15 horas. Viu-os partir. Apetecia-me a deixar tudo e ir com eles. A gente não pode estar onde quer, mas onde deve. Foram raríssimas as vezes em que os não acompanhei. Só me lembro mesmo de uma, mas então outro sacerdote foi com eles. Desta vez, porque era fim-de-semana, não pude. É muito díficil estar sempre a pedir ajuda aos colegas, sabendo que não posso corresponder, porque a paróquia não dá espaço para tal.
Mas estou triste, acreditem. Não cesso de pensar nos "saltariquentos" da Profissão de Fé que estão neste momento em Fátima, a participar na Peregrinação das Crianças. Sei que chegaram bem e que estão felizes. Faltei logo no ano em que iam estrear uma t-shirt e um boné novos, com o logotipo da paróquia! A chefe dos catequistas também me entregou os meus. Vou guardá-los para o ano.
Estou a vê-los em fila indiana a caminho do Santuário entoando alto e bom som: "Nós somos de Tarouca, magnífica Tarouca". Sinto-me no meio deles a explicar-lhes baixinho a razão de ser da Capelinha e da azinheira grande. Rezo com eles no silêncio da noite na Capelinha das Aparições. Que momento mágico, profundo, inolvidável!
Sento-me no meio deles no escadório debaixo de um calor de estarrecer. Vejo-os chegar devarinho ao pé de mim a perguntar o sentido deste e daquele gesto, desta e daquela cerimónia. Ajudo as catequistas a servi-los ao almoço e caminho com eles até à casa de Lúcia, de Jacinta e até ao poço do Arneiro. Já sei que todos querem beber, mesmo que seja para depois dizerem que não presta...Ah! Aqui têm um período para compras e para se refrescarem com o gelado que lhes ofereço. E eu com o "credo" na boca! Tanta gente! Tanto movimento! Pareço um radar. Às vezes lá sai um berro para algum mais distraído. Tem que ser.
Regresso. Cantamos, dizemos anedotas e adivinhas. E gritamos pelos nossos clubes. Normalmente há menos portistas. O que vale é o micro, para raiva deles. Depois, mais descomprimidos, rezamos o terço. Eles põem intenções. Aproxima-se o lanche. Mas antes aparece o concurso sobre a temática da fé. Entre rapazes e raparigas. Claro que quem perde atribui-me a culpa a mim. Que tal e coisa... que fiz as perguntas mais difíceis a estes e mais fáceis àqueles... Brinco com a situação. Mais se enervam. Lá estão os catequistas para amainar os ânimos.
Pronto, está tudo em paz. Os que mais se enervaram, pouco a pouco caem na real. Já estão todos outra vez comigo, eu que nunca deixei de estar com eles. Mas gosto de brincar...
Já é noite. Muitos estão extenuados e já dormem, até porque na noite anterior pouco dormiram nas camaratas, apesar da vigilância apertada dos catequistas. Mas a experiência fora nova. Muitos nunca haviam dormido fora de casa. Compreende-se a excitação da novidade.
Eles são únicos. Mesmo quando nos chateiam e nos fazem perder a paciência, não deixamos de os amar, de nos sentirmos bem ao pé deles.
Estou seguríssimo de que estão bem. Bem sei o grupo fantástico de catequistas que temos. Mas tenho saudades de não ter ido. Penso que compreendem.
sábado, 9 de junho de 2007
Escravatura em pleno século XXI
A polícia chinesa resgatou 31 trabalhadores rurais numa fábrica de tijolos em Shanxi. Os aldeões eram obrigados a trabalhar 20 horas diárias e eram apenas alimentados a pão e água.
Veja em:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=38864
Veja em:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=38864
Bush e Bento XVI encontram-se
George Bush teve hoje o seu primeiro encontro com o papa Bento XVI.
