quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Terá Tarouca falta de Lares para idosos?


No concelho de Tarouca existem várias instituições destinadas aos idosos.
A Santa Casa da Misericórdia de Tarouca, Várzea da Serra, Vila Chã do Monte, Mondim da Beira têm Centro de Dia e apoio domiciliário. E está em construção o Centro de Dia  de Salzedas.
A Santa Casa da Misericórdia de Tarouca e Várzea da Serra têm também internato.
À volta do concelho, temos Lamego, Queimada, Ferreirim, Sever, Alvite, entre outros Lares.
Serão precisos mais? Muito sinceramente, penso que não. Podemos é vir a ter algum excesso de oferta face à procura.
Já me chegaram informações de privados que querem implantar Lares nesta zona.. Tratando-se da iniciativa privada, não podemos estranhar que se situe na lógica do investimento lucrativo.


Dada a situação económica do país que não permite os investimentos necessários, as instituições de solidariedade vêm-se forçadas a praticar preços que não desejavam, o que exige dos familiares do idoso uma sobrecarga de sacrifícios muitas vezes difícil de suportar. É que tirando os muito ricos, a vida não está fácil para ninguém.
A mim custa-me muito verificar que um idoso que trabalhou de sol a sol, no outono da vida, tenha necessidade da ajuda dos seus filhos para custear o Lar, porque a sua reforma é miserável.
É claro que existe o dever de solidariedade que não é só de cima para baixo (de pais para filhos), mas também de baixo para cima (filhos para pais). Isto não está em causa.  O que está em causa é a desumana sensação do velhinho. Como dizia aquele senhor meu amigo: "Sinto-me um inútil! Trabalhei como um escravo durante toda a vida e agora tenho de viver da ajuda dos meus filhos para pagar o Lar. Nem um tostão me resta para as minhas coisinhas!"


O que me parece importante é que as famílias saibam acolher os seus idosos e doentes. Mais do que os Lares, os idosos apreciam o seu lar e o dos seus.
O que se ouve é que a vida mudou, os filhos trabalham, muitos emigraram e não têm disponibilidade nem condições para acolher e tratar dos pais idosos. Todos sabemos que a vida mudou e que em muitos casos isso é verdade. Mas em todos? Vê-se por aí gente que tem mais do que tempo, mas não está para aturar os velhinhos e corre com eles para os Lares onde as visitas nem sequer são frequentes... E depois ainda se queixam dos preços!


Nesta linha, é muito importante a solidariedade do cidadão. Não podemos pensar que a solidariedade é lá com o governo e as instituições solidárias. Cidadão não solidário é um não-cidadão.
As visitas aos doente ou velhinho, as pequenas ajudas, a atenção a casos-limete e correspondente alerta às instituições... são hoje fundamentais.
Normalmente quem mais protesta contra a situação dos idosos é quem nada faz por eles. Estes bem-falantes resolvem tudo atirando a responsabilidade para os outros. Talvez para não escutarem a voz solidária do coração.


São precisas mais instituições que acolham idosos? Penso que não.
Certamente será preciso um esforço para operacionalizar serviços, organizando-os e fomentando a inter-ligação para que seja aproveitado melhor o pouco dinheiro existente e para que o serviço prestado tenha melhor qualidade.

1 comentário:

Anónimo disse...

Análise lúcida da situação. Parabéns ao Asas da Montanha.
Só reforço uma ideia. Quem mais protesta, reclama e propõe para os outros fazerem são o que nada fazem. Mas é sempre assim e em tudo.
Cumprimentos,
Joaquim Ribeiro