segunda-feira, 9 de maio de 2016

Os Portugueses são assim…

Houve algum momento em que Portugal não esteve em crise? Em que altura não se disse que vinham aí tempos difíceis?
A tudo temos sobrevivido. Temos sobrevivido à realidade, cruel. E temos sobrevivido aos diagnósticos, nada estimulantes. Somos, enfim e como afirmava o Padre Manuel Antunes, uma excepção. Formamos um país que «não é muito compreendido nem por estranhos nem por si próprio, um país, ao mesmo tempo, cêntrico e periférico».
Somos «um povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo ativo mas pouco organizado; povo empírico mas pouco pragmático; povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras; povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias» (Manuel Antunes)
In“Sempre Mudança”

domingo, 8 de maio de 2016

Decorreu em Tarouca o Dia Distrital do Bombeiro

Início dos trabalhos de homenagem aos Bombeiros Voluntários do Distrito de Viseu que decorreram nesta cidade de Tarouca. Nestas cerimónias estiveram presentes diversas Entidades nomeadamente o Secretário de Estado e representantes destas Entidades Humanitárias.
(Lucílio Teixeira, in facebook)


(Humberto Sarmento, facebook)




(Isabel Vingadas, in facebook)

(Zé Félix, facebook)


(Alda Guedes, in facebook)

Tarouca foi a anfitriã das comemorações do Dia Distrital do Bombeiro, que se realizaram no dia 8 de maio. Corporações de bombeiros de todo o distrito afluíram a Tarouca para participar num dia carregado de simbolismo e com uma programação diversificada.
A manhã recreativa foi preenchida com corrida de carrinhos de rolamentos, aula de zumba, passeio de cicloturismo, e ainda torneios de futsal e malha.
Durante a tarde, depois da receção às entidades oficiais e sessão solene no Auditório Municipal Adácio Pestana, seguiu-se o desfile apeado e motorizado dos Soldados da Paz, que contou com a participação de todos os Corpos de Bombeiros do distrito.
"Este foi um dia dedicado àqueles que pela sua coragem, prontidão, e atuação exemplar, diariamente procuram assegurar o bem estar e segurança das populações", referiu na ocasião Valdemar Pereira, presidente da Câmara Municipal de Tarouca, que foi parceira na organização desta iniciativa.
Cátia Rocha
TÉCNICA SUPERIOR
GABINETE DA CULTURA, TURISMO E COMUNICAÇÃO


sábado, 7 de maio de 2016

NÃO HAVERÁ UMA BOA NOTÍCIA?


  1. E se, de repente, quisermos localizar um facto positi­vo, onde poderemos aterrar? A quem poderemos recorrer?

Por muito que queiramos fugir ao caudal de más notícias, é muito difícil (para não dizer impossível) passar ao lado da terra que treme, da chuva que destrói, do acidente que mata, da violência que não dá tréguas nem parece conhecer limites.

  1. Será curial nada dizer sobre o que ocorre? Um proble­ma abafado nunca é um problema resolvido. Será sempre um problema adiado, um problema em penoso crescimento.

A indiferença diante de um problema não ajuda a supe­rar o problema. A realidade tem de ser encarada de frente.

  1. Há que transformar os problemas em oportunida­des se não queremos que as oportunidades se convertam em problemas.

E o positivo não surge por inéicia, por uma espécie de lance de mágica. O positivo nasce pelo esforço, pelo em­penho, pela capacidade de transformação.

  1. Acresce, porém, que o negativo vende melhor que o positivo. Daí que a comunicação social insista, muitas vezes até à exaustão, no tratamento de acontecimentos trágicos.

Ela sabe que o mercado está assegurado e o êxito ga­rantido. Existe até aquele adágio, muito popular nos meios jornalísticos, segundo o qual a boa notícia não é notícia (bonnes nouvelks, pas de nouvelles). Isto cria, quase sem darmos por isso, um ambiente depressivo e uma atmosfera deprimente.

  1. Até parece que o negativo atrai negativo. O nega­tivo lá fora gera negativo cá dentro. Com o passar do tem­po, tornamo-nos pessimistas, azedos e, não raramente, insuportáveis.

E se é certo que a notícia de um facto negativo pode ajudar a avencê- lo, também é verdade que, mesmo involuntariamente pode contribuir para o disseminar.  Regra geral, a notícia de um assalto acaba por ser sucedida pela notícia de mais assal­tos. Dir-se-á que é a lei da vida e, particularmente, do mercado.

6.    Uma coisa, entretanto, tem de ser reconhecida. Se não fosse a comunicação social, muitos seriam os casos esque­cidos, imensas seriam as pessoas ignoradas.

Muita gente se indigna com os excessos da imprensa, da rádio e da televisão. Mas não será caso para nos indignar­mos mais com a indiferença diante da violência?

