quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quarta-Feira de Cinzas - Começa a Quaresma


- O que é a Quaresma'?
- Quando começa e quando termina?
- Sobre o Jejum e a Abstinência.....

- O que diz o Papa sobre a Quaresma em pleno Ano da Misericórdia?

Veja  aqui

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O ciclo de Pinto da Costa chegou ao fim há tempos...

Miguel Sousa Tavares, aqui

“Misericórdia e Justiça”


O binómio “Misericórdia e Justiça”, recuperado pelo Papa Francisco e glosado recentemente na audiência geral do passado dia 3 de fevereiro, era o lema do Santo Ofício pespegado nos respetivos estandartes. Porém, o sentido papal do binómio é bem diferente do da Inquisição.

***

A misericórdia inquisitorial enformava a inquirição e destinava-se a despertar no réu as necessárias disposições para, apesar dos delitos, se candidatar à eterna salvação, confiado na misericórdia. Além disso, a misericórdia era atributo exigível ao inquisidor cujo modelo se inspirava nos arquétipos do pai e sacerdote. Cabia-lhe, além da punição (justiça), a consolação e animação do réu, admoestando-o com boas palavras à confissão e pedido de perdão das culpas (cf Santo Ofício, 1552, cap. 26). Por isso, o inquisidor devia percorrer os cárceres, ao menos quinzenalmente e sempre que necessário, para ouvir os presos sobre as suas necessidades e provê-las, procurando saber se sofrem algum mau tratamento (id, cap. 30). Recomendava-se-lhe expressamente que não escandalizasse “com suas palavras os presos nem outras pessoas que requeiram sua justiça” (id., cap. 32), dado que deve representar não a justiça implacável, que na prática caraterizava a ação do tribunal, mas a justiça misericordiosa, que se condói da sorte do réu e lamenta ter de o punir para sua própria salvação (apud Gama Lima, Scielo, novembro de 1999).

Segundo os critérios do século XXI, estas disposições, confrontadas com as práticas correntes para obter a confissão e as decorrentes de sentença, parecem raiar a malhas do cinismo.

Francisco, ao invés, assume o binómio “Misericórdia e Justiça” na esteira da Bíblia, que nos apresenta “Deus como misericórdia infinita, mas também como justiça perfeita”.

Parecendo, à primeira vista, duas realidades mutuamente contraditórias, na verdade não o são, porque “é precisamente a misericórdia de Deus que leva ao cumprimento da justiça autêntica”.

Na administração legal da justiça, “quem se considera vítima de abuso”, dirige-se ao tribunal e “pede que se faça justiça”. É “uma justiça retributiva, que inflige a pena ao culpado, segundo o princípio que a cada um deve ser dado o que lhe é devido”.

Já o livro dos Provérbios diz: “Quem pratica a justiça está destinado à vida, quem persegue o mal está destinado à morte” (cf. Pr11,19). E Jesus fala desta justiça na parábola da viúva que repetidamente ia ter com o juiz e lhe pedia: Faz-me justiça contra o meu adversário (cf Lc 18,3).

Porém, diz o Papa, “esta via não leva à verdadeira justiça porque não vence o mal, apenas o limita”. “Só na resposta com o bem” – garante – “é que o mal pode ser deveras vencido”. Por isso, a Bíblia “apresenta como via mestra a percorrer” outro modo de fazer justiça, que “evita o recurso ao tribunal”, levando a vítima a dirigir-se ao culpado no apelo à consciência, “ajudando-o a compreender que está a praticar o mal” e “exortando-o à conversão (vd Mt 18,15-16).

Ao ver e reconhecer o próprio erro, o culpado “pode abrir-se ao perdão que o lesado lhe oferece”. Após a “persuasão do que é o mal”, o coração “abre-se ao perdão que lhe é oferecido”. Este – assegura o Papa – “é o modo de resolver os contrastes nas famílias, nas relações entre esposos ou entre pais e filhos, onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o une ao outro”. É efetivamente “um caminho difícil” que requer do ofendido a prontidão para “perdoar e desejar a salvação e o bem de quem o ofendeu”. No entanto, “só assim a justiça pode triunfar, porque, se o culpado reconhecer o mal praticado e deixar de o fazer, o mal já não existe, e aquele que era injusto torna-se justo, porque foi perdoado e ajudado a reencontrar a via do bem”. Assim, o mal não fica apenas limitado, mas, cedendo ao bem, deixa de existir. É a justiça ditada pela misericórdia, a justiça que abre espaço ao perdão.