Leia em :
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1296284&idCanal=undefined
Leia em :
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1296284&idCanal=undefined
900 contos/dia
O tarouquense e dinâmico provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca acaba de me informar que a despesa corrente da instituição é de 900 contos/dia.Lucílio Teixeira, eleito para sucessivos mandatos à frente da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca, integrando ultimamente a direcção da União das Misericórdias, tem desenvolvido um trabalho notável na Misericórdia tarouquense.
Desde o Centro de dia e internato, passando pela assistência ao domicílio, pela creche, ocupação de tempos livres, hospital de rectaguarda, fisioterapia, integração de deficientes... Uma obra notável de Tarouca pelos mais pobres, mais carenciados, mais sofredores.
Alegre arrasa saúde
«O ministro está a pôr em causa o Serviço Nacional de Saúde (SNS), contra toda a filosofia do PS». O alerta é do deputado e ex-candidato presidencial, Manuel Alegre, que não tem dúvidas de que, neste sector, «está-se a ultrapassar os liberais da Europa pela direita»
«Tem que se fazer uma grande reflexão e dar uma resposta ou entra-se num processo de autodissolução do PS. Qualquer dia não sei o que é o PS», afirmou ao SOL o deputado, acusando o Governo de estar a «esvaziar» o sector público, que no futuro servirá apenas «os pobres».
Sol, hoje
«Tem que se fazer uma grande reflexão e dar uma resposta ou entra-se num processo de autodissolução do PS. Qualquer dia não sei o que é o PS», afirmou ao SOL o deputado, acusando o Governo de estar a «esvaziar» o sector público, que no futuro servirá apenas «os pobres».
Sol, hoje
sexta-feira, 8 de junho de 2007
O mundo uniu-se contra o terrorismo, mas ...

824 milhões de crianças passam fome em todo o mundo.
Há 630 milhões de sem-abrigo no mundo.
São 40 milhões os infectados pelo virus da SIDA no mundo.
Em França, 7% dos filhos não sabem se os seus pais ainda estão vivos! Perderam por completo o contacto com eles.
Todos os dias (mas sobretudo nas grandes festas do ano), são 'abandonados' nos hospitais homens e mulheres que são um estorvo (?) ao divertimento e ao 'direito' de passar esses dias na 'liberdade'.
Cada vez em maior número são as habitações entregues aos bancos porque já não há possibilidade de pagar as prestações.
E o desemprego continua a aumentar: há 21 anos que não era tão grande!
Os nossos estabelecimentos de Psiquiatria estão a abarrotar de jovens.
2 milhões de portugueses estão no limiar da pobreza.
Tudo o que é Lar da 3ª idade está a abarrotar de idosos, sobretudo porque as famílias não "estão para aturar os velhos".
O mundo uniu-se contra o terrorismo. Já se devia terunido contra a fome, contra a pobreza, contra a Sida.
O mundo clama pela liberdade. Já devia ter clamado contra a libertinagem, contra a irresponsabilidade, contra o individualismo, contra o capitalismo selvagem dos nossos dias.
O homem ou se salva pelo Amor, ou se condena irremediavelmente.
Repudiamos despudorados oportunismos!

Usando da palavra no encerramento do 8º Congresso das Misericórdias Portuguesas, realizado em Braga, Cavaco Silva sublinhou que era necessário “pensar seriamente sobre as políticas de natalidade, de protecção às crianças, de valorização dos jovens”... perante “o cenário de envelhecimento e de recessão demográfica... fenómeno que, pela sua dimensão estrutural, não encontra precedentes na história”. Oportuno o alerta!
Mas, de imediato, surgem vozes próximas ou mesmo ligadas ao Governo a apoiar o Presidente, porque essas eram também as preocupações do Governo! Inacreditável! Mas isso significa arrependimento ou oportunismo?
