sexta-feira, 13 de junho de 2014

Papa Francisco abre porta a renúncia e sublinha que «pobreza e humildade estão no centro do Evangelho»

O papa Francisco concedeu uma entrevista de mais de uma hora ao jornalista português Henrique Cymerman, que vai ser transmitida esta sexta-feira na SIC ("Jornal da Noite"), seguida de debate na SIC Notícias.
A conversa, que decorreu na segunda-feira, no Vaticano, é publicada hoje no jornal "La Vanguardia", de sediado em Barcelona, de que Cymerman é correspondente, bem como em sites italianos.
Apresentamos excertos da entrevista, em que o papa diz ao jornalista português que a ele se deve «boa parte» da realização da oração pela paz que no domingo reuniu no Vaticano o papa Francisco, os presidentes de Israel e da Palestina e o patriarca ecuménico Bartolomeu.
A perseguição aos cristãos, os fundamentalismos, a segurança pessoal, a pobreza e humildade, o dinheiro e a guerra, o judaísmo, a relação com as Igrejas ortodoxas, a relação entre fé, ciência e ateísmo, o pontificado de Pio XII e uma eventual renúncia são alguns dos temas da entrevista.
O trabalho de síntese, extraído do site "Vatican Insider", é assinado pelo jornalista Andrea Tornielli.

Cristãos perseguidos
«Os cristãos perseguidos são uma preocupação que me toca de perto como pastor. Sei muitas coisas sobre estas perseguições que não me parece prudente contar aqui, para não ofender ninguém. Mas há lugares nos quais é proibido ter uma Bíblia ou ensinar o catecismo ou andar com uma cruz. O que quero tornar mais claro é isto: estou convencido de que a perseguição contra os cristãos é hoje mais forte do que nos primeiros séculos da Igreja. Hoje há mais cristãos mártires do que naquele tempo. E não é fantasia, são os números.»

Fundamentalistas
«[A violência em nome de Deus] é uma contradição. Não corresponde ao nosso tempo, é algo de antigo. À luz da perspetiva histórica devemos dizer que nós, cristãos, por vezes, praticámo-la. Quando penso na Guerra dos Trinta Anos, era violência em nome de Deus. Hoje é inimaginável, certo? Por vezes chegamos, através da religião, a contradições muito sérias e muito graves. O fundamentalismo, por exemplo. Nas três religiões [monoteístas] temos os nossos grupos fundamentalistas, pequenos em relação a todo o resto. Um grupo fundamentalista, mesmo se não mata ninguém, mesmo se não atinge ninguém, é violento. A estrutura mental do fundamentalismo é violência em nome de Deus.»

Revolução
Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que elas têm a dizer ao dia de hoje. Não há contradição entre ser revolucionário e voltar às raízes. Mais ainda, creio que o modo de fazer verdadeiras mudanças é partir da identidade. Nunca se pode dar um passo na vida se não a partir do que o precede, sem saber de onde venho, que nome tenho, que nome cultural ou religioso tenho.»

Segurança pessoal
«Sei que me pode acontecer alguma coisa, mas está tudo nas mãos de Deus. Recordo que no Brasil me prepararam um papamóvel fechado, com vidro, mas eu não posso saudar um povo e dizer-lhe que o amo dentro de uma lata de sardinhas, mesmo que seja de cristal. Para mim isso é um muro. É verdade que me pode acontecer alguma coisa, mas sejamos realistas: na minha idade não tenho muito a perder.»

Igreja pobre e humilde
«A pobreza e a humildade estão no centro do Evangelho, e digo-o num sentido teológico, não sociológico. Não se pode entender o Evangelho sem a pobreza, que no entanto é diferente do pauperismo. Acredito que Jesus queira que os bispos não sejam príncipes, mas servidores.»

Idolatria do dinheiro e guerra
«Está provado que com a comida que sobra poderíamos dar de comer a quem têm fome. Quando vê a fotografia de crianças desnutridas em diversas partes do mundo, mete as mãos entre a cabeça, não se percebe. Creio que vivemos num sistema mundial que não é bom, No centro de todo o sistema económico deve estar o homem, o homem e a mulher, e tudo o mais deve estar ao serviço do homem. Mas nós pusemos o dinheiro no centro, o deus dinheiro. Caímos num pecado de idolatria, a idolatria do dinheiro.
A economia move-se pelo afã de ter mais e, paradoxalmente, alimenta-se uma cultura do descartável. Descartam-se os jovens quando se limita a natalidade. Descartam-se também os idosos porque deixaram de servir, não produzem, são uma classe passiva... E descartando os jovens e os idosos, descarta-se o futuro de um povo porque os jovens impulsionam fortemente para a frente e porque os idosos nos dão a sabedoria, têm a memória desse povo e devem transmiti-la aos jovens.
E agora também está na moda descartar os jovens com o desemprego. Preocupa-me muito o índice de desemprego dos jovens, que em alguns países ultrapassa os 50 por cento. Alguém me disse que 75 milhões de jovens europeus com menos de 25 anos estão sem trabalho. É uma barbárie. Nós descartamos toda uma geração para manter um sistema económico que já não se aguenta, um sistema que para sobreviver deve fazer a guerra, como sempre fizeram os grandes impérios. Mas como não se pode fazer a terceira guerra mundial, fazem-se guerras regionais. O que é que significa isto? Significa que se fabricam e vendem armas, e assim as contas das economias idólatras, as grandes economias mundiais que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente que se recuperam.
Este pensamento único tira-nos a riqueza da diversidade de pensamento e, portanto, de um diálogo entre as pessoas. A globalização bem entendida é uma riqueza. Uma globalização mal entendida é aquela que anula as diferenças. É como uma esfera, com todos os pontos equidistantes do centro. Uma globalização que enriquece é como um poliedro, todos unidos para cada um conserva a sua particularidade, a sua riqueza, a sua identidade. E isto não acontece.»

