terça-feira, 10 de novembro de 2015

Padre? Nunca!...

Era eu um jovem padre. Leccionava numa escola secundária. Numa das turmas do 11º ano, havia um rapaz muito alegre e bem disposto, boa semsibilidade ao transcendente, que me parecia poder dar num bom padre. Era um jovem de valores que transpiravam nas mais pequenas coisas. A determinada altura, disse-lhe que queria falar com ele no fim da aula.
Falámos, falámos, até que lhe perguntei:
- Olha lá, não queres ser padre? Olhou para mim com o ar mais espantado do mundo, virou o dedo na sua própria direcção e retorquiu:
- EUUUUUUUUUUU!!!???
A conversa prolongou-se. Da surpresa, passou à empatia. Quando eu esperava um "vou pensar", eis que repentinamente dispara:
- Nem pense! Padre, nunca! Para um dia me fazerem aquilo que os da minha terra têm feito ao padre que lá está...

Nesta Semana dos Seminários, dá que pensar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Que pensa dos padres?

A propósito da Semana dos Seminários
As lembranças de criança permanecem vivas em nós. Por isso, tenho o facto muito presente. Foi há mais de 50 anos. Tempo em que imensa gente trabalhava na agricultura que então exigia muitos "braços", sobretudo nas sementeiras, nas mondas e nas colheitas.
A determinada altura, lá vieram à baila os padres e toca a puxar do "corte e costura". Meu avô passa para a frente do pessoal e diz com um ar grave:
- Coitados dos padres! Na boca do povo nenhum presta. Ou se pega pelo cu ou pelas calças...E se olhásseis para vós e deixásseis os padres em paz!? Certamente não teríeis pouco que reparar...
Fez-se um silêncio profundo.
Pois, mas onde estão hoje pessoas desta estatura moral? Actualmente, se um diz mata, o outro diz enforca... Estamos no tempo, em que o que vale é "Maria vai com as outras..."

Se o padre fala alto, "só sabe ralhar, está sempre zangado. Afasta as pessoas..."
Se o padre fala baixo, " nem vale a pena cá vir. Faz-nos dormir..."
Se demora mais a Missa, "pensa que temos a vida dele..."
Se demora pouco, "nem deu tempo para a gente cá chegar..."
Se se ri, convive e é divertido, "é um mundano..."
Se é mais sério, mais distante, " não cativa ninguém. Tem a mania que é importante..."
Se tem carro novo, " isto é que é viver bem. Depois vai para a Igreja falar de caridade..."
Se tem um carro velho, "é um unhas de fome. Anda a poupar para deixar aos sobrinhos..."
Se vive sozinho, "é um solitário, só pensa nele..."
Se vive com familiares, "andamos nós aqui a pagar para ele sustentar a família..."
Se vive com outra pessoa, " uhmm! Há coisa ..."
Se apresenta as orientações da Igreja, "é um legalista, afasta as pessoas..."
Se procura manter as tradições, " é sempre a mesma coisa. Nada de novo acontece..."
Se dá mais impacto à inovação, " os padres fazem-nos perder a fé..."
Se vai a casa dos amigos que o convidam, "só liga a alguns..."
Se não vai a casa de ninguém, "é um bicho do monte, nem amigos tem..."
Se apela à oração, "é um beato..."
Se não apela à oração, "que está cá ele a fazer?..."
Se apresenta contas, "tenho mais que fazer do estar a ouvir os números... O que dei, dei..."
Se não apresenta contas, "mete o dinheiro da Igreja ao bolso..."
Se recebe os estipêndios pela administração dos sacramentos, "é um ganancioso..."
Se não recebe os estipêndios, "está rico, já não precisa..."
Se fala dos pobres, "é socialista ou comunista..."
Se não fala dos pobres, "está feito com os ricos..."
Se fala de justiça social e do sexo, "estes assuntos não são para a Igreja..."
Se não fala do sexo e da justiça social, "pois, ele quer é que todos paguem a côngrua. Não fala para que os ricos e imorais não se chateiem com ele..."
Se esta´presente nas reuniões de grupos, associações, irmandades, comissões, "é um controlador. Não respeita a liberdade dos leigos..."
Se não está presente, "não quer saber..."
Se envereda pelas novas tecnologias, "não tem mais que fazer..."
Se não envereda pelas novas tecnologias, "é um antiquado, não acompanha os tempos..."
Se está muito tempo numa paróquia, "nunca mais vai embora..."
Se muda frequentemente, "não presta, porque não aquieta em lado nenhum..."
Se veste bem, "é um vaidoso..."
Se não liga tanto ao aspecto exterior, "é um desleixado. Até nos envergonha..."
(...)
O importante mesmo é que cada pessoa ao deitar-se, faça o seu exame de consciência e se dê conta que pode dormir em paz.

domingo, 8 de novembro de 2015

Semana dos Seminários 2015

Semana dos Seminários 2015

D. Virgílio Antunes apresenta a temática para semana nacional que decorre entre os dias 8 e 15 de novembro e recorda que o sacerdote é um «homem chamado e escolhido de entre os outros homens»

