terça-feira, 30 de junho de 2020

Trabalhar com Deus

"É um dia verdadeiramente maravilhoso quando paramos de trabalhar para Deus e começamos a trabalhar com Deus."
Max Lucado

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Abílio Lopes de Almeida, uma vida de serviço à comunidade


O senhor Abílio de Gondomar. Natural de Gouviães, casou em Gondomar (Tarouca)  e fez deste povo o seu povo, identificando-se com a sua maneira de ser, anseios e realidades.
A exemplo de seu sogro, o falecido e saudoso sr Manuel Alves, trabalhou imenso por aquela povoação. Cristo Rei era uma paixão. Entre outras coisas, a nova capela tem a marca do seu trabalho, empenho e liderança.
Também a capela de S. João Batista conserva marcas inapagáveis. Escadas exteriores e melhoramentos internos. 
Foi até ao fim. Mesmo quando a saúde já não lhe permitia maiores aventuras, fazia o que podia. Ali estava sempre, antes das celebrações a tocar o sino.
Homem trabalhador e de família, era um pessoa bem-disposta que sabia criar bom ambiente humano.
Homem crente, nunca deixou o seu lugar vazio na assembleia cristã. Foi ainda durante anos o sacristão da capela do seu povo.
"Quem não vive para servir, não serve para viver." Ele viveu servindo, por isso amava tanto a vida.
Obrigado, amigo Abílio!
Nos Braços de Deus te deixamos.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Juventude cool... Para alguns de cool não tem nada!


- Casos de covid-19 entre crianças e jovens aumentaram 96% (e alguns desenvolvem problemas cardíacos)
- Vandalismo em estátuas em vários locais do país
- Cartazes com esta monstruosidade: "Polícia bom, é polícia morto"
- Multidões em praias e locais públicos, sem máscara, sem distâncias, obrigando a autoridade a intervir para dispersar
- Festas ilegais
- Locais onde estiveram a ficar carregados de poluição
- Arrogância e má educação provocatórias diante da autoridade
- Faltas do mais elementar civismo e sentido de solidariedade. Podem servir como elementos de transmissão do vírus para outros e ver os  pais ou os  avós a adoecerem e a poderem morrer
- Sem a cerveja na mão e sem a música aos gritos, não encontram maneira de se sentir vivos.

E não pensemos que se trata somente de adolescentes entre os 15 e os 18 anos. Aparecem muitos jovens que têm bem mais idade e especialmente idade para ter juízo!
Ouve-se muita vezes dizer que nunca tivemos uma geração com tanta qualificação científico-técnica. Em grande parte  será verdade. Mas a qualificação no assumir e viver os valores, essa é mesmo rasca.
E os pais destes jovens? Que pais são? Como agem? Como educam? Não têm consciência que todas estas asneiras transportam as pegadas de pais que o não sabem ser?

É normal a rebeldia e a contestação nestas idades. Mas a má educação é sempre anormal.
E depois é preciso ter consciência que há jovens fantásticos, maravilhosos, que sabem viver a sua juventude; que sonham e lutam pelos seus sonhos; que são solidários e altruístas; que estão comprometidos com um mundo mais ecológico, sem racismos, mais justo e fraterno. Que questionam e lutam por um mundo diferente.

Para alguns jovens que o não sabem ser nem têm família que os ajude a ser, não teria todo o cabimento o serviço militar obrigatório? Não cabe ao Estado fomentar o civismo e os seus valores?
Não será tempo de parar com o endeusamento da juventude e começar a agir de uma maneira mais pedagógica e eficaz?

Não é só no mundo dos adultos. Muitos dos mais novos demonstram que nada aprenderam com esta situação pandémica.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

D. José Ornelas: "Não somos um país cristão"

Em entrevista conjunta à Renascença e agência Ecclesia, o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa lembra que "os países mais cristãos já não são os europeus", devendo a Igreja, por isso, "ser missionária em todo o lado". D. José Ornelas promete fazer "uma certa ginástica" para poder cumprir a dupla função, em Setúbal e na CEP, passando "a olhar para a igreja em Portugal de uma forma global". Sobre a eutanásia, o presidente da CEP entende que discuti-la "é um murro estômago".