Divisões entre Catalunha e Espanha
«Todas as divisões me preocupam. Há a independência por emancipação e há a independência por secessão. As independências por emancipação, por exemplo, são as americanas, que se emanciparam dos estados europeus.
As independências dos povos por secessão são um desmembramento por vezes muito óbvio. Pensemos na antiga Jugoslávia. Obviamente, há povos com culturas tão díspares que nem com cola se podem unir. O caso jugoslavo é muito claro, mas eu pergunto-me se é assim tão claro para outros casos, para outros povos que até agora têm estado unidos. É preciso estudar caso a caso. A Escócia, a Padânia, a Catalunha. Haverá casos em que serão justas, outras em que não serão. Mas é preciso que a secessão de uma nação sem que tenha havido um antecedente de união forçada seja considerada com pinças e analisada caso a caso.»

A oração pela paz no último domingo
«Sabe que não foi fácil, porque estava a par disso e a si se deve grande parte do êxito. Sentia que era algo que nos escapava a todos. Aqui, no Vaticano, 99 por cento das pessoas dizia que não se iria concretizar, e depois aquele 1 por centro foi crescendo. Sentia que estávamos a ser impelidos para uma coisa que não nos tinha ocorrido e que, aos poucos, foi tomando corpo. Não era, de todo, um ato político - e isso eu percebi-o desde logo -, mas um ato religioso: abrir uma janela ao mundo.»

Viagem à Terra Santa
«Decidi ir porque o presidente Peres [de Israel] me convidou. Eu sabia que o seu mandato terminava esta primavera, e assim vi-me, de alguma forma, obrigado a ir antes. O seu convite precipitou a viagem, não tinha pensado fazê-la.»

Judeus e cristãos
«Não se pode viver o seu cristianismo, não se pode ser um verdadeiro cristão se não se reconhece a sua raiz judaica. Não falo de judaísmo no sentido semita de raça, mas em sentido religioso. Creio que o diálogo inter-religioso deve aprofundar isto, as raízes judaicas do cristianismo e o florescer cristão do judaísmo. Percebo que é um desafio, uma batata quente, mas pode fazer-se como irmãos. Eu rezo todos os dias o Ofício Divino [Liturgia das Horas] com os salmos de David. A minha oração é judaica, e depois tenho a Eucaristia, que é cristã.»

Antissemitismo

«Não saberei explicar porque acontece, mas creio que está muito unido, em geral, e sem que haja uma regra fixa, à direita. O antissemitismo aninha-se solidamente melhor nas correntes políticas de direita do que de esquerda, não é? E ainda continua. Inclusive, temos quem negue o Holocausto, uma loucura.»

Arquivos do Vaticano e Pio XII
«[A abertura dos arquivos] trará muita luz. Sobre este assunto o que me preocupa é a figura do papa Pio XII, o papa que liderou a Igreja durante a Segunda Guerra Mundial. Há que recordar que antes ele era visto como o grande defensor dos judeus. Escondeu muitos nos conventos de Roma e de outras cidades italianas, e também na residência de verão de Castel Gandolfo. Aí, no quarto do papa, na sua própria cama, nasceram 42 bebés, filhos de judeus e de outros perseguidos lá refugiados.
Não quero dizer que Pio XII não tenha cometido erros - também eu cometo muitos -, mas o seu papel deve ser lido no contexto daquele tempo. Teria sido melhor, por exemplo, que não falasse, para que não fossem mortos mais judeus, ou que o fizesse?
Quero também dizer que por vezes fico com alguma urticária existencial quando vejo que todos atacam a Igreja e Pio XII, esquecendo-se as grandes potências. Sabe que conheciam perfeitamente a rede ferroviária dos nazis para transportar os judeus aos campos de concentração? Tinham as fotografias. Mas não bombardearam estas linhas ferroviárias. Porquê? Seria bom falar de tudo um pouco.»

Pároco ou chefe da Igreja?
«A dimensão do pároco é a que mais mostra a minha vocação. Servir as pessoas sai-me de dentro. Apago as luzes para não gastar demasiado dinheiro, por exemplo. São coisas de pároco. Mas sinto-me também papa. Ajuda-me a fazer as coisas com seriedade. Os meus colaboradores são muito sérios e profissionais. Tenho as ajudas necessárias para cumprir o meu dever. Não se deve jogar ao papa pároco; seria imaturo. Quando chega um chefe de Estado, tenho de recebê-lo com a dignidade e o protocolo que merece. É verdade que tenho os meus problemas com o protocolo, mas é preciso respeitá-lo.»

