terça-feira, 29 de outubro de 2013

Tanto tempo para a violência, tão pouco tempo para a proximidade!



Os vários canais de televisão têm tratado até à exaustão o caso dos "camisas pretas". O grupo de 100 adeptos que provocaram distúrbios e se envolveram em confrontos com elementos dos Super Dragões, domingo, junto à Porta 25 do Estádio do Dragão, denominam-se ‘Sporting Casuals' e têm ligações à extrema-direita, conforme li aqui.
Mas as imagens que focam portistas e sportinguistas a presenciar o jogo lado a lado, essas passam a correr, sem merecer grandes destaques.
Parece que a comunicação social dá  relevo  àqueles que exatamente o procuram. O que tais grupos de desordeiros querem é chamar à atenção, dar nas vistas, marcar pontos nas audiências.
O fenómeno não  é novo. Outros países o enfrentaram ou enfrentam. E muitos destas países têm-no feito com bastante sucesso, como é o caso inglês.

Em vez de tanto tempo a dissecar, a comentar e visualizar estes arruaceiros, penso que seria muito mais interessante, positivo e realista dar ênfase a quem sabe estar no desporto e não confunde opositores com inimigos. Por que motivo não hão-de estar adeptos de clubes rivais lado a lado? Por que motivo não se hão-de respeitar nos gostos, emoções e vibrações?

Como ouvi ontem na TV adeptos a falarem do tempo em que iam ao estádio com amigos de clubes rivais. Na ida e na volta, iam lançando umas 'larachas', umas piadas, mas não deixavam que rivalidades manchassem o convívio e a amizade.
Dá a ideia que o avanço tecnológico contrasta com um claro retrocesso civilacional. Hoje a polícia tem que organizar pormenorizadamente as chamas 'caixas' por onde circulam as claques de modo a evitar ou reduzir ao mínimos os distúrbios. Tanto se clama por liberdade e depois as pessoas precisam de "jaulas" para que a liberdade dos outros tenha alguma garantia...

Depois surgem ainda estes fenómenos de marginalidade (camisas pretas) que a crise económica, social e ética exponenciam. Mas nunca justificam.
E penso cá para mim. " Que raio de crise é esta que permite que estes indivíduos façam centenas de quilómetros, viagem em carros particulares, comam em restaurantes?"

E volto ao refrão. Esta gente procura colmatar o vazio interior de valores com violência para dar nas vistas.
E fica a questão. Onde está a família????

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