Ontem (o referendo foi ainda só em 11 de Fevereiro!), clamava-se: queremos impunidade legal para matar um ser humano, mesmo em adiantado estado de desenvolvimento intra-uterino. Agora, vozes do mesmo quadrante político gritam: - estamos de acordo: precisamos de mais nascimentos! Então, o Governo socialista legaliza, praticamente sem barreiras legais (para não dizer ‘promove’), a interrupção voluntária da gravidez e até a financia, aprova as clínicas abortivas, faculta ‘pílulas do dia seguinte’. E agora corre logo a ‘colar-se’ e a bater palmas ao alerta do Presidente da República, quando este sublinha a necessidade urgente de instaurar políticas pró-natalidade?
A política já de há muito nos habituou a piruetas deste género... Saudamos o alerta do Presidente! Repudiamos despudorados oportunismos!
Mas deixe lhe lhe pergunte, Senhor Presidente, se sabia que o "cenário de envelhecimento e de recessão demográfica ... não encontra precedentes na história", por que motivo promulgou a lei do aborto?
As pensões médias dos portugueses vão baixar em cerca de 40%.
Mais um dado da OCDE que não nos deixam propriamente entusiasmados.
As pensões médias dos portugueses vão baixar em cerca de 40%.
Ou seja, vamos trabalhar mais anos e receber menos dinheiro.
Assim se motivam os cidadãos!
Sabemos das dificuldades que o país atravessa, mas algo que cada vez nos intriga mais: porque é que, mesmo aqui ao lado, a Espanha vai de vento em popa?
Será que uma simples fronteira faz assim tanta diferença?
http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt
As pensões médias dos portugueses vão baixar em cerca de 40%.
Ou seja, vamos trabalhar mais anos e receber menos dinheiro.
Assim se motivam os cidadãos!
Sabemos das dificuldades que o país atravessa, mas algo que cada vez nos intriga mais: porque é que, mesmo aqui ao lado, a Espanha vai de vento em popa?
Será que uma simples fronteira faz assim tanta diferença?
http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt
Bispo emérito de Setúbal vai ser condecorado

O Presidente da República vai agraciar no 10 de Junho 37 personalidades e organizações, entre elas o antigo bispo de Setúbal D. Manuel Martins, os ex-ministros Eduardo Pereira e Mira Amaral e o antigo autarca do PCP Abílio Fernandes.
D. Manuel Martins vai receber, de Cavaco Silva, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, condecoração que distingue «destacados serviços prestados ao País».
Como admirador da obra e postura profética de D. Manuel, naturalmente que fico contente com esta condecoração.
Parabéns, Sr. D. Manuel!
Más notícias para quem contraiu empréstimos

Taxas de juro sobem para 4 por cento.
Más notícias para quem contraiu empréstimos. As taxas de juro voltaram a subir, desta vez 0, 25 pontos percentuais, atingindo os 4 por cento.
O Banco Central Europeu voltou a subir as taxas de juro para 4 por cento, numa percentagem que chega aos 0, 25.Na reunião que definiu a subida, o BCE tomou a decisão de aumentar em 25 pontos base, passando para 4.00 por cento, com efeitos a partir da operação a liquidar em 13 de Junho de 2007, a taxa mínima de proposta aplicável às operações principais de refinanciamento do Eurosistema.O aumento aconteceu depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter considerado necessário uma subida das taxas de juro na Zona Euro, por causa de um risco de aceleração da inflação a médio prazo, noticia o Público.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Profissão de Fé
Parabéns a eles, seus pais e catequistas.
"Prometo seguir Jesus Cristo", dissestes. Que a vossa vida nunca desdiga o propósito formulado.
Que a família e a comunidade apoiem sem cessar o crescimento na fé destes adolescentes, pelo testemunho e pela palavra.
Também hoje a Paróquia fez a sua consagração ao Coração de Jesus. Que o Seu amor preencha a nossa existência.
Teremos que rever no futuro a Procissão do Corpo de Deus. Tem que ser, só pde ser, um momento de fé, de oração, de compostura, de acompanhamento.
Ao terminar o ano catequético, um obrigado profundo a todos os catequistas. São maravilhosos.