Veja aqui

terça-feira, 16 de junho de 2020

Precisamos dos serviços públicos na linha da frente...


A saúde está em 1º lugar. Já diz o povo: "É rico quem tem saúde".
Abrem-se cafés e restaurantes. Funcionam cabeleireiros e supermercados. Rolam os transportes públicos. Cessa o fechamento de fronteiras. Voam os aviões...
E há Centros de Saúde fechados, sem atendimento presencial???
Se há espaço onde as pessoas têm preparação para se defenderem do vírus são os Centros de Saúde. Preparação para se defender e defenderem os utentes...
Há doentes a precisarem mesmo de ser vistos e acompanhados pelos profissionais de saúde...
A consulta presencial, por norma, não é um acessório, é uma necessidade...
Há riscos? Onde os não há?
Não se aponta o dedo aos profissionais de saúde que têm provas mais do que dadas...
Questiona-se é a organização, a estrutura, o funcionamento...
Se as instâncias privadas da saúde estão a funcionar, logicamente cumprindo as regras, não se percebe a razão de tanto receio nas instâncias públicas. 
E quem não tem possibilidades de recorrer ao privado? Fica abandonado?
Mas não é só a saúde pública que merece queixas do cidadão. Há serviços públicos que deixam tanto a desejar no tocante ao atendimento ao público nestes tempos pandémicos!!!
Não deveriam os serviços do Estado - todos  - estar na linha da frente no serviço aos cidadãos?

sábado, 13 de junho de 2020

Tem 90 anos e não dispensa a Missa de Domingo

A partir de 31 de maio, fez absoluta questão de participar na Eucaristia dominical.
Quando lhe disseram e explicaram que era uma pessoa de risco, não só pela idade como também pela falta de saúde, e como tal, estava dispensado de ir à Missa, porque os senhores Bispos tinham dado esse conselho a pessoas em situação igual à dele, apelando a quem participassem pela Eucaristia transmitida pela TV ou pelas redes sociais, respondeu que não queria. Familiares insistiram, dizendo que o poriam a ver a celebração no Facebbhok, a resposta voltou convicta: "NÃO".
E acrescentou do alto do quase século de vida: "Na televisão vejo as notícias, os comentários, os filmes e outras coisas, quando me apetece ou me agrada." Mas a Missa não é um espectáculo para ver, é para participar!"
E logo a seguir esclareceu-se como que para calar resistências: "Vou cedo, levo máscara, desinfecto as mãos, fico longe das outras pessoas, guardo todas as distâncias."
Marcou-me aquela frase do nonagenário:  "A Missa não é um espectáculo para ver, é para participar!"
Todos, todos, cada um, cada um! Pensemos, pense na beleza, no encanto, na profundidade, na fé que esta mensagem traduz!|
Quantas pessoas do nosso tempo não querem transformar a Missa num espectáculo???
Quantas pessoas se escusam, se abstêm , se demitem de participar na Missa?

"Não é uma gripe como as outras, não é" - testemunha quem passou por elas...

Esteve 1 mês em casa. Por causa da COVID-19 que contraíra. Com contactos diários, via telemóvel, com o médico.

