terça-feira, 15 de julho de 2014
As 8 passagens mais importantes da entrevista do Papa Francisco
O principal da entrevista concedida pelo Papa
neste domingo
ao jornalista italiano Eugenio Scalfari, do jornal La Repubblica
Veja aqui
Um milhão de toneladas de alimentos vai para o lixo
Segundo dados de 2012, “em Portugal cerca de um milhão de toneladas de alimentos por ano (17% do que é produzido) vai para o lixo, e nos 27 Estados Membros da UE a produção anual de resíduos alimentares ronda os 89 milhões de toneladas, estimando a UE que possa chegar a 126 milhões de toneladas em 2020. 30% dos produtos horto-frutícolas na Europa vão para o lixo!” (cf. www.replanta.pt). Estes dados levaram o Parlamento Europeu a aprovar este ano de 2014 como Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar. Às iniciativas urbanas (Re-food, Zero Desperdício) outras podem juntar-se, nomeadamente de cariz mais local (a nespereira que deu fruta abundante, ou o couval que se estragará se não fôr colhido e que poderiam ser partilhados…). Não se trata de desvalorizar o trabalho e alimentar a preguiça mas de promover uma justa partilha e reconhecer que a abundância de uns pode colmatar a penúria de outros.
Fonte: aqui
segunda-feira, 14 de julho de 2014
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Dia 13 de julho: Festa de Santa Helena
8.30 horas: Missa de encerramento da Novena (Altar Campal)
11.30 horas: Eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, seguida de procissão.
17 horas: Bênção dos Campos e Procissão do Adeus

Esperamos por si em Santa Helena.
Façamos desta festa um espaço de encontro, fraternidade, serenidade, paz.
Respeite-se, respeitando os outros.
Acate as orientações de quem de direito.
Depois regressará a casa mais feliz.
Boa festa para todos.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Por Santa Helena
Um povo que reza

Jovens desta Paróquia representam ao vivo a vida de Santa Helena na noite






As pedras da Serra de Santa Helena em paletes

A Pureza da Serra

Preparativos para a Festa

Os pequenos também gostam de Santa Helena

À espera da novena da tarde

O Sol diz-nos 'até amanhã'

Jovens desta Paróquia representam ao vivo a vida de Santa Helena na noite






As pedras da Serra de Santa Helena em paletes

A Pureza da Serra

Preparativos para a Festa

Os pequenos também gostam de Santa Helena

À espera da novena da tarde

O Sol diz-nos 'até amanhã'
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Alemanha-Argentina pela terceira vez na final
Está definida a final do Campeonato do Mundo de 2014. Apesar de a Argentina não estar na final desde 1990 será a terceira vez que defrontará a Alemanha no jogo de atribuição do título mundial.
É mesmo a final mais repetida da história das 20 edições do Campeonato do Mundo. Desta feita até servirá para desempatar, uma vez que a Argentina venceu a final de 1986 no México, enquanto a Alemanha conquistou o troféu em 1990.
Se excluirmos os três encontros na final houve outros cinco jogos entre argentinos e alemães em fases finais de campeonatos do Mundo: três vitórias para a Alemanha (uma através de grandes penalidades) e dois empates.
Fonte: aqui
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
Começou hoje a novena de Santa Helena
Montes e vales bendizei o Senhor
Pessoas e flores bendizei o Senhor
Plantas e rochas bendizei o Senhor
Calor e frio bendizei o Senhor
Pessoas e flores bendizei o Senhor
Plantas e rochas bendizei o Senhor
Calor e frio bendizei o Senhor










