quarta-feira, 7 de março de 2018

O Pássaro Amarelo em voo para a miragem


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Pássaro Amarelo. O vazio que sente espicaça-lhe o desejo de voar, desafiando limites e contingências. O azul do céu desafia-o. Sente o gostoso stress da partida que lhe agita as asas em movimentos rápidos e tensos. O ímpeto de liberdade arrebata-o.  O bando aparece-lhe como uma enorme prisão que o abocanha.  


Encontrou no bando o Pássaro Negro, matreiro e engenhoso, com muita experiência em voos arriscados e com imenso desejo de um companheiro para mais uma aventura. Amarelo sentiu a ocasião como o momento. Embalado pela presença, jeito envolvente do Negro e suas aventuras passadas, decidiu que partia mesmo, mais nada o deteria.


Pássaro Verde, o bom conselheiro do bando, ainda tentou que o amigo não se precipitasse. Aproximou-se, estendeu-lhe a asa em sinal de amizade e murmurou-lhe:
- Amarelo, tens direito ao voo, ao desafio, ao teu caminho. Só te pergunto se está na hora de deixares o bando. Tens o tempo todo à tua frente para escolheres bem o momento. Não seria bom que enveredasses por uma viagem sem retorno ou que a alegria da partida se tornasse nas lágrimas da volta.


Também a Pássara Augusta, a menina do Bando, conhecia muito bem Amarelo, seus desvarios, devaneios, sonhos e projetos. Não quis ver partir o amigo, sem oferecer a prova de amizade. Sussurrou-lhe:
- Olha, amigo Amarelo, sabes quanto te estimo, quanto torço pelo teu sucesso.
Algumas experiências de voo arriscado que realizaste no passado, fizeram-te provar o fel do fracasso. Por isso, proponho que vás com calma, a vida não se despeja em cântaros apressados. Se o voo fracassa? Se a trovoada, a ventania, a tempestade te atingem, magoam ou derrubam? E se o Negro te abandona ou te despreza? E se numa aterragem qualquer ele, cansado da tua companhia, te troca por outros pássaros também desejosos de aventura?


Embriagado pela paixão da viagem, Amarelo apenas soltou uns secos pios:
- A vida é minha…. Faço dela o quer quiser… Ninguém tem nada com a minha vida…Não me interessa nada o que pensam os outros pássaros… Vou ser feliz… Estou todo nesta aventura…


Carinhosa e envolvente, a Pássara Augusta estendeu as asas, esticou o bico e piou:
- Quero que saibas, amigo Amarelo, quando voltares ao bando, mesmo ferido e abatido, eu estarei de asas estendidas para te acolher, indiferente ao abandono com  que os outros pássaros do bando te recebam.
Amadurecerás, Amarelo! Então poderás construir a tua felicidade. Começarás a ser livre...

1 comentário:

  1. Belíssima mensagem.
    A vida é aventura.... sem aventureirices. Estas, por norma, transformam a Aventura em desventura.
    Os casos são aos montes em todas as variantes da vida.
    Obrigado pela mensagem.
    Quim Fontes

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