domingo, 24 de setembro de 2017

Desfile "Associações com Vida"

O movimento associativo do Concelho de Tarouca contribui ativamente para a promoção da cultura e identidade, desenvolvimento económico, desportivo e turístico de Tarouca.
Integrado no programa das festividades em honra de S.Miguel, neste domingo, dia 24 de setembro, mais de duas dezenas de associações integraram o Desfile "Associações Com Vida", que percorreu as principais ruas da cidade de Tarouca, mostrando o trabalho meritório que têm desenvolvido.

O DIA DO SENHOR


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

28,6% das dioceses portuguesas terão novo bispo nos próximos tempos

Resultado de imagem para conferência episcopal portuguesa
O Cân. 401 §1 do Código de Direito Canónico diz:
§ 1. Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas todas as circunstâncias.
§ 2. Roga-se instantemente ao Bispo diocesano que, em virtude da sua precária saúde ou outra causa grave, se tenha tornado menos apto para o desempenho do seu ofício, que apresente a renúncia.»


Nos próximos tempos, haverá uma remodelação bastante acentuada no episcopado português. Vejamos:
- Os  bispos de Évora, Santarém e Funchal completaram já os 75 anos e aguardam que a Santa Sé aceite a sua renúncia ao cargo e nomeio os seus sucessores.
- O bispo do Porto faleceu, aguardando-se agora a nomeação de novo bispo.
- O Bispo de Viseu apresentou e viu aceite o seu pedido de renúncia por motivos de saúde.
- Em abril próximo, o bispo de Vila Real completa 75 anos.


A Igreja em Portugal abrange 20 dioceses e o Ordinariato Castrense (Diocese das Forças Armadas e de Segurança).
Então quer dizer 28,6% das dioceses portuguesas terão novo bispo nos próximos tempos.


Assim:
- Poderá haver bispos residenciais que mudem de diocese;
- Alguns bispos auxiliares (Porto, Braga e Lisboa) certamente tornar-se-ao bispos residenciais;
- Haverá  a nomeação de novos bispos, quer para auxiliares quer porventura para residenciais.


Quer a nomeação de um novo bispo quer a nomeação de um bispo residencial estão associadas a um processo longo e complexo.
Pode ler aqui informação sobre o processo.
Na opinião de muita gente de Igreja, processo longo de mais e sumamente burocrático. E quem sofre são as comunidades diocesanas que muitas vezes esperam e desesperam pela nomeação do seu bispo. E a Igreja deve ser a casa da caridade para a poder anunciar ao mundo.
Além disso, há apelos para tornar o processo mais transparente, aberto à participação de mais gente.


Ouvi uma vez a um bispo que há falta de vocações sacerdotais na Igreja, mas não há "falta de vocações episcopais", embora se saiba que alguns sacerdotes não aceitaram a sua indigitação para bispo. Recordo aquela advertência de um antigo professor que nos dizia: "Às vezes a melhor obediência é desobedecer!" Em várias circunstâncias - também nesta - como esse professor estava carregado de razão....


Oxalá que esta ocasião seja uma oportunidade para uma verdadeira renovação na cúpula da Igreja portuguesa. Que cheguem pastores "com cheiro a ovelha" conforme pede o Papa.
Bispos próximos das pessoas e da vida, bondosos, acolhedores, abertos ao diálogo e à diversidade de ideias e de dons. Menos burocráticos e fechados e mais presentes nos tramas e dramas do mundo e das gentes. Bispos com discernimento, abertos à universalidade e nunca fechados em grupos ou pessoas que os cerceiam. Bispos que não "metam a profecia na gaveta", mas atentos ao que o "Espírito diz às Igrejas" sejam profetas do novo de Deus para o mundo de hoje. Bispos "familiares" dos seus padres e fraternos para com os leigos. Sobretudo bispos apaixonados por Deus e pela mensagem do Evangelho. Bispos convencidos e convencedores de que a Igreja só cresce quando se volta para o mundo. Fechada em si mesma, nas suas questões e problemas, asfixia.


Uma prece de hoje e de sempre:
"Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra."

Terminado o curso, ficou no desemprego

A Elisa, mais nova de três irmãos órfãos de pai, viu partir os manos para Lisboa. Ficou só com a mãe que vivia pobremente granjeando as courelas e cuidando das ovelhas.
A Elisa sempre quis estudar e, com o esforço da mãe e alguma contribuição dos irmãos. licenciou-se em Filosofia, a sua grande paixão.
Terminado o curso, ficou no desemprego. Não desistiu. Nas festas, casamentos e batizados trabalhava numa unidade hoteleira local.  Na  apanha da fruta  e nas vindimas, não perdia um dia. No tempo restante ajudava a mãe a cuidar das terras e a guardar as ovelhitas que apascentava sempre com um livro na mão.
Assim foi amealhando dinheiro para continuar os estudos. Primeiro o mestrado, depois o doutoramento. Atualmente leciona na Universidade.
Nunca ninguém a viu revoltada, ensimesmada, pessimista. Foi à luta com todas as suas forças. As dificuldades caldearam-lhe alma e tornaram-na mais atenta aos outros.


Há quem não trabalhe porque não pode.
Há quem não trabalhe porque não encontra trabalho.
Há quem não encontrando trabalho compatível com o seu grau de formação, enverede por outro tipo de trabalho.
Há quem não trabalhe porque não aceita qualquer trabalho.
Há quem não trabalhe porque prefere ficar em casa a receber os subsídios do Estado.
Há quem não trabalhe simplesmente porque não quer.


