domingo, 18 de junho de 2017

Uma semana carregada!

Numa semana arrasadora para mim, um tema sobressai: 61 mortos no incêndio de Pedrógão Grande.

Incêndio em Pedrógão Grande
Sessenta e um mortos! Incrível.
A culpa não pode morrer solteira. Não venham com a explicação do calor, da pouca humidade no ar, dos ventos, da trovoada seca ou da morfologia do terreno... Pode agravar, mas não explica tudo.
Depois de anos e anos a ser bombardeado pelo flagelo dos incêndios, Portugal precisa de uma explicação capaz, coerente, convincente.
Mais, o governo - todinho! - a oposição, os deputados, deviam estar neste momento no terreno a pedir desculpa ao povo português. Cheios de beijinhos e abraços na propaganda eleitoral, cheios da ausência dos políticos quando o povo sofre (O Presidente e um ou outro esteve presente, mas tal não chega...)
O que falhou? Quem falhou?  Quem vai ser responsabilizado diante da justiça? Que leis tem feito o Parlamento? Como tem implantado o Governo no terreno a legislação adequada? E as Câmaras? A Proteção Civil?
Não, não é possível que, num país martirizado por incêndios, se deixem morrer 61 pessoas num incêndio!!!
E a Justiça? A investigação? Não atiremos apenas e só a culpa aos pirómanos, aos drogaditos e a pessoas dementes que, porventura a troco de tostões, incendeiam. Que interesses estão por trás de tudo isto?  Que lóbis continuam, por trás da cortina, a reduzir o país a cinzas? A Justiça não chega lá, porquê?
Já para não falar de espécies não autóctones, da falta de limpeza das matas e de trilhos acessíveis...
Neste momento a nossa oração pelos falecidos e pelos que ficaram com a alma a sangrar.
Mas que os cidadãos nunca se calem e exijam explicações e ações futuras para que desgraças destas não mais aconteçam.
Semana complicada
Que semana! Diz o povo que uma desgraça nunca vem só. Pois, a semana já era complicada, mas apareceram outros fatores agravantes, não previstos.
Não, não foram desgraças, foram trabalhos. Funerais, Missas de 7º Dia, andanças pelas repartições públicas, imensos contactos estabelecidos em virtude de situações imprevistas ou previstas...
Ensaios, encontros, organização, elaboração de documentos, burocracias... O Crisma e Profissão de Fé, realizados em 15 de junho, absorveram até ao tutano a minha atenção. Foi a 1ª vez, em 26 anos, que as duas festas se realizaram simultaneamente e abrangendo o Centro Paroquial e a Igreja Paroquial, com toda a carga logística e organizativa que isso significa.
Felizmente apareceu um grupo disposto a embelezar as ruas por onde ia passar o Santíssimo.  Mas isso também me obrigou a explicar, a motivar...
Depois a Peregrinação a Fátima, num contexto de noites sem praticamente ter dormido em virtude do stress. Felizmente correu bem e as nossa gente foi impecável.
Hoje, além das Missas normais, festa em Arguedeira,  terço  e Missa do 3ª domingo em Santa Helena. Tive que tomar 2 cafés para me aguentar. Cheguei absolutamente exausto, sem poder mais.
Valeu-me que encontrei um grupinho da catequese que tinha resolvido passar este domingo em Santa Helena, apesar dos pequenos já estarem de férias. Os pequenos da catequese funcionam para mim como um suplemento de energia. Ao estar com eles, esqueci as preocupações e senti-me muito bem.
Com os miúdos e os jovens, posso ralhar, perder a paciência, enervar-me. Mas sinto-me sempre feliz. Estes pequeno grupo do 8º ano, com suas catequistas, foi fantástico. Foram carinhosos, agradecidos, colaborantes. Obrigado, meus amigos. Quanto bem me fez a vossa companhia!
Também apreciei e louvei o trabalho da Comissão em Santa Helena, especialmente nestes dias do campeonato nacional de DownHill .
Tudo correu bem?
No geral, sim. Por isso estou contente a grato a todos os que colaboraram.
Excetuam-se três coisas:
- Vi muitos pais a comungar com os filhos e vi poucos pais a confessar-se. Podem sempre dizer que se confessaram fora... Pelo número, deixa-me de pé atrás e pouco convencido. Não se brinca com Aquele que nos leva muito a série e que sempre nos conhece totalmente. Já diz a Escritura: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.” (1Co 11. 27).
FÉ não é mundanizar o cristianismo, é cristianizar o mundo.
- A Procissão do Santíssimo este longe do desejável.  Por isto: muita gente a ver passar e a tirar fotos. Sabiam que não o podem fazer?
A procissão do Santíssimo é a procissão das procissões. Não é uma imagem, é o próprio Cristo que passa.
Não é para estar a ver passar, é para ACOMPANHAR, rezar, louvar, cantar, guardar silêncio.
Muito temos todos que caminhar e ajudar a caminhar!!!
- Há gente que continua a ver a Igreja como "um supermercado de sacramentos". A Igreja é o povo de Deus em comunhão (comum união).
Na Igreja não há escravos, há serviços.
Muitas vezes as comunidades pensam que o padre é seu escravo. Querem as suas tradições e tradiçõezinhas, as suas festas e festinhas, sem terem minimamente em conta que o padre que os serve não é escravo. É pessoa!
A nossa Serra

Na peregrinação a Fátima e no dia de hoje, vivi esta inquietação: que queremos para a nossa Serra?
Sem politicas nem politiquices. Apenas como cidadão.
Preocupa-me a pergunta e sobretudo o que o futuro poderá dizer.
Que Serra queremos deixar?
Uma Serra espaço de silêncio, de respiração de alma, de encontro connosco mesmo e com Deus ou uma Serra barulhenta, poluída pelo barulho e pela confusão? É que para isto há outros locais...
A Serra precisa de oferecer condições às pessoas que queiram vir e usufruir da beleza reconfortante do lugar. Unidades hoteleiras e de fixação.
O que não precisará é de barulho e confusão.
"Que queremos para a nossa Serra?
Pensemos nisto atempadamente e antes que seja tarde. Como cidadãos e amigos desta terra. Apenas nesta condição.
Da resposta que dermos ou deixarmos de dar, seremos julgados pelo futuro. E o futuro é já amanhã.

1 comentário:

Anónimo disse...

Boa tarde.
Sobre a tragédia em Pedrógão Grande, não deixe de ler o que diz Jaime Marta Soares, Presidente da Liga dos Bombeiros.
http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/presidente-da-liga-dos-bombeiros-convencido-que-incendio-teve-origem-em-mao-criminosa