A vós, caros meninos e meninas, digo-vos que torço por vós, que sois importantes, que desejo imenso ver-vos crescer com Cristo no coração. Ele não tira nada e dá tudo.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Solenidade do Corpo de Deus
A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como "Corpo de Deus", começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.Teria chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa.
Em 1311 e em 1317 foi novamente recomendada pelo Concílio de Vienne (França) e pelo Papa João XXII, respectivamente. Nos primeiros séculos, a Eucaristia era adorada publicamente, mas só durante o tempo da missa e da comunhão. A conservação da hóstia consagrada fora prevista, originalmente, para levar a comunhão aos doentes e ausentes.
Só durante a Idade Média se regista, no Ocidente, um culto dirigido mais deliberadamente à presença eucarística, dando maior relevo à adoração. No século XII é introduzido um novo rito na celebração da Missa: a elevação da hóstia consagrada, no momento da consagração. No século XIII, a adoração da hóstia desenvolve-se fora da missa e aumenta a afluência popular à procissão do Santíssimo Sacramento. A procissão do Corpo e Sangue de Cristo é, neste contexto, a última da série, mas com o passar dos anos tornou-se a mais importante.
Do desejo primitivo de "ver a hóstia" passou-se para uma festa da realeza de Cristo, na "Chirstianitas" medieval, em que a presença do Senhor bendiz a cidade e os homens.
A "comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa" (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, tendo desaparecido a festa litúrgica do "Preciosíssimo Sangue", a 1 de Julho.
A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que "onde, a juízo do Bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo" (cân 944, §1).
"É tão feio que mete medo ao susto!"
Cheguei e dirigi-me ao balcão. Uma senhora atendeu-me com cara de poucos amigos. "A gente paga e é atendida com esta antipatia? Oh! Mas sabes lá os problemas que podem estar na origem desta reacção?"
Olhei para a sala, cheia como um ovo, e vislumbro um lugarzinho no meio. Sento-me. O médico está muito atrasado. "Ai se fosse o padre a chegar às celebrações com este atraso, era o lindo e o bonito... Assim, comem e calam!"
Embalado pelo zum-zum fluído do ambiente, disparo para os meus pensamentos. De repente, como pedrada no charco, uma frase acorda-me:
"- É tão feio que mete medo ao susto!"
Eram duas senhoras que assim se referiam ao marido de uma amiga comum.
Ligo o radar auditivo. Ao fundo, à esquerda, dois cavalheiros discutiam animadamente sobre futebol. As ondas verdes embatiam contra as vermelhas. O azul não entrava e eu bazei. À frente, do mesmo lado, um grupinho de mulheres torcia-se à volta de uma senhorita de belo aspecto. Doenças. Cada uma apostada em apresentar mais maleitas do que a outra. Penso que elas nem se ouviam. Cada uma queria apenas captar a intensidade da dor alheia para logo começar a montar as arribas do seu sofrimento e depois o desnudar à compaixão insofrida do grupo. Então a tal senhorita era um verdadeiro armazém de doenças! Cada pacotão!
Ligo o radar direito. Ao fundo, de pé, três homens carpiam sobre o estado da agricultura.
- É uma desgrácia! Não sei onde a gente vai parar... Sementes a adubos caríssimos e depois as as nossas coisas ou não as querem ou qurem-nas de graça! Qualquer dia, temos que andar prá aí com o saco na mão a pedinchar. A gente já nem ganha pra comer quanto mais pra pagar a Casa do Povo!
E seraivavam sobre o governo, os comerciantes, as cooperativas.
Desse lado, na fila da frente, um homem, aparentando ares de importante, ia mexendo displicentemente numa revista, enquanto olhava superiormente pelo canto do olho.
Na minha fila, uma adolescente a quem a costureira havia roubado abundantemente no pano, parecia uma libelinha tonta. Volta e meia levantava-se, maneava-se toda até ao espelho e toca a retocar a maquilhagem. A cada volta, a saia subia um niquito! Sentava-se então, cruzava as pernoilas, enquanto os dentes não cessavam de bombardear uma pobre chiclet.
