terça-feira, 17 de novembro de 2015

E a Igreja portuguesa, fê-lo?

O apelo do Papa
Foto retirada daqui
Em 2013, na “Evangelii Gaudium”, o Papa Francisco dirigiu-se aos “fiéis cristãos” no âmbito da celebração dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II, para os convocar a “uma nova etapa evangelizadora” sob o signo da “Alegria do Evangelho”. O objetivo foi indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos (nº1), tendo por isso a Exortação sido classificada como o texto programático do pontificado.

Mereceu na altura um grande destaque na comunicação social. A sociedade civil deu-lhe alguma atenção, sobretudo ao segundo capítulo, dedicado à análise da situação do mundo atual. Uns reagiram, outros aplaudiram a crítica que faz do consumismo e do capitalismo. Dessa parte da Exortação ficou célebre a frase – “Esta economia mata”(nº 53).

E coloca-se a questão: os católicos de todo o mundo deram-lhe a devida importância e procuraram acompanhar o Papa no percurso que ele propõe?

No início desta semana o Papa esteve presente em Florença no 5.º Congresso Nacional da Igreja Católica na Itália. Num discurso que dirigiu aos 2500 participantes desafiou-os a refletir, nos próximos anos, a “Evangelii Gaudium”. Durante o discurso citou sete vezes a Exortação. Por duas vezes referiu-se ao nº 49 em que, há dois anos, afirmava: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”.

Aos católicos italianos reunidos em Florença sublinhou a sua preferência por uma Igreja “inquieta, cada vez mais próxima dos abandonados, dos esquecidos e dos imperfeitos”. Pediu aos congressistas: “Sonhai vós também com esta Igreja, acreditai nela e inovai com liberdade”. Para que este sonho se torne realidade sugeriu que “em cada comunidade, em cada paróquia e instituição, em cada diocese e circunscrição, em cada região, procurai lançar, de modo sinodal, um aprofundamento da Evangelii Gaudium, para dela retirar critérios práticos e para pôr em prática as suas disposições”.

Perante este apelo do Papa, Andrea Tornielli, no sítio “Vatican Insider”, conclui: “Se o Pontífice convida a retomar aquele texto evidentemente ele pressupõe que a Igreja italiana não o tenha feito ou não o tenha feito suficientemente”.

E a Igreja portuguesa, fê-lo?

Fernando Calado Rodrigues
(Texto publicado no Correio da Manhã de 13/11/2015)

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O Estado Islâmico muda estratégia militar?

O que é e como atua o Estado Islâmico?
O que está a mudar?
Como responder?


Veja  aqui

***
Papa reforça condenação dos atentados e diz que é «blasfémia» justificar terrorismo com a religião
Aqui

domingo, 15 de novembro de 2015

Deus não grita aos ouvidos


Deus não grita aos ouvidos. Fala ao coração, porque este, quando a pessoa quer, escuta mais profundamente.
 Este tempo convida à superficialidade, ao efémero dos sentidos, ao deixa andar. E então, quando se é novo, a tentação de correr atrás de sensações que excitam os sentidos é muito forte e a dificuldade em perscrutar-se  faz-se sentir.
Daí a necessidade de "despertadores", de quem alerte para acordar. Pais, avós, formadores, amigos são chamados à nobre missão de despertar o jovem. "Já viste se na caixa do correio do teu coração tens algum email de Deus? Já paraste para verificar o que diz?"
Sabemos que só é feliz quem segue a sua vocação. E como queremos pessoas felizes, é indispensável  alertar, sobretudo os jovens, para aquilo que o Senhor quer deles.
Jovens, a postura do jovem Samuel de quem nos fala a Bíblia é uma aposta na disponibilidade para acolher o projeto de Deus: "Falei, Senhor, que o vosso servo escuta."
Ao terminar a Semana dos Seminários 2015, que o nosso coração se deixe tocar pelo olhar misericordioso do nosso Deus.

sábado, 14 de novembro de 2015

Os ataques em Paris

Homem se emociona diante de objetos de tributo deixados em frente à cafeteria Carillon, em Paris, onde um dos ataques terroristas ocorreu (Foto: Thibault Camus/AP)
Homem se emociona diante de objetos de tributo deixados e
m frente à cafeteria Carillon, em Paris, onde um dos ataques terroristas ocorreu
(Foto: Thibault Camus/AP)


O Número de vítimas dos atentados na capital francesa ascende a 129, entre os quais um português. Há 352 feridos, 99 em estado grave. Hollande fala em “acto de guerra” e diz que a França será “implacável” na luta contra o Estado Islâmico, que já reivindicou o ataque. Polícia belga detém várias pessoas com ligações aos ataques. Atacantes tinham passaportes egípcios, sírios e franceses.
(In Público)


Na noite desta sexta-feira, a capital francesa foi alvo de atentados terroristas em diferentes locais que causaram dezenas de mortos e centenas de feridos. Como referiu o cardeal Vingt-Trois, a França "conhece de novo a dor do luto e enfrenta a barbárie espalhada por grupos fanáticos."
D. André Vingt-Trois considera essencial que “ninguém se deixe dominar pelo pânico ou pelo ódio” e pede “a graça” de que todos sejam “construtores da paz”. “Nunca poderemos desesperar da paz, se construirmos a justiça”, referiu.