Diz nunca ter passado por nada semelhante. Uma tosse seca intensa. Variação frequente de temperatura, tanto sentia um calor insuportável como a seguir vinha um frio que nada acalmava. Perda de forças que levavam a não conseguir pôr-se a pé. Dores por todo o corpo e um mal-estar indescritível.
A juntar a tudo isto , um isolamento triturador. "Parecia que tinha lepra e não queria ninguém perto de mim." Deixavam a comida à porta e esperava que a pessoa se afastasse para a vir buscar. Um mês sem ver a família embora morasse na mesma casa. Mil cuidados com a limpeza e desinfecção da roupa, dos utensílios usadas na comida e dos espaços por onde tinha que se movimentar. Angústia com a possível contaminação dos familiares, suplicando junto das entidades competentes para que estes pudessem realizar os testes. Quando foram realizados e deu negativo, sentiu-se mais aliviada. Quando lhe mandaram realizar novos testes, o 1º deu negativo, sentia-se muito melhor, renascia tudo. Logo a seguir o 2º teste obrigatório com o resultado de assintomático. Veio a ordem médica para continuar o isolamento. Uma queda no fundo poço da desilusão. Mais um tempo trancada. Quando finalmente repetiu is testes com resultados negativos, pôde voltar à vida normal e, logo a seguir, voltou ao trabalho
Enquanto ia narrando o aquilo que passara, repetia, como um refrão, "há quem pense que a COVID-19 é uma gripe como as outras, mas não é. É horrível!"

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Aí está o Sopé da Montanha!


O amigo que, mensalmente, visita a sua casa...
Sopé da Montanha pede-lhe:
- Não me feches a porta!
- Lê-me!
- Divulga-me!
- ASSINA-ME!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Cabe aos sócios a voz e a vez

No próximo fim-de-semana, realizam-se as eleições para os órgãos sociais do Futebol Clube do Porto.
Numa eleição normalmente monocórdica, com um só candidato - Pinto da Costa -, este ano aparecem mais duas candidaturas.
Só por si este facto diz que as coisas não estão bem no reino do Dragão. Caso o rumo fosse o que foi durante anos e anos, certamente não haveria oposição a Pinto da Costa. Por outro lado, a diversidade de candidaturas realça  vitalidade interna e democracia. 
Como um simples adepto, há muito escrevi e mantenho a convicção que Pinto da Costa devia ter deixado a presidência do Clube quando, com Villas Boas, o Porto ganhou o último grande troféu internacional a nível da equipa principal. Daí para cá, tem-se assistido a um lento deteriorar da situação, não só a nível competitivo como a nível económico.
Como em tudo na vida, há que saber entrar, mas há que saber também sair. Sabemos que a idade não perdoa. É assim para todos. Até aos 70, somos nós que mandamos; a partir dos 70, é a idade que manda em nós...
Como a maioria esmagadora dos portistas, não esqueço quanto o Futebol Clube do Porto deve a Pinto da Costa no ressurgimento, expansão e glórias desportivas conquistadas. Durante muitos anos, com o actual presidente, o Porto ia muito à frente, com capacidade para antecipar o futuro, capaz por isso de rupturas nem sempre perceptíveis no momento pelos cidadãos comuns nem pela comunicação social.  Penso que a 1ª vez em que Pinto da Costa deu sinais da incapacidade de fazer essas rupturas foi quando queria Jorge Jesus, então no Braga, mas não foi capaz de as fazer porque Jesualdo, nessa época, ganhara o campeonato e fora aos quartos da Champions. Pagou caro, porque na época seguinte o Porto não ganhou. Primeiro claro sinal da perda de fôlego.
O Porto não está bem. Nos últimos 6 anos, um campeonato e uma Super-Taça! Muito pouco para quem tinha o saudável hábito de ganhar. Economicamente, a situação é aflitiva, ainda por cima agravada pela presente pandemia.
A lista que Pinto da Costa vai apresentar a sufrágio não traz grandes novidades nem gera confiança por  aí além. Ainda por cima vem carregada de pessoas ligadas ao poder político, quando, durante muitos anos, ele defendeu peremptoriamente a separação entre política e Clube. 
Claro que, como a maioria, eu penso que a sua lista vai ganhar. As alternativas também não entusiasmam nem convencem.
Oxalá esteja enganado, mas penso que vem aí mais um ciclo de afundamento da vitalidade do meu Clube. Este precisa de gente nova, projectos novos, mentalidade nova para responder a novos desafios. 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Há experiências marcantes...

