terça-feira, 8 de setembro de 2009
Os santos desconcertam-nos
( Fá, citando o blog Mansidão)
Não invento!
"Não falo para uma série de pessoas na minha terra!"
No regresso, no banco atrás do meu, gerou-se uma animada conversa. Há pessoas que tem muita facilidade de se desinibirem, estabelecendo relações fáceis com desconhecidos. Embora entregue aos meus pensamentos, não pude deixar de ouvir os meus vizinhos de ocasião. Até porque não poupavam em nada as cordas vocais.
Uma frase despertou-me dos meus pensamentos e fiquei alerta:
- Não falo para um série de pessoas da minha terra!
E enumerou os motivos pelos quais não falava. Elencou cada pessoa e as respectivas razões. No fim, sentenciou com o ar mais vitorioso do mundo:
- Nem quero falar! Que tratem da vidinha deles que eu trato da minha. Ora, ora! Por que razão há-de uma pessoa perder tempo "com ruim defunto"?
Alguém que intervinha na conversa ainda tentou timidamente desassossegar tanta convicção:
- Mas Nosso Senhor mandou-nos perdoar....
Ui! Foi o bonito! Como quem atiça lume em gasolina.
- Nosso Senhor!? Quero lá eu saber disso para alguma coisa! Eu não ligo à religião! Os que lá andam são os piores!... Tenho muito mais que fazer do andar a lamber as botas aos padres!... Eu quero é cuidar da minha vidinha! Mas a religião dá alguma coisa a alguém?
O reportório continuou por mais algum tempo. Sempre em voz bem elevada. Como se a gritaria escondesse a falta de razão.
O comboio pára. A pessoa sai. A serenidade voltou àquela carruagem.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Apareceu sorridente e prestável
Não se compra a vida.
Não se compra a eternidade.
Não se compra o ar.
Não se compra o amor.
Não se compram os amigos.
Há coisas que estão muito para além de qualquer preço.
Quantas vezes uma simples e rotineira informação que damos ou recebemos tem valor incalculável?
Quanto tenho qualquer pequeno problema em casa, peço-lhe ajuda. O Gabriel aparece logo, sorridente e prestável. Uma fechadura que não funciona, uma porta que não fecha, um torneira que verte, uma cadeira que se partiu, o portão eléctrico que está com problemas...
O Gabriel Constatino é uma pessoa simples, mas com imenso jeito para estas coisas. Se Vê alguém "enrascado", ele não se refugia, não foge, não diz que não sabe, não desiste. É fantástico! Claro, gosta de se sentir avontade e que respeitem o seu trabalho.
Ontem conversei com ele. Hoje apareceu. Resolveu uma série de pequenos problemas. Outros ficaram a aguardar por falta de materiais disponíveis. Mas mesmo estes não ficaram descurados, remediou-os.
Obrigado, amigo! Que Deus o abençoe a si, sua esposa e suas filhas!
domingo, 6 de setembro de 2009
Não falam do asunto. Qual o motivo?
Os candidatos às próximas eleições legislativas não dizem como vão acabar com a "onda"...
Os dinamismos do Mandamento Novo na vida comunitária, no Matrimónio e na Ordem
“Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).
sábado, 5 de setembro de 2009
Os Sacramentos da Ordem e do Matrimónio sob os dinamismos do Mandamento Novo
Em cada ano, o mês de Setembro, nesta comunidade paroquial, é dedicado a uma catequese geral sobre um tema, escolhido pelo Conselho Pastoral, no âmbito do Plano Pastoral.XXIIIº Domingo do Tempo Comum - Ano B
A liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade do homem, continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar o homem, de modo a fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo.Na primeira leitura, um profeta da época do exílio na Babilónia garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar e para o conduzir à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.No Evangelho, Jesus, cumprindo o mandato que o Pai Lhe confiou, abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo… No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na auto-suficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão. O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem excepção.A segunda leitura dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-l’O no caminho do amor, da partilha, da doação. Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
VI Simpósio do Clero de Portugal
O tema-lema do Simpósio foi: «Reaviva o dom que há em ti».
Veja aqui as Conclusões do VI Simpósio do Clero de Portugal:
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=74874
As peripécias de uma chave
Há cerca de ano e meio que não ia lá. Tinha umas questões a resolver sobre o meu andarzito, mas fui adiando. Até que não podia esperar mais. Fui.Ontem, ao sair do andar - cabeça no ar! - saí, bati a porta e deixei a chave lá dentro. E agora? Nem telemóvel trazia comigo. Não conhecia ali ninguém. Toca a pedir que me deixassem fazer alguns telefonemas até encontrar o meu cunhado do Porto que tinha ficado com uma chave com vista a realizar alguns trabalhos de restauro logo que ele pudesse. Chegou com minha irmã e sobrinha ao fim do dia, após o trabalho. Aproveitei a tarde para um longo passeio pela praia.
Quando chegaram os meus familiares, outro contratempo. Tinha deixado a chave na fechadura do lado de dentro. Assim, não foi possível abrir a porta.