Época de vindimas, apanha da maçã e da azeitona. Há empresas agrícolas, maiores ou menores, a pedir mão-de-obra. Embora não sejam ordenados fabulosos (quem os tem?) vão sempre além do correspondente ordenado mínimo.
Conhecemos pessoas que simplesmente não querem, ficando em casa sem nada fazer. Algumas sem ter qualquer subsídio do Estado!...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tem 75 anos e anda na apanha da maçã


Anda na apanha da maçã. Tem 75 anos. A sua reforma é "pequenina" como costuma dizer. Mas haverá neste país reformas dignas para quem trabalhou mesmo a sério em prol da sustentação de Portugal?  As grandes reformas caem nas mãos de quem sabemos...
Levanta-se às 5 horas. Prepara o seu lanche e aguarda a chegada da carrinha.
No trabalho não fica atrás de ninguém. Como formiga, sempre a dar-lhe. Com ela não há casos, nem intrigas, nem abalroamento de ninguém. Só podem contar com ela para uma risada, um brincadeira inofensiva, para ajudar outros.
Ao regressar a casa, ainda vai cuidar da sua vida. Trabalho caseiro, alimentação dos animais, algum amanho agrícola... À noite, como faz parte de vários grupos, não falha às reuniões marcadas.
"O patrão está sempre a dizer-nos que, se conhecermos alguém que queira ganhar o seu na apanha das maçãs, o convidemos. Mas qual quê? Não aparece ninguém. Uns porque já não podem; outros porque não querem. É melhor viver de ordenados mínimos do que vergar a mola..."
Anda há várias semanas na apanha e ainda tem  muitas pela frente.
"Já me sinto cansada e começo a ver maças por todo o lado. Nos próximos tempos não as quero ver perto de mim. Enjoei. Mas quero ver se levo a 'carta a Garcia'. Não gosto de deixar a caminhada a meio. Tenho depois o Inverno para descansar."
Sobre os motivos que a levaram à apanha das maçãs, é clara e precisa.
"Se a gente fica muito parada, um dia destes fica trôpega."
"Gosto de conviver com as pessoas, faz-me bem porque não penso tanto na minha vida."
"Se cada um de nós der o que pode, o país vai para a frente."
"A minha reforma dá para eu comer, vestir, remédios e para as despesas da casa. Também não sou uma pessoa despesista!"
"Para ajudar os netos, dar as minhas esmolas, visitar os meus filhos que estão longe, comprar um ou outro utensílio novo, a minha reforma já não estica. Então o dinheirinho que me vem da apanha faz-me muito jeito."
É desta têmpera esta senhora. Como tantos outros.
Admirável liberdade interior, sentido de independência solidária, gosto de dar o seu melhor em favor de todos, alegria de viver e conviver.
Que belo desafio para tantos que nada querem fazer ou que vivem à custa dos impostos de todos!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Haverá coração que aguente?