À vossa proteção, recorremos, 
Santa Mãe de Deus; 
não desprezeis as nossas súplicas 
na hora da prova 
mas livrai-nos de todos os perigos, 
ó Virgem gloriosa e bendita.

Hoje vi o vídeo da Visita da Imagem de Nossa Senhora aos povos da Paróquia de Tarouca.
É certo que ontem à noite participei não só no terço como na Visita. Mas ver o acontecimento  em vídeo oferece outra perspectiva, até por me sentir emocionalmente mais livre.
Aquele tempo, das 20.15h às 23h, foi envolvente, vivido, sentido.
A Imagem de Maria torna mais presente aos sentidos e à alma a presença da Mãe junto da vida de todos.
Mesmo nestes tempos de pandemia, com todos os cuidados que há que ter, a adesão das pessoas foi  prudente e maravilhosa. Não só dos que trabalharam para que a Visita fosse possível, mas também dos que participaram de outra forma: lançando flores, cantando com o altifalante, batendo palmas, acendendo velas, estendendo colchas, atapetando ruas... Houve mesmo um simpático grupo de pessoas que, por sua iniciativa, acompanhou nos seus carros a Imagem da Senhora pelas ruas da freguesia.
Nossa Senhora passou por nós, fez festa connosco, para nos recordar o que para Ela é essencial: "Fazei tudo o que meu Filho vos disser."
Maria, Imagem da Igreja Peregrina, acolhe a nossa prece e vem hoje ensinar-nos a caminhar para Jesus.

Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.
Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.
Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Amen.

(Papa Francisco)

sábado, 30 de maio de 2020

Cardeal António Marto critica quem exige comunhão na boca apesar da pandemia. "Jesus disse 'tomai e comei'. Não disse 'abri a boca'"

 
Numa entrevista a um podcast da Companhia de Jesus, o cardeal D. António Marto defendeu que as mãos são dignas de receber a hóstia — ao mesmo tempo que "há tanta sujidade às vezes nas bocas".

O cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da Conferência Episcopal, deixou esta semana duras críticas à ala mais conservadora da Igreja Católica — sobretudo aos que se opõem às normas de higiene para o regresso das missas comunitárias, nomeadamente à proibição de receber a comunhão diretamente na boca.

O próprio Jesus disse ‘tomai e comei’. Tomai. Não disse ‘abri a boca’. ‘Tomai e comei, tomai e bebei.’ O gesto de Cristo é expressivo“, disse o cardeal numa entrevista ao podcast Ponto de Viragem, do portal dos jesuítas Ponto SJ.

As declarações de D. António Marto surgem na mesma semana em que foi conhecido um apelo, assinado por 500 católicos, entre leigos e sacerdotes, enviado aos bispos portugueses, mas também ao Vaticano, no sentido de que seja levantada a proibição de receber a comunhão na boca.

“Há tanta sujidade às vezes nas bocas”, disse o cardeal. “Às vezes vejo mãos calejadas a receber a sagrada hóstia e fico comovido. São mãos de trabalho, de sacrifício, de doação à família, de doação aos outros. Mãos às vezes de santos e santas. Porventura mãos santas. Porque é que havemos de dizer que há de ser só na boca?“, questionou.

O cardeal lembra que a “divergência de opiniões” dentro da Igreja Católica não é novidade, mas sublinha que é preciso que os católicos sejam “racionais” e se mostrem “responsáveis”.

“Todas as medidas que a Conferência Episcopal tomou e indicou, todas elas foram dialogadas com as autoridades do Estado e com a DGS”, garantiu D. António Marto. O bispo de Leiria-Fátima deu mesmo o exemplo concreto do que aconteceu em Fátima no 13 de Maio, que, pela primeira vez, ocorreu sem peregrinos fisicamente presentes.

“As pessoas não podem pensar que fiz isso de ânimo leve”, disse Marto. “Quando foi posto em causa se se havia de fazer, por causa das declarações da ministra da Saúde, que num primeiro momento foram ambíguas, aqui choveram centenas de mails a querer que a Igreja manifestasse a sua posição firme. Se os outros fazem, nós também devíamos fazer.”