“Olhou-os com misericórdia"
 O presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios afirma na mensagem para a Semana Nacional dos Seminários que o sacerdote não é "perfeito, irrepreensível e santo", mas "alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia".
“O sacerdote, homem chamado e escolhido de entre os outros homens, é fruto do olhar misericordioso de Jesus, que quer salvar a todos. Não se trata de alguém perfeito, irrepreensível e santo, mas de alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia, sem explicação nem motivação compreensíveis”, escreve D. Virgílio Antunes.
Na mensagem enviada à Agência ECCLESIA, o responsável explica que a vocação sacerdotal só se compreende no contexto do “mistério do amor de Deus, que não se explica nem se justifica”, mas simplesmente se manifesta.
Segundo o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, como a “característica fundamental do agir de Deus é a misericórdia” os seminaristas, “desejosos de conhecer o mistério da sua vocação”, devem entrar no mistério do amor de Deus “pela humanidade e por si mesmos”.
“Sintam-se sinceramente pecadores e doentes como todos os outros homens, e darão infinitas graças a Deus por os eleger e chamar a partilhar a grandeza da Sua companhia”, recomenda.
Na mensagem para a Semana Nacional dos Seminários, os jovens são convidados a entrar na contemplação do rosto misericordioso de Deus que “os escolhe e os chama” e a aceitarem “humildemente a sua condição de pecadores e necessitados” da misericórdia de Deus que vai manifestar-se como “fonte de perdão e de salvação”.
“Muitos sentirão o apelo a andar com o Senhor e a aprender d’Ele, conhecerão a vocação a que os chama e terão alegria e coragem para a seguir fielmente”, acrescenta D. Virgílio Antunes.
Para o prelado quando alguém “se deixa tocar pelo olhar misericordioso de Jesus” torna-se disponível para ficar com Ele para sempre.
Neste contexto, observa que a Igreja fundada por Jesus Cristo é chamada a “dar corpo ao desejo misericordioso de Deus de salvar toda a humanidade”, em todos os tempos da história.
“N’Ele há uma especial predileção pelos pobres, pelos doentes, pelos perdidos e pelos pecadores, aos quais procura incessantemente, pois quer acolhê-los com um abraço mais apertado, para que sintam a força do seu amor que reconcilia e salva”, desenvolve D. Virgílio Antunes.
O também bispo da Diocese de Coimbra contextualiza que os Evangelhos apresentam um Jesus que passa pelos “mais variados lugares onde se desenvolve a vida humana” e “olha com predileção para alguns, escolhe-os e chama-os para O seguirem”.
“Sem explicações que satisfaçam a sua admiração e sem argumentos que respondam às suas interrogações, mas somente porque se sentiram tocados pelo seu amor misericordioso, deixaram tudo e seguiram-n’O”, acrescenta, dando como exemplo o chamamento de São Mateus, que antes de ser discípulo era cobrador de impostos, “um homem considerado por todos como pecador”.
O presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios assinalou ainda que em sintonia com a Igreja Universal deseja que o trabalho, a catequese e a oração pelas vocações sacerdotais, pelos seminários e pelos sacerdotes “nasçam” da certeza de que Deus é misericordioso com todos os seus filhos.
In agência ecclesia

sábado, 7 de novembro de 2015

11º Aniversário da Associação dos Esporões



O povo dos Esporões festejou em 7 de novembro o 11ºaniversário da Associação dos Esporões.
A Eucaristia foi muito bem dinamizada por um coral constituído para o efeito. Que bom seria que integrassem  o coral da Paróquia! E porque não??? Todos somos precisos e ninguém ocupa o lugar de ninguém.
O Pároco, na homilia, felicitou a Associação pelos serviços prestados ao povo, sabendo proporcionar um espaço de convívio pacífico, de jogos populares e de são relacionamento. É que há sempre muita gente por lá, mormente nas noites de Verão e aos fins-de-semana. frisou que a pessoa humana é "um ser em relação." Ninguém nasce ilha ou vive para ser ilha.
 Lembrando o Evangelho, afirmou que o dinheiro está ao serviço do homem e nunca o homem ao serviço da escravatura do dinheiro.
Depois de uma visita ao cemitério para um momento de oração pelos associados falecidos, seguiu-se um almoço  na sede da Associação muito bem confeccionado por voluntários, prosseguindo o convívio pela tarde fora, com  o magusto, jogos populares e outras actividades.
Parabéns à direcção da Associação e a todos os associados.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

50 anos...Parabéns!



Na última quarta-feira desloquei-me a Lisboa na companhia de minha irmã mais velha e de meu cunhado. É que o meu irmão mais novo fazia, nesse dia, 50 anos. Fomos em nosso nome , no de meu pai, dos outros irmãos e dos meus sobrinhos a quem foi impossível a deslocação.
Foi uma surpresa para ele. Tudo havia sido acertado com sua esposa e seus filhos, pessoas maravilhosas.  À hora combinada, nós os três e outros sobrinhos que moram mais perto, aparecemos no restaurante onde se encontrava com sua esposa e filhos para jantar.
Foi um momento a quem a surpresa aumentou a emoção e a alegria do encontro. A refeição, já por si muito interessante, teve outro encanto.
Meu irmão merece. Pela pessoa fantástica que é, pela amizade e dedicação com que vive e partilha as situações de cada familiar. Um cidadão, um profissional, um pai, um marido, um familiar 100%.
Ontem, ao regressar, passámos pelo Porto onde ficámos alojados em casa de outra minha irmã. Repetiu-se a alegria do encontro e a certeza do apoio em momentos difíceis no tocante à saúde, Vai correr tudo bem, mana! Também aqui  minha irmã, meu cunhado e minha sobrinha foram inultrapassáveis em delicadeza.
Quando, nesta manhã, regressávamos a casa, íamos falando de cada um dos nossos familiares chegados - e são 29 de momento - para terminarmos agradecendo a Deus pela família maravilhosa que temos. Família pobre, mas bela em afetos, solidariedade, presença, empenho.
Louvado seja Deus por tudo!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