Ainda o D. António dos Santos, mas também cada um dos bispos e padres! Hoje faz uma semana da partida do Bispo do Porto, Sr. D. António. Dizem os mais próximos que o seu coração não aguentou tanta entrega, tanto amor, por grande parte daqueles que o procuravam e buscavam, para que lhes partilhasse da sua luz e alegria, que todos acreditamos vir de Deus.
Será que podemos aprender com a "fragilidade" deste coração que poderá ter sucumbido, não só pelo Amor dado, mas também pelo sofrimento sentido de tantos e tantos fiéis?
A vida de Bispo não é fácil... "aturar padres" é missão complicada, ser padre nos tempos de hoje "não é pera doce" (mas é bom ser padre!), e hoje a Igreja que se reune, nem sempre busca a Jesus com a melhor das motivações, pois em todas as comunidades encontramos "aqueles" que afastam Jesus do centro da Comunidade, colocando-se a eles mesmos, e às suas vontades "pequeninas", no lugar de Jesus!
Haverá coração que aguente?
É essencial que os fiéis (e as comunidades) exijam que os seus pastores sejam perfeitos e "exijam" o melhor de si. Mas é fundamental que estes mesmos fiéis exijam a si mesmos, a perfeição da sua vocação e para o seu caminho também.
Os bispos e os padres não são super homens. Possuem em si o dom do Sacerdócio, que os faz ser em nome de Cristo uma esperança fundamental para a vida de quem crê. E isso é muito belo. Mas todos eles, apesar de possuirem um dom tão grande, são humanos, e por isso podem morrer. Sim, os padres, como vamos comprovando, também morrem, sim, é verdade!
Actualmente, para alguns "não fiéis e fiéis de domingo" o padre "não faz nada", apenas celebra a missa ao Domingo, e o resto da semana, tira férias! É verdade... ainda há por aí muita gente que fica surpreendida quando alguém diz que "não há padres para tantas paróquias" ou que "os padres têm muito trabalho". Sério?!
Actualmente para alguns "fiéis e fiéis de domingo" o padre trabalha muito. E pensam: "o que seria de nós e da nossa fé sem o padre?" Mas exigem que o padre não seja "apenas padre" mas super padre e super herói. Ou seja... o padre porque anuncia a Palavra de Deus não pode ter dúvidas nem fraquezas nas suas convicções... o padre não pode ter falta de confiança... o padre não pode senão sorrir sempre e amar sempre... o padre não pode "sair de si"... o padre não pode andar preocupado, triste ou manifestar fragilidades... o padre não tem medos, não sofre, não se desilude, não se angustia, não tem dor... o padre sabe sempre tudo e tem sempre solução para tudo... o padre tem que estar sempre disponível e presente em todos os lugares... o padre têm que escutar a todos e em todos os momentos... o padre tem que estar sempre em todos os lugares ao mesmo tempo e jamais tem necessidades de estar com a família, com os amigos ou mesmo descansar. Sair uns dias? "... mas o padre onde anda que já está fora hà mais de 3 dias?" Ah...! O padre, para muitos, está mesmo acima da Igreja de Deus. "Respeitar o Papa e o Bispo para quê?" Basta ele assim querer!
"Descansar?! Para quê! És padre?!" Hum... pêra doce, acima escrito, lembram-se? É bom ser padre, mas não é pêra doce, porque os padres, não "sendo homens como os outros homens" têm as mesmas necessidades de muitos dos "outros homens".
É bom que sejamos exigentes com os padres. Sim, sejam! Mas primeiramente temos que ser exigentes connosco mesmos, naquilo que é a fé de cada um, e do compromisso de cada um com a sua vocação baptismal e com a Igreja Diocesana e Universal.
Ao padre deve ser pedido que seja sinal de Deus no mundo. Que seja Evangelho vivo. Que ensine e corrija as comunidades. Sim, corrigir!
(Há vícios "velhos e novos" que têm que ser limados, e impedir o padre de o fazer, é assumir que não se quer crescer na fé e na vida comunitária. A falta de conhecimento do Evangelho; a falta de comunhão com a Igreja; a mistura de preceitos do mundo e da Igreja até se construir o preceito à medida de cada um; o barulho nas igrejas; a forma como não se respeita os irmãos; o modo errado como se recebe a Eucaristia; a não verdade que se coloca nas coisas; as manipulações que se procura fazer nos bispos e nos sacerdotes. O sacerdote proclama, acompanha, guia, anuncia, ensina e corrige. Se não é para... então queremos o padre para quê?)
Ao padre deve ser exigido que reze, que leia, que estude, que projecte, que anime, que ensine, que guie, que sonhe, que possa ensinar com amor e poesia, com razão e com horizonte, com o olhar no céu mas com o sentido no mundo. Ao padre deve ser exigido não "perderem tempo", em obras de igrejas, em animação de espetáculos, em tomar parte de reuniões chatas que em nada têm a ver com Igreja, em jantares e almoços "de" segundas intenções, em serem animadores de terapias de auto-ajuda...!
Actualmente há muitos fiéis em redor dos padres que não precisam de padres, mas de alguém que seja seu funcionário particular e lhes dê algo que o mundo não lhes é capaz de dar... exclusividade!
E a exclusividade pode matar, quando mal "entendida"! Pode haver muitos corações que não consigam aguentar. Seja porque quem busca o coração do Sacerdote o faça com o coração puro e desejo de Deus; seja porque quem busca o coração do sacerdote, o faça por mero desejo que este seja seu escravo e funcionário das suas vontades.
Esgotar o sacerdote, seja por amor ou desamor, pode levar a que o sacerdote caia e não tenha capacidade de se tornar a erguer. O sacerdote, porque à semelhança do Mestre, quer amar sempre.... e não colocará limites no seu amor!
Se o fiel, se a comunidade não exigir ao seu sacerdote que seja apenas sacerdote, e lhe dê tempo para namorar Jesus e a Igreja, descansar e fortalecer o seu Amor... o coração desse sacerdote poderá não aguentar e "rebentar".
Sim, os bispos e os padres também podem morrer...! E em muitos momentos, essa não é a vontade de Deus, mas de todos os que exigem que eles sejam super heróis e não simples e amados sacerdotes, enviados a proclamar e a ensinar a Palavra de Deus!
É bom ser padre, mas não é pêra doce! Se não pedirem aos padres para serem "apenas" padres, o coração deles poderá não aguentar. Depende de Deus... do próprio padre, mas principalmente daquele que exigem tudo dele, menos ser sinal de Deus no Mundo.
Nuno Silva, aqui

domingo, 17 de setembro de 2017

Começaram ontem as Festas de São Miguel 2017

Foto de Município de Tarouca.Foto de Município de Tarouca.


Foto de Município de Tarouca.

Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
A feira de S. Miguel é um acontecimento que data da Idade Média, mas foi D. Dinis que lhe atribuiu importância e a engrandeceu, tornando-a numas das mais famosas de Portugal. 
O comércio desenvolveu-se extraordinariamente. Aqui se vendiam os produtos agrícolas, as mantas , o gado bovino e cavalar. Mas com o rodar dos séculos, transformou-se também num parque de diversões, numa festa.
28 é o dia  que se propaga pela noite dentro, dando lugar às festas da cidade no dia 29, dia  do Arcanjo São Miguel, durante o qual decorre a grandiosa feira anual.
Para todos os Tarouquenses, a feira e festas tiveram sempre um significado especial. A feira representava o diferente, tudo aquilo que permitia esquecer por uma hora ou por alguns dias, a rotina do quotidiano e ansiar pelo ano seguinte.
Hoje, os festejos do S. Miguel trazem  as barracas das associações que dão vida a Tarouca, dos grupos socio-caritativos, sem esquecer os nossos artesãos e os Bombeiros Voluntários.
Montam-se barracas de comidas e bebidas, onde se podem degustar os pratos típicos do concelho, como a marrã e o bazulaque.
Tudo isto trará mais Vida a Tarouca  de 16 a 29 de Setembro.  
( Susana Gouveia,  mensagem recebida por email)

A Cerimónia de Inauguração das Festas de S. Miguel 2017  decorreu em  16 de setembro, pelas 20h30, no Centro Cívico da Cidade de Tarouca

Este  evento, organizado pela Câmara Municipal de Tarouca, abriu oficialmente no dia 16 de setembro, pelas 20h30, no Centro Cívico da cidade de Tarouca. O programa inaugural incluiu uma breve e simbólica cerimónia de abertura e visita aos expositores, a que se seguiu a atuação da Orquestra Ligeira do Vale Varosa.  Pelas 23h00, a festa fez-se pela noite dentro na Casa do Paço de Dalvares, com mais uma edição do Varosa Moments, organizado por Associação da Juventude do Concelho de Tarouca e o DH Tarouca. A IV edição do Varosa Momments foi um sucesso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Não percebi nada daquilo!...