Mudanças e projetos
«Não sou nenhum iluminado. Não tenho nenhum projeto pessoal, simplemente porque nunca pensei que ficaria aqui, no Vaticano. Todos o sabem. Cheguei com uma pequena mala para voltar logo para Buenos Aires. O que estou a fazer é cumprir o que os cardeais refletiram nas congregações gerais, isto é, nas reuniões que antes do conclave tínhamos todos os dias para discutir os problemas da Igreja. De lá saem reflexões e recomendações.
Uma muito concreta foi de que o futuro papa deveria poder contar com um conselho externo, ou seja, um grupo de conselheiros que não vivesse no Vaticano. O conselho dos oito cardeais é composto por membros de todos os continentes e tem um coordenador. Reúne-se aqui a cada três meses. Agora, a 1 de julho, teremos quatro dias de reuniões, e vamos fazendo as mudanças que os próprios cardeais nos pediram. Não é obrigatório que o façamos, mas seria pouco prudente não escutar aqueles que conhecem as situações.»

A relação com os ortodoxos
«A ida a Jerusalém do meu irmão Bartolomeu I foi para comemorar o encontro de há 50 anos entre Paulo VI e Atenágoras. Foi um encontro após mil anos de separação. A partir do Concílio Vaticano II a Igreja católica fez esforços para se aproximar, e o mesmo da parte da Igreja ortodoxa. Com algumas Igrejas ortodoxas há mais proximidade do que com outras. Desejei que Bartolomeu estivesse comigo em Jerusalém, e lá nasceu o projeto para que estivesse presente também na oração no Vaticano. Para ele foi um passo arriscado, porque lho podiam atirar à cara, mas havia que abraçar este gesto de humildade, e para nós é necessário porque é inconcebível que estejamos divididos como cristãos, é um pecado histórico que temos de reparar.»

Fé, ciência, ateísmo
«Houve um aumento no ateísmo no período mais existencial, talvez por influência de Sartre. Mas depois deu-se um passo à frente, em direção à procura espiritual, o encontro com Deus de mil maneiras diferentes, e não necessariamente ligadas às formas religiosas tradicionais.
O confronto entre ciência e fé atingiu o auge no Iluminismo, mas hoje não está tão na moda, graças a Deus, porque todos nos demos conta da proximidade que existe entre uma coisa e outra. O papa Bento XVI tem um bom magistério sobre a relação entre ciência e fé. Em geral, a maior parte dos cientistas são muitos respeitosos da fé e o cientista agnóstico ou ateu diz: "Não ouso entrar nesse campo".»

Os chefes de estado e a política
«Vêm muitos chefes de estado e é interessante a variedade. Cada um tem a sua personalidade. Chamou a minha atenção um elemento transversal entre os políticos jovens, sejam do centro, de esquerda ou de direita. Talvez falem dos mesmos problemas, mas com uma nova música, e agrada-me, dá-me esperança porque a política é uma das mais altas formas de amor, de caridade. Porquê? Porque conduz ao bem comum, e uma pessoa que, podendo fazê-lo, não entra na política para servir o bem comum, é egoísmo. Quem usa a política para o bem próprio, é corrupção. Há cerca de 15 anos os bispos franceses escrevera, uma carta pastoral, uma reflexão com o título "Réhabiliter la polique" ("Reabilitar a política"). É um belo texto, faz compreender todas estas coisas.»

Renúncia de Bento XVI
«O papa Bento realizou um gesto muito grande. Abriu uma porta, criou uma instituição, a dos eventuais papas eméritos. Há 70 anos não havia bispos eméritos. Hoje, quantos há? Bom, como vivemos mais tempo, chegamos a uma idade em que não podemos andar para a frente com as coisas. Eu farei o mesmo que ele, pedirei ao Senhor que me ilumine quando chegar o momento e me diga o que devo fazer. Ele certamente mo dirá.»

Retiro para repouso
[Tem um espaço reservado numa casa de retiros em Buenos Aires (diz jornalista)]. Eu teria deixado o arcebispado no fim do ano passado e havia já apresentado a renúncia ao papa Bento XVI quando atingi os 75 anos. Escolhi um quarto e disse: quero vir viver aqui. Trabalharei como padre, ajudando nas paróquias. Esse ia ser o meu futuro antes de ser papa.»

Campeonato mundial de futebol
«Os brasileiros pediram-me neutralidade (ri-se) e cumpro a minha palavra porque Brasil e Argentina foram sempre antagonistas.»