- Está quieta, rapariga! Parece que tens bichos carpinteiros no corpo! - barafustava a mãe já impaciente.
- Oh!
À frente, no meio, dois senhores carecas iam dandos umas "porradas" no Sócrates, perante os acenos de simpatias do círculo mais próximo. Então o careca mais careca parecia apostado em suplantar o Marcelo Rebelo de Sousa. Cada tirada de fazer corar a gramática e de causar enjoos à inteligência mais tolerante e compassiva. Mas percebia-se o que queria dizer. Percebia-se sobretudo os motivos do assentimento de quem ouvia. E penso que é uma pena o nosso primeiro não abandonar o palácio das suas certezas para vir aprender na universidade da vida!
Há bastante tempo que as consultas se desenrolam a passo de caracol. Mas não será por isso que a sala tem tanta gente? As pessoas não gostam de ser consultadas à pressa, precisam de tempo, merecem tempo.
_ Ai, valha-me Deus! Já não me "despaxo" a horas do autocarro! Tenho que telefonar ao meu marido pra me vir buscar! - Caramunhava-se uma senhora de ar desgrenhado. - Minha "sinhora", veja-me aqui na lista, por favor que eu não "inxergo" estes números que parecem piolhos."!
E esticava até Lalim o telemóvel no braço.
"Hum! Há horas aqui e ainda ninguém puxou conversa sobre padres! É de admirar! Está para cair algum santo so altar abaixo!"
O altifalante chama pelo meu nome.
- Boa tarde, sr doutor!
- Boa tarde - diz quase sussurrando o médico, com um ar de indifrença e de rotina.
- Então...
- Então, sr doutor, é que estou aqui stressado pra caramba...
- Stressado?
- Pois, mandaram-me cá estar às tantas. Já são tantas!!
- Pois, sabe que as consultas têm que demorar o tempo necessário...
- Isso eu sei. Mas acho que o sr doutor já merecia um relógio que não atrasasse tanto...
Olhei para a sala, cheia como um ovo, e vislumbro um lugarzinho no meio. Sento-me. O médico está muito atrasado. "Ai se fosse o padre a chegar às celebrações com este atraso, era o lindo e o bonito... Assim, comem e calam!"
Embalado pelo zum-zum fluído do ambiente, disparo para os meus pensamentos. De repente, como pedrada no charco, uma frase acorda-me:
"- É tão feio que mete medo ao susto!"
Eram duas senhoras que assim se referiam ao marido de uma amiga comum.
Ligo o radar auditivo. Ao fundo, à esquerda, dois cavalheiros discutiam animadamente sobre futebol. As ondas verdes embatiam contra as vermelhas. O azul não entrava e eu bazei. À frente, do mesmo lado, um grupinho de mulheres torcia-se à volta de uma senhorita de belo aspecto. Doenças. Cada uma apostada em apresentar mais maleitas do que a outra. Penso que elas nem se ouviam. Cada uma queria apenas captar a intensidade da dor alheia para logo começar a montar as arribas do seu sofrimento e depois o desnudar à compaixão insofrida do grupo. Então a tal senhorita era um verdadeiro armazém de doenças! Cada pacotão!
Ligo o radar direito. Ao fundo, de pé, três homens carpiam sobre o estado da agricultura.
- É uma desgrácia! Não sei onde a gente vai parar... Sementes a adubos caríssimos e depois as as nossas coisas ou não as querem ou qurem-nas de graça! Qualquer dia, temos que andar prá aí com o saco na mão a pedinchar. A gente já nem ganha pra comer quanto mais pra pagar a Casa do Povo!
E seraivavam sobre o governo, os comerciantes, as cooperativas.
Desse lado, na fila da frente, um homem, aparentando ares de importante, ia mexendo displicentemente numa revista, enquanto olhava superiormente pelo canto do olho.