Diz a comunicação social que um dos atacantes tinha passaporte sírio e entrou na União Europeia pela Grécia como refugiado.
Na internet surgem vários comentários, de cariz mais ou menos xenófobo, contra os refugiados. Também aqui se exige serenidade na análise, sem cedências às emoções fortes que atos tão bárbaros suscitam nos europeus.
Aliás muitos muçulmanos são vítimas dos terroristas como a informação claramente dá a conhecer. Será espectável que os muçulmanos pacíficos e moderados claramente manifestem a sua revolta contra os crimes dos fundamentalistas e terroristas.
Isto não pode transformar-se numa guerra de civilizações - entre muçulmanos e ocidentais.  Os atentados de Paris são antes um crime contra a humanidade, toda a humanidade.
O ódio e a sede de vingança só complicam o problema. Pelo contrário, a serenidade, a luta pela justiça, a vigilância ativa e sem medo são construtoras de paz.

«Há grande negligência» em propor a vocação sacerdotal

LFS/AE - D. Amândio Tomás, bispo de Vila Real
O bispo de Vila Real quer que “se insista no recrutamento” de vocações ao sacerdócio que não exista “medo de abordar” adolescentes e jovens, se sensibilize pais e paroquianos e, sobretudo, motive os párocos.
“Somos tão pobres, que até parece que teimamos em sermos cada vez mais pobres de gente e de meios, deixando de apostar, nas Vocações e no Seminário. Temos pouca população, escassa juventude, mas é verdade que há grande negligência em chamar os jovens, em os motivar, acompanhar, sensibilizar e motivar para a adesão a Deus”, escreveu D. Amândio Tomás num acarta enviada à diocese.
No contexto da Semana dos Seminários, que termina este domingo, o bispo de Vila Real apela que se insista no recrutamento de vocações ao sacerdócio e pede que se haja sensibilização de pais e paroquianos e, “sobretudo”, se motive os párocos.
“Não ter medo de abordar os adolescentes e jovens, falando do projeto vocacional”, observa.
 (...)
Segundo D. Amândio Tomás o seminário serve os jovens que “sentem o apelo de se darem” e mesmo que não sigam para o sacerdócio “lucram esperança, valores e objetivos na vida”.
Neste contexto, para além da oração pelos seminários, “absolutamente necessária”, o bispo de Vila Real apela que “ninguém falte com a generosidade de ajudar os jovens a estudar”.
O bispo diocesano destaca que o padre “é porta-voz, arauto e executor da misericórdia de Deus”, por isso, assinala que “não pode, nem deve usar as armas que o mundo usa”: “Não pode ceder ao ódio e à vingança, mas, deve ser conciliador, pontífice, mediador, construtor da paz e misericordioso, dando exemplo, perdoando”.
“O sacerdote é porta-voz, arauto e executor da Misericórdia de Deus. É eleito, pela misericórdia e predileção de Deus, e instrumento, que empresta a Cristo o gesto, a palavra e a visibilidade”, desenvolve D. Amândio Tomás.
A Semana dos Seminários 2015 tem como tema ‘Olhou-nos com misericórdia’ e termina este domingo, dia 15 de novembro.
In agência ecclesia

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A gratidão é a memória do coração