Têm 7 e 9 anos os petizes. Vivem com os pais numa grande cidade.
Em agosto, os pais passaram pela terra natal e deixaram os pequenos com os avós enquanto eles foram dar um passeio.
Os avós acolheram-nos com natural satisfação pois era das poucas vezes no ano em que podiam desfrutar da presença dos netos  e logo durante oito dias...
Num dos dias, os avós, pessoas de fé convicta e com formação cristã,  convidaram os pequenos a acompanhá-los à Missa. Os petizes aceitaram , porventura para não desagradar e movidos por uma certa curiosidade.
Durante a celebração portaram-se bem, procurando imitar os gestos e postura dos restantes participantes.
Quando chegaram a casa, o mais velho volta-se para o avô e desabafa:
- Não percebi nada daquilo! Quem era aquele homem, vestido de forma tão estranha que estava à nossa frente?
A avó, que estava presente, elucida:
- Era o senhor Abade que presidia à Santa Missa.
As perguntas sucedem-se. O que é o sr. Abade? O que é a Missa? Porque é que as pessoas sentam, levantam e ajoelham? Porque é que aquele homem que estava à frente fazia aqueles gestos todos? O que é que ele queria dizer?
Os avós suaram as topinhas para tentar responder àquelas questões todas. Por um lado, havia muitas coisas que eles não sabiam explicar; por outro lado, existiam assuntos que não sabiam como explicar. Recorreram sobretudo ao seu testemunho e à paciência que o ser avô acarreta...
Quando os pais dos pequenos voltaram, os avós chamaram-nos à parte e conversaram com eles, alertando-os para a necessidade e a importância da educação cristã dos petizes. Foram escutados constrangidamente.  Como quem quer acabar "com o sermão", o pai dos miúdos sentencia:
- Vocês ainda estão agarrados ao passado. Essas coisas da religião são de antigamente. Hoje já não se liga a estas coisas. É uma perda de tempo.
- Olha, meu filho, testemunhou a mãe, perda de tempo é viver sem Deus. É pôr Deus fora do crescimento dos teus filhos.
Tu e a tua esposa quereis preparar as crianças como se tudo corresse bem e não fossem encontrar nunca dificuldades na vida. Mas quem as prepara para as dificuldades? Quem as habilita para não se deixarem traumatizar pelos obstáculos e sofrimentos? Quem as ensina a pensar com liberdade e consciência crítica, a gerir com maturidade os pensamentos e emoções, a expandir a arte da contemplação do belo na natureza e em cada ser vivo, a dar sem contrapartidas, a colocar-se no lugar do outro e a considerar as suas dores e necessidades? O maior e melhor educador é Jesus Cristo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

D. António Francisco, o dom de um amigo

Nem queria acreditar! O telemóvel trazia a informação dada por amigos. Foi ver a imprensa e lá estava. D. António Francisco falecera.
Não consegui reprimir uma lágrima que espontaneamente me regara o rosto. Afinal era um amigo, bom amigo.
Era assim que alguns amigos com ligação ao Porto se referiam a D. António quando dele falavam comigo: "O seu amigo..."
Fora meu colega no Seminário de Lamego, ele quase a acabar e eu a começar. Recordo que era para nós mais novos uma das referências.
Regressado dos estudos em Paris, acompanhou-me nos tempos imediatos à minha ordenação sacerdotal.
Enquanto formador e vice-reitor, muitas vezes o visitei e com ele mantive longas conversas. Francas, sinceras, amigas. E quanto conservo desses diálogos! Também gostávamos de rir e apreciava imenso o seu sorriso aberto.
Já depois da sua nomeação episcopal, encontrei-me com ele numa celebração a convite de amigos comuns. Foi como que uma despedida, já que como bispo ia servir outra diocese e assim nos deixaria. A emoção, a sinceridade e a gratidão marcaram esse momento.
Estive na sua ordenação episcopal na Sé de Lamego naquele 19 de março de 2005.
Com um grupo de amigos e colegas  deste arciprestado, participei ma sua entrada solene como bispo de Aveiro.
Mais tarde, exatamente um mês antes da sua nomeação como bispo do Porto, visitei-o em Aveiro na companhia do seu pároco e meu condiscípulo P.e Adriano Alberto. Ao volante do seu carro, levou-nos a visitar algumas partes da sua diocese. E com que enlevo, conhecimento e alegria falava de terras e de pessoas! E D. António surpreendeu-nos. Ao chegarmos ao local onde íamos jantar, telefona ao pároco dessa paróquia, insistindo na sua presença no restaurante para comer connosco. Era assim ele. Abertura, pensando em tudo, congregando todos.
Já no Porto, visitei-o, acompanhado dos amigos P. Adriano Assis e P.e Adriano Alberto. Recebeu-nos no seu gabinete com aquele abraço que só mesmo ele sabia dar. Falámos e escutámos, rimos e partilhámos. Ficou o seu pedido. "Venham mais vezes que eu quero partilhar convosco uma refeição, já que hoje não posso."
No Porto, uma diocese imensa e com trabalho intenso, não o pude visitar mais.
Partiu para os braços do Pai quando  a sua diocese e a Igreja esperavam tanto do seu zelo pastoral, da sua humanidade, do seu viver e sentir Igreja, do seu otimismo sobre o mundo e a vida.
Confiamos que, pela bondade do Senhor, ele esteja feliz a realizado na vida que não se apaga.
Confiamos na sua intercessão junto do Pai.
Ficamos, agradecidos,  com o perfume belo da sua vida, do seu testemunho, da sua palavra, da sua presença.
Até já, bom amigo!