"Julgamos a sabedoria de um homem pela sua esperança"

Breves- Nós por cá


Continua o saneamento no povo de Teixelo. O que fica enterrado não dá votos, mas dá qualidade de vida aos cidadãos. E não é esta a finalidade da política?


Fala-se na substituição dos semáforos do Castanheiro do Ouro por uma rotunda. Há muita gente que gosta da ideia, mas também existe quem pensa que assim está bem. Nunca tudo agrada a todos…


Há locais em que, sobretudo no fim-de-semana, é difícil o trânsito junto de alguns cafés. Carros de um lado e de outro da via e quem precisa de conduzir vê-se aflito para passar. Há quem não leve o carro para dentro do café porque não cabe… Mais civismo vinha mesmo a calhar.


A cidade de Tarouca tem um belo espaço para os cidadãos passearem e conviverem. Referimo-nos ao Centro Cívico e ao local verde à volta do monumento à Mãe. Normalmente desertos. As pessoas não aproveitam esses espaços para passear e conviver. Porquê? Quando as estruturas não existem, nunca mais se fazem; mas se existem, não se aproveitam…


Muitos cidadãos têm o saudável gosto pelas caminhadas. Realmente percursos pedestres não faltam. Então a nova via que liga a cidade a Dalvares é uma maravilha para o efeito. Mas há outras, como o circuito Valverde-Cravaz; Castanheiro do Ouro-Senhora das Necessidades-Esporões; Tarouca-Arguedeira-Quintela; Gondomar- Cristo Rei-Santa Helena… Ouve-se as pessoas dizer que, desde que começaram as caminhadas, se sentem com melhor saúde.


Tarouca, ao fim-de-semana, sobretudo na tarde de domingo, parece um deserto. As pessoas ficam em casa? Vão até ao Dolce Vita ou até ao Palácio do Gelo? Passeiam por outras paragens? Estacionam nos cafés? Visitam os familiares noutras paragens? Vão ao futebol? Que haveria a fazer para Tarouca um espaço com mais vida?


Precisamos de uma cidadania mais participada. Muitos pensam que é ao governo e à autarquia que compete fazer tudo. Quando os cidadãos se colocam debaixo das entidades governamentais mais delas ficam dependentes. Criatividade e exercício de cidadania responsável precisam-se…


Ouvimos que, no campo agrícola, as colheitas até foram, este ano, satisfatórias, que o vinho será de boa qualidade. Só que o velho problema subsiste: fraca procura pelos produtos agrícolas e, sobretudo, preços muito abaixo do aceitável. Por outro lado, a “Feirinha do Centro Cívico”, aos sábados, está longe do sucesso esperado. Porquê?

In Sopé da Montanha

É possível conciliar democracia, diálogo e islão?

"O combate mais importante do mundo neste momento não é entre o islão e o Ocidente: é entre o Estado Islâmico e a Tunísia"


