quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Como corrigir uma pessoa?
É um dever e uma necessidade corrigir aqueles a quem amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta

Como você corrige seu filho, seu esposo, sua esposa, seu empregado, seu colega, seu subordinado de modo geral? É um dever e uma necessidade corrigir aqueles a quem amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta. Toda autoridade vem de Deus e em Seu nome deve ser exercida; por isso, com muito jeito e cautela.
Não é fácil corrigir uma pessoa que erra; apontar o dedo para alguém e dizer-lhe: “Você errou!”, dói no ego da pessoa; e se a correção não for feita de modo correto pode gerar efeito contrário. Se esta for feita inadequadamente pode piorar o estado da pessoa e gerar nela humilhação e revolta. Nunca se pode, por exemplo, corrigir alguém na frente de outras pessoas, isso a deixa humilhada, ofendida e, muitas vezes, com ódio de quem a corrigiu. E, lamentavelmente, isso é muito comum, especialmente por parte de pessoas que têm um temperamento intempestivo (“pavio curto”) e que agem de maneira impulsiva. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado, porque, às vezes, querendo queimar etapas, acabam queimando pessoas. Ofendem a muitos.
Quem erra precisa ser corrigido, para seu bem, mas com elegância e amor. Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Alguns, ao corrigi-los, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos, até do (a) namorado (a). Isso o (a) humilha e o (a) faz odiar o pai e a mãe. Como é que esse (a) filho (a), depois, vai ouvir os conselhos desses pais? O mesmo se dá com quem corrige um empregado ou subordinado na frente dos outros. É um desastre humano!
Gostaria de apontar aqui três exigências para corrigir bem uma pessoa:
1. Nunca corrigir na frente dos outros
Ao corrigir alguém, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta da sala ou do quarto, e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, pois este não é o caminho do amor. Não se pode humilhar a pessoa. Mesmo a criança pequena deve ser corrigida a sós para que não se sinta humilhada na frente dos irmãos ou amigos. Se for adulto, isso é mais importante ainda. Como é lamentável os pais ou patrões que gritam corrigindo seus filhos ou empregados na frente dos outros! Escolha um lugar adequado para corrigir a pessoa.
Gostaria de lembrar que a Igreja, como boa Mãe, garante a nós o sigilo da Confissão, de maneira extrema. Se o sacerdote revelar nosso pecado a alguém, ele pode ser punido com a pena máxima que a instituição criada por Cristo pode aplicar: a excomunhão. Isso para proteger a nossa intimidade e não permitir que a revelação de nossos erros nos humilhe. E nós? Como fazemos com os outros? Só o fato de você dar a privacidade à pessoa a ser corrigida, ao chamá-la a sós, ela já estará mais bem preparada para a correção a receber, sem odiá-lo.
2. Escolha o momento certo
Não se pode chamar a atenção de alguém no momento em que a pessoa errada está cansada, nervosa ou indisposta. Espere o melhor momento, quando ela estiver calma. Os impulsivos e coléricos precisam se policiar muito nestes momentos porque provocam tragédias no relacionamento. Com o sangue quente derramam a bílis – às vezes mesmo com palavras suaves – sobre aquele que errou e provocam no interior deste uma ferida difícil de cicatrizar. Pessoas assim acabam ficando malvistas no seu meio.
Pais e patrões não podem corrigir os filhos e subordinados dessa forma, gritando e ofendendo por causa do sangue quente. Espere, se eduque, conte até 10 dez, vá para fora, saia por um tempo da presença do que errou; não se lance afoito sobre o celular para o repreender “agora”. Repito: a correção não pode deixar de ser feita; a punição pode ser dada, mas tudo com jeito, com galhardia. Estamos tratando com gente e não com gado.
3. Use palavras corretas
Às vezes, um “sim” dito de maneira errada é pior do que um “não” dito com jeito. Antes de corrigir alguém, saiba ouvi-lo no que errou; dê-lhe o direito de expor com detalhes e com tempo o que fez de errado, e por que fez aquilo errado. É comum que o pai, o patrão, o amigo, o colega, precipitados, cometam um grave erro e injustiça com o outro. O problema não é a correção a aplicar, mas o jeito de falar, sem ofender, sem magoar, sem humilhar, sem ferir a alma.
Eu era professor em uma Faculdade, e um dos alunos veio me dizer que perdeu uma das provas e que não podia trazer atestado médico para justificar sua falta. Ter que fazer uma prova de segunda chamada, apenas para um aluno, me irritava. Então, eu lhe disse que não lhe daria outra prova. Quando ele insistiu, fui grosseiro com ele, até que ele pôde se explicar: “Professor, é que eu uso um olho de vidro, e no dia da sua prova o meu olho de vidro caiu na pia e se quebrou; por isso eu não pude fazer a prova”. Fiquei com “cara de tacho” e lhe pedi mil desculpas.
Nunca me esqueci de uma correção que o meu pai nos deu quando eu e meus oito irmãos éramos ainda pequenos. De vez em quando nós nos escondíamos para fumar escondidos dele. Nossa casa tinha um quintal grande e um pequeno quarto no fundo do quintal; lá a gente se reunia para fumar.
Um dia nosso pai nos pegou fumando; foi um desespero… Eu achei que ele fosse dar uma surra em cada um; mas não, me lembro exatamente até hoje, depois de quase cinquenta anos, a bela lição que ele nos deu. Lembro-me bem: nos reuniu no meio do quintal, em círculo, depois pediu que lhe déssemos um cigarro; ele o pegou, acendeu-o, deu uma tragada e soprou a fumaça na unha do dedo polegar, fazendo pressão, com a boca quase fechada. Em seguida, mostrou a cada um de nós a sua unha amarelada pela nicotina do cigarro. E começou perguntando: “Vocês sabem o que é isso, amarelo? É veneno; é nicotina; isso vai para o pulmão de vocês e faz muito mal para a saúde. É isso que vocês querem?”
Em seguida ele não disse mais nada; apenas disse que ele fumava quando era jovem, mas que deixou de fazê-lo para que nós não aprendêssemos algo errado com ele. Assim terminou a lição; não bateu em ninguém e não xingou ninguém; fomos embora. Hoje nenhum de meus irmãos fuma; e eu nunca me esqueci dessa lição. São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que “o que não se pode fazer por amor, não deve ser feito de outro jeito, porque não dá resultado”.
E se você magoou alguém, corrigindo-o grosseiramente, peça perdão logo; é um dever de consciência.