Como gostaria de ser recordado
«Não pensei nisso, mas agrada-me quando alguém recorda outra pessoa e diz: "Era um bom homem, fez o que podia, não foi assim tão mau". Com isso me conformo.»
Fonte: aqui

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alexandre Soares dos Santos recebe Prémio Fé e Liberdade

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O Instituto de Estudos Políticos (IEP), da Universidade Católica Portuguesa, vai atribuir o Prémio Fé e Liberdade a Alexandre Soares dos Santos, anterior presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins.
A distinção vai ser entregue a 24 de junho, durante o Fórum Político do Estoril, que reúne dezenas de oradores nacionais e estrangeiros sob o tema "Reavaliando a 3.ª vaga de democratização", por ocasião dos 40 anos do 25 de abril (1974) e os 25 anos da queda do Muro de Berlim (1989).
A sessão, que à semelhança das conferências decorre no Hotel Palácio Estoril, terá como anfitrião o padre José Tolentino Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
O moderador será Alejandro Chafuen, presidente da Atlas Economic Research Foundation (Washington, EUA) e membro da direção do Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Grand Rapids, EUA).
Elísio Alexandre Soares dos Santos (1934), que já foi considerado a pessoa mais rica em Portugal,  vai ser apresentado por Manuel Braga da Cruz, anterior reitor da Universidade Católica.
Quando anunciou, em setembro de 2013, que a partir de novembro desse ano ia deixar o cargo no grupo, Alexandre Soares dos Santos revelou que pretendia dedicar-se à presidência do conselho de administração da sociedade Francisco Manuel dos Santos e da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
O programa do encontro prevê a presença de personalidades anteriormente distinguidas com o prémio: Mons. João Evangelista, fundador da Associação Cristã de Empresários e Gestores (Acege), Maria Barroso, da Fundação Pro Dignitate, e Mário Pinto, do IEP.
João Salgueiro, Guilherme d'Oliveira Martins, Jaime Gama, Francisco Pinto Balsemão, Francisco Assis, Paulo Rangel, Henrique Monteiro, Henrique Raposo, José Manuel Fernandes, Miguel Monjardino e Fernando Ulrich são alguns dos intervenientes anunciados para o Fórum Político do Estoril, que decorre entre 23 e 25 de junho.
Fonte: aqui

Prémio Fé e Liberdade para Soares dos Santos gera indignação
Frei Bento Domingues, o catedrático José Mattoso e o musicólogo Rui Vieira Nery são algumas das mais de 30 pessoas que manifestaram "indignação" pela atribuição do prémio "Fé e Liberdade" a Alexandre Soares dos Santos, ex-presidente do grupo Jerónimo Martins.
Em documento enviado à reitoria da Universidade Católica Portuguesa (UCP), os subscritores referem que foi com "grande perplexidade, tristeza e indignação" que tiveram conhecimento de que o Instituto de Estudos Políticos da UCP deliberou atribuir o prémio "Fé e Liberdade" a Elíseo Alexandre Soares dos Santos, designado "um dos homens mais ricos de Portugal".
Enfatizam que esta denúncia não é movida por "qualquer ressentimento contra a pessoa" em causa, mas pelo "dever" de, em consciência, tornar audível a voz dos cristãos que não querem - não podem - silenciar" a sua indignação.
"Um prémio tem um valor simbólico e testemunhal, pelo que, nas presentes circunstâncias, ocorre perguntar: O que é que se pretende enaltecer? Que valores merecem apreço explícito por parte da UCP? Quais os conceitos de fé e de liberdade que estão implícitos nesta atribuição?", questionam os subscritores, entre os quais constam os jornalistas Jorge Wemans e António Marujo e a professora universitária Isabel Allegro de Magalhães.
A carta de protesto lança ainda uma série de dúvidas sobre o que se pretende distinguir na personalidade de Alexandre Soares dos Santos.
Uma colossal fortuna pessoal? Uma forma de enriquecimento baseada nos ganhos do capital e sua acumulação? Práticas de exploração do trabalho humano (baixos salários, horários excessivos, precariedade nas relações laborais)? Expedientes fiscais para fugir aos impostos?.Um modelo de economia que permite o desemprego massivo, a grande concentração do património individual e correspondente poder político, com risco para a democracia e para a coesão social?, lê-se no documento a que a agência Lusa teve acesso.
Notando que a decisão vai também contra aquilo que tem sido o ensinamento e os apelos mais recentes do papa Francisco, os subscritores gostariam de ver a UCP empenhada na denúncia de "uma economia que mata", em especial pelo que produz "de grande pobreza, desemprego maçiço, excessivas e crescentes desigualdades, riscos ecológicos sérios", naquilo que é uma das maiores ameaças à liberdade e à democracia.
A Lusa tentou obter um comentário junto da reitoria da UCP, mas até ao momento não foi possível obter um esclarecimento por parte da reitora Maria da Glória Garcia.
O Instituto de Estudos Políticos (IEP), da UCP, atribuiu o Prémio Fé e Liberdade a Alexandre Soares dos Santos, devendo a distinção ser entregue a 24 de junho, durante o Fórum Político do Estoril, que reúne dezenas de oradores nacionais e estrangeiros.
Fonte: aqui

Alexandre Soares dos Santos: "Sou católico, crente, praticante"
Veja aqui

Novena e Festa de Santa Helena


quarta-feira, 11 de junho de 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, dia do Anjo de Portugal

SOBRE NÓS           
1. O 10 de Junho não é só um feriado para nós. É também um feriado sobre nós, sobre Portugal.
 
Tirando as cerimónias e discursos oficiais, além de mais um estendal de condecorações, que vestígios há de uma paragem para reflectir?
 
No limite, cada um vai meditando sobre si e sobre os seus. Os problemas de cada um já são suficientemente aflitivos. Pouco — ou nenhum — espaço sobra, assim, para a comunidade.
 