Este é um caminho possível, porque é a via de Deus. Com efeito, diz o Papa Francisco:

“É assim que Deus age em relação a nós, pecadores. O Senhor oferece-nos continuamente o seu perdão e ajuda-nos a acolhê-lo e a tomar consciência do nosso mal para nos podermos libertar dele. Porque Deus não quer a nossa condenação, mas a nossa salvação. Deus não deseja a condenação de ninguém!”

 

À objeção de que Pilatos ou Judas mereciam a condenação, Francisco contrapõe:

“Não! Deus queria salvar Pilatos e também Judas, todos! O Senhor da misericórdia queria salvar a todos! O problema é deixar que Ele entre no coração. Todas as palavras dos profetas são um apelo apaixonado e cheio de amor que procura a nossa conversão. Eis o que o Senhor diz através do profeta Ezequiel: Porventura comprazer-me-ei com a morte do pecador [...] ou com a sua conversão, de maneira que ele tenha vida? (cf Ez 18,23; e 33,11). É isto que agrada a Deus!”

 

E os homens não podem esperar que Deus utilize na sua atuação os critérios dos homens, mas têm de acertar o passo com o passo de Deus. E este passo segue o ritmo do coração de Deus, “o coração de Pai que ama e deseja que os filhos vivam no bem e na justiça e, portanto, vivam em plenitude e sejam felizes”; o coração que ultrapassa o nosso magro conceito de justiça e nos abre “aos horizontes infinitos da misericórdia”; o coração que não nos trata segundo a medida dos nossos pecados, não nos repreende, nem conserva a sua ira (cf Sl 103/102,9-10). É este coração de pai, que nos ajude a mudar de vida, que desejamos encontrar no confessionário – ensina o Papa – “um pai que nos dê a força para continuar”, que “nos perdoe em nome de Deus”.

Também o confessionário está ao serviço da justiça misericordiosa que tem a força de mudar as pessoas a partir de dentro de si mesmas e de as levar à prática constante e empenhada da justiça social, que seja equitativa e distributiva, dando a cada um, não apenas aquilo que é seu, mas tudo aquilo de que precisa para viver com dignidade (liberdades, direitos e garantias), porque isso lhe pertence por direito e não por esmola.

É a misericórdia que torna a história de Deus com Israel – e agora com a Igreja – uma história da salvação. A repetição contínua do segmento “eterna é a sua misericórdia”, no Salmo 136/135, sugere o rompimento do círculo espácio-temporal para inserir tudo no mistério do amor. É como se se quisesse dizer que o homem, não só na história mas também pela eternidade, está sempre sob o olhar do vulto misericordioso do Pai. Não foi por acaso que o povo de Israel quis inserir este Salmo – o “grande hallel” – nas festas litúrgicas mais importantes. (Francisco, MV, 4-5).

***

Sobre o tema, Frei Herculano Alves, em artigo na revista Bíblica (de que se respigam alguns traços), comentando o binómio “Misericórdia e Justiça na Bíblia”, assenta que o termo “misericórdia” soa a estranho num mundo de reivindicações de justiça social, de pedir justiça para os culpados ou vingança de qualquer pena, real ou aparente. Por isso, termo e conteúdo ficam relegados para o campo religioso e teológico e, mesmo aí, são não raro mal entendidos. A misericórdia é, pois, virtude ameaçada porque vista com desconfiança como algo desnecessário, como se a justiça humana fosse apta para resolver todos os problemas. E palavras como misericórdia e compaixão deixaram de integrar a linguagem comum contemporânea.

