sábado, 5 de abril de 2014

Sobre as declarações de Isabel Jonet


Há dias, Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar contra a Fome (BACF), fez algumas declarações sobre as redes sociais e o desemprego, que têm sido comentadas de forma bastante crítica por muitos, inclusive pessoas que trabalham com ela na sustentação e desenvolvimento do mesmo projeto de solidariedade.

Não sendo a primeira vez que suas declarações geram polémica nos comentadores e, como tudo na vida tem as duas faces da moeda, pretendo dar-me ao cuidado de tentar saber das suas boas razões e mesmo das que surgem como nefastas, ao menos junto dos guias da opinião pública. Sem especial preocupação de me situar rigorosamente no tempo cronológico, procurarei situar-me no contexto em que algumas das asserções foram produzidas, é claro, a título de mero exemplo.

Jonet, no auge da crise que está a afetar os portugueses, em momento em que não era descortinável qualquer ponto de luz ao fundo do túnel, afirmou que nós não podemos comer bifes todos os dias. Do meu ponto de vista, tal enunciado é totalmente acertado na substância. Nem se pode comer bife todos os dias nem isso geraria pessoas saudáveis, como não se pode comer caviar com frequência. Porém, o momento em que prestou tal declaração enervou grandemente os destinatários, já que parecia estar a alinhar com o discurso da troika, do governo e respetivos sequazes – que nos bombardeavam com atoardas do género: estivéramos a viver acima das nossas possibilidades, gastáramos o que não tínhamos, contraíramos crédito fácil e assim por diante. Por exagero, quis escalpelizar um erro que afinal não se cometia generalizadamente, embora houvesse quem abusasse, como ainda hoje acontece, da vida, das condições de vida, das facilidades político-financeiro-económicas e das vantagens oferecidas com tanto custo a quem vive abaixo do limiar da pobreza ou mesmo na miséria. As pessoas sabem que há gente que beneficia do subsídio de reinserção social sem dele precisar e sem o merecer, tal como da ação social escolar, de bolsas de estudo no ensino superior, de benefícios fiscais, de taxas moderadoras na saúde e das ações de beneficência. Ora, nem por isso tais mecanismos podem ser abolidos ou mitigados. Mas há que denunciar, fiscalizar e penalizar, sem dó nem piedade, os casos irregulares, imorais e parasitários; e não generalizar. No caso vertente, ainda não havia uma onda suficientemente significativa de contraponto à política de austeridade em cima de austeridade e a meritória responsável do BACF criou, provavelmente sem o querer, na opinião pública a ideia de que chegáramos ao ponto a que chegámos exclusivamente por culpa nossa, sobretudo quando afirma que “esse empobrecimento é porque comemos bifes todos os dias e achávamos que podíamos comer bifes todos os dias”  – o que, de todo,  não pode ser tido por verdadeiro. Então, os responsáveis pela crise não davam o braço a torcer, garantindo que estávamos no bom caminho, que, pelos vistos, era o do bom aluno.

Mais: A Senhora Presidente pareceu dar a entender que o problema era de má orientação, educação errada, aquisição de maus hábitos ou más práticas – o que reforçou com o contraste entre a educação que recebeu, refletida, por exemplo, na sua lavagem dos dentes com a água do copo, ao passo que as suas filhas os lavavam com a água da torneira a correr. Também aqui é efetivamente de censurar e tentar inverter a orientação desviante de muitos portugueses, a má educação, a aquisição de maus hábitos e de más práticas e, mesmo, a generalização da mentalidade e da atitude de excessivo consumismo e descarte. Todos sabemos da política de marketing consumista, da força da publicidade e da dureza da propaganda. Mas foram somente os portugueses? E é isso que justifica a crise? Não serão pretextos aproveitáveis para que os verdadeiros responsáveis da crise sejam ilibados dela ou, ao menos, eclipsados?

Entretanto, as últimas declarações revelam-se mais ambíguas, pelo que se torna necessário apostar numa atitude de equilíbrio entre o uso moderado das redes sociais e dos meios informáticos em geral por parte de cada utilizador.