Nesta Semana dos Seminários, deixo a minha gratidão a todos os sacerdotes que me ajudaram a caminhar humana, cristã e vocacionalmente.
Se com todos aprendi, alguns marcaram-me de forma indelével pela sabedoria, pela bondade, pelo acolhimento, pela forma como souberam estar em períodos mais conturbados.
Monsenhor Carlos Resende. Meu Reitor e professor. Ressoava bondade por todos os poros. A sua pessoa era um belo poema à bondade. Monsenhor certamente sorrirá no Céu ao recordar tantos momentos bonitos que o P.e Armindo e eu vivemos com ele. Qual avozito bondoso para com os netitos reguilas que o admiravam e estimavam profundamente. Obrigado, senhor Reitor.
Monsenhor Simão Botelho. Este portista confessso foi meu vice-reitor e professor. Com ele vivenciei que viver é servir. Num tempo em que a casa estava cheia, o cónego Simão estava de serviço 24 horas por dia para cada seminarista. Foi fundamental na minha caminhada vocacional. Muito obrigado.
P.e João Mendes. Durante mais de 50 anos, pároco da minha terra natal. Foi quem me mandou para o Seminário. A sua casa era a minha casa. Sempre me entusiasmou e confiou em mim. Obrigado, senhor abade.
Monsenhor Arnaldo Cardoso. Meu professor. Foi quem me inculcou um verdadeiro interesse pela Sagrada Escritura. Com ele muitos seminaristas se abriram pastoralmente ao mundo, através dos cursos bíblicos e de iniciativas com jovens. Obrigado.
D. Jacinto Botelho. O Bispo emérito de Lamego foi meu professor, vice-reitor e vigário-geral. Nele vi sempre a pessoa de uma fé profunda e de uma humanidade extrema. Obrigado.
Cónegos Zé Cardoso e Duarte Júnior. Cada um à sua maneira, souberam oferecer-me ajuda oportuna em momentos menos tranquilos da minha caminhada. Obrigado.
D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto. Sem me estar “a armar”, penso que fui dos sacerdotes que mais sentiu a sua saída da diocese. Com ele mantive longas conversas. Era um coração atento, que sabia escutar e perscrutar. Dele recebi sempre uma palavra clara, admoestadora, serena e orientadora. Muito obrigado.
Monsenhor José Guedes e P.e Adriano Monteiro. Personalidades muito diversas que me ensinaram imenso em campos diferentes. Sem o conseguir, tentei que eles fossem uma referência da minha vida sacerdotal. Obrigado.
Drs. Mário e Alfeu. Foram meus professores no Seminário de Resende. Abandonaram o exercício sacerdotal, mas tal não invalida que lhes esteja grato pelo muito que me deram. O Dr. Alfeu, porque era uma pessoa próxima dos miúdos, jogava com eles, falava com eles e sempre me aceitou e respeitou na minha maneira de ser. O Dr. Mário, então vice-reitor, foi que me meteu na alma a ideia de ser portista, que nunca mais larguei.
Os sacerdotes deste arciprestado de Tarouca. Trabalhamos juntos há vários anos neste Vale Encantado. São formidáveis. Obrigado.
Cónego Joaquim Rebelo. Trabalhamos juntos na mesma escola durante alguns anos. Daí nasceu uma boa amizade. Com ele aprendi e por ele e seus bondosos pais sempre me senti bem acolhido em sua casa. Obrigado.
P.e Dr. Borges. Este sacerdote de Vila Real foi meu professor, director espiritual e, mais tarde, colega de escola. Num corpo de gigante uma alma gigantesca. Nele sabedoria e humanidade brilhavam a grande altura. Muito obrigado.
O meu condiscípulo Adriano Alberto. O arcipreste de Cinfães é daquelas pessoas de quem se é “obrigado a gostar”. É um amigo, um colega e um condiscípulo fantástico. Aquele abraço, Adriano!
Cónego Doutor João António Pinheiro. O actual Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, que faz o favor de ser meu amigo, é um mestre. Na sabedoria, na profundidade, na simplicidade, no acolhimento. Na fé. Obrigado, amigão!
Não posso esquecer o meu antecessor nesta comunidade, P.e Duarte Santos. Por tudo o que fez e ensinou.
Monsenhor Afonso. O velho Reitor de Almacave era um homem à antiga. Frontal, convicto, terra-a-terra, amigo dos colegas, de um profundo amor à Igreja.
Monsenhor Bouça Pires. O amigo que tantas vezes em seminarista me recebeu em sua casa; o sacerdote de iniciativa, convicção e entusiasmo. Onde esteve deu sempre o “corpo ao manifesto” e soube movimentar. Obrigado.
Muitos e muitos mais me passam neste momento pelo filme da gratidão que vai rolando na minha alma. Guardo a sua memória e louvo ao Senhor por ter tido a dita de se entrecruzarem com a minha vida.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Surpresas...

Foi hoje operado à coluna em Lisboa o nosso sacristão. Pelas informações recebidas, a operação correu bem. Esperamos agora que a recuperação corra pelo melhor.
O email trazia a notícia dada por pessoa amiga. Uma catequista  desta Paróquia está internada  em Vila Real. E mais uma vez fazemos votos pela sua recuperação total.
Quando cheguei a casa de meu para o visitar, recebi a notícia. Meu irmão fora hoje operado. Desandei e fui visitá-lo. Apesar da recente operação, encontrei-o animado.  Torço pelo seu absoluto restabelecimento.
Cheguei a casa no meio de forte nevoeiro que me envolveu durante o percurso, dificultando a condução. Logo o telefone tocou. Uma pessoa doente desta comunidade tinha falecido. Uma prece pela sua alma.
A vida é feita de surpresas e convida-nos a encará-las, não com ar de derrota, mas de vitória. "Não digas a Deus que tens muitos problemas. Diz aos problemas que tens um grande Deus."

Mãos que não dais, o que é que esperais?

