terça-feira, 20 de agosto de 2013

Bruxedos

Há anos, circulava numa estrada deste país. Já era escuro. Junto dessa via, fica um cemitério.

Algo me chama a atenção. Paro para ver. À porta desse cemitério, um presunto rodeado de velas a arder. Rodeando tudo, uma coroa de flores vermelhas.

Era a época das sanchas. Um grupinho de pessoas fez-se ao pinhal em busca de tão apreciado petisco, mas não ganhou para o susto.  Bem no interior do pinhal, estava disposta uma mesa, com toalha e tudo. Em cima estava um enorme bolo com boa aparência. À volta garrafas de vinho com rótulo. Uma cruz tosca e muita velas já ardidas compunham o cenário.

Um cenário semelhante foi encontrado no ano passado junto às escadas que descem para a gruta de Carolina, em Santa Helena. Só que aqui as garrafas eram de cerveja.

Junto de uma Igreja, apareceu uma cena semelhante. Belas, garrafas de azeite, sal, moedas e quejandos.

Associados a estes factos está o medo das pessoas que não gostam de ver nem de tocar. Entram em pânico com medo de serem enfeitiçadas e, assim, algo de mal lhes possa acontecer.

E para já não falar de gente que se dirige aos sacerdotes, pedindo as coisas mais estapafúrdias, como por exemplo, estolas velhas ("eu pago o que for preciso para o senhor comprar uma nova!"), bênçãos de casas, caros e pessoas para espantar os feitiços, etc.

Um colega, brincalhão e bem disposto, costumava dizer a alguns paroquianos que lhe vinham pedir Missas, "diga à minha comadre que não preciso das suas missas para viver!".
Normalmente quando os bruxos dizem aos seus "pacientes" para mandarem celebrar missas, fazem-no com "orientações" precisas. Um número preciso de celebrações, em dias precisos, com intenções precisas.

As pessoas nem sempre cumprem o preceituado pelo médico. Mas o que manda a bruxa querem cumprir com escrúpulo.
Há gente que caminha  muito mais para a bruxa do que para o médico.
Muitos refilam contra o custo dos tratamentos e remédios, mas nunca ousam contestar o que dão aos bruxos ou o que gastam com as suas prescrições.
Infelizmente há gente que ao domingo vai à Missa e à segunda-feira caminha para os bruxos.
Infelizmente, quanto a bruxedos, a distinção entre praticantes, não praticantes e indiferentes é muito pouca.

Bruxedos, bruxos, feitiços e quejandos. Eis o retrato claro da ignorância de um povo, do seu atraso, do viver na Idade da Pedra.
Nem sempre a aparência de modernidade é sinal de evolução interior. Há pessoas com escolarização, até avançada, que continuam a acreditar piamente nestas coisas.

Claro que para um cristão, com fé minimamente esclarecida, só e apenas resta um atitude: rejeitar toda e qualquer forma de bruxaria.

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