É verdade que diversos locais da Internet, os portais eletrónicos, designadamente o Linkedin, oferecem as mais importantes ferramentas para detetar oportunidades de emprego, constituindo verdadeiras redes de contactos sociais e profissionais. Por isso, se o desempregado tem, segundo o que advoga Jonet, de proceder à procura ativa do emprego, o desempregado tem de ter acesso aos meios informáticos e utilizá-los. Porém, não pode cingir-se à sua utilização, dispensando-se de procurar emprego por outros meios. Muito menos pode tornar-se dependente deles, passando entretido neles por tempo indefinido e dando a impressão, tantas vezes mais real do que apenas aparente, de que não tem dinheiro para o que interessa, mas o tem para jogos e outros entretenimentos. E aqui o erro educativo, a que há que obstar, já vem da família permissiva e da escola impotente. Quanta dependência, em regime permanente, não há por aí do telemóvel, do televisor, do computador, do i-pod e similares, do tablet, do auscultador, da playstation, etc.?

E, já que falamos de desemprego, há que condenar com toda a veemência tantas falsas justas causas de despedimento: Porque encerram tantas empresas e serviços? Porque pululam as necessidades de reestruturação de serviços e empresas do domínio público e do privado? Porque se declaram falências de empresas e os mesmos empresários, por si ou em nome de outrem, criam nova empresa, por vezes com objeto similar, ou mesmo igual, alhures? Ninguém inquire ou fiscaliza…

Mas também quem não cumpre os deveres de trabalho denodado na empresa ou no serviço que garante o sustento acaba por não merecer o emprego que tem ou o que eventualmente perdeu. E o desempregado que não se importe de ficar no desemprego porque faz contas – recebe quase tanto dinheiro no fim do mês sem trabalhar como se estivesse ao serviço, ou ainda faz uns trabalhos remunerados sem documentação que leve a desconto ou a imposto – e aquele que pede emprego e não trabalho, a esses eu, se fosse empresário ou gestor, não daria emprego. Não merecem e não garantem esforço de otimização da empresa ou do serviço, ficando em causa a sua dimensão económica e o seu alcance social.

Por isso, Isabel Jonet, apesar de nem ser hábil na escolha da oportunidade para prestar declarações nem o registo em que as produz ser dos mais felizes (segue muito a via do raciocínio contrastivo, que nem sempre é bom conselheiro), não deixa de ter razão, pelo que os seus alertas devem ser ponderados por quem os recebe. Pena é que o governo e os empresários também oportunisticamente beneficiem das ações de solidariedade (nas campanhas de beneficência, supermercados não renunciam à margem de lucro e fisco não abdica do imposto sobre os produtos que são objeto de dádiva)! Mesmo assim, o povo reconhece a ação meritória do BACF e voluntários que mobiliza.

2014.04.04

Louro de Carvalho

sexta-feira, 4 de abril de 2014

No vôo de Genève para o Porto

aviao
Não consegui aguentar. Desatei a chorar.
Hoje no meu voo de Geneve para o Porto, um voo carregado de emigrantes Portugueses sentou-se junto a mim mais um deles. Nada de novo até aqui.
Minutos depois de ter pedido uma sandes que apenas consegui comer metade e por trás dos auriculares ligados a um iPhone oiço uma voz. “Deve querer ir à casa de banho”, pensei. Instantaneamente levanto-me… mas não. Um sorriso indica que é outra coisa. Tiro um auricular. “Ainda vai comer mais? Importa-se que fique com o resto?”. E nestes momentos, nestes segundos em que saímos dos nossos hiper-conectados mundos e do nosso stress diário que caímos naquela que e a essência humana. Disse-lhe que não, chamei o chefe de cabine e pedi mais uma sandes. Dei-lha.
Mas esta história para mim foi muito mais que uma sandes ou um momento semi auto-congratulante para colocar no Facebook, foi um verdadeiro reality-check.
Ao conversar com o José (raramente o faço num voo), fiquei a conhecê-lo melhor. 40 e muitos como diz ter mas sem querer concretizar, há ligeiramente mais de 2 anos a trabalhar em Vevey na Suíça. Trabalha na construção, vive com 2 colegas e não vê a mulher e as duas filhas há mais de 2 anos. Dois anos!!! Perdeu a entrada da filha na universidade – mas não reclama porque diz que é para isso (e que para a outra também possa ter esse “luxo”) que está na Suíça. O skype ajuda, diz mas a “saudade mata”. E foi para isso que poupou e comprou este voo. Vai ver as filhas, a mulher, a mãe que não vê há tanto tempo. Vão estar no aeroporto, assegura-me. Não duvido. Diz que saiu de Portugal depois de a fábrica onde trabalhou quase 20 anos ter fechado, não encontrou mais nada em quase um ano de procura. “sou trapo velho” diz.
Como é possível aguentar esta saudade? Como e possível não se queixar? Como é possível dizer-me que está “bem”? Como e possível trabalhar “das 8 às 10″ (faz um part-time também) para poder mandar dinheiro para Portugal para a Rita e a Sofia? E mesmo assim sorrir?
Não consegui, enquanto soltava lágrimas num misto de perplexidade e compaixão, ele ria-se. “Não estou doente homem. Não há motivo para chorar”.
É de facto esta a geração que está na lama. Não os 20-something, não os “cérebros que fogem”, são os pais desses cérebros – chamemos-lhes os músculos. Esses têm muito menos oportunidade, muito menos capacidade de se adaptarem. Esses estão a reconstruir uma vida depois de já terem construído uma. Esses estão a passar pela maior privação de todas. Estar longe da família que criaram, das pessoas que amam.
Boa sorte José, e obrigado por este momento.
Ricardo Sousa, aqui