 2. Somos um país pequeno, mas que, mesmo assim, não cabe em si.
 
Conseguimos dar novos mundos ao mundo e, apesar disso, não resolvemos os problemas que asfixiam o nosso viver colectivo.
 
Temos passado, mas parece que não temos memória. Guardamos a história, mas não aparentamos ter muita vontade de continuar a fazer história.
 
A síntese angustiada de Pessoa mantém-se pertinente: «Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez. Falta cumprir-se Portugal».
 
Hoje, voltam a dizer-nos que somos um país adiado, mas, nesse caso, já o somos há muitos séculos.
 
 3. Não somos perfeitos. Às vezes, até nos mostramos contrafeitos.
 
Temos defeitos. Eis o nosso drama, eis também a nossa sorte. Se não fossem os nossos defeitos, o que nos motivaria? Se tudo já estivesse feito (e bem feito), que futuro nos restaria?
 
Houve algum momento em que Portugal não esteve em crise? Em que altura não se disse que vinham aí tempos difíceis?
 
A tudo temos sobrevivido. Temos sobrevivido à realidade, cruel. E temos sobrevivido aos diagnósticos, nada estimulantes.
 
Somos, enfim e como afirmava o Padre Manuel Antunes, uma excepção.
 
Constituímos um paradoxo vivo. Somos «um povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo activo mas pouco organizado; povo empírico mas pouco pragmático; povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras; povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias».
 
 4. Seja como for, continuamos a sentir Portugal, a fazer Portugal e, não raramente, a chorar Portugal.
 
Tantas vezes, são essas lágrimas que nos identificam e pacificam. Aquilo que soa a desespero acaba por saber a esperança.
 
Apesar das tardes sofridas, acreditamos sempre que uma manhã radiosa voltará a sorrir.
 
É por isso que nunca desistimos de nós. É por isso que, não obstante as nuvens, há sempre um Portugal a brilhar em milhões de corações espalhados pelo mundo!

A CAMINHO DO DESERTO?           
Deserto.
É nesta palavra que muitos pensam quando pensam em Portugal.
Uma parte do país já não tem pessoas. Outra parte do país tem cada vez menos pessoas.
O interior, nos últimos tempos, perdeu 200 mil pessoas e 7 mil serviços públicos.
Estamos a fazer o contrário de d. Sancho. Estamos a despovoar, a desertificar.
Não precisamos de ir para longe para ver o deserto. O deserto está cada vez mais perto!
Fonte: aqui

Trabalhar, sonhar e projetar Santa Helena

Veja aqui

segunda-feira, 9 de junho de 2014

domingo, 8 de junho de 2014

Por Tarouca













sábado, 7 de junho de 2014

A propósito do perfil de líder


Já algumas vezes me tentei a refletir sobre o tema referenciado em epígrafe, face à forma como os colégios eleitorais, de grande ou pequena extensão, catapultam para a liderança das organizações algumas figurinhas que nem Deus gostaria de ter no paraíso nem Lúcifer toleraria nas profundezas. 

Porém, sucede o governante-mor, exercendo uma liderança política de forma desviante, nos quer entreter a desferir doestos contra o tribunal constitucional, designadamente a exigir maior escrutínio a um órgão de soberania, pelos vistos não eleito, sobre opções tão importantes como as orçamentais, dizendo mesmo que a sua escolha deveria ser melhorada e exigindo ineditamente uma aclaração (que foi excluída recentemente do código do processo civil) sobre alguns pontos do último acórdão. Pensava que a eleição de 10 dos juízes por maioria de dois terços dos deputados e subsequente cooptação de mais 3 pelos eleitos era democraticamente mais segura que a metodologia de escolha dos membros do governo.

Sem me pronunciar, de momento, sobre a necessidade ou conveniência de uma episódica revisão constitucional, entendo que as metodologias consagradas na lei fundamental não devem ser postas em causa só porque as decisões de um órgão de soberania, sobretudo o que tem a missão de ajuizar da constitucionalidade das leis, não agradam ao governo. Que diria o primeiro-ministro se o cidadão comum ou os académicos, maxime os constitucionalistas se lembrassem de exigir uma diferente metodologia constitucional de composição e nomeação do governo ou de eleição do parlamento, quando nos sentimos excessivamente ludibriados, prejudicados e vilipendiados pela governança? Como reagiria se lhe exigíssemos uma aclaração das medidas decididas e implementadas?

A pari, termos de inferir, pelos factos, que a liderança do Partido Socialista não está a seguir uma rota mais aceitável, embora a contrario. É certo que o PS ganhou claramente, em pouco tempo, duas eleições, autárquicas e europeias. No entanto, as autárquicas não deram uma maioria confortável aos socialistas, apesar do sofrimento provocado pela governança, se tivermos em conta o crescendo do fenómeno dos independentes (genuínos ou resultantes de dissidências) e a feição específica do poder local, bastante centrado no perfil pessoal dos candidatos. Por outro lado, nas eleições europeias, a maioria governamental apanhou a derrota estrondosa, a que se equipara, pouco mais ou menos, uma tímida vitória relativa tangencial do PS. Será meramente conjetural o que se possa dizer sobre e eventual deslocação de votos: abstenção, MPT, CDU, votos nulos e brancos?