Na minha fila, uma adolescente a quem a costureira havia roubado abundantemente no pano, parecia uma libelinha tonta. Volta e meia levantava-se, maneava-se toda até ao espelho e toca a retocar a maquilhagem. A cada volta, a saia subia um niquito! Sentava-se então, cruzava as pernoilas, enquanto os dentes não cessavam de bombardear uma pobre chiclet.
- Está quieta, rapariga! Parece que tens bichos carpinteiros no corpo! - barafustava a mãe já impaciente.
- Oh!
À frente, no meio, dois senhores carecas iam dandos umas "porradas" no Sócrates, perante os acenos de simpatias do círculo mais próximo. Então o careca mais careca parecia apostado em suplantar o Marcelo Rebelo de Sousa. Cada tirada de fazer corar a gramática e de causar enjoos à inteligência mais tolerante e compassiva. Mas percebia-se o que queria dizer. Percebia-se sobretudo os motivos do assentimento de quem ouvia. E penso que é uma pena o nosso primeiro não abandonar o palácio das suas certezas para vir aprender na universidade da vida!
Há bastante tempo que as consultas se desenrolam a passo de caracol. Mas não será por isso que a sala tem tanta gente? As pessoas não gostam de ser consultadas à pressa, precisam de tempo, merecem tempo.
_ Ai, valha-me Deus! Já não me "despaxo" a horas do autocarro! Tenho que telefonar ao meu marido pra me vir buscar! - Caramunhava-se uma senhora de ar desgrenhado. - Minha "sinhora", veja-me aqui na lista, por favor que eu não "inxergo" estes números que parecem piolhos."!
E esticava até Lalim o telemóvel no braço.
"Hum! Há horas aqui e ainda ninguém puxou conversa sobre padres! É de admirar! Está para cair algum santo so altar abaixo!"
O altifalante chama pelo meu nome.
- Boa tarde, sr doutor!
- Boa tarde - diz quase sussurrando o médico, com um ar de indifrença e de rotina.
- Então...
- Então, sr doutor, é que estou aqui stressado pra caramba...
- Stressado?
- Pois, mandaram-me cá estar às tantas. Já são tantas!!
- Pois, sabe que as consultas têm que demorar o tempo necessário...
- Isso eu sei. Mas acho que o sr doutor já merecia um relógio que não atrasasse tanto...
Um em cada oito assume-se como agressor...
Os jornais trouxeram a notícia. Os pais de um rapaz de 12 anos, que sofreu de cancro, e frequentava o sétimo ano, foram obrigados a retirá-lo da escola pois os colegas faziam-lhe a vida negra. Era insultado pelos colegas e vítima de sucessivas humilhações. Os pais pediram, insistentemente, ao conselho executivo que mudasse o menino de turma. Chegaram a pedir a intervenção da Inspecção-Geral da Educação. Na falta de respostas e temendo o agravamento do estado de saúde do filho, não o deixaram ir mais às aulas.Nas escolas básicas portuguesas, um em cada cinco alunos é vítima de uma intimidação constante por parte de colegas – que inclui agressões, insultos e exclusões de jogos. É o bullying, termo que não tem tradução para português, mas que está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País.
Outra notícia de rejeição chegou também ao nosso conhecimento: Três casais belgas recusaram serem casados por um negro. Mas esse facto desencadeou um gesto muito bonito como repúdio desta atitude racista: cerca de seiscentos casais belgas e de outros países fizeram questão de que fosse esse homem de raça negra a casá-los.
As escolas têm de estar mais atentas às rejeições dos alunos. E o Ministério da Educação tem de dar meios para que os responsáveis escolares possam resolver essas questões.
Um estudo das universidades do Minho, Porto e Técnica de Lisboa mostra que um em cada cinco alunos entre os 10 e os 12 anos é vítima de bullying (rejeição) na escola. E mais: um em cada oito assume-se como agressor nesta relação entre pares. Os rapazes parecem ser mais afectados pelo problema, mas os investigadores não notaram grande diferença entre as escolas citadinas ou as rurais.
