domingo, 20 de setembro de 2015

Domingo, 20 de setembro. SANTA HELENA




 

 



Um dia fantástico, com um tempo maravilhoso. Daqueles dias em que a Serra nos faz saborear a beleza do seu encanto.

Sabemos que estamos nas Festas de S. Miguel. Sabemos que é tempo de vindimas. Mas.... tão pouca gente em Santa Helena num dia maravilhoso como este?!
Será que damos valor ao bem que temos?






sábado, 19 de setembro de 2015

À Sombra do castanheiro


Tio Ambrósio e o Carlos, amigos de longa data, conversam animadamente, desta vez sobre eleições, ir ou não ir votar, deputados que os eleitores não conhecem, ordenados dos políticos, sentido do bem comum, autarcas que são referência...
Uma conversa que, com a devida vénia, transcrevo de O Amigo do Povo


– Eu não vejo o pessoal do Cabeço com muita vontade de ir exercer o seu direito de cidadania nas eleições que aí temos à porta. Mas o Tio Ambrósio, é certo e sabido que não vai ficar em casa...
– E tu também não, Carlos!
– Para lhe ser sincero, à última hora acabo sempre por ir. Mas, conversando com o Sanguessuga, já me deu vontade de, desta vez, engrossar as fileiras do maior partido português, que é o partido dos abstencionistas...
– Não te deixes levar nessa cantiga, Carlos.' Eu sei que todos estes processos eleitorais enfermam de diversos defeitos, uns maiores e outros mais pequenos. Mas, enquanto não mudar o sistema, eu continuo a ir votar, depois de procurar informar-me detalhadamente sobre os programas que cada partido apresenta ao eleitorado. E não penses que eu me vou deixar influenciar pelos lindos olhos de ninguém. Tanto eu como tu (como a maioria dos portugueses votantes) somos cidadãos adultos que sabemos muito bem o que queremos, onde estamos epara onde devemos ir...
– Eu não estou assim tão certo de todas essas coisas. O tio Ambrósio acaba de dizer que este sistema enferma de diversos defeitos. Um deles, para mim, é o de nos apresentarem esta ou aquela figura bem conhecida de toda a gente como cabeça de lista e, depois, passados três ou quatro dias, aparecerem no Parlamento outras pessoas totalmente diferentes que, daquela matéria, percebem menos do que eu de lagares de azeite.
– Não é fácil dar solução a esse problema. Mas estou de acordo contigo, porque os cidadãos sentem-se enganados logo a partir da primeira hora. De facto, embora raros, nós temos alguns homens e algumas mulheres com capacidades para governarem o país, para fazerem leis que sirvam os verdadeiros interesses dos cidadãos. E nós vamos atrás dessas figuras de cartaz...
– E depois o que acontece, Tio Ambrósio? E que esses maiorais acabam por nunca exercer as funções de deputados do povo. Os do partido que ganhar as eleições escolhem logo os mais conhecidos para o Governo, sendo substituídos na Assembleia por segundas figuras, habitualmente jovens ambiciosos, mas sem preparação nenhuma para o lugar que vão ocupar. E por isso que muitos dos mais novos aderem às juventudes partidárias. Não têm nenhuma preparação profissional, nem fazem a mínima ideia de quais sejam os reais problemas dos cidadãos, e são esses que vão tomar as grandes decisões que nos interessam a todos. Ou seja, cá no meu entender acabamos por ter como representantes do povo uma cambada de incompetentes...
– Incompetentes e ambiciosos, Carlos.' Mas, por mais que eu pense nessas coisas, penso que não há volta a dar-lhe.