O combate mais importante do mundo neste momento – e em qualquer momento – é sempre o mesmo: a luta entre o bem e o mal, entre a graça e o pecado.
Em termos de conflitos bélicos fomentados por visões diferentes de mundo, porém, o combate mais importante dos dias atuais é apontado por bastante gente como sendo o confronto entre o islã e o Ocidente – uma guerra que, para outro grupo também numeroso de pessoas, nem sequer existe: o que realmente existe, segundo esta outra análise, são facções extremistas do islamismo e suas “guerras santas” particulares, sem que se possa generalizar.
Para o tunisiano Rachid Ghannouchi, “o mais importante combate no mundo, neste exato momento, é entre o modelo do Estado Islâmico e o modelo da Tunísia. Não é entre o islã e o Ocidente”.
O modelo tunisiano
Rachid Ghannouchi é o líder intelectual do Ennahda, o partido islamista da Tunísia que venceu as primeiras eleições livres da história do país, após a chamada “Primavera Árabe”. O partido vencedor optou por manter uma relação de abertura e aliança com os demais partidos, inclusive os da oposição, cedendo poder e transformando a Tunísia no caso único de sucesso da Primavera Árabe em termos de avanços rumo à democracia e à estabilidade.
De acordo com matéria do jornal O Estado de São Paulo, Ghannouchi afirma que “a única maneira de realmente derrotar o Estado Islâmico é oferecer um ‘produto’ melhor para os milhões de jovens muçulmanos do mundo inteiro. Nós [na Tunísia] construímos a democracia muçulmana. Os jovens não gostam do Estado Islâmico. Veja que milhões fogem dele. Mas eles também não aceitam viver sob uma tirania”.
E qual é esse “produto melhor” para os jovens?
Segundo o intelectual tunisiano, é um sistema político realmente democrático, em que os direitos humanos são respeitados, mas que também permita espaço para o islã e para os seus valores.
Rachid Ghannouchi avalia que as centenas e centenas de jovens que se juntam hoje ao Estado Islâmico se assemelham aos jovens descontentes que viraram guerrilheiros marxistas nas décadas de 1950 e 1960. Eles querem protestar contra a ordem estabelecida e o fazem mediante a violência, o que não é novidade nenhuma. A “novidade”, no caso atual, é que ela tem um aspecto religioso preponderante. E previsível: afinal, em todo o Oriente Médio, os ditadores oprimiram o islã durante décadas. A própria Tunísia proibia a educação islâmica e perseguia quem demonstrasse interesse pelo islamismo. Essas políticas repressivas produziram como reação os terroristas islâmicos de hoje.
Na Tunísia pós-Primavera Árabe, apesar do relativo sucesso do processo de democratização, não faltaram (nem faltarão) dificuldades. Os islamistas pressionaram em favor de maior peso para a lei islâmica no país. O partido de Ghannouchi soube lidar com a diversidade de pontos de vista e promoveu o diálogo com a oposição. “A velha guarda perdeu a eleição, mas ainda era muito poderosa. Numa jovem democracia, precisamos de consenso e de conciliação. Perdemos poder, mas ganhamos a Tunísia”.
Faz bastante sentido. Como de costume, parece que o bom senso funciona melhor do que a falta dele, com ou sem religião envolvida.
Fonte: aqui

domingo, 1 de novembro de 2015

BEM-AVENTURADOS OS MORTOS QUE MORREM NO SENHOR (Ap. 14,13)


O dia 2 de novembro é dedicado aos fiéis defuntos.
Neste dia, toda a igreja celebra a comemoração dos fieis defuntos. Nós cristãos, não devemos chamar finados, pois finado quer dizer aquele que chegou ao fim, e nós cristãos acreditamos na ressurreição. Então, neste dia nós celebramos a vida e a ressurreição de Jesus.


Proclamamos no CREDO:
- "Creio em um só Senhor, Jesus Cristo (...) que Ressuscitou ao terceiro dia (...)  e subiu aos Céus (...). De novo há-de vir cheio de glória, para julgar os vivos e os mortos."
- "Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica."
- "Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir."


O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração. É que “uma lágrima evapora-se,  uma flor murcha, só a oração chega ao trono de Deus.” (Santo Agostinho)


"Não chores por mim!", dir-nos-ia um ente querido ao coração.
“ Se me amas, não chores por mim
Se conhecesse o mistério insondável do céu onde me encontro...
Se  pudesse ver e sentir o que eu sinto e vejo nesses horizontes sem fim e nesta luz que tudo alcança e penetra,  jamais chorarias por mim.
Eu estou agora absorvido pelo encanto de Deus, pelas suas expressões de infinita beleza.
Em confronto com esta nova vida, as coisas do passado são pequenas e insignificantes.
Conservo todo o meu afeto por ti, com aquela ternura que sempre nos devotamos.
O amor que te dediquei permanecerá na eternidade, íntegro e forte...
Pensa em mim em plena alegria da vida, pois nesta maravilhosa morada não existe a morte.
Se verdadeiramente me amas, não chores por mim.
Eu estou em paz.”

(Santo Agostinho)

sábado, 31 de outubro de 2015

Pourquoi les guerres ?

Mães não Morrem

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

QUANDO NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS «SALVOU» A DIOCESE DE LAMEGO

1. Neste dia 30 de Outubro, faz 243 anos que Nossa Senhora dos Remédios foi «usada» como grande «trunfo» para defender a continuidade da Diocese de Lamego, ameaçada de extinção.
 
2. Com efeito, a 12 de Novembro de 1869, saiu um decreto que suprimia algumas dioceses, entre as quais figurava Lamego.
O Bispo da altura, D. António da Trindade, que participou no Concílio Vaticano I, protestou logo «contra semelhante atentado». 
 
3. A 30 de Outubro de 1872, fez uma exposição ao governo em prol da manutenção da Diocese.
Entre os argumentos a que recorreu, apontou «o majestoso templo da Senhora dos Remédios», muito frequentado por fiéis que, «da cidade e de longínquas terras, vêm prestar culto à Virgem perante a Sua formosa imagem trazida de Roma».
 
4. O certo é que a argumentação foi convincente e, ao contrário do que sucedeu com outras, a Diocese de Lamego manteve-se.
 
5. O facto foi festivamente assinalado na cidade.
Em 1881, o município promoveu um solene «Te Deum» e criou o «Dia de Gala» da Diocese.
 
6. Reconhecido pelo empenho do Prelado, a Câmara atribuiu o título de «cidadão benemérito» a D. António da Trindade! 
Fonte: aqui

DIA INTERNACIONAL DA CONVENÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Patriarca de Lisboa aos políticos. Admiram o Papa? Façam o que ele diz

D. Manuel Clemente não se mostrou preocupado com a perspectiva de um governo de coligação com partidos de esquerda e acredita que Cavaco Silva tomou decisão em consciência.