Alguém que se sinta rejeitado tem os ingredientes básicos para se pôr à margem das normas sociais. E um marginal cria instabilidade à sua volta.
Por outro lado: quem marginaliza os outros logo desde novo tem todos os ingredientes para ser um mau colega pela vida fora e cria também um mau ambiente em redor.
Por outro lado: quem marginaliza os outros logo desde novo tem todos os ingredientes para ser um mau colega pela vida fora e cria também um mau ambiente em redor.
Bullying (rejeição) é um fenómeno preocupante, quer na sociedade quer, por extensão, na escola. Penso que é urgente intervir nesta matéria. Está em causa a dignidade da pessoa. Está em causa a saúde social. Se devemos cuidar das vítimas, também nos devem merecer toda a atenção os agressores. Nenhum agressor deveria passar incólume. Responder à agressividade com agressividade? Penso que não será o caminho. Pelo menos em regra. Levar o agressor até dentro de si e aí realizar a purificação? Certamente. Mesmo com dor.
Aqui está um campo a merecer toda a atenção dos decisores políticos no âmbito da educação. Certamente mais útil, democrático e edificante do que "pidar"!...
terça-feira, 5 de junho de 2007
O que vai, volta...
Nunca sabemos o fruto que dará uma palavra nossa, um bom conselho, uma orientação, uma generosidade nossa, mesmo insignificante, uma atitude simples, uma pequena ajuda proporcionada a alguém, conhecido ou desconhecido. E tantas vezes deparamos com jardins de rara beleza depois da nossa sementeira de bem fazer.
Eis um episódio verdadeiro.
Certo dia um pobre lavrador escocês chamado Fleming, ouviu gritos para as imediações da sua casa. Largou tudo e correu a prestar socorro a quem gritava. Deparou com um jovem enterrado na lama do pântano, em perigo de vida. Arrancou-o do lamaçal e salvou-o.
No dia seguinte, um carro luxuoso parou à porta do lavrador com um indivíduo de aspecto nobre e rico.
- O senhor salvou ontem o meu filho. Venho recompensá-lo.
- Não aceito dinheiro nenhum pelo que fiz.
Entretanto surgiu à porta da casa o filho do lavrador.
- É seu filho?
- Sim.
- Então, já que não recebe dinheiro, vou ajudá-lo a estudar como o meu próprio filho - respondeu o homem nobre.
O lavrador aceitou e o seu rapaz estudou nas melhores escolas e licenciou-se em Medicina. Foi um médico brilhante e um investigador talentoso. Ficou conhecido internacionalmente como Dr. Alexander Fleming, descobridor da Penicilina que tantas vidas tem salvo.
Anos depois o filho daquele homem nobre que ajudou o jovem Fleming adoeceu com uma pneumonia. O que o salvou foi precisamente a Penicilina. O nome do pai era Randolph Churchil, e o rapaz que foi salvo era Winston Churchil.
Não sabemos como nem onde vai frutificar a semente do bem que lançamos à terra. Mas sabemos que há maravilhas surpreendentes e inexplicáveis, que parecem a mão de DEUS a recompensar o amor que deixamos nos nossos caminhos da vida.
http://padremariosalgueirinho.blogspot.com/
Eis um episódio verdadeiro.
Certo dia um pobre lavrador escocês chamado Fleming, ouviu gritos para as imediações da sua casa. Largou tudo e correu a prestar socorro a quem gritava. Deparou com um jovem enterrado na lama do pântano, em perigo de vida. Arrancou-o do lamaçal e salvou-o.
No dia seguinte, um carro luxuoso parou à porta do lavrador com um indivíduo de aspecto nobre e rico.
- O senhor salvou ontem o meu filho. Venho recompensá-lo.
- Não aceito dinheiro nenhum pelo que fiz.
Entretanto surgiu à porta da casa o filho do lavrador.
- É seu filho?
- Sim.
- Então, já que não recebe dinheiro, vou ajudá-lo a estudar como o meu próprio filho - respondeu o homem nobre.