sexta-feira, 4 de julho de 2014
As virtudes do futebol
Falar de futebol, "não para falar do Mundial do Brasil que até correu mal para Portugal, mas para realçar as virtudes deste desporto, que tem muitos milhões de praticantes pelo mundo fora.
Nascido não se sabe bem onde – uns dizem que foi na China, outros na Itália e ainda outros na Inglaterra – o futebol está presente nas conversas de quase toda a gente e origina paixões e discussões em todo o lado. E poucas pessoas lhe são indiferentes, sejam homens ou mulheres, novos ou idosos. O próprio Papa Francisco é sócio-torcedor de seu clube, o San Lorenzo da Argentina, e já fez em suas intervenções várias analogias da fé cristã e da postura humana com este desporto.
A relação entre Igreja e futebol é muito antiga. Todos os que frequentaram os Seminários sabem que nestas casas raro era o dia em os alunos não jogavam à bola. Na verdade, o futebol ajudava os rapazes física e moralmente, formando jovens saudáveis e bons cidadãos. Primeiro porque neste desporto todos os músculos estão activos; segundo porque ele requer atenção, inteligência e espírito de grupo.
Outro aspecto importante do futebol é a sua capacidade de congregar as pessoas. Ele pode ser um espaço para encontros, laços de solidariedade e de admiração pelas virtudes do outro. O Papa João Paulo II dizia que "o sentido da fraternidade, a magnanimidade, a honestidade e o respeito pelo corpo, virtudes sem dúvida indispensáveis a todo o bom atleta, contribuem para a edificação de uma sociedade civil, onde o antagonismo é substituído pela competição, onde ao confronto se prefere o encontro e, à contraposição rancorosa, o confronto leal. Desta forma, o desporto não é um fim, mas um meio; pode tornar-se veículo de civilização e de genuíno entretenimento, estimulando a pessoa a dar o melhor de si e a evitar o que pode ser perigoso ou de grave prejuízo para si ou para o próximo".
Fonte: aqui
quinta-feira, 3 de julho de 2014
FUTEBOL CLUBE DO PORTO: O PORTISMO está de volta!... Pressente-se no ar!