Não obstante, na Bíblia, termos como misericórdia são portadores de um conteúdo essencial. Na verdade, misericórdia e justiça, quando bem entendidas, exprimem um traço essencial do rosto bíblico de Deus. João Paulo II, na encíclica Dives in Misericordia, (n.º 3), fala da misericórdia como a medula do ethos evangélico a ultrapassar, em grande, o que a justiça humana pode fazer.

***

Tanto o Deus do Antigo Testamento como o no Novo Testamento é “o Pai da misericórdia”.

Distinguir o Deus veterotestamentário como Deus da justiça do Deus neotestamentário como Deus da misericórdia é inexato. Apesar da diferença de linguagens, Deus é único e o mesmo. E já o Antigo Testamento apresenta os tempos messiânico como os tempos da paz, da justiça e da edificação do paraíso na terra, que o Espírito de Deus renova. E a misericórdia de Deus faz parte deste paraíso. Depois, a ação de Deus no Antigo Testamento está indelevelmente marcada pelo dinamismo da misericórdia. O próprio glossário temático foi então “inventado”, tendo o antigo vocabulário hebraico sido traduzido para grego no Novo Testamento. Na verdade, a justiça de Deus chama-se “misericórdia”. Quando o pecador peca, Deus não o castiga logo, não o mata. Seguindo a metáfora da balança de dois pratos, se na balança da justiça, que Deus utiliza, os pratos estão desequilibrados porque o prato do homem cede ao peso do pecado, Deus coloca no prato do seu lado o amor, o perdão, a misericórdia – o que redunda na justificação do pecador, não pelas suas obras, mas pela misericórdia de Deus. Ora, Jesus, no Novo Testamento, não veio revelar outro Deus, mas tornar mais evidente o seu modo de atuar, pouco consentâneo com as “justiças” humanas. Segundo o apóstolo Paulo, Jesus, em sua pessoa e atitude, é a “imagem do Deus invisível” (Cl 1,15), do “Pai das misericórdias” (2Cor 1,3), “rico em misericórdia” (Ef 2,4). Jesus vem revelar a justiça, que se chama misericórdia (Lc 4,18-19; 1,50.54.78). Por isso, como fonte da misericórdia divina, comoveu-se face a todos os sofredores (Mc 1,41).

***

A justiça de Deus difere da justiça humana.

A justiça bíblica não é confundível com a dos tribunais humanos (necessária e que deve ser bem administrada), nem com a justiça equitativa e distributiva. A justiça do Deus bíblico faz que as pessoas sejam “justas”, atuando de modo a agradarem a Deus e a realizarem em si aquela vida santa que Deus pede, ou seja, fazer que, na balança divina, o prato correspondente à vontade de Deus para cada um de nós fique equilibrado com o que nós fazemos. Assim, Deus não faz distinção entre misericórdia e justiça. Tal distinção fazem-na os homens. O Deus bíblico não exclui a justiça humana, antes a exige, mas esta só se consegue em pleno mediante a justiça bíblica, que é fruto genuíno da misericórdia e do amor de Deus. Por outro lado, leva a humanidade a realizar, mais profunda e eficazmente, os diferentes tipos de justiça humana. Longe da justiça de Deus, a justiça humana torna-se insuficiente e injusta. Por isso, Paulo fala dos combates dos cristãos com as “armas de justiça” (Rm 6,13; cf 1Tm 6,12; 2Tm 4,7). Isto é, o cristão não é um homem ou mulher de armas na mão – como acontece noutras religiões – mas deve, sim, levar em todo o seu viver as armas de justiça: realizar o projeto de Deus a seu respeito, como é revelado no Evangelho. Tal justiça é a que Jesus prega aos fariseus, quando lhes aponta o facto de apenas se interessarem pela aparência exterior das suas ações, por uma justiça e santidade aparentes, enquanto, por dentro, procuram a mesquinhez de interesses: colocam de lado o mais importante da Lei: fidelidade, misericórdia e justiça (Mt 23,23; vd Lc 10,37). Tal misericórdia e justiça ressaltam na parábola do bom samaritano e nas dos “perdidos e achados”, sobretudo do filho que regressa, do cap. 15 de Lucas.