O lavrador aceitou e o seu rapaz estudou nas melhores escolas e licenciou-se em Medicina. Foi um médico brilhante e um investigador talentoso. Ficou conhecido internacionalmente como Dr. Alexander Fleming, descobridor da Penicilina que tantas vidas tem salvo.
Anos depois o filho daquele homem nobre que ajudou o jovem Fleming adoeceu com uma pneumonia. O que o salvou foi precisamente a Penicilina. O nome do pai era Randolph Churchil, e o rapaz que foi salvo era Winston Churchil.
Não sabemos como nem onde vai frutificar a semente do bem que lançamos à terra. Mas sabemos que há maravilhas surpreendentes e inexplicáveis, que parecem a mão de DEUS a recompensar o amor que deixamos nos nossos caminhos da vida.
http://padremariosalgueirinho.blogspot.com/
Deus perdoa sempre; o homem, às vezes; a Natureza, nunca!
5 de Junho: DIA MUNDIAL DO AMBIENTE
Plantar uma floresta
Quem planta uma floresta
Planta uma festa.
Planta a música e os ninhos,
Faz saltar os coelhinhos.
Planta o verde vertical,
Verte o verde,
Vário verde vegetal.
Planta o perfume
Das seivas e flores,
Solta borboletas de todas as cores.
Planta abelhas, planta pinhões
E os piqueniques das excursões.
Planta a cama mais a mesa.
Planta o calor da lareira acesa.
Planta a folha de papel,
A girafa do carrossel.
Planta barcos para navegar,
E a floresta flutua no mar.
Planta carroças para rodar,
Muito a floresta vai transportar.
Planta bancos da avenida,
Descansa a floresta de tanta corrida.
Planta um pião
Na mão de uma criança:
A floresta ri, rodopia e avança
Luísa Ducla Soares
Plantar uma floresta
Quem planta uma floresta
Planta uma festa.
Planta a música e os ninhos,
Faz saltar os coelhinhos.
Planta o verde vertical,
Verte o verde,
Vário verde vegetal.
Planta o perfume
Das seivas e flores,
Solta borboletas de todas as cores.
Planta abelhas, planta pinhões
E os piqueniques das excursões.
Planta a cama mais a mesa.
Planta o calor da lareira acesa.
Planta a folha de papel,
A girafa do carrossel.
Planta barcos para navegar,
E a floresta flutua no mar.
Planta carroças para rodar,
Muito a floresta vai transportar.
Planta bancos da avenida,
Descansa a floresta de tanta corrida.
Planta um pião
Na mão de uma criança:
A floresta ri, rodopia e avança
Luísa Ducla Soares
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Cemitério, arroz e flores
" Quando a gente pensa que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas... "
"Um sujeito estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês a colocar um prato de arroz na Lápide ao lado.
Ele vira-se para o chinês e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, e geralmente à mesma hora que o seu vem cheirar as flores!!!"
"RESPEITAR AS OPÇÕES DO OUTRO, EM QUALQUER ASPECTO, É UMA DAS MAIORES VIRTUDES QUE UM SER HUMANO PODE TER.
AS PESSOAS SÃO DIFERENTES, AGEM DIFERENTE E PENSAM DIFERENTE".
"NUNCA JULGUE. APENAS COMPREENDA!"
"Um sujeito estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês a colocar um prato de arroz na Lápide ao lado.
Ele vira-se para o chinês e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, e geralmente à mesma hora que o seu vem cheirar as flores!!!"
"RESPEITAR AS OPÇÕES DO OUTRO, EM QUALQUER ASPECTO, É UMA DAS MAIORES VIRTUDES QUE UM SER HUMANO PODE TER.
AS PESSOAS SÃO DIFERENTES, AGEM DIFERENTE E PENSAM DIFERENTE".
"NUNCA JULGUE. APENAS COMPREENDA!"
Subscrever:
Mensagens (Atom)