Fonte: aqui
Como você corrige seu filho, seu esposo, sua esposa, seu empregado, seu colega, seu subordinado de modo geral? É um dever e uma necessidade corrigir aqueles a quem amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta. Toda autoridade vem de Deus e em Seu nome deve ser exercida; por isso, com muito jeito e cautela.
Não é fácil corrigir uma pessoa que erra; apontar o dedo para alguém e dizer-lhe: “Você errou!”, dói no ego da pessoa; e se a correção não for feita de modo correto pode gerar efeito contrário. Se esta for feita inadequadamente pode piorar o estado da pessoa e gerar nela humilhação e revolta. Nunca se pode, por exemplo, corrigir alguém na frente de outras pessoas, isso a deixa humilhada, ofendida e, muitas vezes, com ódio de quem a corrigiu. E, lamentavelmente, isso é muito comum, especialmente por parte de pessoas que têm um temperamento intempestivo (“pavio curto”) e que agem de maneira impulsiva. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado, porque, às vezes, querendo queimar etapas, acabam queimando pessoas. Ofendem a muitos.
Quem erra precisa ser corrigido, para seu bem, mas com elegância e amor. Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Alguns, ao corrigi-los, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos, até do (a) namorado (a). Isso o (a) humilha e o (a) faz odiar o pai e a mãe. Como é que esse (a) filho (a), depois, vai ouvir os conselhos desses pais? O mesmo se dá com quem corrige um empregado ou subordinado na frente dos outros. É um desastre humano!
Gostaria de apontar aqui três exigências para corrigir bem uma pessoa:
1. Nunca corrigir na frente dos outros
Ao corrigir alguém, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta da sala ou do quarto, e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, pois este não é o caminho do amor. Não se pode humilhar a pessoa. Mesmo a criança pequena deve ser corrigida a sós para que não se sinta humilhada na frente dos irmãos ou amigos. Se for adulto, isso é mais importante ainda. Como é lamentável os pais ou patrões que gritam corrigindo seus filhos ou empregados na frente dos outros! Escolha um lugar adequado para corrigir a pessoa.
Gostaria de lembrar que a Igreja, como boa Mãe, garante a nós o sigilo da Confissão, de maneira extrema. Se o sacerdote revelar nosso pecado a alguém, ele pode ser punido com a pena máxima que a instituição criada por Cristo pode aplicar: a excomunhão. Isso para proteger a nossa intimidade e não permitir que a revelação de nossos erros nos humilhe. E nós? Como fazemos com os outros? Só o fato de você dar a privacidade à pessoa a ser corrigida, ao chamá-la a sós, ela já estará mais bem preparada para a correção a receber, sem odiá-lo.
2. Escolha o momento certo
Não se pode chamar a atenção de alguém no momento em que a pessoa errada está cansada, nervosa ou indisposta. Espere o melhor momento, quando ela estiver calma. Os impulsivos e coléricos precisam se policiar muito nestes momentos porque provocam tragédias no relacionamento. Com o sangue quente derramam a bílis – às vezes mesmo com palavras suaves – sobre aquele que errou e provocam no interior deste uma ferida difícil de cicatrizar. Pessoas assim acabam ficando malvistas no seu meio.
Pais e patrões não podem corrigir os filhos e subordinados dessa forma, gritando e ofendendo por causa do sangue quente. Espere, se eduque, conte até 10 dez, vá para fora, saia por um tempo da presença do que errou; não se lance afoito sobre o celular para o repreender “agora”. Repito: a correção não pode deixar de ser feita; a punição pode ser dada, mas tudo com jeito, com galhardia. Estamos tratando com gente e não com gado.
3. Use palavras corretas
Às vezes, um “sim” dito de maneira errada é pior do que um “não” dito com jeito. Antes de corrigir alguém, saiba ouvi-lo no que errou; dê-lhe o direito de expor com detalhes e com tempo o que fez de errado, e por que fez aquilo errado. É comum que o pai, o patrão, o amigo, o colega, precipitados, cometam um grave erro e injustiça com o outro. O problema não é a correção a aplicar, mas o jeito de falar, sem ofender, sem magoar, sem humilhar, sem ferir a alma.
Eu era professor em uma Faculdade, e um dos alunos veio me dizer que perdeu uma das provas e que não podia trazer atestado médico para justificar sua falta. Ter que fazer uma prova de segunda chamada, apenas para um aluno, me irritava. Então, eu lhe disse que não lhe daria outra prova. Quando ele insistiu, fui grosseiro com ele, até que ele pôde se explicar: “Professor, é que eu uso um olho de vidro, e no dia da sua prova o meu olho de vidro caiu na pia e se quebrou; por isso eu não pude fazer a prova”. Fiquei com “cara de tacho” e lhe pedi mil desculpas.
Nunca me esqueci de uma correção que o meu pai nos deu quando eu e meus oito irmãos éramos ainda pequenos. De vez em quando nós nos escondíamos para fumar escondidos dele. Nossa casa tinha um quintal grande e um pequeno quarto no fundo do quintal; lá a gente se reunia para fumar.
Um dia nosso pai nos pegou fumando; foi um desespero… Eu achei que ele fosse dar uma surra em cada um; mas não, me lembro exatamente até hoje, depois de quase cinquenta anos, a bela lição que ele nos deu. Lembro-me bem: nos reuniu no meio do quintal, em círculo, depois pediu que lhe déssemos um cigarro; ele o pegou, acendeu-o, deu uma tragada e soprou a fumaça na unha do dedo polegar, fazendo pressão, com a boca quase fechada. Em seguida, mostrou a cada um de nós a sua unha amarelada pela nicotina do cigarro. E começou perguntando: “Vocês sabem o que é isso, amarelo? É veneno; é nicotina; isso vai para o pulmão de vocês e faz muito mal para a saúde. É isso que vocês querem?”
Em seguida ele não disse mais nada; apenas disse que ele fumava quando era jovem, mas que deixou de fazê-lo para que nós não aprendêssemos algo errado com ele. Assim terminou a lição; não bateu em ninguém e não xingou ninguém; fomos embora. Hoje nenhum de meus irmãos fuma; e eu nunca me esqueci dessa lição. São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que “o que não se pode fazer por amor, não deve ser feito de outro jeito, porque não dá resultado”.
E se você magoou alguém, corrigindo-o grosseiramente, peça perdão logo; é um dever de consciência.