– Mas será que num país como o nosso não haverá um grupo de pessoas qualificadas para assumirem o governo da nação?
– Há, Carlos! Temos muita gente com mais que capacidades para exercerem os cargos mais importantes na direcção dos destinos do povo português. O que acontece é que lhes falta a disposição para se colocarem ao serviço dos outros. Quem é capaz de dirigir bem uma empresa privada, também podia fazer o mesmo numa empresa pública. Só que as remunerações, apesar de nós pensarmos que os que exercem cargos púbicos ganham chorudos ordenados, são muito diferentes. Há gestores de empresas, como tu sabes, que ganham dezenas ou centenas de milhar de euros por mês, Carlos! Ou seja: auferem vencimentos muito maiores do que os dos ministros e até do Presidente da República.
– Quer dizer que, mais uma vez, se trata de um problema de dinheiro...
- Sem tirar nem pôr, Carlos! Um desses grandes, e com capacidades, pensa assim: então eu vou ficar a servir o povo ganhando setenta ou oitenta mil euros por ano, de que desconto metade para o Estado, se posso auferir de milhão e meio por ano, arranjando sempre algum esquema para fugir, pelo menos em grande parte, ao fisco? Não! Eu sou burro, mas não sou parvo, como diz o nosso povo!
– Quer dizer que este gravíssimo problema só se resolve se houver alguém com competência, mas que, por amor à arraia miúda, se disponha a ganhar pouco e a servir muito.
– E isso, Carlos! Tem de haver quem faça do serviço público um verdadeiro sacerdócio, sem ambições, mas revelando espírito de sacrifício, e sabendo que a ajuda prestada aos mais fracos é própria dos homens e das mulheres nobres e grandes. Grandes não pelas suas riquezas, mas pela atitude altruísta de colocar, acima de tudo, o bem comum.
– Enquanto cada um continuar a olhar só para o seu umbigo, não me parece que isso venha a ser possível...
– Não podemos ser pessimistas, Carlos! Nós, cá na nossa freguesia, temos dois bons exemplos de homens que sempre estiveram, de alma e coração, ao serviço do povo, não se servindo disso para aumentarem as suas riquezas materiais. O nosso anterior presidente da Junta, o Manuel Lopes, manteve-se por mais de vinte anos nesse cargo, auferindo, e só nos últimos anos, tuta e meia.
– E o outro é o actual presidente, o nosso comum amigo Liberato, que tudo o que recebe das suas funções é para acudir aos problemas mais graves dos menos afortunados da freguesia. Ele não anda por aí a apregoar isso aos quatro ventos, mas eu sei que o arranjo que se deu à casa da Tia Cacilda foi pago com o ordenado que ele recebe da Junta. E o que agora vai recebendo é distribuído pelos que mais precisam. O Tio Ambrósio sabe tão bem como eu que ele tem pago as despesas de farmácia a muitos idosos, pois as reformas que recebem não dão para saldar todas as contas. "E se mais ganhasse, mais distribuía! "- disse-me ele um dia, pedindo segredo, pois não tem interesse em que andem por aí a pô-lo nos corutos da lua. O lema dele é fazer o bem, mas em silêncio...
– Essa é a regra do Evangelho, Carlos! "Não saiba a tua mão esquerda o que dá a tua direita".
– O certo é que não há muitos Libera-tos nesses cargos públicos, Tio Ambrósio! Mas, enfim! Seguindo o seu exemplo lá irei votar!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Abolir fronteiras para os mercados, erguer muros para as pessoas