***

Para Israel, a justiça baseia-se na revelação fundamental que Deus lhe faz, assente na aliança. A teologia da aliança é o núcleo da Bíblia:

“O Senhor, nosso Deus, concluiu uma aliança connosco no Horeb. Não foi só com os nossos pais que o Senhor concluiu esta aliança, mas connosco que estamos aqui todos vivos hoje” (Dt 5,2-3; vd 4,23; 9,9).

 

A aliança é a consequência de uma escolha e iniciativa muito particular e gratuita de Deus. É Deus que atesta a origem da eleição no seu amor e na fidelidade ao juramento feito a nossos pais: Porque amou os teus antepassados e escolheu a sua descendência depois deles...” (Dt 4,37; vd 7,7-8; 10,15). A justiça de Israel não é, pois, o motivo da escolha divina, não é a recompensa pela sua justiça, mas uma responsabilidade de “justiça” face aos outros povos, a fim de ser para eles o exemplo, o protótipo de relação com Deus. A aliança é então a base da justiça de Israel, uma vocação permanente à fidelidade de Deus e a resposta à sua eleição. O Senhor não é justo apenas por dar a cada um o que lhe é devido, mas por ter iniciado uma “relação de justiça”, na aliança, e por amar, alheio a qualquer aceitação e reconhecimento, rejeição ou abandono. É certo que os profetas entendem esta justiça à imagem do processo judicial. Porém, tratando-se da aliança, o processo não se realiza nos tribunais, mas entre as duas partes em causa. Deus, em vez de assumir a postura de juiz, surge como “justo” inocente, que expõe a sua queixa em resultado da infidelidade de Israel. O profeta Jeremias faz eco desta queixa ao afirmar:

“Assim fala o Senhor: Não se envaideça o sábio do seu saber, nem o forte da sua força, nem se glorie o rico da sua riqueza! Aquele, porém, que se quiser gloriar, glorie-se nisto: em ter entendimento e conhecer-me a mim, que Eu sou o Senhor, que exerço a misericórdia, o direito e a justiça sobre a terra. Nisto me comprazo” (Jr 9,22-23).

 

É no uso da misericórdia e do subsequente perdão que Deus manifesta, de modo especial, o seu poder omnipotente. Esta ideia de Tomás de Aquino, transposta para a Liturgia, mostra que a misericórdia divina não é um sinal de fraqueza, mas a suprema qualidade da omnipotência de Deus. Por isso, a Igreja reza, numa das orações de coleta mais antigas “Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis…” (Domingo XXVI, tempo comum).

Deus permanecerá na história da humanidade como “Aquele que está presente, Aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso”. Paciente e misericordioso é o binómio adjetival que aparece recorrentemente nos textos veterotestamentários para descrever a natureza de Deus. A sua misericórdia (colocação do seu coração em sintonia com cada um dos que sofrem) e sua “compaciência” ou compaixão (capacidade de sofrer com o homem sofredor) encontram reflexo concreto em múltiplas ações da história da salvação, em que a bondade divina prevalece sobre o castigo e a destruição. Nos Salmos, em particular, sobressai recorrentemente esta grandeza da ação divina. A misericórdia divina não é uma abstração, mas uma realidade pela qual Ele revela efetiva e efetivamente o seu amor de pai e de mãe, que se comovem pelo próprio filho até ao mais íntimo das suas vísceras de progenitura. É um amor verdadeiramente visceral, proveniente do íntimo, qual sentimento intenso e profundo, natural e interminável, tecido de ternura e compaixão, de perdão e indulgência, de misericórdia e justiça – não na perspetiva do inquisidor, mas no cuidado do íntimo e companheiro de todos os momentos.

***

É em nome deste binómio “misericórdia e justiça” que o Papa promete apresentar-se ao Povo do México, nos próximos dias 12 a 18 de fevereiro, como “missionário da misericórdia e da paz”, indo ao seu encontro para a confissão conjunta da fé em Deus e compartilhar a verdade fundamental das nossas vidas: Deus quer-nos muito e ama-nos com um amor infinito, muito acima dos nossos merecimentos (vd videomensagem de 8 de fevereiro).