Fonte: aqui
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Rapa cabelo para evitar bullying
O caso chegou àss redes sociais e o professor já é um herói mundial. Ao perceber que um de seus alunos estava sofrendo 'bullying' por ter perdido o cabelo por causa de uma doença desconhecida, o professor iraniano Ali Mohammadian decidiu rapar a cabeça para mostrar solidariedade. Dentro de pouco tempo, todos os alunos da classe raparam também os seus cabelos e o bullying acabou. As informações são do jornal inglês "The Guardian".
Em dezembro, o professor postou a sua foto sem cabelo ao lado do aluno no Facebook, para mostrar apoio ao menino Mahan Rahimi.
O gesto solidário foi reconhecido pelo Presidente do Irão, Hassan Rouhani, que elogiou a atitude do professor e decidiu apoiar financeiramente o tratamento médico do aluno.
"Estou tão feliz que isso tenha tocado muitos corações. As pessoas reagiram de forma extremamente positiva", confessa o professor, de 45 anos, ao The Guardian por telefone a partir de Marivan, revelando que agora "toda a escola quer rapar a cabeça".
A mesma publicação conta que no início deste mês, Mohammadian postou uma foto sua na rede social Facebook explicando que o jovem de oito anos Mahan Rahimi "estava a isolar-se depois de ficar careca. O sorriso desapareceu do seu rosto e eu estava preocupado com o seu desempenho escolar. Foi por isso que pensei em rapar a cabeça para levá-lo de volta ao caminho certo".
"Quando eu entrei no meu Facebook, no dia seguinte [à publicação], não podia acreditar no número de pessoas que tinham gostado e partilhado o post", diz ao The Guardian.
Com a repercussão, o governo ofereceu apoio financeiro para o tratamento médico do menino. Até ao momento, os médicos iranianos ainda não descobriram qual é a doença no sistema imunológico que deixou Mahan careca. De acordo com o professor, algumas amostras foram enviadas para a Alemanha para um possível diagnóstico.
Fonte: aqui
É por estas e por outras que defendo o Serviço Nacional de Saúde
INEM salva mulher em hospital privado
Veja aqui
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
A nossa Serra acordou assim...



Noite de invernia no sopé da Serra. Vento forte, muita chuva, granizo.
A Serra de Santa Helena acompanhou, a seu modo, o ritmo do tempo. Por isso, revestiu-se de branco, que a forma que ela tem de assinalar as fortes invernias.
Muitas são as pessoas que demandam a Serra para usufruir do seu encanto e para as brincadeiras na neve. Mas é recomendável todo o cuidado ao circular para que nada de desagradável possa acontecer.
Santa Helena, sempre magnífica, adquire, quando coberta de neve, um fascínio muito especial. É única.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
O que é a solidão?
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco Buarque de Holanda
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco Buarque de Holanda
sábado, 1 de fevereiro de 2014
No que ao respeito diz respeito
O termo respeito e outros que tais da mesma família
gramatical são utilizados em contextos tão diversificados que o conceito por
eles veiculado se torna manifestamente plurívoco. Desde o governo que protesta
respeitar o Tribunal Constitucional, mas prepara legislação em parte
contradicente dos seus acórdãos, à pessoa que assegura não ter medo de uma
trovoada, mas um certo respeito, passando pela simples referência “a respeito
de…”, tudo serve, até o envio de “os meus respeitos” à pessoa que recentemente
me apresentaram. Afirmações como “a pessoa que se preza dá-se ao respeito e
exige que a respeitem”, “é preciso respeitar a autoridade”, “respeitar os
valores axiológicos”, “respeitar a distância entre veículos” e “respeitar os
direitos dos trabalhadores” ou “respeitar o código do trabalho” são princípios
comummente aceites. Já não serão para levar a sério estribilhos como “o
trabalho é sagrado: respeita-o, não lhe toques”. E é de ingénua enunciação, de
desviante entendimento ou de interpretação muito restrita a asserção popular
que ouvi quando a RTP, em 1985, apresentou o filme “O obcecado”: perante o
facto de um indivíduo que sequestrou uma mulher e lhe infligiu os piores tratos
pondo-a, por várias vezes, às portas da morte, algumas telespectadoras comentavam:
“Que grande safado! Tratou-a de resto, mas, graças a Deus, não lhe fez mal,
nunca lhe falou ao respeito”.
Perante um panorama lexical e semântico tão diversificado,
entendi dever dar-me à sinecura de apurar os significados conceptuais do
vocábulo “respeito” e de alguns dos da mesma família de palavras. E, uma vez
que se trata de palavra cujo étimo latino é o “respectum”, acusativo do
singular de respectus, us da 4.ª declinação, consultei F. Gaffiot, em Dictionnaire
Latin-Français (1934, Librairie Hachette), e Francisco Torrinha, em Dicionário
Latino-Português (1945, Edições Marânus, 3.ª ed). No primeiro (pg 1352),
podemos ler, para respectus, 1 action de regarder en arrière; 2
consideration, égard; 3 possibilité de regarder vers quelque-un ou quelque chose,
c’est-à-dire de compter sur quelque-un ou quelque chose, recours, refuge.
No segundo (pg 748), encontramos 1 ação de olhar para trás; 2 vista, espetáculo
(para quem se volta para trás); 3 consideração (deferência), respeito,
atenção; 4 asilo, refúgio. Ambos relacionam o vocábulo com os verbos respicere
e respectare, que têm significados muito próximos do nome masculino de
que ora tratamos, bem como com o nome feminino species, ei, da 5.ª declinação
(que significa aparência, vista, rosto ou espécie), e com os verbos specere
ou spicere (avistar, ver, olhar) e spectare (olhar, contemplar;
observar, considerar, prestar atenção, esperar, ter em vista, analisar,
apreciar, julgar, relacionar-se, pertencer, referir-se).
O Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora
(2011, pgs 521.929.1385-1386), da coleção Dicionários Editora, tem a
recensão de respeito (nome masculino, com a origem latina em respectu,
já com a apócope de -m) e as correspondentes derivadas com os prefixos des-
e in- (ir-, por assimilação consonântica) e com vários sufixos em
diversas aceções – 1 ato ou efeito de respeitar; 2
consideração, apreço; 3 deferência, acatamento, veneração; 4
homenagem, culto; 5 temor, receio; 6 relação, referência; 7 aspeto, ponto de
vista; (no plural, respeitos) cumprimentos – e integrado em locuções,
como a respeito de, com respeito a (relativamente a), conter
em respeito
(manter a distância, não deixar aproximar-se), de
respeito (notável), dizer respeito a (ter relação com, referir-se
a), faltar ao respeito a
(ser descortês com, ser inconveniente com), por respeito a
(em atenção a). E temos entradas lexicais para: respe ou réspice
(descompostura, repreensão); respeitabilidade; respeitado e respeitador;
respeitante, respeitável e respeitavelmente; respeitoso; respetivo e
respetivamente; e outras com os prefixos des- e in-.