 Quando o muro de Berlim caiu, em 1989, havia outros 16 muros a separar fronteiras. Hoje, existem 65 muros e barreiras de separação.

A mundialização “aboliu as fronteiras para os mercados, mas para os seres humanos foram erguidos muros em todo o mundo”. E, para cúmulo, a sua eficácia tem sido relativa, como observam especialistas.
(Eric Randolph)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Uma anedota de vez em quando

Papa Francisco já não vem a Portugal!


O Cardeal Patriarca foi a Roma e convidou o Papa Francisco a visitar Portugal.
Amavelmente mas com vigor, o Papa recusou o convite.
- Mas, Santidade, os portugueses ficariam muito felizes se visitasse o nosso país....
- Mas tu queres que eu vá a um país de onde tiraram o Jesus da Catedral e o entregaram aos leões?

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

FESTAS DE S.MIGUEL 2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pais e filhos frente a frente

Solicitámos a um grupinho de pessoas, pais e filhos, que manifestassem a sua opinião sobre a maneira como mutuamente se veem. Pedimos ainda que o fizessem frente a frente, evitando o debate, apenas escutando a opinião de cada um. Por fim, sugerimos que, embora partindo da sua experiência, abordassem o tema de forma abrangente em que os pais procurassem traduzir a opinião dos pais de hoje e os filhos refletissem o sentir dos filhos de hoje.
Agradecemos aos intervenientes a aceitação do desafio e a maneira séria, espontânea, sincera como decorreu o encontro.
 O que mais apreciam nos filhos de hoje?
Ana, 50 anos – A capacidade de dialogarem com os pais. É hoje mais fácil os filhos abrirem-se com os pais do que noutros tempos. Também aprecio a alegria dos miúdos.
Nuno, 49 anos – A liberdade de pensamento. Talvez por conhecerem e dominarem a internet, a globalização está-lhes ao alcance de um clique. Por outro lado, a geração 10-20 é uma geração solidária com as vítimas das crises mundiais, as minorias, o ambiente os animais, etc.
Maria, 59 anos – A capacidade de resolver problemas, tomar iniciativas. Os jovens são hoje mais desenrascados e abertos aos pais.
Gouveia, 54 anos – A sensibilidade e o carinho, o apreço pela verdade e um coração puro. A capacidade de ensinar os pais porque há coisas em que estão muito à frente, veja-se o caso das novas tecnologias.
O que mais apreciam nos pais de hoje?
André, 16 anos – A capacidade de nos perceberem, porque temos interesses novos e outra maneira de fazer as coisas, muito diferente do tempo deles e, apesar disso, dá-nos uma liberdade responsável.
João, 17 anos – O mais admiro é a preocupação que os pais de hoje têm com os filhos, tanto na educação, como na proteção e saúde. Se soubermos conquistar a confiança deles, eles confiam em nós. Não sei se antigamente seria assim…
Rita, 18 anos – O à-vontade que temos em falar com os nossos pais e a forma como nos tentam compreender apesar de muitas vezes se contrariarem na sua maneira de pensar. Aprecio quando não percebem alguma coisa e perguntam aos filhos, especialmente no que toca às novas tecnologias.
Inês, quase 18 anos – A capacidade de os pais aceitarem que os filhos são pessoas, com vontades e gostos, orientações, opções vocacionais e projetos próprios.
O que  gostam menos nos filhos de hoje?
Ana – Os filhos de hoje são pouco persistentes. São capazes de quer virar o mundo por uma ideia, mas após um obstáculo desistem. Por culpa das tecnologias, são solitários, egoístas e, de algum modo, individualistas. Muitas vezes veem o mundo pelo tamanho do seu computador.
Nuno – Na geração 10-20, nota-se uma inversão de valores ou ausência deles. Ou não os aceitam ou não os compreendem. É uma geração preguiçosa, pois fazem o mínimo e não revelam capacidade de sofrimento. Aos 30 anos ainda vemos gente a pensar no que quer ser quando for grande…
Maria – São jovens bastante consumistas, sem preocupação com o futuro, porque os pais estão lá para os apoiar. Só se preocupam com eles próprios.
Gouveia – Ausência de valores, e opção por facilidades. Indecisos quanto ao futuro e dependentes dos pais.
O que  gostam menos nos pais de hoje?
Inês – Os pais criticam a nossa geração, mas foram eles que a criaram. Somos jovens persistentes nas causas que muitas vezes os pais desvalorizam porque são diferentes dos projetos deles.
André – Os pais não percebem que, se nós não temos capacidade de sofrimento e de persistência, é porque hoje não é preciso. Os pais não deixam que os filhos passem pelas dificuldades que eles passaram, logo não podem criticar. Os pais facilitam a vida aos filhos e depois criticam pelo facilitismo jovem?!...
João – A educação familiar que nos foi dada é basicamente aquilo que somos. Apesar da sociedade nos poder modificar um pouco, somos o que for a nossa educação familiar. “Eu quero dar ao meu filho o que eu não tive”, ouve-se. Os pais querem ver em nós o que gostariam de ter tido. Neste sentido, somos uma geração muito consumista porque os pais nos dão tudo. Os pais vivem excessivamente para o trabalho para nos poderem dar tudo, o que lhes retira tempo para nós e para a família. Isto faz com que nós recorramos aos nossos amigos e suas exigências, mas há pais que conseguem controlar as amizades dos filhos.
Rita – Não gosto de ouvir os pais a comparar sistematicamente o tempo deles com o nosso. Acho isso uma mariquice. Ainda bem que hoje é diferente. Cada tempo tem coisas boas e coisas más.
 In Sopé da Montanha, agosto de 2015



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Entrevista ao Papa. "Tenho confiança nos políticos jovens. Há um problema mundial que é a corrupção"


Em entrevista exclusiva à Renascença, o Papa diz que as pessoas estão desiludidas com a "corrupção a todos os níveis". Acredita que o "grande desafio da Europa é voltar a ser a mãe Europa" e apela ao acolhimento dos refugiados. Pede que a catequese "não seja teórica" e que a Igreja saia de si mesma. Acredita que Fátima faz de Portugal um país "privilegiado" e faz uma revelação: "Nunca conheci um português mau." Leia e ouça a entrevista na íntegra.


