quarta-feira, 23 de julho de 2014

O preconceito

Há um ditado popular que reza assim: "Nós só somos bons enquanto os nossos vizinhos quiserem."
O ditado popular não se refere à bondade ou maldade de coração, nem à reta ou desordenada consciência. Frisa apenas a opinião que os outros poderão ter de cada um de nós.
E como o preconceito ou uma ideia falsa, mil vezes repetidos, formam a opinião geral,  pode muito bem acontecer que uma pessoa boa seja mediocrizada, um medíocre seja divinizado, um pérfido seja entronizado como referência.
Não é só nos mídia que existem os "fazedores de opinião". Nas relações sociais normais eles existem e, porventura, com mais força. E todos conhecemos pessoas que têm especial jeito para desempenhar tal papel, queimando quem lhes desagrada ou não lhes interessa e promovendo os da sua simpatia ou quem lhes faz o jogo.
Há uns anos, participava numa refeição onde estava presente um presidente de Câmara de uma autarquia do sul do país. A certa altura, falava-se da gestão do pessoal, das relações pessoais, das tricas e licas que acontecem quando muita gente trabalha junta.
Referia o autarca que, quando um funcionário lhe vinha dizer mal deste ou daquele seu colega, ficava sempre com "a pulga atrás da orelha". É que, dizia, normalmente havia interesses pouco claros. Inimizades, vinganças, invejas, desejo de subir na carreira derrubando quem obstaculizava, favorecimentos, mau íntimo, etc, formavam a panóplia de motivos que levavam o referido funcionário a destilar veneno contra o seu colega ou colegas.
O autarca em causa dizia ainda ter muito pouca paciência para aturar situações do género que sempre desvalorizava e rapidamente terminava, afirmando que o líder deve estar acima sem se deixar enveredar por intrigas. E convicto, testemunhava: "Jamais permito que numa reunião alguém diga mal de um colega seu ausente!"
No fim da conversa, veio aquele vibrar de alma que apreciei demais: "Se porventura dou por mim a pensar mal de um funcionário só porque um colega dele falou mal dele, não descanso enquanto não tenho uma conversa com a pessoa atingida. E olhem que, normalmente, descubro que havia veneno por trás..."
São líderes assim que são verdadeiramente líderes e não fantoches.

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