Porém, o cardeal optou por manter a decisão privilegiando “o bem comum, a dignidade da pessoa humana e o imperativo moral de salvar vidas”. “Como dizia o Papa Francisco, era preciso colaborar com os responsáveis pela saúde pública e respeitar as indicações que nos davam para isso“, considerou D. António Marto.

O cardeal lamenta ainda aquilo que descreve como “uma bulimia dos ritos e a anorexia da palavra”. Ou seja, “a sofreguidão, o apetite sôfrego de consumir ritos, e a falta de apetite para a palavra de Deus“, que encontra em alguns setores da Igreja Católica.

Fonte: aqui

sexta-feira, 29 de maio de 2020


quarta-feira, 27 de maio de 2020

Sem o Espírito Santo... Com o Espírito Santo

Sem o Espírito Santo:
Deus está longe,
O Cristo permanece no passado,
O Evangelho é letra morta,
A Igreja é uma simples organização,
A autoridade é uma dominação,
A missão é propaganda,
O culto é uma velharia e
O agir cristão uma obra de escravos.

Mas, no Espírito Santo:
O cosmos é enobrecido pela geração do Reino,
O homem está em combate contra a carne,
O Cristo ressuscitado torna-se presente,
O Evangelho  faz-se poder e vida,
A Igreja realiza a comunhão trinitária,
A autoridade  transforma-se em serviço que liberta,
A missão é um Pentecostes,
A liturgia é memorial e antecipação,
O agir humano é deificado.

terça-feira, 26 de maio de 2020


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Uma campanha que surpreendentemente cresce. Mau será que nos passe ao lado…

Num momento de pandemia, há outros assuntos mais importantes.
Mas, o Espírito de Deus age quando quer e em quem quer. Ninguém é dono dele. Nesse princípio do Espírito, o «santo povo de Deus», como gosta de dizer o papa Francisco, vai falando e pede aos seus pastores que deixem já os símbolos pagãos do passado, que não estão em concordância com os tempo de hoje e com o desprendimento de Jesus Cristo, que os Evangelhos sobejamente nos dão conta. É preciso ouvir o povo, porque não pode ser só para quando dá jeito a máxima «vox Populi, vox Dei».
A campanha começou com a irmã Mercedes Loring, freira da Assunção, de 95 anos, porém com uma cabeça perfeitamente saudável e cheia de vitalidade na entrega aos mais pobres em Guayaquil, Barcelona ou Madrid, fez a seguinte pergunta «Seria possível pedir ao Papa que suprima esses ‘chapéus’ inúteis dos bispos?»
Muitos arrancam os cabelos com este tipo de notícias e campanhas. Não fora o gosto desmedido por tanta gente que se enfeita dos pés à cabeça nas cerimónias religiosas e não só para se apresentar diante dos outros como se fossem extra humanos, deuses… A máscara é necessária para proteger a saúde não para se destacar do comum dos mortais. Os tempos que vivemos são uma boa oportunidade, para recentrar o pensamento e a vida na simplicidade do essencial, ainda mais se nos reconhecermos tão efémeros. É a hora de perceber como tantos enfeites anacrónicos que ainda persistem e, alguns são retomados com entusiasmos, não passam de vaidades inúteis.
A imagem da simplicidade e humildade de Cristo é o modelo. Tudo que extravasa esta referência é pura criação humana, logo paganismo.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais : "Boas Histórias"