Vale a pena ler:  aqui

Festa do Senhor do Monte




Veja aqui

domingo, 13 de setembro de 2015

Ano novo, vida nova




"Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Receba essa herança, honre-a, acrescente-a e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos." (Albert Einstein)


Esperança, alegria, desafio, coragem. Aristóteles dizia que «a coragem é a primeira das qualidades humanas, porque garante todas as outras».


A escola não pode ser um mero divertimento. Só para brincar ela não seria precisa. A escola é lugar de trabalho, de esforço, de conquista.


A escola é o oposto a má educação, indisciplina, grosseria. Disto a sociedade já tem demais. A escola é um apelo continuado à superação, à mútua ajuda, à humanização, à interiorização de valores, à disciplina que informa o correto crescimento da pessoa.


Os alunos não podem ser “passeadores de livros”, mas gente que aprende que a corda da vida se sobe a pulso. Estudar não é exploração de mão-de-obra infantil.


Escola não cola com desistência. Perante as dificuldades, muitos alunos desistem e não persistem. É preciso espírito de sacrifício, garra, vontade, empenho. Todo o aluno consegue se se aliar à coragem.


A escola não pode gerar clubes de fracassados, mas é chamada a despertar, motivar, incentivar. Dos vencidos não reza a História.


A escola não pode ser um espaço onde os pais despejam os filhos, entregando-lhe toda a responsabilidade educativa como se eles não fossem os primeiros educadores. A primeira escola e a mais importante é e será sempre a família. “Aquilo que o berço dá, a tumba o leva.”


A escola não é uma pista de competição, mas uma corrida de fundo onde cada um dá o que pode, sem comparações que reforçam o mais feroz egocentrismo. “Quem dá o que pode, a mais não é obrigado.”


Que a coragem marque o ano escolar que agora arranca. Que este novo ano seja o desafio para vencer. Que escola, família e sociedade saibam tecer uma teia de mútua ajuda, dentro do respeito pelas competências próprias. Que crianças, adolescentes e jovens, seja qual for o grau de ensino, partam, corajosos e senhores, em busca do sucesso cujos atores principais só podem ser eles. Que nunca se escondam atrás do palco da vida.


Bom ano para todos!

In Sopé da Montanha

sábado, 12 de setembro de 2015

O "simplex" papal

O Papa Francisco simplificou o processo para a declaração da nulidade de um matrimónio e pediu que passasse a ser gratuito.

Para o tornar mais célere, conferiu maiores responsabilidades aos bispos de cada diocese, podendo eles próprios julgar os pedidos mais evidentes. Mais importante ainda, aboliu a obrigatoriedade de uma dupla sentença positiva. Até agora, para um casamento ser declarado nulo, tinha de obter o aval do tribunal eclesiástico da diocese em que era introduzida a causa e do tribunal da diocese metropolita. Caso o primeiro dissesse que sim e o segundo que não, então transitava para Roma, que resolveria a questão. Com a legislação agora aprovada pelo Papa, se ninguém recorrer na primeira instância, o casamento é automaticamente declarado nulo.

No caso português, depois de um processo passar nas respetivas dioceses, tinha de ir para Braga, metropolita das dioceses do norte, Lisboa, do centro e ilhas, ou Évora, das do sul. Com o acumular de processos nessas dioceses, os esposos tinham de esperar vários anos, e de gastar muito dinheiro, para conseguirem a sua almejada pretensão. Em Espanha pode mesmo demorar entre quatro e cinco anos a ser despachada uma anulação – e custa cerca de cinco mil euros, segundo o sítio "Religión Digital". No nosso país pode demorar mais tempo e ficar ainda mais dispendioso.

Preocupado com a situação das pessoas que vivem afastadas dos sacramentos  devido à morosidade da justiça eclesiástica, ou por não terem dinheiro para introduzir a causa de nulidade, o Papa decidiu legislar para que esta possa ser declarada num mês e de forma gratuita. Não se trata de promover ou facilitar o divórcio, nem de anular os casamentos católicos, mas de declarar nulo com maior rapidez e de forma gratuita o que nunca existiu e que, por isso, não pode continuar a atormentar a vida das pessoas. Trata-se de colocar a lei ao serviço das pessoas.