Há muitos anos, em determinada diocese, um grupo de cristãos, representativo de certa paróquia, dirigiu-se ao Bispo para lhe pedir um pároco próprio. Invocaram todas as razões que relevaram de conclusivas para o Prelado lhes dar um sacerdote. O Bispo ouviu, ouviu e, por fim, perguntou-lhes:
- Quantos sacerdotes deu a vossa paróquia à diocese?
Uma vaga de silencia percorreu aquelas pessoas que se entreolharam surpresas. Então o Bispo insistiu:
- Estão aqui casais. Já falastes da vocação sacerdotal aos vossos filhos? Que tendes feito nesse sentido?
Uma mãe então levanta a voz e responde:
- Senhor Bispo, só tenho um filho. O senhor queria que ele fosse padre? Não acha que tenho direito a ter amanhã os meus netinhos?
É esta ilógica que nos comanda. Pedimos tudo aos outros, mas não nos sentimos na obrigação de dar nada à comunidade. A quem assim pensa e age responde o velho ditado popular: “Mãos que não dais, o que é que esperais?”
Sempre, mas particularmente nesta semana, procuremos rezar pelas vocações sacerdotais. Que as famílias sejam escolas de discernimento vocacional e acolham na alegria o dom da vocação. Que as paróquias e a diocese promovam uma séria, persistente e estruturada pastoral vocacional. Que os seminários formem os padres que o presente e o futuro reclamam. Padres apaixonados por Deus e dedicados ao homem. Que os jovens vocacionados respondam à mensagem que Deus deixou no telemóvel do seu coração. Fazer delete é deitar fora a oportunidade de ser feliz, pois cada um só é feliz quando segue a vocação que Deus lhe deu.
Depois, acolhamos, apoiemos, acarinhemos as vocações. Também através da partilha de bens, sem os quais a diocese não pode formar os padres que as comunidades precisam.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

"Não há vida como a de padre!"


Ouve-se aqui e ali, muitas vezes na brincadeira, "não há vida como a de padre!" Muitas vezes também respondo a brincar: "Então há muito palerminha. Se é tão bom, por que será que há tão poucos pretendentes!? E olha que aqui não há desemprego!"
É preciso preparar e realizar reuniões: Conselho Económico, Conselho Pastoral, catequistas, os vários grupos e movimentos...
É preciso pensar, preparar e e propor ao Conselho Pastoral o Plano Pastoral. Depois, recebidas as alterações, urge pô-lo em prática, sujeitando-o à análise do referido Conselho.
É preciso analisar com o Conselho Económico as obras a realizar, acompanhá-las e escrever dezenas de cartas para aqui e para ali (quem tem obras a realizar em zonas sob a intervenção do IPPAR sabe bem o que isto custa!).
É preciso atender e estudar com as comissões das diversas capelas as obras a realizar no tocante a reparações ou melhoramentos dos centros de culto. Mais umas dezenas de cartas...
É preciso preparar a recepção dos sacramentos...
É preciso presidir aos funerais e, por vezes proceder a alterações de última hora, pois a morte surge quando lhe apetece...
É preciso atender muitas e variadas pessoas que nos procuram ou nós procuramos por causa das mais diversas situações...
Há um Lar da 3ª Idade, um Hospital, os Bombeiros... O Capelão tem de aparecer para desempenhar a sua missão...
Há as  reuniões do  Arciprestado...
Há o boletim paroquial que sai em determinadas épocas do ano. O padre tem de o idealizar, trabalhar e imprimir. Não há dinheiro para o imprimir e dobrar fora, tenho que o fazer com a prata da casa...
Há o jornal mensal que ocupa horas intermináveis ao longo do mês, pensando nele, organizando-o, corrigindo-o.
Há um fim-de-semana que não é brincadeira e deixa o padre esgotado.
Há a solicitude pela comunidade que consome e martela. Tanta gente a viver como se Deus não existisse!...
Numa comunidade com tantas festas, é preciso pensar a tempo e convidar os sacerdotes para essas festas, para o serviço da Confissão...
Há documentos a passar às pessoas para isto e para aquilo... Há documentos a enviar e a pedir à Cúria Diocesana...
Há a solidão, tanta vezes mestra, mas também tantas vezes cruz na cruz de cada dia...
Há espaços de oração que é preciso criar, manter e sedimentar...
Há a casa que temos que dirigir e a nossa vida de cidadãos que temos que orientar....
Há a família a quem devemos prestar atenção...
Existimos nós próprios com as nossas limitações, os nossos sentimentos, as nossas tentações, os nossos picos de satisfação, as nossas angústias...
Há os amigos a quem devemos prestar atenção. Se estes tantas vezes compreendem ausências, nós é que não nos sentimos bem, ausentando-nos...
Há gente que sofre e precisa, reclamando a nossa presença e o tempo não estica, e as forças já não permitem mais...
Há os nossos achaques e doenças a reclamar mais atenção...
Há a necessidade de dar respostas e tantas vezes não as temos...
Há compromissos a honrar e nós prisioneiros de outros que não cumprem o que prometem...
Há obras urgentes a fazer e a burocracia emperra tudo...
Há denúncias que nos flagelam e silêncios que nos queimam...
Há gente que não arranca e outros que ficam sempre na margem da crítica...
Há tantas vezes uma Igreja que não sai da sonolência, mas que tudo nos exige como se fôssemos deuses...
Há as nossas limitações (por exemplo, custa-me não ter jeito para a música!), o nosso feitio, a nossa maneira de ser, a nossa disposição de momento... quantas vezes limitam e até nos trazem insatisfação interior perante posições tomadas...
Há cartas e telefonemas que nos chegam e a que temos que responder...
Há pessoas que se sentem mal se nós não vivemos para elas, mas que passam muito bem se ninguém se importa connosco...
Há uma hierarquia que devia estar muito, muito mais presente, mas a quem parece só importar que não lhe causemos problemas...
Há invejas como facas e apoios e incentivos que nunca chegam...
Há a tentação de "porreirismos fáceis" que granjeiam simpatias interesseiras...
Há a exigência da fidelidade à Mensagem do Salvador e da Sua Igreja que, não poucas vezes, nos trazem dissabores, amargos de boca e pedradas...
Fala-se de uma Igreja-Comunhão, mas, ao fim e ao cabo, fica tudo dependente do padre, como pintos da galinha. Os leigos não assumem o seu papel na Igreja e esta tarda em tratar como maiores os seus leigos...
Há uma Igreja que nunca devia dissociar-se dos pobres e parece que cada vez mais a vemos colada - pelo menos pelo silêncio cúmplice - aos interesses dos ricos.
Há grupos - muitos - minoritários embora, mas que não encontram na Igreja o acolhimento filial a que têm direito.
Há um Centro Paroquial em construção.  Que muitos não sentem como seu e ainda dizem que é do padre... Quantas horas de sono por dormir, quantas aflições, tanto que se dá sem ninguém saber! Numa Paróquia com esta dimensão, tudo poderia ser muito mais fácil. Bastava que as pessoas fossem mais generosas!