Perante o epifenómeno, António Costa desafia a liderança socialista e postula eleições diretas, em que ele se apresentará como candidato, e, consequentemente, congresso extraordinário onde o líder eleito apresentará a sua moção estratégica e a escolha de personalidades para os diversos órgãos estatutários do partido. A isto, António Seguro e o aparelho, na sua insegura liderança, respondem das piores formas: abespinhamento pela “afronta”, depois de o partido ter capitalizado duas vitórias eleitorais sucessivas; resposta negativa aos desafios de Costa; entrincheiramento do “líder” no seu reduto aparelhístico; lançamento, não previsto estatutariamente, de eleições primárias para o cargo de primeiro-ministro (eleições que nem não constam do ordenamento constitucional nem podem confundir-se com as primárias americanas e francesas para presidente, não para primeiro-ministro), quiçá a privilegiar o estatuto dos simpatizantes, sem pôr à disposição do cargo de secretário-geral; declaração de renúncia ao cargo atual, no caso de perda das primárias; e, agora com as declarações de Passos Coelho, solicitação da intervenção de Cavaco Silva, por estar em causa o regular funcionamento das instituições democráticas. Quererá o líder, pressionado pelo desequilíbrio clientelar partidário, que a coligação PSD/CDS ganhe eleições legislativas antecipadas ao seu partido fragilizado por um não descolamento de que o líder e o aparelho são os principais responsáveis, agravado pela teimosia das estruturas em não ler os sinais do susodito epifenómeno? Um político amigo do partido e do povo não deveria aceitar, facilitar e até promover a clarificação no interior do partido, incluindo a liderança? Quererá antes, como Pôncio Pilatos, persistir na atitude de não atar nem desatar, e deixando que a coligação que nos sugou até ao tutano ganhe tempo para, com a invasão propagandística do eleitorado, abocanhar nova legislatura?

***

E aqui importa esclarecer o perfil e o papel do líder, não propriamente do líder empresarial ou de uma ONG, mas da ação política, partidária e potencialmente governativa. A empresa tens fins empresariais, nomeadamente o lucro, que desejavelmente deveria circunscrever-se ao domínio do “lucro justo” e não o do lucro desenfreado. A ONG tem habitualmente o contributo da dedicação voluntária e o da afeição solidária, que, ultrapassando as meras relações hierárquicas e/ou laborais, lhe emprestam um capital de humanidade não facilmente inventariável na empresa ou na política.

José Gil, no seu artigo de índole ensaística publicado na revista Visão, desta semana, dissertando sobre “o que é um líder?”, deixa alguns avisos sobre o perfil de Seguro, de quem diz que “é mais um seguidor, boa pessoa, comum, sempre politicamente correto”. E acrescenta que “terá muitas qualidades políticas, mas não as de um líder”. Por mim, entendo que o enunciado deveria ser formulado de outro modo: Seguro poderá ter grande conhecimento de ciência política, sobretudo no aspeto teorético, e até muita capacidade de trabalho político, mas não tem capacidade de liderança, nem mesmo qualidades políticas, pois estas são essencialmente de condução/liderança.

No entanto, o artigo do filósofo reveste-se de pertinência e oportunidade. Sem pôr de parte a parametragem da liderança baseada nos estudos, mormente americanos – de que resultam elencos de características baseadas na personalidade, “com traços essencialmente psicológicos” como extroversão, empatia, firmeza de vontade, além de outros – opina que deve pôr-se o acento naquilo “que faz do líder um dispositivo muito particular de forças”. E justifica a sua asserção ao afirmar que o que torna um indivíduo em líder político “é um certo jogo de forças que se estabelece entre ele e os que o ouvem e seguem na ação”, que passa pelo “poder oratório” e pela “capacidade em atrair”.

Reclama o articulista para a liderança “uma presença intensiva”, entendida como força “tão poderosa e plástica” que funcione como “um foco atrator, transdutor e emissor de energias”, de modo que se forme “um plano único de forças convergentes para um fim”, não pela via da “obediência e submissão”, mas pela via – digamos – da auscultação, avaliação das situações e diálogo com vista à tomada de decisões concertadas e ações consequentes. Assim, na asserção de Gil, o líder “é a voz do povo que com ele se sente identificado”, o que pressupõe “um dom poderoso de comunicação e contágio”, que “provoca adesões cada vez mais alargadas”. Por outro lado, o filósofo alude a outra caraterística, pouco evocada: “o líder é um ser habitado” […] “Desaparece como pessoa para ganhar uma identidade superior que oferece certeza, segurança e confiança. Está sempre acima se si”.

E José Gil não encontra estas qualidades em Seguro; e tem razão. Por melhores que sejam as pessoas, elas têm de ser avaliadas como as árvores – pelos frutos, pelos resultados. E os frutos-resultados não são apetecíveis, convincentes na atual liderança socialista.

***

Se é verdade o que foi referido a propósito da liderança do ainda maior partido da oposição, também não temos terreno que leve acreditar na bondade de uma reentrega do poder aos seus atuais detentores do poder executivo. E não é preciso afastarmo-nos das caraterísticas apontadas acima.

