sábado, 13 de dezembro de 2014

A Bolsa de Valores “não tem valores, apenas tem dinheiro”.

João Cláudio/OMP - Cardeal Oscar Maradiaga
As diferenças entre católicos «praticantes» e «ritualistas» para o cardeal Maradiaga

O presidente da Cáritas Internacional, cardeal Oscar Mariadiaga, afirmou hoje em Lisboa que o católico praticante é o que “põe em prática a sua fé” e o que a “privatiza” no interior de um templo é “ritualista”.
“A pergunta final será se deste de comer a quem tem fome. Por isso, não podemos privatizar a fé dentro de um templo, numa celebração litúrgica”, afirmou o presidente da Cáritas Internacional na conferência “Dimensão Social da Evangelização no Mundo de Hoje”, promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz.
Para o cardeal Maradiaga, o cristianismo tem de ser “contagioso” e chegar a todos os setores sociais, económicos e políticos.
“Se temos algum amigo político ou representante no Parlamento, evangelizemo-lo! Se ele não leva a Doutrina Social da Igreja às leis não é praticante, é ritualista”, afirmou arcebispo de Tegucigalpa, nas Honduras.
Para o cardeal Maradiaga, é “importantíssimo” fomentar a “coerência entre a fé e a vida”, a única forma de acontecer na Igreja uma “verdadeiramente renovação”.
“Não podemos fechar-nos na afirmação ‘sempre se fez assim’, nem podemos seguir um modelo exclusivo.  
Para o arcebispo, que preside também ao Conselho de Cardeais que o Papa criou para o auxiliarem na reforma da Cúria Romana, não pode haver “medo de levar a fé ao mundo da política”.
“Temos o tesouro da Doutrina Social da Igreja capaz de transformar as injustiças sociais em que vivemos. Mas cada um tem de assumir as suas responsabilidades e vivê-la na prática, não só com palavras”, sustentou.
D. Oscar Maradiaga defende que a opção preferencial pelos pobres passa hoje pela “mudança do sistema económico em que vivemos”.
“Às vezes pensamos que são os políticos que decidem, mas são os grandes grupos económicos que motivam e ordenam aos políticos o que devem fazer”, recordou.
O presidente da Cáritas Internacional defende que no lugar do dinheiro como “valor principal” é necessário colocar a pessoa humana; as teorias sobre a globalização da económica devem dar primazia à “globalização da solidariedade”; e a defesa do “desenvolvimento sustentável” tem de ser substituída pela ideia de “desenvolvimento humano sustentável”.
O cardeal Maradiaga recordou que a bolsa de valores “não tem valores, apenas tem dinheiro”.
“É necessário levar a força do Evangelho a este mundo”, apelou.
D. Oscar Maradiaga, presidente da Cáritas Internacional, participou hoje na conferência “Dimensão Social da Evangelização no Mundo de Hoje” promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz em parceria com a Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal e a Cáritas Portuguesa, que decorreu no Forum Picoas, em Lisboa.
In agência ecclesia

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