sábado, 11 de março de 2017

SÓ E A SÓS


A solidão!

Quantas pessoas sós! Quantas pessoas a enfrentarem sozinhas situações complicadas na vida.

 Há momentos em que a solidão nos pode surpreender mais dolorosamente.

Aquela mãe perdeu o filho ainda tão novo. E ficou uma grande ferida no seu coração. Uma ferida que custa a curar. Ninguém sente a dor daquele vazio como ela.

Aquele homem perdeu a esposa; aquela mulher perdeu o marido. E lá ficam os últimos anos da vida carregados de solidão…

 Foi a criança, o adolescente, o jovem… Perderam o pai, ou a mãe, ou os pais… Tão cedo… Apesar de tanta gente amiga e de muitas ajudas, às vezes sentem-se muito sozinhos a enfrentar a vida.

A solidão é uma cruz. É pesada a cruz da solidão.

Estas situações de solidão facilmente as percebemos. Mas há outros tipos de solidão, que podem ser também bem dolorosas.

 Sim! Por exemplo a solidão dos justos que se esforçam pelo bem e são maltratados.

A solidão de quem erra e se sente rejeitado. A solidão de quem feriu ou se sente ferido pelo coração do amigo que lhe fez tanto bem.

A solidão de quem está no meio de muita gente, mas pressente que está só. Poucos amigos tem.

A solidão de quem tem de tomar decisões difíceis para o bem de todos na fidelidade à sua consciência.

A solidão de quem está a abrir caminhos novos, de futuro.

A solidão da vida em família, quando as pessoas habitam o mesmo espaço físico, mas os corações parecem distantes.

A solidão dos lares desfeitos, que deixam corações magoados e ressentidos e põem os filhos a andar do pai para a mãe e da mãe para o pai, buscando migalhas de segurança e carinho.

A solidão é uma cruz. É pesada a cruz da solidão.

 Na verdade, a solidão é uma realidade na nossa vida. Mas estará ele condenada a destruir-nos? Tornará ela fatalmente a nossa vida demasiado dura e pesada?

Não! Sabemos que não! Há um outro modo de olhar a solidão.

 Precisamos de momentos em que nos sintamos a “sós”. É importante para mergulharmos no sentido mais profundo da nossa existência.

 O estar a “sós” pode ajudar-nos a:

- amadurecer na nossa identidade como pessoas;

- percecionar melhor o valor dos outros e a reconhecer a sua importância benfazeja na nossa vida;

- reconhecer e aceitar melhor os nossos limites e fragilidades;

-  acolher e interiorizar melhor a Deus como a grande e fiel presença amiga em todas as situações da vida;

- voar no sonho, idealizar projetos, amadurecer decisões;
- encontramo-nos connosco mesmos num mundo de ruído e confusão.

"Não vou só. Tenho um Amigo a meu lado. Eu sei que Deus vai comigo."

A SOLIDÃO DESAFIA-NOS:
- à solidariedade, à presença, à ajuda;
- a termos cuidado  com os nossos olhares, gestos e palavras para que ninguém se sinta abandonado, ferido , sozinho;
- a sermos criativos na maneira de abordarmos os outros para evitar que se fechem;
-  Evitar sempre o Bullying, denunciando a quem de direito quem o pratica;
- à caridade que ajuda a levar a cruz do irmão que está em solidão;
- à abertura aos outros, a sair do nosso mundo fechado, a encontro.

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