Para fazer vingar as sucessivas medidas políticas que induziram o empobrecimento generalizado do país, o conflito intergeracional, o enfraquecimento da classe média, a depauperação da administração pública, o descarte de trabalhadores, etc., os líderes da governação usaram os recursos de persuasão adequados aos fins, mas sem atenção aos meios. Escudando-se no documento de ajustamento negociado com as instâncias internacionais, fizeram, ao arrepio do concertado pré-eleitoralmente, a campanha da inevitabilidade, da honra dos compromissos assumidos (Coitadinhos de nós, devedores, face aos nossos generosos credores!) e responsabilizaram os portugueses pela dívida externa que o desgoverno da República, a delapidação e o descalabro empresarial (leia-se bancário, financeiro…) provocaram. E valeu tudo: cortes cegos, aposentações forçadas, rescisões amigáveis claramente induzidas, impostos brutalmente aumentados, contribuições agravadas, a par de taxas e tarifas incomportáveis – tudo a coberto de uma propalada reforma do Estado, que não se fez.

Estes líderes fizeram-se pessoas bem vulgares, pela promessa do que sabiam não poder cumprir, pela mentira, pela inabilidade de inventar ou reinventar medidas políticas adequadas, pela incapacidade de negociar em nome de Portugal com as instâncias internacionais, acentuando a componente mutualista da dívida soberana, pela inépcia comunicativa, pela mentira, pelo desrespeito aos órgãos de soberania, pela arrogância, pela impunidade da fraude, pelo compadrio sempre negado… Estes líderes não atraíram, a não ser pela força, pela mentira, pela inculcação da divisão, pela invocação do estado de necessidade. Estes líderes foram impiedosamente apupados em público e até acharam graça; não souberam estar “acima de si”; não estiveram “habitados”; nunca deixaram de ser o Pedro, o Paulo o Miguel, a Maria; nunca souberam ser a voz do povo. Nem sei se os quereria para liderarem empresa minha!

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Porque o líder tem de ser: pessoa curiosa, ouvindo pessoas que estejam fora do círculo do “sim, senhor primeiro-ministro”, para não se tornar arrogante ou enrocado no seu castelo de marfim; pessoa criativa, sonhando e fazendo (e levando a fazer) o que ninguém imaginaria, administrando as mudanças que lhe surjam como desafio e aquelas que ele, no seu papel visionário, entender dever provocar; pessoa comunicativa, sabendo expor as suas ideias (inéditas ou concertadas com as dos cooperadores) e atrair os outros, cada vez em maior número e qualidade, para as suas causas; pessoa de caráter, sabendo discernir entre o certo e o errado e tendo a coragem de sempre seguir e fazer o que é certo, sem alguma vez faltar à verdade e sem abusar do poder; pessoa corajosa, assumindo a coragem, e não a presunção, de se sentar à mesa para falar e negociar; pessoa convicta, sentindo a sinceridade e a paixão por aquilo que lhe é dado fazer, levando por diante sem desfalecer as iniciativas que houve por bem tomar; pessoa carismática, sendo inspirador de confiança segura, provocando as pessoas a segui-lo inabalavelmente e fazendo render ao serviço da comunidade os seus talentos; pessoa competente, tendo a noção clara do que está empreendendo, da sua validade e interesse para a comunidade e para os fins para que tende, e cercando-se de colaboradores que saibam sempre o que estão a fazer, que não sejam capazes de o trair ou enganar pela adulação; pessoa de senso comum, longe de qualquer egoísmo ou egocentrismo, mas com atenção à comunidade, universo da sua liderança; e, sobretudo, pessoa que saiba enditar-se com as crises.

É que, segundo Luís Piovenaza, os líderes não nascem líderes, fazem-se: a liderança é lapidada em tempos de crise. Onde estão esses líderes, que, em vez de se deixarem arrastar por ela, saltem por cima da crise!

2014.06.05
Louro de Carvalho 

Santa Helena: Dois hobbies juntos pela 1ª vez


Foi no  fim de semana, dias 3 e 4 de maio, que o monte de Santa Helena, junto a Tarouca, aco­lheu centenas de desportistas na­cionais e estrangeiros que partici­param na prova a contar para a Taça de Portugal Downhill Vodafone.

Igualmente a estação de radioa­mador de indicativo CT1AL partici­pou desse lugar no concurso EA1 RCS, da Associação de Segóvia, a pontuar para o campeonato de Es­panha.

O desporto ligado às bicicletas, que descem montes a grande ve­locidade, e o hobby do radioamadorismo tiveram oportunidade de deliciar os muitos visitantes que se deslocaram àquele santuário com boas condições e capazes de res­ponder com comodidade a quem ali se desloque. Mesmo no alto, tem um amplo terreiro empedrado, com altar no topo norte e onde se cele­bram as cerimónias religiosas no mês de julho. Pouco abaixo, a cape­la de grossas paredes que a resguar­dam das intempéries e a hospeda­ria com boas condições de aloja­mento para os peregrinos. A gestão do espaço é da responsabilidade da cimissão da Igreja,  composta por 11 elementos, incansáveis em prestar um eficiente serviço de apoio a quem se dirige ao santuário.

Estas infraestruturas e o apoio da Câmara Municipal foram essen­ciais para que a realização desta prova resultasse num êxito.

