quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

‘Migrações sem tráfico. Sim à liberdade! Não ao tráfico!’

8 de fevereiro: Dia internacional de oração contra o tráfico humano
Esta  data evoca a memória de Santa Josefina Bakhita, uma escrava sudanesa que se tornou religiosa canossiana e que foi canonizada no ano 2000.

“Convido todos os cidadãos e instituições a unirem as suas forças para prevenir o tráfico e garantir proteção e assistência às vítimas”, apelou o Papa Francisco.
Francisco sublinhou que perante as “poucas possibilidades” de encontrarem “canais regulares” para chegarem ao destino desejado, “muitos migrantes decidem aventurar-se por outros caminhos, onde muitas vezes os esperam abusos de todo o tipo, exploração e redução à escravidão”.
“As organizações criminosas, dedicadas ao tráfico de pessoas, usam estas rotas migratórias para esconderem as suas vítimas, entre os migrantes e refugiados”, advertiu.
o Papa Francisco recorreu à rede social Twitter para se insurgir contra este crime.
O tráfico de seres humanos é uma ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo. Trata-se de um delito contra a humanidade”, escreve, numa mensagem replicada pela secção ‘Migrantes&Refugiados’ (@M_RSeccao), do dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).
"Rezemos todos para que o Senhor converta o coração dos traficantes  – é uma feia palavra, esta, traficantes de pessoas – e dê a esperança de recuperar a liberdade aos que sofrem por causa desta chaga vergonhosa”, disse o pontífice.
 
O tráfico humano e insensibilidade social
- O tráfego de pessoas é  um crime monstruoso hodierno. Traficantes valem-se de pessoas "simplórias" ou em condições de vida degradantes para as reduziram à escravidão, as comercializarem, enriquecerem através deste comércio nojento e degradante.
- Pessoas, vítimas da fome, da guerra e da miséria, são enganadas com promessas de emprego e ordenado dignos. É-lhes extorquido o que têm - e às vezes não têm -  para pagar a passagem até ao prometido emprego. Uma vez na mão dos traficantes, estes pobres são encaminhados para trabalhos forçados, para a prostituição, para o comércio de órgãos, como correios de drogas e de outros "negócios ilícitos"... É-lhes retirado o passaporte e outros documentos identificativos, são mantidos cativos, são privados de direitos sociais e dão-lhe uma 'côdea' como ordenado que depois lhe retiram completamente ou quase completamente com o argumento de que têm que pagar viagem, alimentação, deslocação e comida. Claro, sem horário de trabalho...
- Não se pense que isto só acontece com africanos e asiáticos. A cada passo  se ouvem notícias de portugueses que são levados para o estrangeiro com a promessa de emprego e salário dignos e depois são encontrados em trabalho escravo. Por exemplo, não têm faltado notícias destas na agricultura espanhola.
- Também se tem falado bastante na comunicação social de estrangeiros que vêm trabalhar para os campos portugueses. Alguns destes têm que trabalhar imensas horas, sem condições e ordenado legais, sem direitos sociais assegurados.
- Há ainda o crime do rapto. Pessoas raptadas para depois serem submetidas as atividades ilegais em serviço escravo.
- O que mais impressiona é que crimes tão monstruosos e iníquos não tenham na comunicação social e na opinião pública a contestação que merecem. Uma sociedade e uma comunicação que fazem uma berraria imensa por tudo e por nada, parecem anestesiadas perante o hediondo crime do tráfego de pessoas. Até quando durará este silêncio e esta surdez?

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