quinta-feira, 3 de abril de 2014

UM PROFETA QUE CHORA

Veja aqui



TODOS JUNTOS PELA FABIANA


Em 30 de Março, apesar da chuva que caía severamente em Ucanha, as centenas de participantes não arredaram pé e com todo o ânimo calcorrearam a terra natal de Leite de Vasconcelos.
Os guardas chuvas pintalgaram a paisagem verdejante de múltiplas cores e as gargalhadas dos companheiros de marcha contagiaram tudo e todos.
A solidariedade para com a jovem Fabiana teve mais peso do que a chuva intensa. Vindas de vários locais do concelho- e não só – as pessoas provaram que uma cidadania ativa e solidária vale sempre a pena e enriquece quem a tem.

Parabéns ao grupo de cidadãos que teve a iniciativa e ao BTT Tarouca que apoiou.

Veja mais aqui

"Creio na Santa Igreja católica, apostólica e... adormecida!"

Sem perder tempo com manifestos de aniversário, Bergoglio deixou passar quase em branco o primeiro aniversário do pontificado e regressou de um retiro para insistir no discurso social. Recebeu em audiência os trabalhadores de uma fábrica italiana, recentemente comprada por um grupo alemão, e voltou a criticar um sistema económico "incapaz de criar postos de trabalho”, porque põe no centro “o ídolo dinheiro", que afeta "vários países europeus". "Criatividade e solidariedade", com um estilo de vida "mais sóbrio", sugere Bergoglio, que carrega a vivência do hemisfério sul, da periferia e dos extremos.
Esta oportuna obsessão pode ser dirigida à Igreja europeia, esmoler e pouco empreendedora. Vai valendo a ação de muitas instituições. Por cá, algumas Caritas, Misericórdias e outras IPSS's de e da Igreja, rompem a lógica assistencialista com projetos de (re)conversão social, capazes de repor a dignidade e agir politicamente onde a política «formal» não é capaz de chegar. Mas falta a correspondência de uma narrativa institucional clarificadora e denunciante. A hierarquia eclesiástica instalou-se. Receosa de ser confundida com as motivações sindicais ou partidárias – como se a política, em si, fosse um mal –, a Igreja vai oferecendo a resignação, a paciência e o céu, quando o evangelho é da terra, da denúncia e da ação.
Não é sério tomar a parte como o todo. Como não é justo que a maioria apague a exceção. E há exceções. Mas prevalece a timidez e extrema cautela nos discursos do episcopado. Os índices de pessimismo aliados aos últimos dados estatísticos sobre a pobreza em Portugal e à relação desta com o drama da natalidade, deviam soltar gritos dos altares para abanar seriamente as consciências. A Igreja “tem medo”, mudou o Credo, lamenta o bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, agora é "creio na Santa Igreja católica, apostólica e... adormecida!" 
Tantas vezes indiferentes aos problemas concretos do povo, os púlpitos fazem eco de um escandaloso aconchego à rotina e ao vício do poder. Novidade? Não! É a Igreja e a circunstância. Foi assim ao longo da história, apesar das vozes proféticas nas bases de cada tempo, como a de Francisco, o de Assis. Acontece que, com Bergoglio, o exemplo vem agora de cima.  Uma tremenda ironia! Não estranhe se um dia destes aparecer uma «seita» contagiante, com muitos e novos fiéis. É a Igreja de Francisco, o de Buenos Aires. «Messiânico» em carne e osso, com virtudes e defeitos, e que não gosta de viver sozinho.
Fonte: aqui

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"REDAXÃO" DE UM ALUNO...


