sábado, 14 de julho de 2018

Breves notas sobre a Igreja de Tarouca

* Já em 569 se fala da Paróquia de Tarouca, porventura uma das seis que constituíam a diocese martiniana de Lamego. Tinha então uma área muito extensa, até ao rio Paiva. Mas ainda no princípio da nacionalidade, abrangia, além da atual, as paróquias de Alvite, Sever, Almofala, Mondim, Gouviães, Dálvares, Ferreirim…
* Terá havido um templo suévico-visigótico a que a invasão muçulmana de 711 terá posto cobro. Onde ficaria semelhante templo? A tradição aponta para o Bairro de São Pedro.
* O primeiro documento que refere a Igreja de Tarouca data de 1163.
* A atual Igreja Paroquial, Monumento de Interesse Nacional, é um monumento românico-gótico que remonta a finais do séc. XII, séc. XIII. Como acontece em muitos outros casos, também este templo sofreu, ao longo dos tempos, intervenções e alterações diversas. Desde logo a talha barroca que se observa nos vários altares. Antes desta,  a implantação do túmulo manuelino - meados do séc. XV, séc. XVI - onde se pensa estar sepultado o 1º Conde de Tarouca, D. João de Menezes. Sob o arcossólio, uma pintura mural que representa Cristo Ressuscitado, única na região, restaurada há pouco tempo e muito admirada por visitantes com mais cultura.
* Merecem ainda atenção as colunas e arcos em ogiva dos pórticos principal e lateral (virado para o adro - antigo cemitério. A sua simplicidade confere-lhes enorme beleza. Também as pedras sigladas, interiores e exteriores, os vários motivos zoomórficos de adorno chama a atenção.
Uma Igreja que é uma aula de catequese
* Se olharmos, verificamos que existem no templo várias imagens de Nossa Senhora. Senhora de Fátima, Senhora da Soledade, Senhora do Rosário, Senhora da Saúde. Mas nenhuma das imagens da Senhora está na Capela-Mor. Maria leva-nos sempre para Jesus. "Fazei aquilo que Ele vos disser", disse a Mãe nas Bodas de Caná. Mas Maria não substitui Jesus, leva-nos até Ele e deixa-nos com Ele. Maria sabe da centralidade absoluta de Jesus Cristo na nossa fé. e os nossos antepassados também sabiam.
* A presença do Ressuscitado na pintura mural e na  escultura da porta do Sacrário. Num tempo muito virado para a Via Sacra dolorosa, em que parecia que tudo terminava na Cruz, os nossos antepassados viram bem mais longe  compreenderam que a Cruz sem a Ressurreição era o sem-sentido da vida. Só a Ressurreição da sentido à Cruz. Com o Concílio Vaticano II, felizmente começou a ser frequente falar da Ressurreição. Noutros tempos não era bem assim. Por isso se disse que os nossos antepassados viram bem mais longe. 

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