Sendo assim, o que é o respeito? Tudo o que fica dito no
primeiro parágrafo condiz com a noção de respeito. Porém, o respeito pela
trovoada é mesmo medo; o trabalho, por ser sagrado, não implica que se lhe não
toque, mas que seja considerado ou tido em conta; e é preciso banir a
hipocrisia de quem diz que respeita uma decisão, mas não a acata, ou seja, age
em sentido desviante ou mesmo contrário.
Por seu turno, a Wikipédia (enciclopédia livre, acedida em
2014.02.01), que passamos a seguir de perto, esclarece que
o respeito consiste num sentimento positivo de estima por uma pessoa
ou para com uma entidade e também abrange ações específicas e condutas
representativas de tal estima. Pode mesmo corporizar um sentimento específico
de consideração pelas qualidades reais do outro ou a conduta de acordo com uma
moral específica. Nestes termos, “ser rude é considerado uma falta de respeito (desrespeito)
enquanto ações que honram a alguém ou a alguma coisa são consideradas
respeito”. Muitas culturas dispõem de morais específicas de respeitos às quais
atribuem uma importância fundamental.
Porém, “respeito” distingue-se de “tolerância” porque tolerância
não compagina necessariamente nenhum sentimento positivo, e não é compatível
com desprezo, o contrário de respeito. Vindo, como vimos, a palavra respeito do
latim respectus, que, por sua vez, provém de respicere que
significa olhar para trás e se prolonga semanticamente em respectare,
evoca a ideia de julgar alguma coisa em relação ao que foi feito quando é
valioso ser reconhecido. Além disso, a noção de respeito implica a sua
aplicabilidade a uma pessoa que fez algo certo, mas também a qualquer coisa
afirmada no passado como uma promessa, a lei, etc.
Por isso, assumo atitudes de respeito quando: respeito o
nome de Deus não O invocando em vão, porque é sagrado e Lhe presto o culto
latrêutico; cumpro a lei e os regulamentos; reconheço os direitos humanos;
guardo as distâncias em relação aos perigos e às pessoas a quem devo reverência
(recorde-se a “mesura” das cantigas de amor medievas); ajudo aqueles com quem
devo colaborar ou que precisem da minha atenção e auxílio; acato as decisões de
quem de direito e obedeço aos meus superiores hierárquicos naquilo que não
contrarie a lei e a consciência pessoal e profissional; sigo escrupulosamente a
minha consciência, contra as pressões, ambições, oportunismos e acomodações;
relaciono-me com as pessoas, cumpro os meus deveres e exerço os meus direitos
ou a contento ou reivindicando-os com firmeza e persistência; abordo as
diversas matérias em que me sinto competente por força do conhecimento ou por
disposição legal e mobilizo todos os assuntos relacionados com elas consoante a
sua pertinência; preservo o alheio, o sagrado, o valioso; e curvo-me perante os
símbolos das realidades imateriais ou das coletividades que integro ou que
outros integrem. Mas, sobretudo, disponho-me a olhar para trás, ou seja, a
refletir responsavelmente sobre as minhas opções de vida e de ação e os meus
atos em concreto, a ver o que pode melhorar, e até que ponto há alguém que
precise de ser ouvido, atendido ou ajudado. Por outro lado, numa linha de
convivência sadia, dou livremente a minha opinião, sem a impor, e considero as
opiniões e a postura dos outros, evitando qualquer juízo precipitado ou
desnecessário. E não deixo de cumprir o que prometi no quadro da fidelidade à
palavra dada ou aos juramentos e declarações em que empenhei a minha palavra de
honra.
E, ao mesmo tempo, não descuro os deveres para comigo, tanto
materiais e corporais como culturais e espirituais, na convicção de que, se não
me habituo ao autorrespeito, cuidando de mim e dos meus legítimos interesses,
não estou capacitado para respeitar os outros nem para deles exigir respeito.
Enfim, o cidadão que se preze autorrespeita-se, respeita,
dá-se ao respeito e faz-se respeitar!
2014.02.01
Louro de Carvalho
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Você sabe o que é a doutrina social da Igreja?
A Igreja Católica tem uma visão muito clara do mundo e de suas necessidades; e por isso oferece a solução cristã para os graves problemas da humanidade segundo a Luz do Evangelho de Jesus Cristo. Mas, infelizmente muitos católicos desconhecem esta Doutrina.
A Igreja ensina que: “uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade económica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social” (GS 63,3; LE 7; CA 35).
O “Catecismo da Igreja” afirma que “um sistema que “sacrifica os direitos fundamentais das pessoas e dos grupos à organização coletiva da produção” é contrário à dignidade do homem (GS 65). Toda prática que reduz as pessoas a não serem mais que meros meios que têm em vista o lucro escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo. ” (CIC, §2424)
A Igreja ensina que os responsáveis pelas empresas têm perante a sociedade a responsabilidade econômica e ecológica pelas suas operações (CA 37). Eles “têm o dever de considerar o bem das pessoas e não apenas o aumento dos lucros. Entretanto, estes são necessários, pois permitem realizar os investimentos que garantem o futuro das empresas, garantindo o emprego”. (CIC ,§2432)
“Levando-se em consideração as funções e a produtividade, a situação da empresa e o bem comum, remuneração do trabalho deve garantir ao homem e aos seus familiares os recursos necessários a uma vida digna no plano material, social, cultural e espiritual” (GS 67,2).
A Igreja valoriza sobretudo o trabalho. Ensina que o valor primordial do trabalho depende do próprio homem, que é seu autor e destinatário. Por meio de seu trabalho, o homem participa da obra da Criação. Unido a Jesus Cristo, o trabalho pode ser redentor.
Vale a pena ler o artigo todo. AQUI
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
La portada envenenada de 'Rolling Stone' al Papa Francisco
El Papa, en la portada de Rolling Stone
El portavoz del Vaticano, Federico Lombardi, lamentó hoy que en el artículo de la revista "Rolling Stone" sobre el papa Francisco se haya descrito de manera negativa el pontificado su predecesor, Benedicto XVI.