Composição de um aluno de 9ºano

Se não entenderem à 1ª tentem uma 2ª vez!!!!!!!! Geração Phonix e Zonix + vodafnix + Uzix + Tmnix...
(Texto verídico retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa, realizada por um aluno do 9º ano, numa Escola Secundária Portuguesa (para ler, estarrecer e refletir...!!!))
Seria cómico, não fosse tratar-se de um aluno Português a escrever na sua língua materna.

REDAXÃO
“O PIPOL E A ESCOLA”
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesseloutro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?


Abril, águas mil

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ser discípulo para fazer discípulos

SER DISCÍPULO ...
- Recordemos os imensos tempos que Jesus usava para a oração…

- “Sem Mim, nada podeis fazer”, disse Jesus...

- “ Maria ficou a ouvir Jesus enquanto Marta se afadigava com trabalho. A Marta que Lhe pede que Maria a fosse ajudar, Jesus responde: “Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.”

- Ninguém dá aquilo que não tem. Para anunciar Jesus, precisamos de o ter no coração e na mente.

- ‘Antes de falares aos homens de Deus, fala a Deus dos homens.’

...PARA FAZER DISCÍPULOS

- "Assim como Pai Me enviou, eu também vos envio a vós", Jesus Cristo

- "Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova a todas as criaturas", Jesus Cristo

- O Bem é difusivo de si mesmo. Quem tem Cristo gosta de O anunciar.

- "Vós sois o sal da terra e a luz do mundo", Jesus Cristo.

- "Ai de mim se não evangelizar", S. Paulo

- Não temos o direito de ter vergonha, de calar Jesus Cristo, num mundo que precisa d'Ele como de pão para a boca.

- Todo batizado é um enviado. Na tua família, no teu ambiente de trabalho, no teu bairro, no teu povo... quantas gente com necessidade do teu anúncio alegre do Evangelho!?

domingo, 30 de março de 2014

Boa Semana... Com Cristo


sábado, 29 de março de 2014

A propósito do 4º Domingo da Quaresma...

• Pode ler aqui as leituras do 4º Domingo da Quaresma.

• Oferecemos algumas pistas de reflexão e ação.

• Nós, os crentes, não podemos fechar-nos num pessimismo estéril, decidir que o mundo “está perdido” e que à nossa volta só há escuridão… No entanto, também não podemos esconder a cabeça na areia e dizer que tudo está bem. Há, objectivamente, situações, instituições, valores e esquemas que mantêm o homem encerrado no seu egoísmo, fechado a Deus e aos outros, incapaz de se realizar plenamente. O que é que, no nosso mundo, gera escuridão, trevas, alienação, cegueira e morte? O que é que impede o homem de ser livre e de se realizar plenamente, conforme previa o projecto de Deus?

• A catequese que João nos propõe hoje garante-nos: a realização plena do homem continua a ser a prioridade de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao encontro dos homens e mostrou-lhes a luz libertadora: convidou-os a renunciar ao egoísmo e auto-suficiência que geram “trevas”, sofrimento, escravidão e a fazerem da vida um dom, por amor. Aderir a esta proposta é viver na “luz”. Como é que eu me situo face ao desafio que, em Jesus, Deus me faz?

• O Evangelho deste domingo descreve várias formas de responder negativamente à “luz” libertadora que Jesus oferece. Há aqueles que se opõem decididamente à proposta de Jesus porque estão instalados na mentira e a “luz” de Jesus só os incomoda; há aqueles que têm medo de enfrentar as “bocas”, as críticas, que se deixam manipular pela opinião dominante, e que, por medo, preferem continuar escravos do que arriscar ser livres; há aqueles que, apesar de reconhecerem as vantagens da “luz”, deixam que o comodismo e a inércia os prendam numa vida de escravos… Eu identifico-me com algum destes grupos?