Começa hoje a preparação para a época 2014/2015
A "Máquina" entra em afinação...
A máquina que rolará, VITORIOSA, por esses estádios fora!
Somos PORTO!
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Em Portugal "tudo está ordenado para não se ter filhos"
Líder do grupo de trabalho para a natalidade afirma, em entrevista à Renascença que "existe o despedimento quase imediato das mulheres que estão em situação mais precária, em termos contratuais, assim que se torna evidente que estão grávidas."
Joaquim Azevedo diz que em Portugal "vivemos obcecados com o não ter filhos" e esses são também os sinais que a sociedade dá para os cidadãos. "Tudo está ordenado - até o apoio que existe ao aborto - para não ter filhos", afirma o líder do grupo de trabalho para a natalidade.
Em entrevista ao programa Terça à Noite da Renascença, o professor catedrático encarregado pelo primeiro-ministro para traçar um plano para o crescimento demográfico diz que os sinais de decadência na sociedade portuguesa estão à vista com os últimos dados conhecidos.
Para Joaquim Azevedo, o índice de fecundidade de 2013 diz-nos que "o país, continuando assim, até do ponto de vista do Estado social, é inviável a 30 anos ou menos".
Nesta entrevista, Joaquim Azevedo reitera que são muitas as queixas que lhe chegam de mulheres que são forçadas a assinar compromissos com os empregadores, garantindo que não vão engravidar, e diz que este é um facto que muita gente conhece.
O homem que o primeiro-ministro escolheu para fazer propostas para o incremento da natalidade diz que as queixas que lhe chegam não ficam por aqui e denuncia: "existe o despedimento quase imediato das mulheres que estão em situação mais precária em termos contratuais assim que se torna evidente que estão grávidas."
Em entrevista ao programa Terça à Noite da Renascença, o professor catedrático encarregado pelo primeiro-ministro para traçar um plano para o crescimento demográfico diz que os sinais de decadência na sociedade portuguesa estão à vista com os últimos dados conhecidos.
Para Joaquim Azevedo, o índice de fecundidade de 2013 diz-nos que "o país, continuando assim, até do ponto de vista do Estado social, é inviável a 30 anos ou menos".
Nesta entrevista, Joaquim Azevedo reitera que são muitas as queixas que lhe chegam de mulheres que são forçadas a assinar compromissos com os empregadores, garantindo que não vão engravidar, e diz que este é um facto que muita gente conhece.
O homem que o primeiro-ministro escolheu para fazer propostas para o incremento da natalidade diz que as queixas que lhe chegam não ficam por aqui e denuncia: "existe o despedimento quase imediato das mulheres que estão em situação mais precária em termos contratuais assim que se torna evidente que estão grávidas."
Joaquim Azevedo garante que recebe, diariamente, relatos de pessoas "que contam as suas situações e que dizem que não são respeitadas" e insiste: "temos que falar sobre isto, não adianta nada pôr a cabeça na areia".
O líder do grupo de trabalho para a natalidade acusa os políticos, em geral, por nunca se terem preocupado com o evoluir desta questão, que está a "hipotecar o futuro do país".
Adianta que é por isso que em todas as sessões em que participa verifica que há um grande desconhecimento sobre esta questão: "fico escandalizado com o facto de haver uma percentagem muito vasta da população e, geralmente, até de pessoas bastante informadas que não sabem o que se está a passar".
Fonte: aqui
terça-feira, 1 de julho de 2014
NADA DE IMPORTANTE ACONTECEU NO BRASIL
A avaliar pelas reacções dos dirigentes federativos, do seleccionador Paulo Bento e de vários dos seus colegas de profissão, nada de importante aconteceu no Brasil. Apenas uma competição que não nos correu bem, mas que já lá vai — agora é preciso é concentrarmo-nos no Euro-2016. Permito-me discordar. Acho que a nossa participação foi má de mais e levantou questões que devem ser discutidas e devem ter consequências. Eis algumas dessas questões:
A BASE DE RECRUTAMENTO
Por mais que se critiquem as opções e exclusões de Paulo Bento, a verdade é que não havia muito mais por onde escolher. Esta selecção, da qual já disse várias vezes que é das mais fracas de que me lembro, não tinha muito mais alternativas. Sendo certo que Portugal é um pais de futebol, onde sempre nasceram e cresceram grandes jogadores, isto levanta um óbvio problema de base de recrutamento sobre o qual é necessário meditar. Será possível continuar com uma política de formação que, nas camadas jovens, já tem um excesso evidente de estrangeiros? Não será necessário e possível limitar o número destes nos escalões até aos sub-21, pelo menos?