Unidos pela dor, agradeço e louvo a Deus pela vida de D. Jacinto

D. Jacinto preside à bênção do Centro Paroquial Santa Helena da Cruz
em 27 de novembro de 2016

11 de setembro. Aniversário natalício de D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito de Lamego.
A ação de graças pelo dom da vida é este ano marcada pela dor provocada pela perda de um grande amigo seu, o sr. D. António Francisco.
D. Jacinto fora o Bispo Ordenante de D. António Francisco quando este foi ordenado Bispo em 19 de março de 2005, na Sé de Lamego.
D. António Francisco, quando se referia a D. Jacinto, tratava-o por "meu Mestre", tal a admiração, amizade e carinho que sentia pelo Bispo Emérito de Lamego.
Com D. Jacinto, também os inúmeros amigos de D. António estão neste momento a sentir a dor  pela sua partida para o Pai.
Conforta-nos a promessa da futura imortalidade, porque "não vivemos para morrer, mas morremos para viver."
No coração do Pai, D. António Francisco será um louvante agradecido pela vida de D. Jacinto.
 Unidos pela dor, agradeço e louvo a Deus pela vida de D. Jacinto.
Que o Senhor lhe conceda tudo o que de bom e de belo deseja o seu coração.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017


8 de setembro, Nossa Senhora dos Remédios

8 de Setembro. Na zona, esta data  é conhecida como o Dia de Nossa Senhora dos Remédios.
Quem como eu nasceu praticamente à sombra de Nossa Senhora dos Remédios, claro que esta data diz muito.
A minha terra natal é  a freguesia que mais perto fica do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.
Em criança e nos tempos de estudante, vinha às novenas que, pelas seis da manhã, ali se realizavam.
Recordo o vozeirão do sr. cónego Marrana que afugentava para bem longe o sono. Era, além disso, um homem de fé vibrante.
Recordo que depois veio Mons. Noura. Uma voz suave numa fé profunda e serena.
Mais tarde, já padre, preguei na novena. Duas vezes. A convite do Reitor de então, P.e Melchior.
Igreja sempre à cunha. Nos corpos cansados, sobressaía um rosto feliz. Estar com a Mãe era uma festa.
Naquele tempo, trabalhava-se de sol a sol no campo. Era então uma época de grande azáfama, porque se arrancavam as batatas. À enxada.  
Na ausência de automóveis e de estradas, as gentes das povoações mais afastadas saíam de casa pelas três, quatro horas da manhã. Eu saía de casa às 5.30h. Vantagem de estar perto.
Seis horas. Missa, novena e pregação. Oito horas, uma segunda Missa  em que  praticamente só participava gente da cidade, porque a das aldeias, logo que terminasse a novena, ia a correr para a faina agrícola.
Seis, sete e oito eram dias de grande movimento. Todas as redondezas se despejavam para Lamego. Marcha Luminosa, Noitada, Procissão...
Embora houvesse as festas populares nas freguesias, a verdadeira festa era a Senhora dos Remédios.
Recordo os grupos enormes de pessoas que, vindos da serra, passavam pela minha terra a caminho de Lamego. Merendas à cabeça, gargantas em rebuliço, ar cheio de cantigas. Mar de gente que voltava a subir pelo mesmo caminho e com a mesma alegria.
A malta nova ia poupando pelo ano fora alguns tostões para gastar na festa. Os carrinhos, o carrossel, os petiscos, as danças, as bebidas, o fogo de artifício, os namoricos, os engates, as brincadeiras e partidas, os zés-pereiras, a música, os encontros de amigos, a feira, os espetáculos, os cortejos, a procissão. Lamego era uma colmeia humana. A certas horas era patente  a dificuldade em arranjar lugar para petiscar nas tendas para desgosto da fome ou da gulodice.
A magia dos Remédios!
Quem viveu com intensidade a magia da Festa jamais a esquece.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Correcção fraterna: verdade com caridade, caridade com verdade


Em relação a cada pessoa:
elogio público,
correcção privada.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Vergonhosa a disputa sobre gestão de produto da solidariedade incendiária

A disputa começou cedo com um autarca da região Centro a criticar o facto de a UMP (União das Misericórdias Portuguesas) fazer a gestão dos donativos doados para auxílio às vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande e concelhos limítrofes, esquecendo que estavam em causa contributos resultantes da mobilização dos cidadãos em torno dum espetáculo de solidariedade apoiado pelos três operadores de televisão generalista. Argumentava que os dinheiros dos contribuintes tinham de ser administrados pelos poderes públicos e não ficar nas mãos de privados. Porém, o promotor do espetáculo definiu previamente quem geria tais fundos – facto de que, dada a sua publicitação, todos os cidadãos contribuintes tiveram conhecimento mais que suficiente. Poderia ter sido de outro modo, mas foi assim que a organização decidiu e com a maior transparência. E o Presidente da UMP interveio nesse espetáculo agradecendo e informando como iria ser gerido esse bolo de donativos.

Mais tarde, Valdemar Alves deu o braço a torcer, aduzindo que a UMP tinha aderido ao fundo criado pelo Governo, sem explicar em que sentido e quais as consequências de tal adesão.

