqui
    A nível do concelho de Tarouca: aqui
    A nível da freguesia de Tarouca: aqui

    OS PORTUGUESES FORAM ÀS URNAS

    Eleições legislativas em 5 de Junho. O PSD foi o grande vencedor e o seu líder, Passos Coelho, será o próximo Primeiro-Ministro.
    No discurso de vitória, pronunciado num tom sereno porque a crise não é para brincadeiras, Passos Coelho deixou a garantia de que o seu Executivo tudo fará para honrar o compromisso assinado com a troika. Fez uma clara alusão à possibilidade de aliança com o CDS para governar o país. «Farei todos os esforços para tão rápido quanto possível garantir ao país um governo de maioria liderado pelo PSD»

    O PS saiu fortemente penalizado desta disputa eleitoral e o seu líder, José Sócrates, demitiu-se na noite eleitoral de Secretário Geral do PS e de todas as funções partidárias.

    Num pais de quem se diz possuir uma maioria sociológica de esquerda, o eleitorado deu a maioria absoluta ao centro-direita - PSD e CDS (50,37%), enquanto os partidos de esquerda com assento parlamentar - PS, CDU e BE não foram além de 41,18%. 

    Notava-se uma saturação do governo Sócrates e ainda muito mais deste. O eleitorado quis dar um sinal claro de mudança. Talvez guidado pelo provérbio que diz: "Quem se muda, Deus ajuda".

    Oxalá que os novos governantes tenham aprendido a lição de como não se deve governar. Que as asneiras sucessivas de Sócrates lhes indiquem o caminho novo a percorrer, conjugando verdade com firmeza, diálogo e abertura com projectos a seguir.
    Cá estaremos para apoiar o que for de apoiar, para discordar no que for de discordar.

    Pessoalmente agradam-me  ideias do CDS quanto a educação (que Maria de Lurdes Rodrigues deixou num caos), segurança e agricultura.
    Gostei de ouvir falar Passos Coelho durante o discurso de vitória de  estado social, de preocupação com os mais frágeis. Gostei ainda do clima de realismo, de não euforia, de abertura a outros partidos e à sociedade   por parte  dos líderes do centro-direita em ordem a serem vencidas as condições de crise que nos apoquentam.
    Oxalá consigam!
    Oxalá consigamos!

    sábado, 4 de junho de 2011

    CP em crise dá carros de luxo a gestores

    A empresa pública de transportes ferroviários tem um prejuízo de 195 milhões de euros, mas cinco gestores da CP têm automóveis cuja renda anual ascende aos 55 mil euros.
    Segundo o Correio da Manhã, a CP - Comboios de Portugal conta com uma frota de Mercedes para uso dos administradores que implica um custo anual de 55.720 euros em rendas, já que os veículos são fornecidos ao abrigo de um contrato de aluguer assinado em 2008.

    A notícia do Correio da Manhã parte de um relatório do Governo da Sociedade da CP, que contudo omite o número de anos em que o contrato vigorará.

    Recorde-se que a CP, empresa pública com um prejuízo de 195 milhões de euros e uma dívida de 3.3 milhões de euros, tem enfrentado sucessivas greves por parte dos seus trabalhadores, descontentes com as condições laborais e críticos do que dizem ser a inflexibilidade da administração da companhia e do Governo.
    Fonte: aqui

    sexta-feira, 3 de junho de 2011

    Campanha eleitoral está nas últimas horas

    Penso que esta campanha eleitoral não deixa grandes saudades. Foi muito marcada "pelo vale tudo" para ganhar votos. Discutiu-se pouco o país, falou-se pouquíssimo do que nos espera a partir de 5 de Junho. O acordo com a troika passou praticamente ao lado da campanha, mas é este que vai obrigar Portugal a uma série de ainda maiores sacrifícios. Valerão a pena?
    Os portugueses têm "direito à indignação", mas não deveria valer tudo para mostrar descontentamento.
    Os portugueses têm direito à informação correcta, a escutar claramente as várias propostas partidárias para vencer a crise. Em vez disso, escutaram um chorrilho ensurdecedor de ataques mútuos, atingindo por vezes uma agressividade que ofende a democracia.
    Vem aí um dia de reflexão. Oxalá sirva para assentar poeiras em cada cidadão e proporciene o clima favorável para que se possa votar em consciência, pensando mais neste país do que nos interesses individuais.
    Acredito que Portugal vai vencer a crise. Com esforço de governantes e de governados, mas vai vencer.
    Então não fique em casa. Exerça  o direito/dever cívicos de votar. Em quem a sua consciência indicar. Mas vote por você, por Portugal.

    quinta-feira, 2 de junho de 2011

    Surto infecioso provocado por uma bactéria em pepinos contaminados.