Lombardi lamenta las críticas de la revista a Benedicto XVI
La portada envenenada de 'Rolling Stone' al Papa Francisco
El portavoz del vaticano acusa a la publicación de hacer
"periodismo superficial"
Veja aqui
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
As praxes são uma praxis perigosa
Estamos em clima de profundo debate sobre as praxes. Também tenho o meu pensamento sobre este assunto. Parece que a pergunta mais frequente é esta, o problema são as praxes ou são os abusos que as praxes implicam? – Parece bem e a pergunta desde logo suscita a reflexão.
Sempre considerei as praxes um pouco extravagantes. Os que as aplicam sobre os pobres caloiros aproveitam para mostrarem um certo exibicionismo, a sua prepotência e o complexo de superioridade, porque são os mais velhos no percurso académico. Estes que chegam são vítimas, que devem ser humilhados, com o pretexto da integração.
Tudo o que vou presenciando está claramente dentro do abuso e da humilhação. Os defensores das praxes dizem-nos que servem para integrar na comunidade académica e na sociedade. Não posso estar mais de acordo com esta ideia.
Vejamos então. Se considerarmos que vivemos numa sociedade onde dominam alguns fortes sobre uma maioria de fracos, que os humilha e explora quanto podem, obviamente, que as praxes servem precisamente para isso, vejam como é a comunidade escolar académica e depois a sociedade que vos espera, os dominadores somos nós, humilhamos-vos agora para que vocês amanhã sejam dominadores e humilhem também os outros. Detesto esta mentalidade, mas é a predominante na nossa sociedade.
Por isso, os abusos nas praxes não se fazem esperar, até ao ponto de já terem feito sofrer muitos jovens e alguns já passaram pelo crivo da morte. Uma coisa que pretende ser uma brincadeira, um convívio ou uma confraternização, chegar ao ponto de fazer sofrer e matar, não pode mais ser considerado de brincadeira. Há sim humilhações graves nas praxes, há crimes que devem ser punidos. Por exemplo, pessoas a rastejar no chão e chamar-lhes de burros; colocar-lhes orelhas de burro sobre a cabeça; fazer as pessoas se lançar sobre poças de lama; utilizar urina ou excrementos nas pseudo brincadeiras; entre tantos outros elementos que não lembra ao diabo para fazer parte desta coisa terrível que chamam de praxe. Se isto não humilha, então, não sei o que é humilhar…
Tudo com uma lógica terrível que não ensina para o saudável convívio, para a igualdade entre os cidadãos, mas sempre com o pior princípio que rege esta nossa sociedade, quem humilha já foi humilhado, agora contribui para que no futuro estes humilhados encontrem razões para humilhar. Ora, esta rede de má educação resulta da forma como a sociedade convive entre si. A educação está toda voltada para aí, para os dominadores que podem humilhar os mais fracos. E assim parece não ter um fim. Mais grave ainda é que, parecemos legitimar esta mentalidade e se não nos falarem em sofrimento e morte, convivemos bem com isso.
Não sei que medidas devem ser tomadas, mas que face aos abusos, algo terá que ser feito. Não basta a mediatização de seis mortes na Praia do Meco, sabe-se lá em que circunstâncias aconteceram, sabemos isso sim que no contexto das praxes, para que passado algum tempo tudo volte ao normal e só se volte a falar de praxes quando acontecerem mais mortes.
Os argumentos para defender as praxes por vezes redundam em patéticos. Um membro da Associação de Estudantes da Universidade da Madeira considerava que as praxes servem para aferir quais são os alunos que tem mais necessidades económicas. Um lindo argumento. Como será feita esta aferição? Será que lhes aplicam um balde de uma porcaria qualquer sobre a cabeça e logo aferem pelo teor ou intensidade da reacção do humilhado? Será pela intensidade dos berros? Ou ainda pela genica com que rastejam num chão coberto de lama ou excrementos? – Poupem-nos de mais barbaridades…
Perante tudo isto o que parece não haver dúvidas é que as praxes tornaram-se uma praxis perigosa. Muito mal andarão os pais que têm filhos à beira de entrar nas universidades. Vivem com o coração nas mãos com aquela incerteza se não estão a enviar os seus filhos para as garras de outros jovens que não têm mãos a medir nem escrúpulos nenhuns face ao prazer que lhes dá humilhar quem é iniciado numa caminhada. E tais ditas brincadeiras podem levar à morte. Porque resultam em terrorismo que amedronta e com certeza que marca as pessoas para toda a vida.
Será então preciso criar medidas que evitem os abusos e que se responsabilize criminalmente quem enveredar pelo caminho da humilhação. Deve haver coragem firme para que a humilhação deixe de ser uma realidade nos lugares da educação. O futuro de todos nós o exige e precisamos de uma sociedade onde deixa de existir dominadores que humilham até à saciedade os mais fracos. Todos iguais entre iguais, é o que devem ensinar as nossas escolas e as universidades essencialmente.
Fonte: aqui
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Algumas verdades duras sobre divórcio e comunhão
A Igreja não pode mudar o que Jesus ensinou.
Mas pode ser mais sensível pastoralmente?
Pululam boatos, imprensa afora, de que o papa Francisco vai relaxar em breve o tratamento dado pela Igreja católica às pessoas que se divorciaram e voltaram a se casar. Um artigo da Reuters sugere um racha entre o arcebispo Gerhard Müller, presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, e o cardeal hondurenho Óscar Maradiaga, cabeça do "G8" do papa, o conselho consultivo de cardeais.
Em primeiro lugar, devemos lembrar qual é a doutrina da Igreja sobre o divórcio e o posterior casamento. A Igreja católica ensina que o sacramento do matrimônio é indissolúvel, com base nos ensinamentos do próprio Cristo: “o que Deus uniu, o homem não pode separar”.
No entanto, a Igreja reconhece também que, por causa da fraqueza humana, há casamentos que se rompem. Às vezes, a única solução é a separação, inclusive com o divórcio civil. Se o casamento foi válido, porém, o casal continuará casado mesmo depois de se divorciar perante o tribunal civil; assim, se os indivíduos se casarem novamente com outros cônjuges, cometerão adultério e seu novo casamento que não pode existir aos olhos da Igreja. Surge daí a questão de saber se o primeiro casamento foi realmente válido. A diocese deve ter canonistas qualificados que analisarão o casamento e decidirão se ele era válido ou não. Se o casamento não fosse válido, significa que ele nunca existiu de verdade: neste caso, é possível conceder o decreto de nulidade.