O cardeal patriarca de Lisboa apela aos políticos que se dizem admiradores do Papa Francisco para agirem de acordo com os seus princípios. D. Manuel Clemente falou aos jornalistas numa conferência de imprensa para assinalar o fim do sínodo dos bispos sobre a família, onde também fez uma leitura ao actual momento da política portuguesa, após a indigitação de Pedro Passos Coelho para primeiro-ministro.
“[Cavaco Silva] tomou a decisão que devia tomar, ele é um protagonista muito importante da vida política. Há outros protagonistas - a Assembleia da República, os tribunais, as instituições em geral: tomem também as suas decisões em consciência e sempre tendo em vista o bem comum”, disse.
D. Manuel Clemente sustentou que aqueles que se dizem católicos, “em todas as forças políticas”, e os que confessam a sua admiração pelo Papa Francisco devem apresentar propostas inspiradas nestes valores.“Levem isso à consequência, na perspectiva partidária de cada um, que é legítima”, sublinhou.
O cardeal patriarca realçou que em todos os quadrantes tem havido pessoas que “valorizam muito o que o Papa Francisco tem dito, tem feito.Tomem mesmo em conta, em devida conta e aplicação concreta o que o Papa Francisco tem dito”, pediu o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Nesse sentido, recordou os “grandes princípios” da Doutrina Social da Igreja - dignidade da pessoa humana, bem comum, solidariedade e subsidiariedade - e da “ecologia integral” apresentada pelo Papa na sua encíclica ‘Laudato si’.
O presidente da CEP não se mostrou preocupado com a perspectiva de um governo de coligação com partidos de esquerda, observando que “a vida política portuguesa nos últimos 40 anos tem tido vários protagonistas de direita, de centro e de esquerda, faz parte da sociedade democrática”.
A Igreja Católica, prosseguiu, defende princípios de que não abdica, como a “dignidade de toda a pessoa humana, uma dignidade activa, a dignificação em condições de vida, a começar pela própria vida garantida em todas as suas fases”.
D. Manuel Clemente desejou que seja conseguido o “desenvolvimento integral” de todas as pessoas.
Fonte: aqui

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A carne processada e o cancro: a solução não pode estar na “temperança”?

A indústria da carne e seu impacto na saúde, no meio ambiente e... no nosso bom senso
Bacon
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de publicar um estudo em que indica que a carne processada (salsichas, linguiças, hambúrguer, presunto…) aumenta o risco de desenvolver câncer. O estudo coloca esse tipo de alimentos na mesma categoria do tabaco, do álcool e da poluição do ar.
A notícia, é claro, deu a volta ao mundo e muita gente se pergunta por que a OMS apareceu agora com este relatório: o que há por trás da tentativa de nos “proibir” de comer linguiça?
Não é bom virar os olhos diante de uma recomendação como esta. Mas é o caso de perguntar-nos o que mudou na carne processada para que ela seja agora considerada potencialmente cancerígena.
Não há nada de novo
Em 2013, a revista BMC Medicine publicou um estudo em que analisava a dieta de meio milhão de indivíduos. Em suas conclusões, a pesquisa informou que alimentos como bacon, salame, salsichas e, em geral, os processados industriais de carne, como hambúrguer, almôndegas e lasanhas pré-cozidas, por exemplo, estão associados a um risco maior de doenças cardiovasculares e câncer. Outros estudos revelam as quantidades de nitrito e nitrato que pode haver nas carnes processadas: estes dois elementos, utilizados na conservação das carnes, foram relacionados com casos de câncer tanto em animais (em laboratório) quanto em humanos.
O consumo exagerado
O grave problema que deve ser reconhecido a partir do estudo da OMS é o exagerado aumento do consumo de carne nos últimos anos, afetando não só a saúde das pessoas, mas também a do meio ambiente. A contaminação gerada pela indústria pecuária é semelhante à produzida pelo tráfego de veículos.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) já advertiu que, entre as mudanças necessárias para garantir um futuro mais seguro, é prioritário mudar os hábitos alimentares aumentando o consumo de vegetais, melhorando as práticas agrícolas e a gestão da água e diminuindo o consumo de carne e derivados lácteos.
A virtude da temperança
Os estudos demonstram, mais uma vez, a importância de uma das grandes virtudes cristãs: a temperança: “moderar a atração dos prazeres e procurar o equilíbrio no uso dos bens criados”.
A encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, alerta que “o enorme consumo de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da Terra, especialmente na África, onde o aumento da temperatura, unido à seca, provoca estragos no rendimento dos cultivos”.
A avidez do consumo leva a uma “produção de carne” inconsequente. O problema é também moral, já que nasce da perda do domínio da nossa vontade sobre os nossos instintos e ganâncias.
Por que não vamos à raiz do problema? Moderação e temperança é uma solução que nunca “sai de moda” no desfile de problemas da humanidade.
Fonte: aqui

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Luaty Beirão termina greve de fome. “Não vou desistir de lutar”