A mensagem do Papa para esta celebração alerta para as narrativas “falsas” e “devastadoras” que marcam a comunicação atual, apelando a um maior espaço para “boas histórias”.
“Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (o ‘deepfake’), precisamos de sabedoria para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas”, escreve.
O texto tem como tema “‘Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história”, centrando-se no papel central que a “narração” tem na história do ser humano.
Francisco indica que as pessoas têm “necessidade” de se narrar a si próprias, uma narração ameaçada constantemente pelo mal.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se no domingo antes do Pentecostes.
"BOAS HISTÓRIAS"
As novas tecnologias - e não só - surgem como campo fértil para o surgir de teorias da conspiração, notícias falsas ou deturpadas, mentiras...
Não podemos acreditar numa notícia só porque ela surgiu numa das novas tecnologias. Precisamos de verificar as fontes e confrontá-la.
Em muitas formas de sensacionalismo subjaz a manipulação e a falsidade. Ora são exactamente as notícias sensacionais as que mais rapidamente são copiadas, passadas e voltadas a passar. Porquê? Porque as pessoas são más consumidoras de informação. Comem e calam, não questionam, não confrontam, não procuram as fontes.
E isto nem sequer é difícil, basta pedir ajuda ao google...
Recentemente fui confrontado com duas notícias que me chegaram. Uma delas, que citava claramente a fonte, pareceu-me credível, de fonte confiável. Coloquei-a nos meus espaços internéticos. Só que fiquei com "a pulga atrás da orelha" e resolvi investigar. Pois, a notícia continha muita inexactidão, várias deturpações. Logo retirei a notícia dos meus espaços. Voltei a consultar a fonte da referida notícia. Já tinha sido retirada. Certamente ter-se-ão apercebido das imensas lacunas que ela continha e, logicamente, apagaram-na.
Pelo WhatsApp, chegou-me uma outra informação, cativante, chamariz, envolvendo poupanças no dia-a-dia. Lembrei-me do provérbio "não há almoços grátis" e fui consultar. Claro, enganosa e falsa...
E depois este tipo de notícias é imparável. Continuam a circular algumas frases atribuídas ao Papa que são falsas e completamente fora do contexto. Apesar de imensas vezes desmentidas e de tudo ser explicado, continuam as circular...
Cuidado, pois!
Sejamos fim de estrada para a mentira, a falsidade, a deturpação, as teorias da conspiração, Sejamos pessoas de bom paladar intelectual, que não comem tudo o que lhe dão, porque não prescindem de usar o dom maior: a inteligência.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Iniciativa que merece o meu aplauso

A monja de 95 anos que lançou uma campanha para acabar com as mitras dos bispos

A irmã Mercedes Loring, 95 anos, monja espanhola das irmãs da Assunção, lançou uma campanha para pedir ao Papa que acabe com as mitras dos bispos, justificando: “Não imagino que Jesus tivesse estas pretensões. Os seus representantes devem dar testemunho de simplicidade e o solidéu já é suficiente.”
A campanha foi assumida pelo portal Religión Digital que, em poucos dias, recebeu centenas de adesões à ideia, como conta aquele jornal digital espanhol, de todos os cantos do mundo e com mensagens de todo o género e condição. “Absolutamente todas contra as mitras dos bispos”, asseguram os editores do jornal.
O RD acrescenta que, nas mensagens, muitas pessoas recordam a imagem do bispo Pedro Casaldáliga, de origem catalã, mas que vive há largas décadas no Brasil. Em 1971, o agora bispo emérito tomou posse da diocese de São Félix do Araguaia, com um chapéu de palha no lugar da mitra, um remo de um barco como báculo e um anel de tucum.
Mercedes Loring, acrescenta o RD, passou grande parte da sua vida nos bairros mais pobres de Guayaquil (sudoeste do Equador, na costa do Pacífico), Barcelona ou Madrid. A própria apresenta-se também como sendo irmã de dois padres jesuítas, Jaime e Jorge, que já morreram.
Fonte aqui