Desta vez foi utilizada uma pista que rasga vertiginosamente a en­costa norte do monte que desce, com grande inclinação para os lados de Tarouca. A velocidade que os atletas atingem é alucinante, provo­cando grande emoção perante a as­sistência dispersa pelo monte ver­dejante de carquejas e urzes. Quer os atletas quer os comissários na­cionais e internacionais elogiaram a prova que esteve impecável. Daniel Carvalho da organização informou-nos: "Das várias categorias em pro­va, subiram ao pódio atletas de di­ferentes nacionalidades. Na Classe Elite, o campeão nacional em título, o português Francisco Pardal, foi o vencedor, com uma descida de 2:48:664 minutos, tendo ficado em 29 lugar o campeão de Espanha, Toni Ferreiro, e em 3º lugar o inglês Alex Bond".

E a rádio desperta, ainda, muita curiosidade também pela magia do funcionamento, sendo que desta vez eu utilizei uma maior parafer­nália de antenas rotativas, cabos coaxiais e espias de mastros auto montantes, sendo este conjunto de equipamentos que uma das fotos documenta, que estiveram em fun­cionamento e serviram igualmente de demonstração para o muito pú­blico que acorreu ao local, sobretu­do na tarde soalheiro do domingo.

Em frequências muito, mesmo muito elevadas, desde os 144 MHz, 432MHz até os 1200MHz, foi pos­sível contactar com lugares a cente­nas de quilómetros, sobre o solo, até Barcelona e, via propagação marítima até às Canárias, a mais de 1500 Km!

O concurso de comunicações via rádio teve lugar desde as 15 ho­ras de sábado às 15 horas de do­mingo, consistindo em transmitir e receber para o mais distante pos­sível e com o maior número de co­municados. Igualmente, como hobby, serviu para testar material, aperfeiçoar técnicas de montagem de antenas e cultivar um espírito sadio entre os participantes que se encontram ou nas suas casas ou no alto das serras.

Foi mais uma oportunidade de validar este singular desejo de con­tacto com outros radioamadores da Península Ibérica irmanados no mesmo espírito de fraternidade e, se for preciso, em casos de catástro­fes ou falência de sistema, servir de rede alternativa aos telemóveis.

Adelino Francisco, editor da QSP
Notícias de Viseu

 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Nós por cá...

CENTRO PAROQUIAL




Aí estão as obras!
Muitas preocupações, muitas horas sem sono, mas um grande, grande sonho! Ver a obra feita!

 E isto DEPENDE DE CADA UM DE NÓS! DE TODOS NÓS!
Não é o Padre que precisa da obra!!!! É a COMUNIDADE!...

Que nunca nos doa as mãos, o coração e a língua...
 as mãos para colaborar;
 o coração para dar, dar, dar;
 a língua para falar desta obra a toda a gente, pedindo a generosidade de todos!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Portugal visto do céu

A lição da criança angolana


Quando nasci, era preto.
Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto....
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer continuarei preto !

E tu, cara branco.
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.

 
E vem me chamar de homem de cor ?
  (Escrito por uma criança angolana)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Praça de Tiananmen, há 25 anos

Homenagem
Neste dia não posso deixar de homenagear, como dizia Popper, "the countless men and women of all creeds or nations or races who fell victim to the fascist and communist belief in Inexorable Laws of Historical Destiny". Hoje em particular, os jovens que, com uma coragem imensa, estiveram na Praça de Tiananmen há 25 anos. Não se sabe ao certo os mortos, estima-se desde 500 a milhares. O certo é que, nesse dia, o Exército Chinês abriu fogo perante civis desarmados. Há duas razões pelas quais esta data me afecta especialmente - não só porque a maioria dos mortos tinham a minha idade, mas porque também, já estive na Praça da 'Paz Celestial' (= Tiananmen) e foi uma sensação indescritível, de tentar perceber a dimensão do massacre que ali ocorrera, enquanto que a guia turística (membro do Partido claro) falava "ah e tal, houve aqui um punhado de troublemakers, nada mais". Naquele momento isso causou-me uma angústia profunda - pensar naquela gente, com a minha idade, e tendo as mesmas aspirações que eu, que foi massacrada sem misericórdia em nome de uma ideologia totalitária, e pelo seu 'Exército Popular de Libertação'.


 António Garcia Rolo, em 04.06.14, aqui

terça-feira, 3 de junho de 2014

Rota das Catedrais Portuguesas

Abra e depois para ver em pormenor cada uma delas click e use as setas para rodar em qualquer direcção que pretenda. Muito bom mesmo 
Excelente: rápido, prático, óptima qualidade, barato... basta um simples click .
Uma bela forma de visitar as nossas Catedrais, sem sair de casa...
Zoom espectacular...
Ao vivo, não se consegue ver tanto pormenor.
Sempre abertas ao público, sem filas e sem custos.
Por enquanto, apenas 12 estão disponíveis, mas espero enviar mais e em breve.
 
CLIQUE
AQUI

A Igreja e a sexualidade

Ontem, programa Prós e Contras.
Veja aqui uma opinião sobre o debate.
Se quer seguir o debate, encontra-o aqui.

O frio que vem de dentro


segunda-feira, 2 de junho de 2014