Será a justiça empapada na misericórdia que trará a paz. Todos deveremos ser misericordiosos, pacíficos e amantes da justiça porque Ele é a misericórdia, a paz, e a justiça.

2016.02.08 – Louro de Carvalho

Obrigado a todos vós por serem bondosos (as).


O holocausto do casamento?


O número de casamentos tem vindo a diminuir de forma consistente, desde há mais de uma década. Além disso, o nosso país tem mantido, nos últimos anos, uma taxa anual de cerca 70% de divórcios (dados da PORDATA). Muitas das separações e das ruturas não entram para esta estatística, pois há cada vez menos jovens a casar-se, optando por “coabitações amorosas”, o que faz supor que o divórcio venha a alcançar números ainda mais elevados.
Mas afinal, o que é que está a falhar no casamento? Por que é que esta importante instituição está em crise?
O Homem atualmente está permanentemente a ser incentivado para não ter convicções firmes, sendo constantemente impelido para a mudança. Esta ativação frenética, que origina uma enorme instabilidade nas mentes sãs, é o motor da sociedade de consumo, sendo mantida pela crise profunda de valores do Homem moderno, dando origem a uma perpétua insatisfação. Instala-se, assim, na sociedade a ideia de que nada é definitivo. As relações entre homem e mulher devem ser, por princípio, descartáveis e o bem-estar reside na fugacidade e na subjetividade do amor individual.
Para muitos a mudança é o progresso; o progresso consiste em avançar para todo o sempre, ainda que a mudança possa ser muitas vezes dirigida não para “a terra prometida”, mas para o precipício das paixões. É o que acontece quando se transforma o casamento numa instituição volátil, na qual os lanços contratuais são predominantemente emocionais e podem construir-se e reconstruir-se livremente, muitas vezes subordinados a atos impulsivos ou a estados de alma.
Não conheço nenhuma instituição humana que tenha sido tão atacada nos últimos tempos como o casamento. Basta ver alguns filmes e séries com maior sucesso nos últimos anos para se perceber a mensagem que tem sido repetidamente transmitida: a infidelidade passou a ser uma virtude, e a fidelidade, e a perseverança no amor, um sinal de imperfeição, um vício dos fracassados, uma atitude retrógrada daqueles que (ainda) “não se libertaram”.
O casamento não tem sido devidamente defendido, pois quando entra em crise o caminho mais fácil que tem sido seguido é a rutura e a dissolução. Há cada vez mais psiquiatras e psicólogos direcionados para a terapia do divórcio, em lugar de realizarem terapia de casal. Basta fazer uma consulta à livraria online Amazon para se constatar que os livros publicados sobre “como sobreviver a um divórcio” são em número claramente superior ao dos livros destinados a “salvar um casamento em crise”.
Para que o casamento venha a subsistir como uma instituição sólida e uma célula fundamental da vida em família e na sociedade é necessário que os casais se preparem melhor. Importa afirmar ser hesitações que muitos dos que querem casar não estão preparados para assumir a importância deste vínculo. Para que o casamento venha a ter maiores hipóteses de sucesso, o casal tem de estar disposto a satisfazer pelo menos quatro características na relação: compromisso, renúncia, entrega e perseverança. Quem não reunir (ainda) estas qualidades, então o melhor é não se casar, pois o mais certo é que o casamento fracasse.
O grande problema deste autêntico “holocausto do casamento” – como lhe chamou Barbara Whitehead, no seu livro The Divorce Culture – é que talvez muitos divórcios não teriam ocorrido se houvesse um maior apoio a muitos casais em crise. Através da minha experiência clínica como médico psiquiatra, penso que esse apoio é claramente insuficiente.
Os dados estatísticos falam por si, mostrando que entre nós o casamento parece não ter futuro. O compromisso vivido no casamento deixou de ser assumido como uma escolha humana livre e um desafio praticável. A ideia de se criar um vínculo duradouro – para toda a vida – é visto como algo inexequível, algo que é impossível alcançar. Mas é falso que não seja possível a qualquer ser humano estabelecer um vínculo duradouro com a pessoa que ama.
 
