terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Passado, presente e futuro



O PS e a Igreja
António Costa toma posse como primeiro-ministro 
Foto Mário Cruz/ Lusa retirada daqui
Há 40 anos o 25 de Novembro pôs fim a um “Verão Quente” de agitação política. Para uns, foi o fim de um sonho revolucionário e a ascensão ao poder das forças reacionárias. Para outros, foi evitada a instauração de uma ditadura de esquerda e a sovietização do país. Ainda hoje há quem leia este acontecimento com as mesmas perspetivas divergentes. A atual maioria de esquerda na Assembleia da República recusou-se mesmo a participar na reunião preparatória da comemoração dessa efeméride, alegando ser uma data “fraturante”.

Em 1975 o PS afastou-se do PCP, e aproximou-se dos partidos de direita, para garantir a democracia em Portugal. Foram precisos quatro décadas para voltarem a aproximar-se, para derrubar uma governação de direita e fazerem a viragem à esquerda na política nacional, prometendo o fim da austeridade e o cumprimento dos compromissos internacionais do país.

Com esta viragem à esquerda do PS e o acantonamento do PSD e do PP à direita, o eleitorado do centro – que alternadamente foi dando a vitória ao PSD e ao PS – terá de aguardar para ver de qual dos blocos se aproxima numa próxima eleição.

Para já o Presidente da República deu posse ao governo de António Costa, que a nova maioria de esquerda irá sustentar no Parlamento. É curioso que Cavaco Silva, intencionalmente ou não, tenha evitado a data de 25 de Novembro para efetivar a sua decisão. Indigitou António Costa no dia anterior; e deu posse ao governo no dia a seguir à efeméride.

Há 40 anos, durante o “Verão Quente”, o PS liderado por Mário Soares acolheu o apoio da Igreja Católica e teve como principal interlocutor o cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro. Hoje, ainda é muito cedo para perceber qual vai ser o relacionamento deste governo de maioria de esquerda com a Igreja. As reações da hierarquia são, para já, cautelosas – apenas dizem que estão disponíveis para colaborar com qualquer governo, na promoção do bem comum de todos, etc.

Os próximos meses esclarecerão se António Costa, apesar de ter feito algumas cedências aos partidos à sua esquerda, nomeadamente nas ditas “questões fraturantes”, conseguirá reconquistar o centro. Ou se vira demasiado à esquerda, tornando, assim, muito mais difícil o entendimento com a Igreja Católica.

(Texto publicado no Correio da Manhã de 27/11/2015), visto aqui

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