Com esta legislação, a um mês do Sínodo dos Bispos, o Papa dá um sinal claro aos padres sinodais para se concentrarem nos casos em que o casamento não foi nulo, mas que, por diversos motivos, falhou. Para esses espera-se que o Sínodo encontre uma resposta que não continue a manter os crentes afastados dos sacramentos, mas os reintegre plenamente na vida da Igreja.
(Texto publicado no Correio da Manhã de 11/09/2015), aqui

O Papa do perdão

O Papa Francisco tem proposto um discurso inclusivo acompanhado por gestos de atenção a tantos que são excluídos e habitualmente esquecidos. O jubileu extraordinário da Misericórdia, que se iniciará no dia 8 de Dezembro, é mais um desses gestos. O Papa pretende que a experiência do perdão de Deus seja feita por todos durante o ano jubilar. Numa carta dirigida terça-feira ao arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização diz claramente que “este Ano Jubilar da Misericórdia não exclui ninguém” e deseja que seja “um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia de Deus” e uma ocasião para todos experimentarem “a sua ternura”.
A carta refere também os peregrinos que farão a experiência de peregrinação às Portas Santas em Roma, ou nas diversas dioceses do mundo, sem esquecer os que não a puderem fazer “sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós”.

Francisco lembra-se igualmente dos reclusos “que experimentam a limitação da sua liberdade”: também eles podem acolher as graças do Ano Santo. “Nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade”.

O Papa está convencido que “o perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando, com coração sincero, se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai”. Por isso, durante o Jubileu da Misericórdia concede a todos os sacerdotes “a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado”. Habitualmente o perdão desta pecado grave está reservado ao bispo ou ao sacerdote que ele designar para esse efeito.

Como são diferentes esta e outras atitudes do Papa! Em vez de colocar barreiras ou entraves a quem se quer abeirar da Igreja, prefere abrir as portas para acolher e sanar as feridas de tantos que deambulam pelas “periferias existenciais e geográficas”. Um Papa que se preocupa mais em incluir do que em excluir ou excomungar.
(Texto publicado no Correio da Manhã de 04/09/2015), aqui

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

10 razões para não acolhermos refugiados


Numa linguagem direta, solta, carregada de ironia, o autor rebate dez argumentos apresentados por muita gente nas redes sociais para "não acolhermos os refugiados".
Não perderemos nada em passar por aquele espaço e ler.
AQUI

Reforma do processo de nulidade do matrimónio

Veja aqui

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

1 minuto com Deus


13 de setembro : Senhor do Monte - Festa-convívio da Freguesia


A capela do Senhor do Monte é propriedade da Junta da União de Freguesias tarouca/Dalvares.
Há anos a esta parte, a Junta promove a Festa do Senhor do Monte como um espaço de convívio destinado a todos os cidadãos desta União de Freguesias.
Este ano terá lugar no próximo dia 13 de setembro.
Pelas 14.30h, sai a procissão do Bairro de S. Pedro a que se segue a Eucaristia.
Depois a tarde é de convívio, jogos, música, merenda.


Alinhe neste convívio da sua freguesia.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Algumas inquietações sobre o acolhimentos dos refugiados

1. Refugiado/Emigrante
Muita gente pensa o refugiado como um simples emigrante.
Portugal é um país de emigração. As pessoas partem porque, muito justamente, desejam melhorar a vida e conquistar um futuro com outros horizontes. Emigram não porque sejam perseguidas, porque o país esteja em guerra ou porque tenham imensa fome... Partem para ter uma vida melhor.
O refugiado - mormente no contexto atual - parte da sua terra porque esta está em guerra, porque muitos já perderam tudo, porque têm fome, porque a miséria é sem limites...


2. Interrogo-me sobre os motivos porque tanta desta gente corre o risco de atravessar o Mediterrâneo quando têm ao lado países árabes muçulmanos ricos, alguns com um PIB muito superior ao de países europeus. Refiro-me a países como Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. Mais, até estão próximos de sírios e iraquianos, não só pela geografia como pela raça como, sobretudo, pela religião.
Confesso que já li várias explicações, mas nenhuma me satisfez plenamente.