• O cego que escolhe a “luz” e que adere incondicionalmente a Jesus e à sua proposta libertadora é o modelo que nos é proposto. A Palavra de Deus convida-nos, neste tempo de Quaresma, a um processo de renovação que nos leve a deixar tudo o que nos escraviza, nos aliena, nos oprime – no fundo, tudo o que impede que brilhe em nós a “luz” de Deus e que impede a nossa plena realização. Para que a celebração da ressurreição – na manhã de Páscoa – signifique algo, é preciso realizarmos esta caminhada quaresmal e renascermos, feitos Homens Novos, que vivem na “luz” e que dão testemunho da “luz”. O que é que eu posso fazer para que isso aconteça?

• Receber a “luz” que Cristo oferece é, também, acender a “luz” da esperança no mundo. O que é que eu faço para eliminar as “trevas” que geram sofrimento, injustiça, mentira e alienação? A “luz” de Cristo do dia em que fui baptizado brilha em mim e ilumina o mundo?
Fonte: aqui

sexta-feira, 28 de março de 2014

Partiu para o Pai o P.e Seixeira

Na madrugada do dia 28 de Março, Deus chamou a Si o Rev. Pe. António José Ferreira Seixeira, até ao presente Pároco de Salzedas, no Arciprestado de Armamar-Tarouca. 
Natural de Ferreirim, concelho de Sernancelhe, nasceu a 18 de Novembro de 1967, recebeu a Ordenação Presbiteral na Igreja Catedral a 6 de Agosto de 1994.  Nessa ocasião, já estava a colaborar na Paróquia de Salzedas onde, com nomeação de 28 de Agosto de 1996, continuou a exercer o seu ministério sacerdotal até ao dia de hoje como Pároco. 
As exéquias solenes, presididas pelo Sr. D. António Couto, Bispo da Diocese, terão lugar amanhã, 29 de Março, pelas 15h00, na Igreja Paroquial de Ferreirim, sua terra natal, onde os seus restos mortais já se encontram em câmara ardente e vigilante oração por parte de familiares, amigos e conhecidos.

Como colega e amigo, muitas vezes partilhámos trabalhos, alegrias e sofrimentos, esperanças e desilusões. Pessoa simples e multifacetada em dons, mesmo limitado pela sua saúde precária, o P.e Seixeira, na medida das suas possibilidades, dava o seu apoio e presença nas mais diversos serviços para que era solicitado. Obrigado por tudo.
Elevo a Deus a minha súplica pelo seu eterno descanso.

Amanhã não poderei estar presente nas exéquias solenes como gostaria. É sábado e as múltiplas tarefas pastorais e, sobretudo, as Eucaristias vespertinas ( 15h, no Lar; 16.15h, Missa com crianças ; 19h, em Gondomar) não me permitem a minha presença. Se Deus quiser, hoje, a seguir à Escola da Fé, irei deslocar-me a Ferreirim para um momento de oração junto dos seus restos mortais.


O P.e Seixeira e o seu amor pelo Mosteiro de Salzedas
Veja o vídeo aqui

quinta-feira, 27 de março de 2014

Papa recebeu Barack Obama no Vaticano


O Papa Francisco recebeu em audiência hoje no Vaticano o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Tratou-se do primeiro encontro entre os dois. Em julho de 2009, Obama foi recebido no Vaticano por Bento XVI.
Um forte esquema de segurança marcou a visita do Presidente dos Estados Unidos. Barack Obama chegou escoltado por um cortejo de mais de 50 carros, com a bordo dezenas de agentes das forças especiais. No pátio de S. Damaso, ele foi acolhido pelo Prefeito da Casa Pontifícia, Dom Georg Ganswein, com um piquete da Guarda Suíça.
"Sou um grande admirador", disse Obama ao Papa no início do encontro.
O Papa acolheu seu hóspede com um “welcome” (bem-vindo), ao qual Obama respondeu que era uma grande honra encontrá-lo. A seguir, foi a vez do colóquio privado a portas fechadas, com dois intérpretes, que durou cerca de 50 minutos.
Sobre o conteúdo do colóquio, aguarda-se o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Depois das fotos oficiais, houve a troca de presentes. Francisco presenteou seu hóspede com uma cópia da sua Exortação “Evangelii Gaudium” – que Obama disse que “provavelmente” lerá no Salão Oval, quando se sentirá frustrado, encontrando no texto força e calma.
Já o Papa ganhou uma caixa com sementes de frutas e verduras provenientes da horta da Casa Branca. “Uma parte das sementes é para o senhor. A outra parte será doada como obra de caridade em homenagem a Sua Santidade. Se tiver a oportunidade de vir à Casa Branca, poderá visitar o jardim”, disse Obama a Francisco, que respondeu: “Por que não?".
Fonte: aqui