Pedro Afonso, Médico Psiquiatra e Professor Auxiliar de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Lisboa, aqui

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

DO COMUNISMO AO CONSUMISMO?

Há quem diga que a grande dialéctica do nosso tempo é entre o comunismo e o consumismo.
A passagem de um para o outro chega a ser galopante.
A China continua a ser um país comunista com uma forte prática consumista.
Sinais?
Basta olhar para os faraónicos investimentos no futebol.
Basta notar que, naquele país, os militantes comunistas são 88 milhões, mas os investidores na bolsa já chegam a 100 milhões!
Fonte: aqui

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O povo faz a festa

Desfile de Carnaval 2016
Muito bem, Arguedeirenses! Um povo que faz a festa e a partilha com os outros.
Veja as fotos aqui

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Cirurgia plástica

A diferença entre Passos e Costa não é só ideológica; é estética. 
Nos tempos em que Portugal imprimia moeda, a austeridade tinha outro sabor: os salários podiam ser intocáveis, mas a inflação roubava o que tinha a roubar pela porta do cavalo e ninguém relinchava. António Costa pertence a esta escola: as suas medidas de austeridade (ou de ‘rigor’, para usar a nova gramática) limitam-se a subir impostos (ou a ‘agravá-los’, como agora se diz) em sectores tão etéreos como os combustíveis, as empresas ou a banca. Na realidade, os impostos de Costa atingem o investimento, o crescimento e o custo de vida – mas a ilusão permanece entre o zé-povinho porque os portugueses sentem que ninguém lhes mexe no bolso. No fundo, e sem possibilidade de usar as rotativas, Costa devolve com uma mão o que a economia real rouba com a outra. Ao contrário do que se diz, a diferença principal entre Passos e Costa não é só ideológica; é estética. Quem sabe, sabe.
João Pereira Coutinho Correio da manhã 06.02.2016, aqui

Jovens lavam a roupa a sem-abrigo

A comunicação social é mais atraída pelo que acontece de ruim do que pelo que acontece de bom, e por isso, coisas simples, que nos fazem acreditar que na humanidade ainda há bons corações, muitas vezes passam despercebidas. Lembro o caso da norte-americana Anna Taylor, que depois de reformada decidiu fazer algo realmente útil com o tempo que tinha disponível. E desde fevereiro de 2006, ela já tricotou mais de mil casacos de lã para pessoas necessitadas em todo o mundo. Ou o de Mark Bustos, cabeleireiro num salão de luxo na cidade de Nova York, mas que ao domingo, seu único dia de folga do trabalho, se aventura pela cidade em busca de pessoas pobres que precisam de um corte de cabelo.

O testemunho de hoje dá a conhecer dois jovens de 20 anos, Lucas Patchett e Nicholas Marchesi, que perceberam que a higiene dos moradores de rua era um problema grave e totalmente deixado de lado. Por isso, resolveram montar a primeira lavandaria móvel da Austrália dedicada exclusivamente aos sem-casa. Agora os desabrigados finalmente têm um lugar móvel conveniente para ter suas roupas lavadas e secas,
Os dois amigos prepararam uma carrinha já velha, montaram duas máquinas, uma de lavar e outra de secar roupa, e compraram um gerador portátil. E desde julho de 2014 começaram o trabalho em locais públicos de Brisbane.
E planeiam cooperar com grupos de doação de alimentos para que os sem-abrigo possam conseguir algo para comer, enquanto suas roupas estão sendo lavadas. Se tudo correr bem, a organização vai dentro em breve começar a operar em mais cidades da Austrália. E até sonham ter médicos e enfermeiros que possam ajudar a tratar dos doentes que vivem na rua.
Os 20 quilos de roupa que eles conseguem lavar por hora já facilitaram a vida de centenas de moradores de rua nesses últimos meses.
Fonte: aqui

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Orçamento: o que vai mexer no bolso das empresas (e das famílias)

Veja aqui

Seremos assim tão maus?