Mas não pensem que é um carpir de mágoas. Sou uma pessoa que gosta do que é. Quero ser mais santo, sem dúvida. Isso peço à Trindade Santíssima de cuja Misericórdia infinita espero o perdão para as minhas faltas e a ajuda para servir melhor.
Confio na oração e amizade de todos para a todos poder amar melhor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Padre? Nunca!...

Era eu um jovem padre. Leccionava numa escola secundária. Numa das turmas do 11º ano, havia um rapaz muito alegre e bem disposto, boa semsibilidade ao transcendente, que me parecia poder dar num bom padre. Era um jovem de valores que transpiravam nas mais pequenas coisas. A determinada altura, disse-lhe que queria falar com ele no fim da aula.
Falámos, falámos, até que lhe perguntei:
- Olha lá, não queres ser padre? Olhou para mim com o ar mais espantado do mundo, virou o dedo na sua própria direcção e retorquiu:
- EUUUUUUUUUUU!!!???
A conversa prolongou-se. Da surpresa, passou à empatia. Quando eu esperava um "vou pensar", eis que repentinamente dispara:
- Nem pense! Padre, nunca! Para um dia me fazerem aquilo que os da minha terra têm feito ao padre que lá está...

Nesta Semana dos Seminários, dá que pensar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Que pensa dos padres?

A propósito da Semana dos Seminários
As lembranças de criança permanecem vivas em nós. Por isso, tenho o facto muito presente. Foi há mais de 50 anos. Tempo em que imensa gente trabalhava na agricultura que então exigia muitos "braços", sobretudo nas sementeiras, nas mondas e nas colheitas.
A determinada altura, lá vieram à baila os padres e toca a puxar do "corte e costura". Meu avô passa para a frente do pessoal e diz com um ar grave:
- Coitados dos padres! Na boca do povo nenhum presta. Ou se pega pelo cu ou pelas calças...E se olhásseis para vós e deixásseis os padres em paz!? Certamente não teríeis pouco que reparar...
Fez-se um silêncio profundo.
Pois, mas onde estão hoje pessoas desta estatura moral? Actualmente, se um diz mata, o outro diz enforca... Estamos no tempo, em que o que vale é "Maria vai com as outras..."

Se o padre fala alto, "só sabe ralhar, está sempre zangado. Afasta as pessoas..."
Se o padre fala baixo, " nem vale a pena cá vir. Faz-nos dormir..."
Se demora mais a Missa, "pensa que temos a vida dele..."
Se demora pouco, "nem deu tempo para a gente cá chegar..."
Se se ri, convive e é divertido, "é um mundano..."
Se é mais sério, mais distante, " não cativa ninguém. Tem a mania que é importante..."
Se tem carro novo, " isto é que é viver bem. Depois vai para a Igreja falar de caridade..."
Se tem um carro velho, "é um unhas de fome. Anda a poupar para deixar aos sobrinhos..."
Se vive sozinho, "é um solitário, só pensa nele..."
Se vive com familiares, "andamos nós aqui a pagar para ele sustentar a família..."
Se vive com outra pessoa, " uhmm! Há coisa ..."
Se apresenta as orientações da Igreja, "é um legalista, afasta as pessoas..."
Se procura manter as tradições, " é sempre a mesma coisa. Nada de novo acontece..."
Se dá mais impacto à inovação, " os padres fazem-nos perder a fé..."
Se vai a casa dos amigos que o convidam, "só liga a alguns..."
Se não vai a casa de ninguém, "é um bicho do monte, nem amigos tem..."
Se apela à oração, "é um beato..."
Se não apela à oração, "que está cá ele a fazer?..."
Se apresenta contas, "tenho mais que fazer do estar a ouvir os números... O que dei, dei..."
Se não apresenta contas, "mete o dinheiro da Igreja ao bolso..."
Se recebe os estipêndios pela administração dos sacramentos, "é um ganancioso..."
Se não recebe os estipêndios, "está rico, já não precisa..."
Se fala dos pobres, "é socialista ou comunista..."
Se não fala dos pobres, "está feito com os ricos..."
Se fala de justiça social e do sexo, "estes assuntos não são para a Igreja..."
Se não fala do sexo e da justiça social, "pois, ele quer é que todos paguem a côngrua. Não fala para que os ricos e imorais não se chateiem com ele..."
Se esta´presente nas reuniões de grupos, associações, irmandades, comissões, "é um controlador. Não respeita a liberdade dos leigos..."
Se não está presente, "não quer saber..."
Se envereda pelas novas tecnologias, "não tem mais que fazer..."
Se não envereda pelas novas tecnologias, "é um antiquado, não acompanha os tempos..."
Se está muito tempo numa paróquia, "nunca mais vai embora..."
Se muda frequentemente, "não presta, porque não aquieta em lado nenhum..."
Se veste bem, "é um vaidoso..."
Se não liga tanto ao aspecto exterior, "é um desleixado. Até nos envergonha..."
(...)
O importante mesmo é que cada pessoa ao deitar-se, faça o seu exame de consciência e se dê conta que pode dormir em paz.