quarta-feira, 26 de março de 2014

Os católicos na luta contra a ditadura

Foi “uma homenagem a todos os que souberam dizer ‘não’ ao regime da ditadura que vigorou entre 28 de Maio de 1926 e 25 de Abril de 1974” – sobre cuja data passam este ano 40 anos –, nas palavras de José Dias, que animou o encontro. Iniciativa com características de história oral, realizou-se a 22 de Fevereiro último, no Convento de São Domingos, em Lisboa, um encontro sobre Os Católicos na luta contra a ditadura, que reuniu cerca de 180 pessoas durante uma tarde inteira.
Organizada pelo Instituto São Tomás de Aquino, dos padres dominicanos, e pelo Movimento Não Apaguem a Memória, a iniciativa contou com testemunhos, alguns deles com histórias inéditas, depoimentos escritos e música.
A música, interpretada ao vivo por Francisco Fanhais, marcou o momento inicial. É desse momento que aqui fica o registo de um excerto de Porque, poema de Sophia de Mello Breyner:
Fonte: aqui

terça-feira, 25 de março de 2014

CRISTO ... CRISTÃO


Cristão é o que:
- Acredita em Jesus Cristo
- Aceita e acolhe Jesus Cristo
- Segue Jesus Cristo
- Anuncia Jesus Cristo
E "quem nos pode separar do amor de Cristo?"
Nada. Ninguém:
- Nem a morte, nem a vida;
- Nem a altura nem a profundidade;
- Nem o pecado, nem o escândalo dos outros;
- Nem a ciência, nem a ignorância;
- Nem os defeitos, nem as virtudes dos outros;
- Nem a cor, nem a condição social;
- Nada, nem ninguém.

A nossa fé é em Cristo. E Cristo não desilude, não afasta, não engana, não falha, não Se cansa, não desiste, não abandona.
Não adores nunca mais Ninguém! Só a ELE!

Se a nossa fé está fundada no alicerce super-sólido que é Cristo, então:
- Exigimos mais a nós mesmos do que aos outros;
- Compreendemos as limitações e falhas dos outros;
- Não fugimos dos outros;
- Não vemos no pecador um muro que nos afasta, mas um irmão a pedir a nossa ajuda;
- Não ficamos no mensageiro mas caminhamos Aquele que o mensageiro anuncia;
- Não endeusamos pessoas nem as coisas;
- Sentimos cada vez mais necessidade da comunidade, apesar das falhas, defeitos e incoerências, nossas ou dos outros;
- Sabemos perdoar assim como Ele nos perdoa;
- Não vemos o outro como um inimigo, mas como irmão.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Eu amei-vos o suficiente...



Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:

- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?

- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.

- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.

- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “Eu roubei isto ontem e queria pagar”.

- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).

- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.

- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus …que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.

- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E – não vão acreditar – os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.

- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.

- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.

- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.

- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.

- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.

- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.

- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.

Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais”, tal como os nossos pais foram».
Fonte: aqui

sábado, 22 de março de 2014

Samaritana, plebeia de Sicar

«Vir à fonte. Ir em frente».
Mergulhados, no coração da Quaresma, meditamos nesta cena maravilhosa, do encontro de Jesus, cara a cara, com a samaritana. Ela é, na verdade, a «musa inspiradora» deste nosso caminhar sobre as águas do Batismo.
 (Veja AQUI o diálogo entre Cristo e a Samaritana)
 