O rapper e ativista angolano Luaty Beirão, internado sob detenção numa clínica de Luanda, terminou a greve de fome de protesto, mas avisou que não vai desistir de lutar pelo fim da “greve humanitária e de Justiça” em Angola.
“Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve. Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardamos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso país também parem a sua greve humanitária e de justiça“, afirma Luaty Beirão, na carta enviada pela família à Lusa e na qual anuncia o fim da greve de fome, que na segunda-feira completou 36 dias.
O músico e ativista, que também tem nacionalidade portuguesa, é um dos 15 angolanos em prisão preventiva desde junho, sob acusação de atos preparatórios para uma rebelião em Angola e de um atentado contra o Presidente da República.
Os restantes 14 aguardam julgamento no hospital-prisão de São Paulo, em Luanda, tendo Luaty Beirão pedido anteriormente para sair da clínica privada onde se encontra por precaução para se juntar aos colegas, em solidariedade.
“À sociedade: Não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros e todas as pessoas que manifestaram tanto amor e que me encheram o coração. Muito obrigado. Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio dos media não pare”, escreve Luaty Beirão na mesma declaração, sob o título “Carta aos meus companheiros de prisão”.
O ativista angolano reclamava excesso de prisão preventiva, exigindo aguardar julgamento – entretanto marcado para 16 de novembro, em Luanda, – em liberdade, como prevê a lei angolana para este tipo de crime.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, Luaty Beirão, que assina com os heterónimos musicais “Brigadeiro Mata Frakuzx” ou, mais recentemente, “Ikonoklasta”, um dos rostos de contestação ao regime angolano, reconhece o apoio, nacional e internacional, pela “libertação” destes ativistas.
“No nosso país muita coisa mudou e outras lamentavelmente se repetem. Soube dos limites serem ultrapassados, com mamãs espancadas e vigílias à porta de igrejas, reprimidas cobardemente. Isto expôs a fragilidade de quem nos governa. E a prepotência, incompetência e má-fé demonstradas na gestão do nosso processo, trouxeram-nos até aqui. Cada decisão contra, acabou por resultar a favor de mais e maior atenção. Ainda assim, a força parece desproporcional”, escreve Luaty Beirão.
Dirigindo-se diretamente aos restantes 14 ativistas detidos, atira: “Não vejo sabedoria do outro lado. Digo-vos o que disse noutras situações semelhantes: Vamos dar as costas. E voltar amanhã de novo. Vou parar a greve”.
Criticando a forma como este processo foi gerido pelas autoridades angolanas, Luaty Beirão afirma que “de todos os modos a máscara já caiu” e “a vitória já aconteceu”.
“E o mérito a seu dono: foi o próprio regime que, incapaz de conter os seus próprios instintos repressivos, foi, a cada decisão, obviando a vã promessa de democracia, liberdade de expressão e respeito pelos direitos humanos”, afirma o ativista.
Acrescenta que os que contestam o regime angolano, liderado desde 1979 por José Eduardo dos Santos, já não são “arruaceiros” ou “jovens revús [revolucionários]“, nem sequer “estamos sós”.
“Em Angola, somos todos necessários. Somos todos revolucionários. Foi assim que o nosso país nasceu, mas, desta vez, lutamos por uma verdadeira transformação social, em paz”, concluiu a carta, assinada por Luaty Beirão.
Fonte: aqui

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Padre português explica documento final do sínodo em que participou como perito



bispos sobre a família na qualidade de perito em pastoral familiar e sublinha os principais pontos a reter do documento final.
O paDuarte da Cunha foi escolhido pelo Papa para participar no sínodo dos dre Duarte da Cunha, que é secretário da Confederação das Conferências Episcopais Europeias, com sede na Suíça, foi um dos escolhidos pelo Papa Francisco para participar no sínodo dos bispos sobre a família na qualidade de perito, tendo marcado presença em todo o processo.
À Renascença, o sacerdote destaca aquilo que entende serem os pontos principais do documento final, que se encontra dividido em três secções.
Que leitura é que faz deste documento?
Eu sublinharia, do primeiro capítulo, uma grande crítica ao individualismo, num momento em que o mundo todo tende para o individualismo, a família surge como antídoto e, ao mesmo tempo, ameaçada por este individualismo.
No segundo capítulo, focaria a questão da família como uma vocação, quer a vocação do marido e da mulher, que têm a vocação para casar-se, quer a vocação que a própria família tem a ser neste mundo, um sinal de amor e de aliança e, por isso, também a ser aquilo que o capítulo explica, ícone da Santíssima Trindade.
E no terceiro capítulo, diria que a grande força é a insistência na importância do acompanhamento, o acompanhamento dos jovens que se preparam para o casamento, acompanhamento dos casais nos primeiros anos, casais com dificuldades, com filhos doentes, ou com idosos, ou em situações de crise, ou divorciados, ou recasados, portanto acompanhar as pessoas.
Também foi essa terceira parte que suscitou mais apreensões, tendo em conta os votos contra...
A terceira parte era muito pastoral, mas, como se foi vendo ao longo de todo este processo sinodal, pastoral e doutrina - ou pastoral e teologia - não podem estar separados. Por isso é claro que, quando se chegou a esse ponto, do que é que vamos fazer, havia questões que não se podem fazer ou outras que se devem fazer por causa daquilo que é a mensagem de Jesus Cristo, aquilo que Jesus Cristo nos ensinou e aquilo que a Igreja sempre nos transmitiu.
E houve alguns pontos em que não era claro se aquilo que a gente estava a propor era só para agradar ao mundo de hoje ou se era exactamente em fidelidade a Deus. Esse foi o ponto de discussão e de debate e que se viu, claro, também pela votação. Há pontos que ainda vão continuar a ser debatidos e discutidos.
Como foi a experiência de participar no sínodo?
Foi muito interessante ver como tudo funciona. Houve oportunidade para falar com gente de todo o mundo, foi muito interessante. Depois, o documento final. Ver como as coisas se fizeram, como as sensibilidades dos bispos foram sendo provocadas. Em certo sentido, vamos vendo como a Igreja é feita através de homens e Deus passa através desses homens. Ás vezes, não percebemos bem como, mas, depois, olhamos para os resultados e pensamos: 'Uau! Deus esteve aqui presente'".
Fonte: aqui