domingo, 8 de novembro de 2015

Semana dos Seminários 2015

Semana dos Seminários 2015

D. Virgílio Antunes apresenta a temática para semana nacional que decorre entre os dias 8 e 15 de novembro e recorda que o sacerdote é um «homem chamado e escolhido de entre os outros homens»

“Olhou-os com misericórdia"
 O presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios afirma na mensagem para a Semana Nacional dos Seminários que o sacerdote não é "perfeito, irrepreensível e santo", mas "alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia".
“O sacerdote, homem chamado e escolhido de entre os outros homens, é fruto do olhar misericordioso de Jesus, que quer salvar a todos. Não se trata de alguém perfeito, irrepreensível e santo, mas de alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia, sem explicação nem motivação compreensíveis”, escreve D. Virgílio Antunes.
Na mensagem enviada à Agência ECCLESIA, o responsável explica que a vocação sacerdotal só se compreende no contexto do “mistério do amor de Deus, que não se explica nem se justifica”, mas simplesmente se manifesta.
Segundo o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, como a “característica fundamental do agir de Deus é a misericórdia” os seminaristas, “desejosos de conhecer o mistério da sua vocação”, devem entrar no mistério do amor de Deus “pela humanidade e por si mesmos”.
“Sintam-se sinceramente pecadores e doentes como todos os outros homens, e darão infinitas graças a Deus por os eleger e chamar a partilhar a grandeza da Sua companhia”, recomenda.
Na mensagem para a Semana Nacional dos Seminários, os jovens são convidados a entrar na contemplação do rosto misericordioso de Deus que “os escolhe e os chama” e a aceitarem “humildemente a sua condição de pecadores e necessitados” da misericórdia de Deus que vai manifestar-se como “fonte de perdão e de salvação”.
“Muitos sentirão o apelo a andar com o Senhor e a aprender d’Ele, conhecerão a vocação a que os chama e terão alegria e coragem para a seguir fielmente”, acrescenta D. Virgílio Antunes.
Para o prelado quando alguém “se deixa tocar pelo olhar misericordioso de Jesus” torna-se disponível para ficar com Ele para sempre.
Neste contexto, observa que a Igreja fundada por Jesus Cristo é chamada a “dar corpo ao desejo misericordioso de Deus de salvar toda a humanidade”, em todos os tempos da história.
“N’Ele há uma especial predileção pelos pobres, pelos doentes, pelos perdidos e pelos pecadores, aos quais procura incessantemente, pois quer acolhê-los com um abraço mais apertado, para que sintam a força do seu amor que reconcilia e salva”, desenvolve D. Virgílio Antunes.
O também bispo da Diocese de Coimbra contextualiza que os Evangelhos apresentam um Jesus que passa pelos “mais variados lugares onde se desenvolve a vida humana” e “olha com predileção para alguns, escolhe-os e chama-os para O seguirem”.
“Sem explicações que satisfaçam a sua admiração e sem argumentos que respondam às suas interrogações, mas somente porque se sentiram tocados pelo seu amor misericordioso, deixaram tudo e seguiram-n’O”, acrescenta, dando como exemplo o chamamento de São Mateus, que antes de ser discípulo era cobrador de impostos, “um homem considerado por todos como pecador”.
O presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios assinalou ainda que em sintonia com a Igreja Universal deseja que o trabalho, a catequese e a oração pelas vocações sacerdotais, pelos seminários e pelos sacerdotes “nasçam” da certeza de que Deus é misericordioso com todos os seus filhos.
In agência ecclesia

sábado, 7 de novembro de 2015

11º Aniversário da Associação dos Esporões



O povo dos Esporões festejou em 7 de novembro o 11ºaniversário da Associação dos Esporões.
A Eucaristia foi muito bem dinamizada por um coral constituído para o efeito. Que bom seria que integrassem  o coral da Paróquia! E porque não??? Todos somos precisos e ninguém ocupa o lugar de ninguém.
O Pároco, na homilia, felicitou a Associação pelos serviços prestados ao povo, sabendo proporcionar um espaço de convívio pacífico, de jogos populares e de são relacionamento. É que há sempre muita gente por lá, mormente nas noites de Verão e aos fins-de-semana. frisou que a pessoa humana é "um ser em relação." Ninguém nasce ilha ou vive para ser ilha.
 Lembrando o Evangelho, afirmou que o dinheiro está ao serviço do homem e nunca o homem ao serviço da escravatura do dinheiro.
Depois de uma visita ao cemitério para um momento de oração pelos associados falecidos, seguiu-se um almoço  na sede da Associação muito bem confeccionado por voluntários, prosseguindo o convívio pela tarde fora, com  o magusto, jogos populares e outras actividades.
Parabéns à direcção da Associação e a todos os associados.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

50 anos...Parabéns!