Português de 12 anos vence competição mundial de ballet
António Casalinho
António Casalinho conquistou, aos 12 anos, a medalha de ouro no Concurso Vienna International Ballet Experience (VIBE) em Missoula, nos Estados Unidos, na categoria de Clássico e Contemporâneo.

Padres portugueses bicampeões europeus de futsal
A seleção nacional de futsal de padres renovou o título europeu na final do campeonato contra a congénere polaca, por 2-1, esta quinta-feira num jogo disputado em Michalovce, na Eslováquia.

Afinal...
Somos, normalmente, um povo pessimista em relação a nós próprios. Por cá, está tudo mal; lá fora, é que é bom.
Não são só Cristiano Ronaldo e Mourinho que têm sucesso lá fora. Temos portugueses ligados à investigação científica, ao mundo empresarial, às artes, à política, ao desporto, ao trabalho, que se salientam. Não é em vão que os emigrantes portugueses são apreciados no estrangeiro pela sua competência profissional.
Nas "apertadinhas" somos um povo de "desenrascanço". Nisto somos hábeis. Falta-nos planificação, reflexão, disciplina, persistência.
E como os governantes são filhos do povo que somos, não admira que estas lacunas se reflitam na governação.
Andamos mais ao sabor das ondas de momento e dos interesses imediatos do que em prol de um plano nacional  a prazo que vise precaver crises e apoie um plano sustentado de crescimento.

Dia Mundial de Luta contra o Cancro


Marine Antunes, escritora, criou há três anos um blogue e uma página no Facebook em que propõe olhar para o ‘Cancro com Humor’, na sequência da sua própria experiência com a doença.
“Quando não há rede, quando a vida é tão crua, tão direta, tão frontal, faz algum sentido ter medo de rir? No final do dia, são desses risos que nos queremos lembrar”, escreve, num texto que vai integrar a próxima edição do Semanário ECCLESIA, dedicada ao Dia Mundial do Doente.
A experiência de Marine Antunes ganha visibilidade em datas como a de hoje, Dia Mundial de Luta contra o Cancro, mas é feita dia a dia nas redes sociais e em palestras, que começa “sempre nervosa”.
“Como é que se faz humor para uma plateia composta por pais, com um bebé de dois meses com cancro, ao colo, doentes oncológicos, a quem lhes foram dadas péssimas notícias, pessoas que perderam familiares? Como é que se brinca com o cancro, com a  morte?”, questiona.
Nesse sentido, a autora admite que por vezes se interroga se “faz sentido” falar em “Cancro com Humor”.
“Estou sempre tão nervosa. Tropeço em coisas e gaguejo. Tenho noção da responsabilidade. Fico com medo. Penso no meu ‘Careca Power’. Lembro-me de como ele se ria quando gozávamos com o cancro. Até ao último dia”, refere.
Marine Antunes precisa que não se trata de um “espetáculo”, mas da “vida real”, pelo que o humor é usado “com uma missão”.
“Tem de ser mais fácil encararmos o medo”, sustenta.
O relato na primeira pessoa ajuda a criar ligação com a plateia, antes de abordar o difícil tema da morte e falar de esperança.
“Os pesadelos crónicos tiveram de ser substituídos por palestras humorísticas. Foi o remédio que receitei a mim mesma”, confessa.
Palavras como “cancro, metástase, morte” são olhadas de frente para que, no fim, fique a certeza: “Espera lá, não morri por falar disto”.
A página ‘Cancro com Humor’ é seguida por mais de 18 mil pessoas na rede social Facebook.
Agência ecclesia

CARNAVAL VIVEU-SE EM TAROUCA






quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Saramago

"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas."