segunda-feira, 18 de maio de 2020

A fé e a ciência lado-a-lado

Como nós nos desviámos das pautas da música de Deus! Como nos transviámos! Mas podemos sempre regressar, procurar os caminhos ajustados, acertar processos, dado que Deus nos deixou um mapa preciso e precioso na nossa inteligência, vontade, sensibilidade, capacidade de discernir e decidir. Quero dizer: nem fideísmo nem cientismo. O fideísmo é aquela maneira de viver pensando que a fé não é da ordem da razão, mas apenas do sentimento, um assentimento do sentimento, portanto e só. Em nome desta conceção de fé cega e fechada, quantos desastres aconteceram ao longo da história, e ainda hoje toldam o olhar de grupos extremistas radicalizados! O cientismo consiste em entregar todas as chaves da vida e da nossa casa à ciência e à técnica, vendo nelas «o deus deste mundo» (2 Coríntios 4,4), que resolve todos os nossos problemas. Também este modo de ver e de viver se revelou desastroso e abriu incontáveis valas comuns. Serve aqui o juízo de Max Horkheimer e Theodor Adorno, com data de 1947: «O iluminismo, no sentido mais amplo de pensamento em contínuo progresso, perseguiu desde sempre o objetivo de libertar os homens do medo e de os tornar donos. Mas a terra inteiramente iluminada resplandece, ao contrário, de triunfal desventura!». 
Serve este estendal para olharmos com mais atenção para este tempo marcado pela tempestade da Covid-19, que praticamente sem aviso nos caiu em cima, arrumando para o lado as nossas agendas, fechando as nossas portas e deixando a nu as nossas limitações. Dizem uns: afinal, Deus e as Igrejas, a fé e a oração não servem para nada, não nos trazem nenhum proveito; dizem outros: e nós que pensávamos que a ciência resolveria todos os nossos problemas! Nem os crentes verdadeiros perderam os seus créditos, nem o saber dos cientistas foi pela água abaixo! O mapa e a bússola para os novos caminhos a trilhar não estão só nas mãos dos crentes que rezam de verdade ou dos cientistas que se esmeram nas suas pesquisas. Deixou-os Deus nas mãos do ser humano, do crente e do sábio, e todos devem lutar, cada um com os dons que recebeu, para tornar este mundo mais belo e saudável e habitável. Deus acredita em nós: por isso, ao criar-nos livres, inteligentes e voluntariosos, repartiu connosco o seu poder e a sua sabedoria, fundando a oração e a ciência, e até não nos impedindo de podermos fazer mau uso dos seus dons. Ao criar-nos assim, responsáveis e livres, convenhamos que Deus correu riscos, mas Deus acredita em nós, confia em nós. Lutemos, pois, com a inteligência e o coração, com a oração; lutemos, pois, com os dados por Deus dados, nos hospitais e laboratórios. De resto, os santos sempre souberam arrastar o mundo para o bem e o bem para o mundo, vergando, para tanto, o coração de Deus. E os verdadeiros cientistas, crentes e não crentes, mas sempre sensatos e sensíveis e humildes, a cada passo são surpreendidos com o incrível e o ainda não explicável! 
É bem verdade, podem testemunhá-lo os santos e os verdadeiros homens da ciência: o pão e o sonho que alimenta a vida, Deus o dá aos seus amigos até durante o sono (Salmo 127,2; cf. 1 Reis 3,5). Eu próprio disse e escrevi a meio do ano passado de 2019: «Sendo a vida, então, um contínuo estado de emergência, o bem que deve ser feito agora assume um carácter de extrema urgência». Têm-me perguntado: como é que eu disse e escrevi isto naquela altura, quando ainda não se pressentia nada? Se não se via nada, era por causa do escuro que fazia. Tenho dito e escrito muitas vezes que atravessamos “a noite do mundo”. E de noite, pouco se vê. É preciso perguntar com Isaías: «Sentinela, quanto resta da noite? E a sentinela responde: Já desponta a manhã, mas é ainda noite» (Isaías 21,11-12). É, portanto, necessário que nos postemos sobre a fresta da porta entreaberta (Salmo 106,23), para que algum pingo de luz possa ainda alumiar o nosso olhar, e para impedirmos que a porta se feche. 
                                                                                                                   D. António Couto