Na última quarta-feira desloquei-me a Lisboa na companhia de minha irmã mais velha e de meu cunhado. É que o meu irmão mais novo fazia, nesse dia, 50 anos. Fomos em nosso nome , no de meu pai, dos outros irmãos e dos meus sobrinhos a quem foi impossível a deslocação.
Foi uma surpresa para ele. Tudo havia sido acertado com sua esposa e seus filhos, pessoas maravilhosas.  À hora combinada, nós os três e outros sobrinhos que moram mais perto, aparecemos no restaurante onde se encontrava com sua esposa e filhos para jantar.
Foi um momento a quem a surpresa aumentou a emoção e a alegria do encontro. A refeição, já por si muito interessante, teve outro encanto.
Meu irmão merece. Pela pessoa fantástica que é, pela amizade e dedicação com que vive e partilha as situações de cada familiar. Um cidadão, um profissional, um pai, um marido, um familiar 100%.
Ontem, ao regressar, passámos pelo Porto onde ficámos alojados em casa de outra minha irmã. Repetiu-se a alegria do encontro e a certeza do apoio em momentos difíceis no tocante à saúde, Vai correr tudo bem, mana! Também aqui  minha irmã, meu cunhado e minha sobrinha foram inultrapassáveis em delicadeza.
Quando, nesta manhã, regressávamos a casa, íamos falando de cada um dos nossos familiares chegados - e são 29 de momento - para terminarmos agradecendo a Deus pela família maravilhosa que temos. Família pobre, mas bela em afetos, solidariedade, presença, empenho.
Louvado seja Deus por tudo!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

"Julgamos a sabedoria de um homem pela sua esperança"

Breves- Nós por cá


Continua o saneamento no povo de Teixelo. O que fica enterrado não dá votos, mas dá qualidade de vida aos cidadãos. E não é esta a finalidade da política?


Fala-se na substituição dos semáforos do Castanheiro do Ouro por uma rotunda. Há muita gente que gosta da ideia, mas também existe quem pensa que assim está bem. Nunca tudo agrada a todos…


Há locais em que, sobretudo no fim-de-semana, é difícil o trânsito junto de alguns cafés. Carros de um lado e de outro da via e quem precisa de conduzir vê-se aflito para passar. Há quem não leve o carro para dentro do café porque não cabe… Mais civismo vinha mesmo a calhar.


A cidade de Tarouca tem um belo espaço para os cidadãos passearem e conviverem. Referimo-nos ao Centro Cívico e ao local verde à volta do monumento à Mãe. Normalmente desertos. As pessoas não aproveitam esses espaços para passear e conviver. Porquê? Quando as estruturas não existem, nunca mais se fazem; mas se existem, não se aproveitam…


Muitos cidadãos têm o saudável gosto pelas caminhadas. Realmente percursos pedestres não faltam. Então a nova via que liga a cidade a Dalvares é uma maravilha para o efeito. Mas há outras, como o circuito Valverde-Cravaz; Castanheiro do Ouro-Senhora das Necessidades-Esporões; Tarouca-Arguedeira-Quintela; Gondomar- Cristo Rei-Santa Helena… Ouve-se as pessoas dizer que, desde que começaram as caminhadas, se sentem com melhor saúde.


Tarouca, ao fim-de-semana, sobretudo na tarde de domingo, parece um deserto. As pessoas ficam em casa? Vão até ao Dolce Vita ou até ao Palácio do Gelo? Passeiam por outras paragens? Estacionam nos cafés? Visitam os familiares noutras paragens? Vão ao futebol? Que haveria a fazer para Tarouca um espaço com mais vida?


Precisamos de uma cidadania mais participada. Muitos pensam que é ao governo e à autarquia que compete fazer tudo. Quando os cidadãos se colocam debaixo das entidades governamentais mais delas ficam dependentes. Criatividade e exercício de cidadania responsável precisam-se…


Ouvimos que, no campo agrícola, as colheitas até foram, este ano, satisfatórias, que o vinho será de boa qualidade. Só que o velho problema subsiste: fraca procura pelos produtos agrícolas e, sobretudo, preços muito abaixo do aceitável. Por outro lado, a “Feirinha do Centro Cívico”, aos sábados, está longe do sucesso esperado. Porquê?

In Sopé da Montanha

É possível conciliar democracia, diálogo e islão?