AS ESCOLHAS
Porém, e sem me desdizer, julgo que a selecção eleita por Paulo Bento reflecte a obstinada teimosia e conservadorismo dele. Nomes como os de Quaresma, Danny ou Bebé, para só falar da frente de ataque, tinham lugar no avião para o Brasil. Mas é sabido que Bento escolhe segundo critérios de fidelidade pessoal e não de qualidade ou momento que os jogadores atravessam. Só isso justifica a aposta inamovível em jogadores claramente fora de prazo ou de forma (e até mesmo de condição física) e cujos nomes, por delicadeza, me abstenho de enumerar. A imensa responsabilidade que recai sobre os ombros do seleccionador foi usada por Paulo Bento para recompensar e garantir lealdades, em interesse próprio. É a escola de Scolari, mas com a enorme diferença de a base de recrutamento estar longe de ser comparável. Aliás, por aquilo que sigo nos jornais, raramente me dou conta de que o seleccionador acompanhe ao vivo outros jogos que não os dos grandes (onde 90% dos jogadores são estrangeiros), que frequente jogos dos outros clubes, das camadas jovens ou que, menos ainda, acompanhe o desempenho dos jogadores portugueses a actuar no estrangeiro — em Itália, Inglaterra, Rússia, Chipre, Turquia, Espanha, etc. A sua selecção parece feita desde sempre e para sempre.
A PREPARAÇÃO
Foi verdadeiramente chocante constatar até que ponto a selecção levada ao Brasil estava impreparada para o Mundial, sob qualquer ponto de vista: físico, anímico, emocional, táctico, estratégico. Uma armada completamente à deriva, que não parecia saber ao que ia. Como, que se saiba, tudo foi disponibilizado ao seleccionador, em termos de meios, de conforto e de luxos, para que tal não sucedesse, chegando mesmo a renovar-se o seu contrato antes do final do prazo e do Mundial para que nada o perturbasse, não há, à vista, desculpa alguma para o rotundo falhanço. E claro que nem tudo será da responsabilidade dele, mas uma vez que nada foi até agora convenientemente esclarecido, sobram para cima do comandante todas as responsabilidades.
0 PLANEAMENTO
Creio ter sido o primeiro, ou dos primeiros, a levantar a questão da localização do quartel-general da Selecção em Campinas, obrigando a mais horas de voo do que as necessárias em função dos locais dos jogos e fazendo com que os jogadores treinassem em condições bem diferentes daquelas que já se sabia que iriam encontrar em Manaus e Salvador. Isso, mais a passagem prévia pela costa leste dos Estados Unidos, cuja lógica de todo me escapou, nunca foram esclarecidas e ninguém pode saber até que ponto contribuíram ou não para a diferença abissal de preparação com que nos apresentámos no primeiro jogo, relativamente aos alemães.
A CONDIÇÃO FÍSICA
É absolutamente consensual entre toda a gente que a equipa portuguesa chegou ao Mundial num lastimável estado físico, que o número mais do que anormal de lesões e a moleza mostrada em campo exuberantemente atestaram. Se bem percebi, o médico da Selecção veio dizer que já em Janeiro terá apresentado um relatório onde se preveria a possibilidade de tal cenário. Parece-me cedo de mais, a cinco meses de distância, mas o que não há dúvida é que um conjunto de jogadores a rebentar pelas costuras ou a arrastar-se em campo só pode resultar de todos os factores envolvidos na preparação física: a parte médica, a parte de recuperação, a parte dos treinos. E não é simplesmente aceitável que isto fique por esclarecer e que daqui não se extraiam as consequências que se impõem.
OS ONZES
De jogo para jogo, Paulo Bento só mexeu quando algum jogador rasgava ou era castigado. Fosse qual fosse o adversário, o resultado procurado, as condições de clima ou o estado físico dos jogadores, o seu onze já estava determinado na sua cabeça desde que em Novembro passado garantimos o bilhete para o Brasil. Acabou por utilizar quase todos os jogadores que levou, mas apenas porque circunstâncias alheias à sua vontade o impuseram. Paulo Bento não é conservador: conservadora era a minha avó. O que ele é é um homem de ideias fixas, confiante que a realidade acabará sempre por se render a elas. Viu-se...
0 FUTEBOL JOGADO