IMPORTANTE É A VOZ DA CONSCIÊNCIA

Quem não gosta de um elogio? E quem gostará de uma censura?
Somos humanos e, como humanos, gostamos mais de elogios do que de censuras.
Um elogio é sempre agradável e uma censura é sempre desoladora. Mas não podemos viver em função disso.
Como dizia Napoleão, para o homem maduro, «tanto se lhe dá que o elogiem ou censurem; ele não pode senão dar ouvidos à voz da sua consciência».
É isso que importa. Mas não será isso que falta?
Fonte: aqui

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Ser pai não é um direito, é um dever

Ser pai não é um direito como votar, dizer o que nos vai na alma ou ter cativo na Catedral. Ser pai não entra na esfera festiva da vidinha, não está no terreno dos likes e dos gatinhos felpudos. Ser pai é um dever que cobra caro, que remete para o sacrifício e renúncia de incontáveis direitos e prazeres. Sim, tem incontáveis alegrias, mas essas são apenas a ponta do iceberg que lá vai aparecendo nesse estendal de mentiras chamado Facebook. Porque o ponto central da paternidade não é o pai, é o filho. E o que está errado na retórica do “direito à paternidade” dos casais gays é precisamente a centralidade do direito a ser pai, como se estivéssemos a falar de mais uma “conquista” da escadaria do progresso. Lamento, mas ser pai não é um direito. A paternidade não é direito de ninguém. 
Ao contrário da adoção por casais gays, a co-adoção não me oferece dúvidas. Muitas vezes, trata-se somente da regularização de algo que já existe na realidade. Contudo, o discurso dos autoproclamados líderes gays e a própria letra das leis estão desfocados. O argumento não pode estar centrado no direito de gays e lésbicas, que tendem a falar a partir de um estranho pressuposto: a criança fica sempre em segundo lugar; é como se a criança não fosse o centro da questão, como se a criança fosse secundária ou um meio para um fim. Enquanto não compreender que a criança é o fim em si mesmo, a retórica gay estará desfocada. 
As quadrilhas bem-pensantes têm o hábito de dizer que a sociedade necessita de refletir sobre este assunto. É verdade. O verdadeiro debate é escasso. Mas a comunidade gay também está dentro deste perímetro de falta de diálogo, também não debate ou reflete com a abertura necessária. Eles não são os iluminados e nós os ultramontanos. Ora, se quiser de facto chegar à tal luz, a comunidade gay devia deixar de falar da paternidade como um direito. A paternidade não é direito de ninguém. Nem de gays, nem de heteros. Tal como no aborto, o centro da questão é a criança, não o pai ou a mãe.
Henrique Raposo, Expresso, 20160202, aqui

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Não aprendemos mesmo!

Aumentos milionários
Os gestores da aviação civil foram aumentados 150 por cento pelo anterior governo. Salários de seis mil euros passaram para 16 mil. O bónus é extensivo aos dirigentes dos outros reguladores.

O mesmo governo deu 90 milhões ao banco que acabou comprado por uma sociedade onde está Miguel Relvas. Antes, em 2007, um governo do PS deu um suculento prémio aos donos de casas com mais de 220 m2, que pagam proporcionalmente menos IMI do que apartamentos de 100 m2.

Já nem vale a pena falar das subvenções vitalícias para políticos. Ainda há quem se atreva a falar de justiça social no centrão que nos governa há 30 anos?
Eduardo Dâmaso, CM


**************************
Acidentes mataram 378 jovens em 4 anos
Entre 2010 e 2014, os acidentes rodoviários provocaram entre os jovens 378 vítimas mortais, 1.575 feridos graves e 28.895 feridos ligeiros, tendo a sinistralidade deste grupo etário um custo económico e social estimado em 1.159 milhões de euros.
As estatísticas da ANSR indicam também que o risco de morte em acidentes de viação dos jovens entre os 18 e os 24 anos foi cerca de 30 por cento superior ao da restante população e 51 por cento dos mortos e feridos graves resultaram de despistes, seguido de colisões (48%).
A maioria dos acidentes, envolvendo jovens e com mortos ou feridos graves, ocorrem dentro das localidades, durante a noite e a madrugada, sobretudo aos fins de semana.
In CM

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fevereiro

Fevereiro é matreiro,
matou o paz no mato
E a mãe no soalheiro.


Cuidado com as gripes de fevereiro!