1. Vir à fonte!
Vede: uma mulher da Samaria, essa terra negra de perdição, vai à fonte, em busca de água para beber, mesmo se o cântaro, à cabeça ou na mão, é apenas um pretexto, para mais um encontro, quem sabe, pouco edificante. Mas lá vai… um dia e outro dia. E tantas vezes, na sua sede, vai o cântaro à fonte, que um dia lá deixa a asa… Eis que lá está, junto ao poço de Jacob, Quem ela, no fundo de si mesma mais procura, mas que, por agora, desconhece e não esperaria, com certeza, ver por ali. Nesta mulher, insatisfeita, está o retrato da nossa sede, pois “não há homem, nem mulher que, na sua vida, não se encontre, como ela, ao lado de um poço, com uma ânfora vazia, na esperança de encontrar, que seja satisfeito o desejo mais profundo do coração, o único que pode dar significado pleno à existência. Hoje são muitos os poços que se oferecem à sede do homem, mas é preciso discernir para evitar águas poluídas. É urgente orientar bem a busca, para não ser vítima de desilusões, que podem arruinar”(SÍNODO DOS BISPOS 2012, Mensagem ao Povo de Deus, n.1). E, por isso, “nos desertos desta vida, há sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra prometida, mantendo viva a esperança” (Bento XVI, Homilia, 11.10.2012; cit. por Papa Francisco, E.G. 86).
2. Encontrar Cristo, água viva
E ali está Jesus, com sede da sede daquela mulher! E nós havemos de O contemplar, uma e outra vez, “para conseguirmos um diálogo parecido com aquele que o Senhor teve com a Samaritana, junto do poço onde ela procurava saciar a sua sede” (E.G.72). “Como Jesus no poço de Sicar, também a Igreja deve sentar-se ao lado dos homens e mulheres deste tempo, para tornar presente o Senhor na sua vida, para que O possam encontrar, porque só o seu espírito é a água que dá a vida verdadeira e eterna. Só Jesus é capaz de ler no fundo do nosso coração e de nos revelar a nossa verdade: «Disse-me tudo o que fiz», confessa a mulher aos seus concidadãos” (SÍNODO DOS BISPOS 2012, Mensagem ao Povo de Deus, n.1).
3. E daí, toca a “Ir em frente”.
Quem recebeu a vida nova do encontro com Jesus, não pode deixar de se tornar anunciador de verdade e de esperança, para os outros. A pecadora convertida torna-se mensageira de salvação e conduz a Jesus toda a cidade. Na verdade, “a Samaritana, logo que terminou o seu diálogo com Jesus, tornou-se missionária, e muitos samaritanos acreditaram em Jesus «devido às palavras da mulher»” (E.G. 120). Também nisto, ela nos inspira, a ser «pessoas-cântaropara dar de beber aos outros» (E.G.86). E o Papa Francisco não deixa de insistir: “Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário” E explica: “se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções! Por isso, não digamos mais que somos discípulos e missionários, mas sempre que somos «discípulos missionários»” (cf. EG 120).
Irmãos caríssimos: lembrai-vos disto: «Quem não tem fé não mata a sede! Mas quem tem a graça de a ter, está ligado a uma tarefa enorme: dar desta água bebida um testemunho ao longo de toda a sua vida» (Erri di Luca, Caroço de azeitona.,66). “Por que esperamos nós” (E.G.120)?
 Fonte: aqui

sexta-feira, 21 de março de 2014

TANTOS DIAS NUM SÓ DIA

Assinala-se, hoje:
- o Dia Mundial da Floresta,
- o Dia Mundial da Poesia,
- o Dia Mundial do Sono,
- o Dia Mundial da Eliminação da Discriminação Racial
- o Dia Europeu da Música Antiga.







Asiáticos e europeus,
Americanos e africanos,
Antárticos e oceânicos,
Uma só família humana
Que as florestas acariciam.

Deixemos as árvores cuidar de nós,
Não as impeçamos  de viver;
Elas trabalham continuamente
Para um bom sono podermos ter.

Ser poeta não é só escrever versos,
É ver o mundo com outros olhos;
Grandes poetas são as árvores,
Que libertam oxigénio aos molhos.

Velha melodia cantam as árvores
Quando o vento atrevido e insano,
Num movimento variado e disperso,
As faz dançar um ritmo  bachiano.

quinta-feira, 20 de março de 2014

HORA DE VERÃO

Foto: MUDANÇA DA HORA

A 30 de Março, muda hora e os relógios avançam 60 minutos quando for 1h da manhã.
MUDANÇA DA HORA
A 30 de Março, muda hora e os relógios avançam 60 minutos quando for 1h da manhã.