Todo casamento é considerado válido a não ser que se prove o contrário. E, até que a invalidade do casamento seja comprovada e o decreto de nulidade seja concedido, os divorciados que se casaram com outros cônjuges não podem ser admitidos à comunhão, por estarem vivendo em adultério. Muitos padres acham que essa abordagem é excessivamente legalista e dura. Em resposta aos bispos alemães que defendem uma abordagem mais leniente, o arcebispo Müller já afirmou que não haverá mudança. O cardeal Maradiaga contestou a afirmação de Müller dizendo: "Irmão, a vida não é assim".
O problema, de fato, é complexo, mas as soluções podem ser ainda mais difíceis. Quem adota uma postura mais leniente argumenta que a misericórdia do Senhor é eterna e questiona se Jesus, que acolheu a todos, afastaria as pessoas da sua mesa simplesmente por causa de uma situação matrimonial irregular. Para a mulher que foi pega em adultério, argumentam eles, Jesus disse: “Nem eu te condeno”. Quem defende uma abordagem mais rigorosa, por sua vez, enfatiza o comentário final do Senhor a essa mesma mulher flagrada em adultério: "Vai e não peques mais". A misericórdia é oferecida, mas espera-se também o arrependimento e a mudança de vida.
De alguma forma, temos de acolher a todos com a compaixão e com a misericórdia de Cristo, conservando, ao mesmo tempo, a indissolubilidade do casamento e o compromisso do matrimônio para toda a vida. O cardeal Maradiaga adota uma abordagem pastoral prática ao dizer que "a vida não é assim". Acontece que a doutrina moral católica não é determinada apenas pelas circunstâncias. A moralidade é estabelecida através de certos critérios objetivos revelados. O cardeal de Honduras diz que as coisas não são tão pretas ou brancas, mas deve-se salientar que não haveria tons de cinza se não existissem, nitidamente, o preto e o branco. Em outras palavras: sem um padrão objetivo, não pode haver outros padrões; e, por definição, um padrão objetivo é imutável e aparentemente “duro”.
O que fazer então diante desse dilema pastoral? Se cada padre interpreta a lei do seu jeito e, na tentativa sincera de ser misericordioso, permite que os seus fiéis em casamentos irregulares comunguem, ele pode, na sua bondade, estar fazendo mais mal do que bem. Os efeitos negativos de cada padre adotar uma postura mais branda são muitos. Em primeiro lugar, é preciso levar em consideração o parceiro que “sofreu” o divórcio: se um casamento termina por causa de adultério e um dos parceiros é deixado sozinho pelo outro, o que estaremos dizendo a essa pessoa quando readmitirmos o cônjuge adúltero à comunhão sem nenhuma consequência?
Em segundo lugar, o que estaremos dizendo aos filhos e netos de casais divorciados? Ao relaxarmos a disciplina da Igreja, damos a entender que os casamentos podem ser rompidos e que casamentos posteriores podem ser feitos à vontade. Mesmo sem ter essa intenção, uma abordagem branda é tacitamente indulgente com o divórcio e com o novo casamento, prejudicando o senso de compromisso matrimonial das gerações futuras. Quando somos indulgentes com o “recasamento” de alguém, ensinamos aos seus filhos que o “recasamento” depois do divórcio é aceitável.
Em primeiro lugar, devemos lembrar qual é a doutrina da Igreja sobre o divórcio e o posterior casamento. A Igreja católica ensina que o sacramento do matrimônio é indissolúvel, com base nos ensinamentos do próprio Cristo: “o que Deus uniu, o homem não pode separar”.
No entanto, a Igreja reconhece também que, por causa da fraqueza humana, há casamentos que se rompem. Às vezes, a única solução é a separação, inclusive com o divórcio civil. Se o casamento foi válido, porém, o casal continuará casado mesmo depois de se divorciar perante o tribunal civil; assim, se os indivíduos se casarem novamente com outros cônjuges, cometerão adultério e seu novo casamento que não pode existir aos olhos da Igreja. Surge daí a questão de saber se o primeiro casamento foi realmente válido. A diocese deve ter canonistas qualificados que analisarão o casamento e decidirão se ele era válido ou não. Se o casamento não fosse válido, significa que ele nunca existiu de verdade: neste caso, é possível conceder o decreto de nulidade.
Todo casamento é considerado válido a não ser que se prove o contrário. E, até que a invalidade do casamento seja comprovada e o decreto de nulidade seja concedido, os divorciados que se casaram com outros cônjuges não podem ser admitidos à comunhão, por estarem vivendo em adultério. Muitos padres acham que essa abordagem é excessivamente legalista e dura. Em resposta aos bispos alemães que defendem uma abordagem mais leniente, o arcebispo Müller já afirmou que não haverá mudança. O cardeal Maradiaga contestou a afirmação de Müller dizendo: "Irmão, a vida não é assim".
O problema, de fato, é complexo, mas as soluções podem ser ainda mais difíceis. Quem adota uma postura mais leniente argumenta que a misericórdia do Senhor é eterna e questiona se Jesus, que acolheu a todos, afastaria as pessoas da sua mesa simplesmente por causa de uma situação matrimonial irregular. Para a mulher que foi pega em adultério, argumentam eles, Jesus disse: “Nem eu te condeno”. Quem defende uma abordagem mais rigorosa, por sua vez, enfatiza o comentário final do Senhor a essa mesma mulher flagrada em adultério: "Vai e não peques mais". A misericórdia é oferecida, mas espera-se também o arrependimento e a mudança de vida.
De alguma forma, temos de acolher a todos com a compaixão e com a misericórdia de Cristo, conservando, ao mesmo tempo, a indissolubilidade do casamento e o compromisso do matrimônio para toda a vida. O cardeal Maradiaga adota uma abordagem pastoral prática ao dizer que "a vida não é assim". Acontece que a doutrina moral católica não é determinada apenas pelas circunstâncias. A moralidade é estabelecida através de certos critérios objetivos revelados. O cardeal de Honduras diz que as coisas não são tão pretas ou brancas, mas deve-se salientar que não haveria tons de cinza se não existissem, nitidamente, o preto e o branco. Em outras palavras: sem um padrão objetivo, não pode haver outros padrões; e, por definição, um padrão objetivo é imutável e aparentemente “duro”.