Toca a vir para a rua pedir apoio às pessoas que, senda da terra, nos pudessem ajudar. Todas fantásticas, atenciosas, colaborantes. Mas meios para resolver o problema, não havia. Bom, toca a telefonar para os bombeiros, seguindo as indicações: "Ligue para este número." Deste indicaram outro, e ainda mais outro. Finalmente conseguimos. Vem a indicação: "Só para tirar o carro da garagem, são 70 euros. Depois paga ao quilómetro e mais isto e aquilo..." Seriam mais de cem euros certamente. Dissemos que íamos tentar resolver o problema de outra maneira.
Voltámos a procurar na localidade gente que nos pudesse ajudar. Nas obras, àquela hora, ninguém. Outra vez a mesma simpatia, mas não havia meios. E vinha o conselho:
-Por que razão não ligam para os bombeiros?
- Já ligamos - ia respondendo o meu familiar. Só que querem cem euros!
Então vi surgir em todos os que nos davam o conselho a mesma indignação.
- Pode lá ser? Então andam sempre por aí a pedir para os bombeiros e depois, quando os cidadãos, precisam exigem esse custo?? Que ricos voluntários! Deixa-os cá ver outra vez!
Não fiz nenhum comentário. Talvez por ser bombeiro. Mas que fiquei aborrecido, isso fiquei....
Finalmente a solução. Apareceu um casal vizinho, já com alguma idade, que tinha com que resolver o problema. Cinco minutos depois, estava a porta aberta.
Podia agora resolver os problemas que me tinham levado até lá.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O coração da Serra, o coração da sociedade
Pura e simplesmente desolador. Ao subir nesta tarde até Santa Helena, fiquei arrepiado, revoltado, inconformado.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Desolação! Fogo queima a nossa Serra!

Começou pelas 14 horas. E neste momento ainda perdura. O fogo, apoiado por forte vento e pelo calor que se faz sentir, consumiu rapidamente uma boa parte da Serra de Santa Helena. O perigo rondou algumas povoações - Cravaz e a parte alta de Arguedeira, sobretudo.Fui informado que em Cravaz algumas pessoas foram evacuadas, passando a tarde no Quartel dos Bombeiros. Uma intensa nuvem de fumo abateu-se sobre alguns povos, tornando o ar quase irrespirável.
Os prejuízos são muitos, mormente em pinhais. Mas algumas culturas, mais chegadas à Serra, não foram poupadas.
No combate às chamas estiveram durante a tarde 189 homens apoiados por 47 veículos e 4 meios aéreos. O vento e a extensão do fogo foram inimigos dos "soldados da paz"que tudo fizeram e fazem para evitar o pior.
Revolta. É o que mais se sente na população que não acredita que o incêndio tenha tido uma origem natural. E as perguntas ficam no ar ao ritmo das inquietações. Quem fez isto à Serra? Quem será a mão bárbara que provoca tais calamidades? Que interesses ocultos estarão por trás de tudo isto? Porque razão não actuam exemplarmente a investigação e a justiça?
Enquanto uns tentam, pela reflorestação, sarar a Serra do magno incêndio que há anos a reduziu a cinzas, fogos vários, embora de muito menor dimensão, esforçam-se, ao longo dos anos, para neutralizar o esforço da Natureza e do homem para ressurgir. E agora este enorme incêndio!
A freguesia de Tarouca volta a estar de luto. A sua amada Serra ardeu. O negro envolve-nos.
Uns governam-se com pouco, a outros não lhes chega o muito
Entretanto, construíram a sua casa, sem fidalguias, mas com dignidade. O filho mais velho está a concluir o curso universitário e a mais nova entra agora na faculdade. Naquele lar, apenas um carrito velho para toda a família.
Nunca aqueles jovens se queixam. Habituaram-se a viver com contenção e gerem muito bem os parcos dinheiros que possuem. São jovens serenos e gostam da vida. Não os preocupam as roupas da moda, as férias estravagantes ou outros "coelhos" que a sociedade de consumo põe a correr. Não têm vícios e ninguém se apercebe dos seus parcos recursos. Não são pedinchões nem queixinhas. E doam parte do seu tempo livre ao voluntariado.
Uma família. Quatro filhos. Pais e filhos trabalham, embora os ordenados não sejam elevados.
Vivem num andar de renda social. Só um dos filhos ainda estuda, mas como trabalhador/estudante. Naquela família há quatro carros!!!
Aqui falta claramente uma educação para o uso do dinheiro, para a poupança, para a economia. No vestir, na alimentação, nas extravagâncias, nos vícios, nos carros, nas roupas de marca, vai o dinheiro ganho que nunca chega.
Por isso, aqueles filhos e filhas são pessoas insatisfeitas, acham que a vida é injusta, invejam quem tem alguma coisa, sonham com um mundo onde lhe corram rios de dinheiro. Embora os rapazes e as raparigas participem de actividades sociais, não são pessoas serenas, manifestando alguma revolta, sobretudo com a vida.
De uma forma ou de outra, sempre camuflada, estão à espera que venha uma ajuda que mal sabem agradecer. Mesmo que essa ajuda venha de quem ganha menos que eles juntos!!!
Sem uma educação para o uso do dinheiro, não vamos longe. Criamos pessoas despesistas, egoístas, insatisfeitas, ingratas.
Educando para o uso do dinheiro, estamos a contribuir para que as pessoas sejam serenas, poupadas, humanas, solidárias, ambiciosas sem atropelamentos.
Nada nos liberta tanto como saber usar o dinheiro; nada nos escraviza tanto como quando o dinheiro nos usa.
