segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Igreja, migrantes e paróquias de origem


Como já disse noutro post, as migrantes têm que aproveitar o tempo de férias para realizar uma série de ações que exigem a sua presença.
As paróquias de origem devem ter isto em conta e procura ajudar os migrantes, sempre tendo em conta que o bem comum da comunidade prevalece sobre os interesses particulares.
- O Batismo ou o Casamento  tem que ser neste ou naquele dia, porque só estamos nessa altura, porque os padrinhos só podem nessa ocasião, porque é quando está toda a família, porque só temos restaurante para essa data...
- O funeral só pode ser em tal dia e às tantas horas porque há familiares fora que não chegam antes...
- A cerimónia da celebração  de Bodas de Prata ou de Ouro tem que ser nesta ou naquela altura , porque é quando estamos cá ou quando os familiares podem vir...
- As reuniões de preparação só podem ser em tal data, porque é quando podemos estar todos...
- etc, etc
 As paróquias, como acima referi, devem ter a situação dos migrantes em conta e procurar acolhê-los.
Mas os migrantes também são chamados a ter em conta:
- A Igreja não é nenhum supermercado onde só se vai quando é preciso ou apetece para buscar o que interessa. Deus não tem fronteiras, é o Senhor de toda a terra. Ser cristão é um compromisso de caminhar em comunidade e com a comunidade, estejamos onde estivermos.
Muitos migrantes dizem que não têm tempo para Deus no lugar/país onde vivem, porque trabalham muito, porque moram longe da Igreja, porque não entendem a língua... Mas estas desculpas valem para a vida laboral, educacional,  de lazer??? Porque será que para Deus arranjamos sempre desculpas?
- Antes de marcar o restaurante, conversa com a paróquia onde pretende realizar  o batismo/casamento...
No pais ou terra onde vivem têm o ano inteiro para realizar a devida preparação  quer para o casamento quer para o batismo...
- "Mãos que não dais, o que é que esperais?", diz o povo. Noutros tempos, muito do progresso das terras de origem devia-se à colaboração dos seus migrantes. No campo social, cultural, associativo, religioso. Hoje, e falando do campo religioso, não são muitas as paróquias que contam com  forte apoio dos seus migrantes. Há algumas, mas não são muitas.
Olhando para as grandes obras que as comunidades cristãos vão erigindo ou reconstruindo, pode-se perguntar: que ajuda deram os migrantes? Em muitos casos, ajuda mínima!
Não são só as paróquias que têm que ter o coração aberto para acolher os migrantes. Os migrantes também têm que ter o coração aberto para colaborarem com as paróquias.


Em muitas paróquias foram ficando praticamente só os velhinhos, porque jovens e adultos migraram. Os agentes pastorais ficaram com os velhinhos, que, logicamente merecem toda a atenção. Mas não deveria a Igreja fazer um esforço em deslocar mais agentes pastorais para o acompanhamento de migrantes? Sobretudo os mais jovens e de meia idade pela capacidade que têm de adaptação a novas realidades.
Penso que a Igreja que está em Portugal poderia e deveria cultivar muito mais  o espírito de êxodo, tão bíblico e tão português, pese embora as dificuldades que daí derivariam.

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