quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Servindo os sem-abrigo

Uma vez que praticamente não tive férias, sentia-me cansado e com necessidade de arejar. Tirei 3 dias para ir até Lisboa com familiares e visitar outros familiares e alguns amigos.
Foram três dias 5 estrelas! A amizade, carinho e solicitude com que as pessoas visitadas me envolveram ficaram marcadas no coração.
Depois Lisboa é um mundo fantástico! Como cidade, monumentalidade, ambiente humano diversificado e plural. Liberta-nos do ram-ram do dia-a-dia e abre sempre perspectivas novas.
Além das visitas diurnas, à noite os meus familiares levaram-me a percorrer Lisboa. Tomar uma bebida neste e naquele bar, apreciar a cidade desde pontos panorâmicos - não esqueço o da Graça -, percorrer estas e aquelas ruas, admirar este ou aquele monumento.
Embora no meio da semana, não esqueco o movimento intenso que senti à noite na zona do Cais do Sodré. Bandos de jovens, barulhentos e de copo não mão, saltitavam de bar em bar, fazendo pausas na rua.
Lisboa é uma cidade com nível. Mesmo aquelas zonas, outrora degradadas, tem hoje um semblante novo, lavado, atraente.
Tive uma experiência nova. Numa das noites, um familiar meu convidou-me a ser voluntário numa assiciação que se dedica a apoiar os sem-abrigo. E lá fui. Trata-se de uma associação que vive do voluntariado. Total.
Foram 70 os sem-abrigo que foram atendidos naquela noite e naquela associação. Além do banho e da mudança de roupa, os sem-abrigo tiveram direito a uma refeição e a um pequeno almoço para o dia seguinte.
Qual foi o meu trabalho? Lavar pratos e copos (um copo partiu-se e deixou-me um dedo a sangar!) e ajudar a encher os saquinhos para o pequeno almoço.
No intervalo do serviço, vim até à sala e olhei aqueles rostos limpos dos sem-abrigos. De muitos desses rostos escorriam palpavelmente marcas de sofrimento. Havia gente muito nova. Uma ideia vivenciei nesses momentos: cada sem abrigo é uma pessoa, tão importante como o Papa Francisco, o presidente da República ou o homem mais rico do mundo. É UMA PESSOA!
Aquele beijinhos que uma senhora sem-abrigo me deu ao despedir-se, foi uma ternura de Deus que recebi.
Obrigado, familiares e amigos, pelo carinho, vivências e oportunidades que me proporcionastes!

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