O que fazer então diante desse dilema pastoral? Se cada padre interpreta a lei do seu jeito e, na tentativa sincera de ser misericordioso, permite que os seus fiéis em casamentos irregulares comunguem, ele pode, na sua bondade, estar fazendo mais mal do que bem. Os efeitos negativos de cada padre adotar uma postura mais branda são muitos. Em primeiro lugar, é preciso levar em consideração o parceiro que “sofreu” o divórcio: se um casamento termina por causa de adultério e um dos parceiros é deixado sozinho pelo outro, o que estaremos dizendo a essa pessoa quando readmitirmos o cônjuge adúltero à comunhão sem nenhuma consequência?
Em segundo lugar, o que estaremos dizendo aos filhos e netos de casais divorciados? Ao relaxarmos a disciplina da Igreja, damos a entender que os casamentos podem ser rompidos e que casamentos posteriores podem ser feitos à vontade. Mesmo sem ter essa intenção, uma abordagem branda é tacitamente indulgente com o divórcio e com o novo casamento, prejudicando o senso de compromisso matrimonial das gerações futuras. Quando somos indulgentes com o “recasamento” de alguém, ensinamos aos seus filhos que o “recasamento” depois do divórcio é aceitável.
O terceiro problema de se abordar com indulgência o divórcio e um posterior casamento é o fato de que não necessariamente conseguimos o desejado efeito dessa compaixão. O padre quer trazer as pessoas à plena comunhão com a Igreja e oferecer a elas o acolhimento de Cristo. Mas o que eu pude ver, mais de uma vez, é que tanto os potenciais conversos à Igreja quanto as pessoas afastadas da fé não ficam impressionados com o comportamento leniente de um padre no tocante à disciplina da própria Igreja. Uma ex-batista que queria vir para a Igreja acabou se afastando da paróquia em que um padre católico se mostrava relapso com o seu casamento: "Por que eu me tornaria católica", questionou ela, "se o padre passa por cima das regras da própria Igreja e trata a situação séria do meu casamento de uma forma tão superficial?".
A abordagem leniente ensina aos divorciados recasados que os seus compromissos matrimoniais não importavam de verdade. Quando um padre ignora o processo de nulidade, ele diz ao casal divorciado e recasado: "O casamento de vocês e as decisões de vida de vocês não são importantes o suficiente para que eu as leve a sério". Esta postura trata o casamento com a mesma leviandade com que o mundo o trata: as pessoas podem se casar sem pensar muito no assunto, porque, no fim das contas, ele não tem tanta importância.
Mas a dificuldade pastoral continua. O que fazer, afinal, com tantos católicos afastados da Igreja por causa do casamento desfeito? E mais importante ainda: o que fazer com as vítimas inocentes dos casamentos desfeitos? É justo que o cônjuge abandonado seja condenado a uma vida de solidão, e, caso ele próprio se case de novo, é justo cortá-lo da Igreja?
Um caminho a ser seguido pode ser o de focar o trabalho dos tribunais matrimoniais no âmbito local. Os pedidos de decreto de nulidade seriam administrados de modo mais descentralizado, tornando o processo mais acessível. Podem-se criar fundos para cobrir os custos dos processos de nulidade e para prestar uma formação pré-matrimonial mais profunda, que ajude as pessoas a entender a seriedade do compromisso e a assumir casamentos válidos, em primeiro lugar.
A resposta para o problema, certamente, não é deixar a questão aberta ao total “faça-se como cada um quiser”. As modificações no sistema atual, a fim de torná-lo mais sensível pastoralmente, devem auxiliar a Igreja a defender a santidade do casamento, ajudando a reconciliar os católicos afastados e a curar as almas e os corações machucados.
A abordagem leniente ensina aos divorciados recasados que os seus compromissos matrimoniais não importavam de verdade. Quando um padre ignora o processo de nulidade, ele diz ao casal divorciado e recasado: "O casamento de vocês e as decisões de vida de vocês não são importantes o suficiente para que eu as leve a sério". Esta postura trata o casamento com a mesma leviandade com que o mundo o trata: as pessoas podem se casar sem pensar muito no assunto, porque, no fim das contas, ele não tem tanta importância.
Mas a dificuldade pastoral continua. O que fazer, afinal, com tantos católicos afastados da Igreja por causa do casamento desfeito? E mais importante ainda: o que fazer com as vítimas inocentes dos casamentos desfeitos? É justo que o cônjuge abandonado seja condenado a uma vida de solidão, e, caso ele próprio se case de novo, é justo cortá-lo da Igreja?
Um caminho a ser seguido pode ser o de focar o trabalho dos tribunais matrimoniais no âmbito local. Os pedidos de decreto de nulidade seriam administrados de modo mais descentralizado, tornando o processo mais acessível. Podem-se criar fundos para cobrir os custos dos processos de nulidade e para prestar uma formação pré-matrimonial mais profunda, que ajude as pessoas a entender a seriedade do compromisso e a assumir casamentos válidos, em primeiro lugar.
A resposta para o problema, certamente, não é deixar a questão aberta ao total “faça-se como cada um quiser”. As modificações no sistema atual, a fim de torná-lo mais sensível pastoralmente, devem auxiliar a Igreja a defender a santidade do casamento, ajudando a reconciliar os católicos afastados e a curar as almas e os corações machucados.
Fonte: aqui
domingo, 26 de janeiro de 2014
Os meus filhos no parlamento
Eles sabem que apesar da política, no dia a seguir vão à escola, têm trabalhos de casa e no fim-de-semana levantam-se tarde e podem jogar playstation

As crianças não querem saber nem sabem o que é política. É um tema que obviamente acham entediante. A actualidade política, a composição do governo ou os debates quinzenais são coisas que interessam tanto aos nossos filhos quanto física quântica. Política e física quântica são mais ou menos a mesma coisa: uma enorme e incompreensível seca. Eles não percebem o que é um orçamento rectificativo, qual a questão subjacente aos estaleiros de Viana do Castelo ou qual o sentido da moção de Passos Coelho no que diz respeito à candidatura de Marcelo às eleições presidenciais. No entender deles, não há questões, mas apenas complicações. Complicações incompreensíveis que não fazem qualquer sentido para a sua vida diária. Eles sabem que apesar da política e da polémica do Professor Marcelo, no dia a seguir vão à escola, têm trabalhos de casa e no fim-de-semana levantam-se tarde e podem jogar playstation.
Mas se eles percebem pouco os conteúdos, ainda menos entendem as discussões. Agora imaginem o que é assistir a um debate político travado em chinês. É chinês, por isso só damos atenção aos gestos e ao tom das intervenções, nada mais, o que torna o espectáculo no mínimo cómico. Foi assim que os meus filhos se sentiram no parlamento.