Agora, a comunicação social dá como nota de relevo a informação de que “autarcas questionam onde está o dinheiro das contas solidárias”. Com efeito, autarcas de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos advertem que solicitarão ao Ministério Público (MP) que perceba junto do Banco de Portugal (BdP) onde pairam os donativos destinados às vítimas dos incêndios, pois dizem desconhecer o destino do dinheiro que foi doado para as vítimas dos incêndios que afetaram a região, pelo que entendem necessária a intervenção do regulador.

Valdemar Alves, Presidente da Câmara de Pedrógão Grande, afirmou ao jornal “I” que não sabem do paradeiro desse dinheiro e que há de haver contas abertas que desconhecem, defendendo que cabia ao Estado ter controlado e distribuído essas verbas. O autarca admite que os donativos de contas abertas no estrangeiro por parte de emigrantes possam também ter sido desviados, embora essas contas “sejam mais difíceis de controlar”.

Suspeitando de que os donativos tenham sido desviados para outros fins, os autarcas interessados reuniram-se ontem, 5 de setembro, para discutir a questão. Entretanto, anunciaram que iriam solicitar ao MP que junto do BdP perceba para onde foi canalizado o dinheiro das contas solidárias. Segundo Valdemar Alves, só o dinheiro para a reconstrução das casas destruídas pelas chamas é que é do conhecimento dos responsáveis das câmaras.
É óbvio que esse dinheiro tem de ser do conhecimento da autarquia respetiva, porque a ela incumbe o ónus de aprovar a obra, de cujo projeto têm de constar, além da memória descritiva e justificativa, as diferentes peças desenhadas, bem como o orçamento ou, ao menos, uma estimativa orçamental. Por outro lado, se o Governo criou um fundo público, os autarcas que avoquem o direito de conhecer as contas desse fundo. Quanto aos donativos entregues a entidades privadas, estas devem, em primeiro lugar, geri-los de acordo com as necessidades debeladas ou entregá-los a entidades públicas competentes, se não tiverem essa capacidade de gestão; em segundo lugar, devem fazer espelhar na contabilidade da instituição respetiva a gestão dessas verbas e prestar contas a quem de direito – assembleia geral e, conforme os casos, à Conservatória de Registo Comercial ou ao Instituto de Segurança Social ou outra entidade competente; e, em terceiro lugar, ao poder judicial, se houver suspeitas ou indícios de desvio ou de má aplicação. De resto, francamente, cheira-me a eleitoralismo de proximidade que se torna vergonhoso por ser sintoma da ânsia pelo perfume do dinheiro, exprimir desconfiança sobre a honestidade dos outros, como se os autarcas fossem os únicos seres honestos, e configurar um ultraje às vítimas e um insulto aos gestores das entidades não públicas. E a que propósito vai o BdP, que supervisiona e fiscaliza bancos (e mal), fiscalizar a UMP, as Cáritas, as IPSS, etc.?
Por seu turno, a vice-presidente do PSD Teresa Morais veio exigir esclarecimentos adicionais ao Governo sobre os donativos privados às vítimas dos incêndios florestais da região Centro, em junho, considerando o valor apurado “ridiculamente baixo”. Disse a deputada socialdemocrata, em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa:
“A resposta é a de que foram submetidos termos de adesão de donativos de 3,2 milhões, estando concretamente transferidos 1,9 milhões. Este valor é – julgo que toda a gente anuirá – muito baixo e ridiculamente baixo, se comparado com as expectativas criadas pelos números que foram divulgados.”.
Segundo esta dirigente após questões colocadas em julho e agosto pelo PSD, a resposta do executivo surgiu agora por intermédio do Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva. E Teresa Morais insistiu:
“Esse número, que circulou na opinião pública e publicada, nunca teve confirmação oficial, mas a verdade é que ouvimos números que rondavam os 13 a 14 milhões [de euros]. Precisamente porque nunca foram confirmados pelo Governo e era importante saber qual o valor exato dos donativos dos portugueses, também das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, é que perguntamos qual o exato valor dos donativos de particulares.”.
As frentes de fogo, que afetaram as regiões de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos provocaram, pelo menos, 64 mortos e mais de 200 feridos. Por isso, desafiou:
“Cumpre ao Governo, que entendeu criar um fundo público, gerido por uma entidade pública e tutelado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, explicar cabalmente aos portugueses que valores são estes, onde estão os restantes donativos, quem os está a gerir e em que termos”.
A dirigente do PSD considerou que a discrepância apontada “revela total descoordenação e incapacidade” do Governo em gerir os donativos privados, afirmando:
“O Governo entendeu que devia ser ele a gerir os donativos que os portugueses fizeram na sua expressão de solidariedade e, no entanto, responde agora que há 1,9 milhões [de euros] no fundo que para isso criou. É absolutamente imperioso que esclareça o valor dos restantes donativos e dê uma explicação acerca dessas quantias e qual o destino que lhes está a ser dado.”.

Também o Primeiro-Ministro veio a terreiro explicar-se, dizendo que o Estado, após a tragédia do incêndio de Pedrógão Grande, só organizou um fundo, o ‘Revita’, que tem 1,9 milhões de euros e é gerido conjuntamente com as autarquias e sociedade civil.