domingo, 25 de outubro de 2015

O Sínodo dos Bispos e as situações regionais de conflito


O Sínodo dos Bispos de 2015 decorreu em torno do tema “A vocação e a missão da família na igreja e no mundo contemporâneo”. No entanto, os padres sinodais tiveram que ter em linha de conta, além das famílias atingidas por marcas situacionais diversas da proposta eclesial e feridas pelo sofrimento, todas as famílias e pessoas que passam por situações de sofrimento, exclusão ou ataques à sua dignidade. O princípio “Deus ama-te como és, embora não se conforme” parece constituir uma velha-nova regra de ouro que decorre o mistério de Deus Amor e Pai misericordioso que chama insistentemente e não sabe abandonar.

Esta postura dos Bispos insere-se na esteira daquela visão humanista da Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II:

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.”.

É uma visão humanista assumida pelo Concílio e pelo Pontífice que promulgou as suas deliberações plasmadas nos 16 documentos conhecidos de todos, embora provavelmente pouco lidos e relidos. Tanto o Papa Paulo VI como os diversos padres conciliares manifestaram a disponibilidade de escutar o Espírito e o que Ele diz à Igreja, bem como o que o Espírito fez dizer a outros homens que não tiveram oportunidade de conhecer por dentro a dimensão eclesial.

Assim, já Publius Terentius Afer, no prólogo da sua comedia palliata “Adelpfoi”: “Homo sum, et humani nihil a me alienum puto” (Sou homem, nada do que é humano me é estranho).

Nesta linha de pensamento, preocupação, sintonia e reflexão, o areópago de mais alto nível eclesial de funcionamento periódico não pôde deixar se ter, na sua oração, palavra e mensagem, a calamitosa situação que se vive no e a partir do Médio Oriente, África e Ucrânia. Isto transpareceu em algumas das declarações dos intervenientes nas conferências de imprensa que o diretor deste pelouro na Santa Sé promoveu a um ritmo quase diário.

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Não contentes com tudo isto, os padres sinodais, no termo dos trabalhos da XIV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos optaram por uma declaração pública ao mundo sobre a situação

Que se vive no Médio Oriente, na África e na Ucrânia.

Situam-se na condição de reunidos em torno do Sucessor de Pedro e agregam a esta declaração todas as outras personalidades que trabalharam no sínodo: os delegados fraternos, os auditores e as auditoras e os restantes colaboradores.

Além da verificação que fazem das realidades dramáticas, da oração que exercitam, dos apelos que lançam, dos agradecimentos que tecem, das convicções que exprimem e dos ensinamentos que formulam, os participantes no Sínodo confiam à Sagrada Família de Nazaré – Jesus, Maria e José – que experimentou o sofrimento, as suas intenções em relação às famílias em dificuldade, de modo que, em breve, o mundo se torne uma única família de irmãos e irmãs.

É certo que o seu pensamento se dirige, em especial, a todas as famílias do Médio Oriente, vítimas de inauditas atrocidades resultantes de sanguinários conflitos em curso desde longa data e cujas condições de vida se agravaram nos meses e semanas mais recentes – mas sem deixar de exprimir a sua solicitude para com todas aquelas que estão envolvidas por vicissitudes similares.

Porém, os Bispos não se limitam a uma referência genérica. Pelo contrário, especificam a enumeração pormenorizada dos factos iníquos: o uso de armas de destruição em massa; os assassinatos indiscriminados, as decapitações, o rapto de seres humanos, o tráfico de mulheres, o alistamento de crianças, as perseguições por motivos religiosos e étnicos, a devastação de lugares de culto, a destruição do património cultural e outras inumeráveis atrocidades. Tudo isto obrigou, segundo os Bispos, milhares e milhares de famílias a fugir das suas casas e a procurar refúgio noutros lugares, muitas vezes, em condições de extrema precariedade.

Os autores da solene declaração reconhecem que “atualmente estas famílias estão impedidas de regressar e de exercer o seu direito a viver em dignidade e segurança na sua própria terra”. Em violação flagrante dos direitos humanos, estas famílias estão impedidas de contribuir “para a reconstrução e para o bem-estar material e espiritual dos seus países”, o que configura a proibição do exercício dos direitos cívicos, económicos e sociais em oposição à consecução do bem comum e uma inibição de as pessoas cumprirem os seus deveres para consigo próprias, para com as suas famílias e para com as comunidades que integram.