"O combate mais importante do mundo neste momento não é entre o islão e o Ocidente: é entre o Estado Islâmico e a Tunísia"


O combate mais importante do mundo neste momento – e em qualquer momento – é sempre o mesmo: a luta entre o bem e o mal, entre a graça e o pecado.
Em termos de conflitos bélicos fomentados por visões diferentes de mundo, porém, o combate mais importante dos dias atuais é apontado por bastante gente como sendo o confronto entre o islã e o Ocidente – uma guerra que, para outro grupo também numeroso de pessoas, nem sequer existe: o que realmente existe, segundo esta outra análise, são facções extremistas do islamismo e suas “guerras santas” particulares, sem que se possa generalizar.
Para o tunisiano Rachid Ghannouchi, “o mais importante combate no mundo, neste exato momento, é entre o modelo do Estado Islâmico e o modelo da Tunísia. Não é entre o islã e o Ocidente”.
O modelo tunisiano
Rachid Ghannouchi é o líder intelectual do Ennahda, o partido islamista da Tunísia que venceu as primeiras eleições livres da história do país, após a chamada “Primavera Árabe”. O partido vencedor optou por manter uma relação de abertura e aliança com os demais partidos, inclusive os da oposição, cedendo poder e transformando a Tunísia no caso único de sucesso da Primavera Árabe em termos de avanços rumo à democracia e à estabilidade.
De acordo com matéria do jornal O Estado de São Paulo, Ghannouchi afirma que “a única maneira de realmente derrotar o Estado Islâmico é oferecer um ‘produto’ melhor para os milhões de jovens muçulmanos do mundo inteiro. Nós [na Tunísia] construímos a democracia muçulmana. Os jovens não gostam do Estado Islâmico. Veja que milhões fogem dele. Mas eles também não aceitam viver sob uma tirania”.
E qual é esse “produto melhor” para os jovens?
Segundo o intelectual tunisiano, é um sistema político realmente democrático, em que os direitos humanos são respeitados, mas que também permita espaço para o islã e para os seus valores.
Rachid Ghannouchi avalia que as centenas e centenas de jovens que se juntam hoje ao Estado Islâmico se assemelham aos jovens descontentes que viraram guerrilheiros marxistas nas décadas de 1950 e 1960. Eles querem protestar contra a ordem estabelecida e o fazem mediante a violência, o que não é novidade nenhuma. A “novidade”, no caso atual, é que ela tem um aspecto religioso preponderante. E previsível: afinal, em todo o Oriente Médio, os ditadores oprimiram o islã durante décadas. A própria Tunísia proibia a educação islâmica e perseguia quem demonstrasse interesse pelo islamismo. Essas políticas repressivas produziram como reação os terroristas islâmicos de hoje.
Na Tunísia pós-Primavera Árabe, apesar do relativo sucesso do processo de democratização, não faltaram (nem faltarão) dificuldades. Os islamistas pressionaram em favor de maior peso para a lei islâmica no país. O partido de Ghannouchi soube lidar com a diversidade de pontos de vista e promoveu o diálogo com a oposição. “A velha guarda perdeu a eleição, mas ainda era muito poderosa. Numa jovem democracia, precisamos de consenso e de conciliação. Perdemos poder, mas ganhamos a Tunísia”.
Faz bastante sentido. Como de costume, parece que o bom senso funciona melhor do que a falta dele, com ou sem religião envolvida.
Fonte: aqui

domingo, 1 de novembro de 2015

BEM-AVENTURADOS OS MORTOS QUE MORREM NO SENHOR (Ap. 14,13)


O dia 2 de novembro é dedicado aos fiéis defuntos.
Neste dia, toda a igreja celebra a comemoração dos fieis defuntos. Nós cristãos, não devemos chamar finados, pois finado quer dizer aquele que chegou ao fim, e nós cristãos acreditamos na ressurreição. Então, neste dia nós celebramos a vida e a ressurreição de Jesus.


Proclamamos no CREDO:
- "Creio em um só Senhor, Jesus Cristo (...) que Ressuscitou ao terceiro dia (...)  e subiu aos Céus (...). De novo há-de vir cheio de glória, para julgar os vivos e os mortos."
- "Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica."
- "Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir."


O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração. É que “uma lágrima evapora-se,  uma flor murcha, só a oração chega ao trono de Deus.” (Santo Agostinho)


"Não chores por mim!", dir-nos-ia um ente querido ao coração.
“ Se me amas, não chores por mim
Se conhecesse o mistério insondável do céu onde me encontro...
Se  pudesse ver e sentir o que eu sinto e vejo nesses horizontes sem fim e nesta luz que tudo alcança e penetra,  jamais chorarias por mim.
Eu estou agora absorvido pelo encanto de Deus, pelas suas expressões de infinita beleza.
Em confronto com esta nova vida, as coisas do passado são pequenas e insignificantes.
Conservo todo o meu afeto por ti, com aquela ternura que sempre nos devotamos.
O amor que te dediquei permanecerá na eternidade, íntegro e forte...
Pensa em mim em plena alegria da vida, pois nesta maravilhosa morada não existe a morte.
Se verdadeiramente me amas, não chores por mim.
Eu estou em paz.”

(Santo Agostinho)