Falando aos jornalistas em Lisboa, antes da cerimónia de entrega do Prémio Champalimaud de Visão, presidida pelo Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, o líder do executivo declarou, sobre a controvérsia em torno da aplicação das verbas doadas por cidadãos às vítimas do incêndio de junho em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria:
“Depois do extraordinário movimento da sociedade civil, é essencial que os portugueses tenham toda a informação sobre o destino das verbas que doaram generosamente”.
E explicou:
“As pessoas deram o dinheiro às entidades que entenderam. O Estado organizou um fundo, o ‘Revita’, que até ao momento só recebeu donativos no montante total de 1,961 milhões de euros. Relativamente às verbas do fundo ‘Revita’, as intenções de doação chegam até 4,9 milhões de euros, apesar de, efetivamente, só termos recebido até agora 1,9 milhões. Sendo um fundo público, é gerido em conjunto com as autarquias e com a sociedade civil.”.
Especificando a forma de gestão e funcionamento do “Revita”, António Costa apontou que o Conselho de Administração é constituído por: um elemento do Instituto da Segurança Social, o Presidente da Câmara de Castanheira de Pera (em representação das autarquias) e o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pombal (este representando as entidades da sociedade civil). São estas três pessoas que gerem esse 1,9 milhões de euros.
De acordo com o líder do executivo, a verba de 1,9 milhões de euros destina-se prioritariamente a dois objetivos: o apoio à reconstrução das habitações, onde cerca de 19 já tem obras em curso ou concluídas após financiamento deste fundo; e o apoio a agricultores cujos prejuízos se situam entre 1053 e cinco mil euros”. Interrogado sobre as críticas feitas ao Governo pelo PSD a propósito do destino dos donativos para as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, Costa contrapôs que, no atinente ao Estado, “as regras são totalmente transparentes”. E alegou:
“É bom que se esclareça que grande parte dos donativos não foi recebida pelo Estado. Por exemplo, a RTP, que promoveu um espetáculo e recebeu bastante dinheiro, entregou-o a uma outra entidade – e só a RTP pode explicar o destino que lhe deu.”.
Aqui baralhou-se se não queria referir a conta solidária que a RTP abriu e atribuiu à Misericórdia de Pedrógão. Mas ainda, segundo Costa, para que ficasse claro que o “Revita” não era um fundo do Governo, o executivo decidiu avançar para uma gestão tripartida, incluindo as entidades representativas da sociedade civil, sustentando:
“O Estado só responde pelo dinheiro que lhe foi confiado e, nesse sentido, para que não haja mais dúvidas, pedi ao Ministro da Solidariedade [Vieira da Silva] que publicasse no site do fundo ‘Revita” um quadro com o montante doado e destino que está a ser dado a cada uma das verbas”.
O Fundo “Revita”, a que se refere Costa, foi criado para gerir os donativos para apoio às vítimas do incêndio que começou em 17 de junho, em Pedrógão Grande, e conta com mais de 20 entidades aderentes, num total de cerca de 2 milhões de euros já recebidos, como refere um comunicado enviado à agência Lusa pelo MTSSS (Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), que afirma:
“Até à data, aderiram ao fundo mais de duas dezenas de entidades, com donativos em dinheiro, em espécie e em prestação de serviços, tendo sido entregues donativos em dinheiro no valor de cerca de 2 milhões de euros”.
Segundo o comunicado, os donativos apenas são entregues ao “Revita” por decisão dos doadores, sendo que o Governo e o Conselho de Gestão do fundo têm também cooperado com a Cáritas Diocesana de Coimbra, a UMP e a Fundação Calouste Gulbenkian, que agregaram outros donativos. Por outro lado, o MTSSS explica que o fundo “Revita” foi criado para gerir os donativos entregues no âmbito da solidariedade demonstrada, “em estreita articulação com os municípios de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande”, frisando:
“A competência do Conselho de gestão do ‘Revita’ cinge-se aos donativos entregues ao Fundo ‘Revita’, sendo que estes donativos se destinam prioritariamente à reconstrução das habitações afetadas pelos incêndios e ao seu apetrechamento, bem como ao apoio aos agricultores”.
Questionado pela agência Lusa, o MTSSS afirmou que “não pode responder sobre outras contas solidárias e/ou outros donativos, uma vez que se trata de dinheiro de entidades privadas”, não sendo responsável pela abertura ou fiscalização dessas mesmas contas.
A terreiro vem superiormente o Presidente da República afirmar que é preciso explicar aos portugueses o que lhe explicaram a ele: “de onde veio o dinheiro para fazer frente à tragédia, quem é que o está a gerir, como e quanto”. E, apelando a que sejam corrigidos eventuais “lapsos, duplicações ou insuficiências”, pediu que se “evite, nas três semanas que faltam [para as eleições autárquicas] converter [este assunto] em campanha eleitoral”. Mais afirmou que “isto tem de ser explicado por quem, a nível local, tenha uma visão de coordenação”.*
O BE julga inacreditáveis problemas com os donativos, asserção que explicito por relevante. Diz Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE):

“As entidades privadas a quem toda a população de boa-fé entregou donativos, têm de saber explicar o que é que estão a fazer com esses donativos e, se houver algum problema, naturalmente as entidades competentes terão de investigar”.