    Veja aqui informação sobre esta bactéria.

    VOTO CATÓLICO?

    A discussão é sempre um enriquecimento. E, desse ponto de vista, a discordância oferece um ingrediente acrescido.

    Nesta semana, estão a gastar-se os últimos argumentos para as eleições.

    Desta vez, penso eu, não se apelou tanto ao putativo voto católico.

    Aliás, um estudo recentemente aparecido mostra haver crentes (católicos incluídos) que são votantes de todos os partidos. De todos.

    Hoje, surge um texto que faz uma tipificação do voto católico. Apesar de o considerar «saudavelmente inorgânico», situa-o no campo do chamado «centro-direita».

    Aparecem alguns critérios, respeitáveis sem dúvida. Mas omitem-se outros padrões, igualmente decisivos.

    Católico é, por definição, um conceito abrangente. Significa segundo o todo. Por isso é que, desde Aristóteles, se diz que a verdade é católica, ou seja, está na totalidade.

    Mas como nenhum partido (até pela concepção) esgota a totalidade, é natural que a consciência de cada um faça o seu discernimento.

    Esta, a consciência, é que é a instância suprema. Não pode haver nenhuma tutela ou espécie de direito de propriedade sobre os votos seja de quem for.

    Cada partido tem as suas falhas. Cada partido transporta os seus valores.

    Os princípios atinentes à defesa da vida e da família são, inquestionavelmente, importantes. Mas a justiça social e a opção preferencial pelos pobres são as balizas determinantes.

    É preciso não perder de vista que certos partidos apontados como não católicos emergiram porque, a determinada altura, muitos católicos não assumiram como sua a defesa dos mais pobres, a solidariedade e a justiça.

    Católico não é quem diz que é católico. É quem, na humildade e na coerência, procura pôr em prática o projecto de Jesus. O Qual, na pauta para o juízo final, é bastante claro: «Tudo o que fizestes ao mais pequenino dos Meus irmãos foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40).

    É pelo amor ao próximo que mostramos que somos discípulos de Jesus. Os princípios são, seguramente, necessários. Não tanto quando são enunciados. Mas sobretudo quando são vividos.

    Em qualquer caso, não me parece curial encostar a doutrina de Jesus a qualquer quadrante ideológico ou a qualquer segmento político.

    Não me parece que a mensagem libertadora de Cristo seja classificável por determinações ideológicas. O Evangelho não é da direita, não é da esquerda, não é do centro. Terá afinidades pontuais com propostas de cada um destes quadrantes, mas transcende em muito estes referenciais.

    Diria que Jesus, não sendo da direita, da esquerda ou do centro, é do fundo. Do fundo da vida. Do fundo do ser. Do fundo da história. É a partir da profundidade que Ele emite uma energia transformadora. Jesus é, sobretudo, um saudável inconformista, um paladino da justiça.

    Não é na mesa de voto que se deixa de ser católico. Mas a ponderação da condição de católico ao votar é da responsabilidade de cada um.

    A consciência de cada um fará o juízo que lhe aprouver. O voto católico, para o ser, será, acima de tudo, um voto livre. Um voto responsavelmente livre.

    quarta-feira, 1 de junho de 2011

    QUE NÃO SEJA SÓ HOJE DIA DA CRIANÇA

    Não sou, por natureza, muito dado a comemorações. Muitas vezes, estas escondem e escamoteiam o que se passam fora delas. E que, habitualmente, não é muito salutar.

    Neste dia mundial da criança, é importante que se pense no que urge fazer para com as crianças em cada dia.
    É o futuro da sociedade que está em jogo.
    Elas precisam de coisas. Mas necessitam, antes de mais, de presença, de acompanhamento, de afecto.
    Dostoiésvky, ao achar que «o amor é mestre», apelava: «Amai sobretudo as crianças porque, como os anjos, estão isentas de pecado e vivem para a purificação dos nossos corações e como que são um guia para nós. Desgraçado de quem ofenda uma criança».
    As crianças são mestres. Ensinam muito. Mostram, particularmente, que há muito de puro que não deveria desaparecer.
    Jesus verberava quem escandalizasse uma criança.
    Os maus exemplos ficam alojados no seu íntimo. As condutas exemplares ficarão também depositadas no seu coração.
    As crianças merecem o melhor. Porque, como dizia o poeta, elas são o melhor. O melhor do mundo. O melhor de nós.
    Só é verdadeiramente adulto quem nunca deixar de ser totalmente criança!

    (cf. aqui a Declaração dos Direitos das Crianças e aqui a Convenção dos Direitos das Crianças)

    In http://theosfera.blogs.sapo.pt/