Os Bispos sublinham o “dramático contexto” em que “são continuamente violados os princípios da dignidade humana e da convivência pacífica e harmoniosa entre as pessoas e os povos”; e mais do que isso, está em causa a sonegação clamorosa dos “mais elementares direitos elementares” como são os direitos “à vida e à liberdade religiosa”, bem como “o direito humanitário internacional”. Trata-se de situações inaceitáveis neste terceiro milénio de cristianismo e de civilização a que o iluminismo teima em não chegar.

Face a este contexto, os Bispos reunidos em assembleia sinodal exprimem a sua proximidade solidária e orante junto dos patriarcas, bispos, sacerdotes, consagrados e fiéis, bem como a todos os habitantes dos países do Médio Oriente. Além disso, em concreto: pedem a libertação de todas as pessoas sequestradas; e querem que as suas vozes se unam ao grito de tantos inocentes:

Não mais violência, não mais destruições, não mais perseguições! Cessem imediatamente as hostilidades e o tráfico das armas!

Oxalá que, tal como Deus os ouve, também os decisores escutem a sua voz e os humilhados ouçam o grito destes senadores da Igreja, servindo-lhes de refrigério e de alimento da esperança.

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Mas os Bispos não se limitam à verificação da realidade, à oração solidária e ao grito de pacificação. Têm também uma palavra de gratidão para com todos aqueles países que se disponibilizaram efetivamente a acolher os refugiados, designadamente a Jordânia, o Líbano, a Turquia e numerosos países europeus. E, ao mesmo tempo, lançam um novo apelo à Comunidade internacional para que faça com que se ponham de parte “os interesses particulares” e se busquem soluções com recurso aos “instrumentos da diplomacia, do diálogo e do direito internacional”.

Por outro lado, afirmam a sua convicção de que a paz no Médio Oriente não se obterá com “escolhas impostas pela força”, mas com “decisões políticas respeitadoras das particularidades culturais e religiosas de cada uma das Nações e das várias realidades que as compõem”.

Talvez tenha sido este um dos mais graves erros do dito Ocidente ao querer impor nalguns países um regime democrático concebido, gizado estruturado à maneira dos países que se autoproclamam livres e democráticos.

Afirmam-se outrossim os Bispos convictos de que “a paz é possível” e de que “é possível acabar com as violências que, na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa, envolvem cada vez mais famílias e civis e inocentes e agravam a crise humanitária”. E creem e ensinam que a “reconciliação é fruto da fraternidade, da justiça, do respeito e do perdão”.

Talvez aqui pudesse ser colhida a lição do exemplo de Timor-Leste, que no seguimento do termo da guerra civil e da independência, propôs e conseguiu, pelo menos, em muito grande parte, o desígnio nacional da reconciliação.

Para sustentarem as suas convicções atinentes à fraternidade, justiça, respeito e perdão – fatores e fautores da paz – citam as palavras do Papa Francisco em Jerusalém, a 26 de maio de 2014, dirigidas a “todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão: respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs! Aprendamos a compreender a dor do outro! Ninguém instrumentalize pela violência o nome de Deus! Trabalhemos em conjunto pela justiça e pela paz!”.

Firmam-se também nas palavras de Bento XVI no n.º 19 da sua exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente, de 14 de setembro de 2012: “Possam os judeus, os cristãos e os muçulmanos entrever no outro crente um irmão a respeitar e a amar, para darem – em primeiro lugar nas suas terras – um bom testemunho de serena convivência entre filhos de Abraão”. 

Por isso, os Bispos reunidos em sínodo só podem ter um “único desejo”, igual ao das demais pessoas de boa vontade, que fazem parte da grande família humana: que se possa viver em paz.

Por fim, os padres sinodais, a partir de Roma, tornam extensivo o seu pensamento e oração – com igual preocupação, solicitude e amor – a todas as famílias que se encontram envolvidas em situações semelhantes noutras partes do mundo, referindo, em especial, a África e a Ucrânia. E declararam expressamente que as tiveram muito presentes durante os trabalhos da assembleia sinodal, do mesmo modo que as famílias do Médio Oriente. Também por elas pedem “o retorno a uma vida digna e tranquila”.

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Supondo que esta oportuna declaração sinodal teria sido mais completa, se no alinhamento das várias declarações de Francisco, tivesse incluído também o reparo sobre a exploração que determinados intermediários fazem incidir sobre refugiados e migrantes, frustrando-lhes a esperança, conduzindo-os à desagregação familiar, à invalidez e à morte, bem como sobre a postura de pensamento e de ação de algumas forças políticas, dirigentes governativos e agentes de autoridade em diversos países da União Europeia contra os migrantes e refugiados, incluindo as instituições europeias que andam de cimeira em cimeira enquanto as pessoas sofrem.

E os que sofrem estão demasiado tempo à espera.

E o Reino de Deus, que não é deste mundo, prega-se neste mundo a todos, mas dirige-se sobretudo aos excluídos, aos não reconhecidos, aso deixados à sua sorte.

Bem-aventurados os que estão em saída a lutar pela paz e pela justiça!

2015.10.24 – Louro de Carvalho