A coordenadora do BE afirmou hoje, dia 6 de setembro, que acha inacreditável que haja problemas com os donativos para as vítimas dos incêndios de Pedrógão e reclamou explicações das entidades privadas que gerem fundos. Considerou ela à margem duma visita ao Complexo do Cachão, em Trás-os-Montes:
“Eu acho inacreditável que possa haver problemas naquilo que é pôr a generosidade de toda a população ao serviço de quem precisa de ser ajudado”.
Por isso, acrescentou:
“As entidades privadas que têm esses fundos devem explicar, porque o Governo já deu as explicações e não é no fundo público que há problema, é nas entidades privadas”.
Catarina Martins reiterou que “seria uma matéria de bom senso” as entidades privadas a quem foram entregues donativos darem explicações sobre o que recolheram e o que estão a fazer com o dinheiro, pois “ninguém no país compreende que não expliquem”. E, recordando que “o Bloco de Esquerda tem tido uma posição sobre esta matéria de uma enorme prudência”, afirmou:
“Nós temos dito que nestas questões do apoio social, das respostas às comunidades, é muito importante a presença do Estado. Eu julgo que este momento prova um bocadinho essa necessidade.”.
Para a coordenadora do BE, “com todas as dificuldades que possam existir com a presença do Estado, as pessoas compreendem bem que há mais escrutínio nos fundos públicos e que nos privados é que não está a haver esse escrutínio”. Pelo que isso deve-nos fazer pensar como é que estamos no terreno e como é que esta solidariedade é efetuada. E, considerando que “as entidades privadas têm de ser fiscalizadas se houver problemas” e que “têm a obrigação de dar explicações porque pediram donativos a toda a população”, declarou:
“E, sobretudo, as pessoas que foram vítimas de tragédia devem ser apoiadas e eu acho que quem foi vítima da tragédia e vê agora estas notícias, deve-se sentir insultado; não é assim que se devem tratar as pessoas”.
A líder do Bloco, para quem é “absolutamente lamentável a forma como este assunto está a ser tratado” concorda com o apelo de não aproveitamento político feito pelo presidente da República, vincando que “essa foi a opção do Bloco de Esquerda desde o primeiro momento”.
Embora Catarina queira ver o Estado a supervisionar (e até a gerir) toda a matéria atinente a dinheiros e ações respeitantes à solidariedade (de que muitos discordam), tem a prudência de não exigir que as entidades privadas a quem os cidadãos confiaram verbas não as entreguem ao Estado. Exige – e bem – que sejam fiscalizadas em caso de suspeita e entende que essas entidades deveriam arranjar forma de prestar contas à sociedade pela forma quantificada e qualificada como administram tais fundos.
Por mim, não tenho dúvidas de que é uma exigência plausível, mais do que pretender controlar ou mesmo abocanhar todos os donativos dos cidadãos. O Presidente disse o que tem de ser dito: explicação de tudo, segundo a responsabilidade de cada entidade (pública ou privada). E penso que, embora os privados não sejam obrigados a passar além do que foi dito acima sobre prestação de contas, bem como sobre a fiscalização em caso de dúvidas e o dever de cooperação pública, parece-me bem que inventem outras formas de se explicarem publicamente. Isto, sem exageros. Por exemplo, dispenso-os de me informarem em que pessoa, animal, casa ou planta investiram os meus 60 cêntimos +IVA (de chamada telefónica) ou o meu bilhete no Meo Arena. Entendidos?
2017.09.06 – Louro de Carvalho

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DIA INTERNACIONAL DA CARIDADE


O Dia Internacional da Caridade foi instituído pela ONU – Organização das Nações Unidas, em 2012, através da Resolução 67/105, assinalando-se anualmente a 5 de setembro na data da morte de Madre Teresa de Calcutá (1910-1997).
Dia Internacional da Caridade, celebrado hoje, é uma proposta e “provocação” para “todo o cidadão de todos os países, crentes ou não crentes”.
1- O Papa Francisco recordou hoje a santa, através da rede social Twitter: “Como Madre Teresa, abramos horizontes de alegria e de esperança por tanta humanidade desanimada e necessitada de compreensão e de ternura”.
2- FALSA IDEIA DE CARIDADE: “Caridade em português: facilmente resvalamos para a caridadezinha e fazer bem ao pobre desde que o pobre seja pobre para continuar a fazer bem”
3. O outro que precisa de ajuda não é “só o destinatário do agir” de cada pessoa mas, sobretudo, “parceiro, mesmo protagonista da sua libertação”.
4. “Os pobres têm voz, nós é que muitas vezes não os ouvimos, não temos ouvidos para ouvir”.
5. Caridade: "amor que se dá sem esperar recompensa".
(Diretor do Secretariado Nacional da Pastoral Social)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Incêndios alertam para a urgência de «conversão» dos «donos e senhores do mundo»

Foto Arquivo Lusa, Incêndios em Cantanhede 2017
Num documento divulgado hoje sobre o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação que o Papa Francisco instituiu em 2015 e que se assinala, em cada ano, no dia 1 de setembro, os bispos que integram a Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana referem-se às consequências dos fogos, deste verão.
 
A Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana acerca dos fogos:
 
- Os que se consideram “donos e senhores do mundo” precisam de “conversão”, referindo os “impactos negativos” nas populações “atingidas pelos incêndios”.
 
- “A morte de tantas pessoas, a perda de habitações permanentes, o desaparecimento de postos de trabalho (em zonas onde já não abundam), a morte de animais e a destruição de pastos”.
“Todos temos presentes o impacto psicológico e o desalento que estas situações inevitavelmente comportam”.
 
- As alterações climáticas “são evidentes” num ano de tão grande seca.
 
- “Que nunca mais sejam esquecidos os milhões de pessoas, nossas irmãs e irmãos que, em tantas zonas do planeta, sofrem de fome, de doenças e de miséria devido à má distribuição dos bens da Criação que Deus destinou a todos”.
 
- Convida as comunidades cristãs a “dar graças a Deus pela Criação e a pedir ao Criador a conversão do coração daqueles que se consideram donos e senhores do mundo”.


 O Papa instituiu, em 2015, na Igreja Católica o "Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação", que se realiza anualmente a 1 de setembro, na mesma data em que já era comemorada pela Igreja Ortodoxa.
A 18 de junho do mesmo ano, o Papa publicou a encíclica ‘Laudato si’, na qual Francisco propõe uma mudança de fundo na relação da humanidade com o meio ambiente, alertando para as consequências já visíveis do aquecimento global e das alterações climáticas.