Julgo que teremos dividido com a Grécia o pior futebol visto neste Mundial, em que se tem visto tão bom futebol - jogado até por selecções que estavam 20 ou 30 lugares abaixo de nós no ranking da FIFA. Mas, mesmo assim, a Grécia quase que chegava aos quartos, enquanto que nós nunca demos a sensação de poder ir além do que fomos, excepto para aqueles espíritos patriótico-optimistas que acham que basta querer e acreditar para, quem sabe até, chegar ao próprio título. Não se viu nada em campo que pudesse alimentar sombra de tais expectativas - nem sequer contra a equipa de amotinados e desinteressados do Gana. E nem ao menos pudemos queixar-nos da sorte: basta constatar que, dos quatro golos marcados por Portugal, três foram literalmente oferecidos pelos adversários. Segundo depreendi, o futebol planeado pela nossa selecção resumia-se à esperança de que o Cristiano Ronaldo que resolvera o play-off contra a Suécia resolvesse também tudo o resto. Mas não só não havia plano-B, como nem sequer havia equipa para o plano-A.
A EMBAIXADA AO BRASIL
Podíamos ter feito fraca figura em campo, mas boa figura fora dele. Era nossa estrita obrigação, disputando um Mundial num país descoberto por nós, onde se fala a nossa língua e onde, para mais, dispusemos do apoio permanente dos brasileiros. Mas a selecção portuguesa passou pelo Brasil numa postura de vedetas inacessíveis, fechados numa fortaleza onde os únicos que entraram de fora foram dois cabeleireiros. Outras selecções treinaram na praia com o povo a vê-los, visitaram favelas, confraternizaram com os índios e populações locais. A nossa, não: nem uma visita a um centro português, a uma escola, a uma instituição qualquer. Nem um minuto de paragem para falar com as pessoas, nenhuma declaração, fosse de dirigentes, treinador ou jogadores, que, de alguma maneira agradecesse ao Brasil o Mundial e o apoio dado, ou até revelando ao menos que sabiam em que pais estavam - coisa que não tenho como certa.
0 FUTURO
Paulo Bento já revelou não estar disponível para a renovação radical que se impõe fazer na Selecção — não apenas nos nomes, mas no seu próprio funcionamento. Para ele, tudo terá que ser muito lentamente e com o critério da «gratidão» a sobrepor-se a tudo o resto. Ou seja. é mais importante não melindrar os seus, do que renovar a Selecção. Aliás, afastou desde logo a ideia de começar por renovar o seu próprio cargo. Assim sendo, pelo menos, a Federação sabe com o que conta. E nós também. Afinal, foi tudo a feijões.
MIGUEL SOUSA TAVARES, in abola
Li aqui
À procura de um político que não prometa milagres
Todos os políticos nos prometem crescimento - crescimento para não haver cortes, crescimento para pagar as dívidas. E se o tempo do crescimento económico sustentado tiver acabado?
Os economistas andam um bocado desorientados. Não falo dos economistas portugueses, mas dos que, à escala global, andam há anos a tentar dar resposta a um novo mistério: porque é que as economias desenvolvidas perderam a capacidade de gerar crescimento?
Pois é. O problema da falta de crescimento não é só de quem nos tem governado. Bem sei que Portugal tem um dos piores registos desde a viragem do século – em toda a Europa desde o ano 2000 só a Itália cresceu menos do que nós –, mas a verdade é que a persistência de ausência de crescimento é um problema de quase todas as economias desenvolvidas. Entre 2000 e 2013 – período que inclui a euforia pré-crise, os anos de recessão e a lenta recuperação que hoje vivemos – o crescimento médio nos países mais ricos foi historicamente baixo. Na Europa Ocidental, entre os países de dimensão razoável, só dois – a Suécia e a Irlanda – cresceram a um ritmo superior a 2% ao ano. O que significa que praticamente nenhum cresceu o suficiente para conseguir continuar a pagar o seu estado social e, ao mesmo tempo, controlar o seu endividamento.
Não se cresce porque a procura é fraca? Porque a desigualdade é demasiado grande? Porque a China se tornou na fábrica do mundo? Porque se está a perder a capacidade inovar tecnologicamente? Porque as nossas infraestruturas estão deterioradas? Tem havido explicações para todos os gostos. Recentemente até se sugeriu, num artigo no New York Times, qua a ausência de crescimento também pode dever-se à ausência de guerras importantes, um argumento perturbador mas bem documentado.
Em Portugal, como é sabido, o debate é um bocado mais pobre e tem por vezes componentes quase mágicas: bastaria mudar os protagonistas políticos e, de repente, a riqueza brotaria do nosso esquálido país. Sabemos que não é assim. Sabemos sobretudo que não será com as políticas que nos levaram a esta longa estagnação – muita obra pública, muita regulamentação, muita protecção das grandes empresas do regime, muitos e muitos impostos – que poderemos ter no futuro aquele mínimo de crescimento que não tivemos no passado recente.
Na verdade um dos problemas desta discussão – da discussão política e também da discussão entre economistas – é que ela não assume uma realidade simples: o mundo mudou e será muito difícil repetir no futuro fórmulas que tiveram sucesso no passado.