Há uns dias levei-os ao parlamento tal como os professores levam os seus alunos em visitas de estudo. Eles não queriam, é certo, a curiosidade era nula. Mas não tiveram alternativa. Recomendei que tinham de se portar bem, que não podiam correr, gritar nem fazer birras ou ficavam dois anos sem acesso ao computador. E lá foram eles, em filinha, rumo à casa da Democracia. Sentei-os, então, nas galerias a assistirem a um debate sobre a reabertura do troço Covilhã-Guarda na Linha da Beira Baixa. Era o que havia no dia. A criançada não se mexeu. De boca aberta observaram todo o plenário sem emitirem um único som. Expliquei que cada um dos deputados só podia falar três minutos e expliquei onde estavam sentados os diversos partidos, a presidência, quem eram as senhoras sentadas no meio do salão a escrever e quem era o Fernandes Tomás retratado na parede a discursar nos primórdios na Monarquia Liberal. Eles nada.
Meia hora de debate e chegaram as dúvidas: porque é que ninguém está a ouvir quando os senhores estão a falar? Porque é que nós temos de estar calados se está toda a gente a gritar e a falar? Onde é que estão o primeiro-ministro e o Presidente da República? Porque é que toda a gente ultrapassa os três minutos? Onde é casa de banho? Sobre o troço Covilhã-Guarda nem uma questão.
Expliquei tudo. Fui obviamente em defesa dos deputados que não fazem parte da comissão competente do troço Covilhã-Guarda e que por isso não prestavam muita atenção ao debate sobre o tema mas que, certamente, estavam a tratar de outros assuntos respeitantes às suas comissões. "Mas, se não ouviram, porque é que batem palmas?" Pois, é assim.... Também não explorei muito o tema do "ruído na sala" ou os "à partes". Apenas que fazem parte da "dinâmica parlamentar" assim como uma bola de futebol faz parte de um recreio da escola.
Dali fomos almoçar e nunca mais voltámos a falar desta visita ao parlamento. Quanto à política, eles ainda não entenderam bem o conceito, sabem que é qualquer coisa que está entre as discussões técnicas, os "à partes" e o processo que irá levar o Professor Marcelo a candidatar-se a Belém. Qualquer coisa que está entre uma brincadeira de gente grande e a física quântica. O pior é que desta vez não sei se isto passa com a idade.
Inês Teotónio Pereira

As crianças não querem saber nem sabem o que é política. É um tema que obviamente acham entediante. A actualidade política, a composição do governo ou os debates quinzenais são coisas que interessam tanto aos nossos filhos quanto física quântica. Política e física quântica são mais ou menos a mesma coisa: uma enorme e incompreensível seca. Eles não percebem o que é um orçamento rectificativo, qual a questão subjacente aos estaleiros de Viana do Castelo ou qual o sentido da moção de Passos Coelho no que diz respeito à candidatura de Marcelo às eleições presidenciais. No entender deles, não há questões, mas apenas complicações. Complicações incompreensíveis que não fazem qualquer sentido para a sua vida diária. Eles sabem que apesar da política e da polémica do Professor Marcelo, no dia a seguir vão à escola, têm trabalhos de casa e no fim-de-semana levantam-se tarde e podem jogar playstation.
Mas se eles percebem pouco os conteúdos, ainda menos entendem as discussões. Agora imaginem o que é assistir a um debate político travado em chinês. É chinês, por isso só damos atenção aos gestos e ao tom das intervenções, nada mais, o que torna o espectáculo no mínimo cómico. Foi assim que os meus filhos se sentiram no parlamento.
Há uns dias levei-os ao parlamento tal como os professores levam os seus alunos em visitas de estudo. Eles não queriam, é certo, a curiosidade era nula. Mas não tiveram alternativa. Recomendei que tinham de se portar bem, que não podiam correr, gritar nem fazer birras ou ficavam dois anos sem acesso ao computador. E lá foram eles, em filinha, rumo à casa da Democracia. Sentei-os, então, nas galerias a assistirem a um debate sobre a reabertura do troço Covilhã-Guarda na Linha da Beira Baixa. Era o que havia no dia. A criançada não se mexeu. De boca aberta observaram todo o plenário sem emitirem um único som. Expliquei que cada um dos deputados só podia falar três minutos e expliquei onde estavam sentados os diversos partidos, a presidência, quem eram as senhoras sentadas no meio do salão a escrever e quem era o Fernandes Tomás retratado na parede a discursar nos primórdios na Monarquia Liberal. Eles nada.
Meia hora de debate e chegaram as dúvidas: porque é que ninguém está a ouvir quando os senhores estão a falar? Porque é que nós temos de estar calados se está toda a gente a gritar e a falar? Onde é que estão o primeiro-ministro e o Presidente da República? Porque é que toda a gente ultrapassa os três minutos? Onde é casa de banho? Sobre o troço Covilhã-Guarda nem uma questão.
Expliquei tudo. Fui obviamente em defesa dos deputados que não fazem parte da comissão competente do troço Covilhã-Guarda e que por isso não prestavam muita atenção ao debate sobre o tema mas que, certamente, estavam a tratar de outros assuntos respeitantes às suas comissões. "Mas, se não ouviram, porque é que batem palmas?" Pois, é assim.... Também não explorei muito o tema do "ruído na sala" ou os "à partes". Apenas que fazem parte da "dinâmica parlamentar" assim como uma bola de futebol faz parte de um recreio da escola.
Dali fomos almoçar e nunca mais voltámos a falar desta visita ao parlamento. Quanto à política, eles ainda não entenderam bem o conceito, sabem que é qualquer coisa que está entre as discussões técnicas, os "à partes" e o processo que irá levar o Professor Marcelo a candidatar-se a Belém. Qualquer coisa que está entre uma brincadeira de gente grande e a física quântica. O pior é que desta vez não sei se isto passa com a idade.
Inês Teotónio Pereira
Ionline, 2014-01-25
sábado, 25 de janeiro de 2014
AMIGO
Amigo é aquele que deixa o outro livre.
Amigo não aprisiona. Amigo não força. Respeita.
Homero,
em plena antiguidade, ilustrou a situação: «Peca igualmente quem apressa
o hóspede que não quer partir e quem o detém quando este já está
partindo. O hóspede deve ser bem tratado se fica, e não deve ser
impedido de partir se assim o deseja».
Amigo não exige. Por isso, agradece sempre. Porque tudo o que recebe é dádiva. Não pagamento!
Fonte: aqui
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
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