3. A Rússia sempre apoiou o presidente da Síria, Bashar Hafez al-Assad, contra os insurretos. Mas na comunicação social não se fala de refugiados sírios que demandem a Rússia...
Os Estados Unidos estão no epicentro da situação insustentável que se vive no Médio Oriente, não só por causa da questão palestiniana como pela invasão do Iraque, fonte de problemas sem fim naquela zona.  E agora? Qual o papel dos Estados Unidos no enfrentar desta agudíssima crise dos refugiados?


4. Pelo que se lê e ouve, muitos europeus põem sérias reservas ao acolhimento da massiva onda de refugiados que entra na Europa. É o problema de terroristas infiltrados que podem pôr em causa a segurança europeia; é o problema da Segurança Social, já muito abalada em vários estados europeus, e, com esta onda de refugiados, pode entrar em rutura; é o problema da inculturação desta gente, maioritariamente muçulmana, que tem tendência a exigir todo o respeito pela sua maneira de ser, mas que não aceita a cultura dos outros; é a indignação de muitos portugueses perante a total disponibilidade do estado, entidades e pessoas para acolher esta gente, ao mesmo tempo que têm agido com certa indiferença perante os muitos pobres, desalojados e injustiçados da crise; é a muçulmanização da Europa...


5. Deve ser só a Europa a suportar o pesado fardo humanista dos refugiados? Penso que não. Países ricos como a Austrália, a China, a Correia, os Estados Unidos, o Canadá e o Japão deveriam sentir-se implicados na resolução da situação. Já para não falar naqueles que deveriam ser os primeiros e mais dinâmicos acolhedores: os países ricos do Golfo.


6. A Europa, cansada e velha, tem olhado para os países pobres como meros fornecedores de matérias primas, como o petróleo e outras. Esta Europa, tal como outros países ricos já referidos, nunca se importou verdadeiramente com o desenvolvimento desses povos.  Desde que as matérias primas lhe fossem chegando a bons preços, o resto parecia que não lhe dizia respeito. Agora sofre as consequências! Não é às portas do continente europeu que a situação tem que ser resolvida, mas na fonte, ajudando efetivamente o desenvolvimento desses povos. Oxalá que a presente crise dos refugiados abra os olhos dos países ricos para a necessidade de uma ajuda eficaz ao desenvolvimentos dos países do 3º mundo!


7. Mas há neste momento um problema humanitária gravíssimo e não adianta esconder a cabeça na areia. É preciso ajudar, acolher, dar pão, trabalho e dignidade a esta gente. Sem demoras.
Estando atentos à segurança? Sem dúvida. Procurando integrar sem criar mais dependentes da segurança social. É que destes já temos demais aqui.
Mas acolher, sem dúvida. Ou valores europeus ter-se-ão refugiado.

Os valores cristãos e a crise de refugiados

A reabilitação das raízes cristãs da Europa nunca será possível se não começar pelo amor ao próximo. Fechar portas, erguer muros, cavar trincheiras, abdicar da solidariedade é o modo menos cristão possível de lidar com a dor e o sofrimento.

O primeiro-ministro da Hungria veio defender a forma como o seu governo lida com os refugiados, argumentando com as “raízes cristãs” da Europa. E pergunta mesmo se não é “alarmante que a cultura europeia cristã esteja quase sem condições para defender os seus próprios valores cristãos”.

Infelizmente, os valores cristãos da Europa têm sido maltratados nos últimos anos pelos próprios europeus. São continuamente desbaratados por muitos que estão dentro e não pelos que vêm de fora.

A reabilitação das raízes cristãs da Europa nunca será possível se não começar pelo amor ao próximo. Fechar portas, erguer muros, cavar trincheiras, abdicar da solidariedade é o modo menos cristão possível de lidar com a dor e o sofrimento.

Nas difíceis condições de trabalho, na mentalidade economicista, no atropelo da liberdade, no aborto, na eutanásia e demais formas de desprezo, no modo de olhar a imigração e no acolhimento de refugiados, joga-se sempre a dignidade da vida humana.

E defender a dignidade da vida humana, em todas as circunstâncias, significa redescobrir o que de melhor o cristianismo tem para oferecer à humanidade – no mundo, na europa e também na Hungria.

Este muro de argumentos do primeiro-ministro húngaro não é menos demagógico do que o muro de 175 quilómetros que mandou construir na fronteira com a Sérvia.

E muros, como este, são muros de triste memória. Evocar os valores cristãos para os erguer não é simples hipocrisia, é motivo de escândalo que enquanto cristãos temos a obrigação grave de denunciar e repudiar.
Fonte: aqui