Há um ponto em que António Costa tem insistido nos seus discursos que é lamentar o facto de Portugal ter sofrido muito com o processo de globalização, sobretudo por estar preso a uma moeda, o euro, que não lhe permitia adaptar as suas taxas de câmbio. Não deixa de ser verdade, mas como não se propõe nem a saída do euro, nem o encerramento das fronteiras – duas medidas que nos deixariam em muito pior estado –, sugere-se que com muito apoio público e com muita aposta na educação daqui por uma década seremos por fim competitivos. Até lá, acrescenta-se, deixem-nos em paz com as nossas dívidas – melhor, deixem-nos continuar a aumentar o nosso grau de endividamento.
O discurso da actual maioria é diferente mas, de alguma forma, também está preso à mesma lógica que exige doses generosas de crescimento. Para cumprir o Pacto Orçamental, por exemplo, os documentos de estratégia orçamental do governo baseiam-se sempre em projecções de crescimento sustentado que não ocorreram em nenhuma das economias desenvolvidas na última década e meia. Não é não terem ocorrido em Portugal – é não terem ocorrido nas economias que mais parecidas com a nossa.
O discurso e as propostas políticas, tanto à esquerda como à direita, têm por isso de mudar. É necessário assumir que estamos a entrar num tempo novo, de ritmos de crescimento mais baixos, logo de expectativas muito menores. E que estamos num mundo onde o que acontece na nossa economia já não depende apenas de nós e das nossas reformas, pois é um mundo globalizado e muito competitivo.
Dois séculos de crescimento económico sem precedentes, e duas gerações de progresso sem paralelo num tempo com muito menos guerras do que no passado (por volta de 1950, todas as guerras do mundo cobravam em média 20 vidas por cada 100 mil habitantes do planeta, hoje cobram apenas 0,3), criaram sociedades e costumes políticos que têm de ser repensados. Em Portugal, na Europa, nos Estados Unidos.
Os momentos de ruptura, de mudança de ciclo, são sempre muito difíceis. Basta pensarmos no seguinte: há apenas 10 anos Tony Blair apresentava como um sonho a cumprir conseguir que a esmagadora maioria dos jovens ingleses completassem uma formação superior. Um sonho bonito, que todas as almas generosas se apressam a subscrever. Mas hoje olhamos à nossa volta e o que vemos a desenvolver-se são sociedades onde, a par com empregos cada vez mais qualificados e mais exigentes, há também um número cada vez maior de pequenos empregos nos serviços, sem especial qualificação, mas também sem expectativa que um dia venham a desaparecer, eventualmente substituídos por robots. Os rapazinhos das pizzas e as rapariguinhas dos shoppings não vão desaparecer das nossas paisagens urbanas.
Este é apenas um micro-exemplo de uma realidade muito mais complexa. Em todo o mundo ocidental há uma tendência, irreversível, para aumentarem os custos do estado social ao mesmo tempo que diminui o número de contribuintes e já não há crescimento económico para ir tapando o buraco. Ao mesmo tempo, no resto do planeta, legiões de pobres estão a desafiar a velha supremacia do Ocidente, dispostos a esforçarem-se o que um trabalhador europeu hoje já não quer esforçar-se. Não havendo forma de reverter estas tendências, é a política que tem de se adaptar a estes tempos novos.
Nas próximas décadas vamos continuar a aceder a cada vez mais bens de consumo porque a inovação e a tecnologia torná-los-ão cada vez mais acessíveis. Porém, ao mesmo tempo, é bem possível que o número de euros nas nossas folhas de vencimento estagne ou mesmo diminue. É isso a austeridade dos mil anos, como um dia já escrevi? Não sei, pois dependerá muito da forma como encararmos mudanças inevitáveis que aí vêm e a correspondente forte diminuição das expectativas.
Portugal tem obrigação de criar condições para ter o crescimento que não conhece, de forma sustentada, desde a viragem do século. Há imenso para discutir sobre a forma de lá chegar – se com mais Estado, se com menos Estado, se com menos impostos, se com mais consumo público. Mas isso é muito diferente de fazer crer aos eleitores que há por aí uma riqueza escondida que, no limite, evitará todos os cortes e contornará todos os sacrifícios. Esse mundo já não existe e quem explora essa ilusão só torna o nosso futuro ainda mais difícil. Pior: alimenta desilusões futuras e possíveis revoltas, perigosas e imprevisíveis.
José Manuel Fernandes , aqui
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