7.  Ainda bem que a comunicação social cumpre a sua fun­ção de alerta, de sentinela, de despertador. Poderá ter alguns pe­cados. Mas é bom que reconheçamos também as suas virtudes.

Acresce que a apetência pelo negativo não é um exclu­sivo dos órgãos de informação. É uma apetência de todos nós. Se o público não consumisse tanto este género de no­tícias, não haveria certamente a mesma insistência nelas.

8.  Todos nós percebemos a necessidade de se respeitar um ponto prévio, que está a montante de toda a discussão: se um facto existe, que motivo para o silenciar? A questão que se coloca é: será que só existe o negativo?

Subsiste, entretanto, outra pergunta: não haverá por aí nenhuma boa notícia para dar, não será possível encontrar nenhum facto positivo para difundir?

9.  E claro que há e não penso apenas nas vitórias do clube da simpatia de cada um. Penso no encanto de tantas crianças, na bondade de tantas pessoas, na heróica resis­tência de tantas famílias.

Há tanta gente que opera verdadeiros milagres. Que é capaz de, com tão pouco, alimentar os filhos, pô-los na es­cola, oferecer-lhes valores.

10.    Há tanta gente que, apesar da competição desen­freada, jamais pactua com a mentira ou a duplicidade. Há tanta gente que, mesmo na pobreza, consegue ser tão rica em atitudes, tão pródiga em gestos, tão transparente na franqueza e tão luminosa no sorriso.

Nada disto vem à superfície da informação. Muitas ve­zes, é na rua que recebemos as maiores lições e encontra­mos as melhores notícias.
(In "Sempre em Mudança)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

HÁ QUEM SE DIGA MUITO OCUPADO...


- Mas tem todo o tempo para ir a noitadas, sessões de cinema, espetáculos musicais, jogos de futebol, peças de teatro, férias, noitadas, bares...
- Nunca tem tempo para os verdareiros amigos, nem sequer para uma visita, um simples email ou telefonema...
- Tem todo o tempo para um jet set vazio e balofo, mas não tem tempo para verdadeiras e despretenciosas amizades..
- Tem todo o tempo para acolher quem lhe bateu com a porta, mas não tem tempo para os amigos verdadeiros e despretenciosos...
- Tem todo o tempo para pessoas para quem é "aspirina", mas não tem tempo para quem é amigo mesmo...
- Tem todo tempo para quem lhe cria visão estratosférica, mas nunca tem tempo para descer à realidade...
- Tem todo o tempo para atender quem subtil ou descaradamente o utiliza, mas não tem tempo nem preocupação para com os que discretamente os apoiam e se preocupam...
É a vida. Mesmo que triste vida...
Depois não se queixem que são uns eternos pretendentes à felicidade!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

SOMOS HOMENS. SEREMOS HUMANOS?



1. Portugal não está bem e o resto do mundo não parece melhor.
 A natureza assusta, a economia preocupa, a política desencanta, a suspeita prospera e a desconfiança alastra.
 Tudo isto são sintomas de uma grande doença: doença cívica, doença ética, doença moral. Somos homens, seremos humanos?
 Até somos capazes de mobilizar recursos quando se desencadeia uma catástrofe, mas qual é o nosso comportamento no dia-a-dia? Qual o nosso compromisso com a verdade, com a justiça, com a bondade?
Tenhamos em vista que nem tudo o que o vem do homem é, automaticamente, humano. Decididamente, não basta ser homem para ser humano. Nem tudo o que vem do homem é humano. Há mesmo muito no homem que roça a desumanidade.
A natureza mata. Mas o homem também não destrói? Quem provoca as guerras? Quem promove atentados? E quem ofende a natureza que, por sua vez, reflui e despeja toda a sua fúria sobre o homem?
 2. Era bom que, de uma vez para sempre, percebêssemos que só somos homens na medida em que nos tornamos humanos.
Por incrível que pareça, não há ninguém que consiga ser tão desumano como o próprio homem.
 A humanidade não é um dado adquirido. Tem de ser uma permanente construção.
 

 O que é mais estranho é que, como advertia Saliège, costumamos invocar o humano como pretexto para ferir a humanidade.
 
 «Com a expressão "isto é humano" branqueia-se tudo. Alguém dissolve a sua juventude no vício: é humano. Alguém engana e defrauda o próximo: é humano. É assim que com o termo "humano" se designa o que de mais caduco e baixo no homem. Às vezes, até se converte em sinónimo de animal. Que linguagem tão singular! Mas não é o humano que nos distingue do animal? Humana é a razão, humano é o coração, humana é a vontade, humana é a consciência, a santidade. Isto, sim, é humano».
3. Só somos humanos quando não nos fechamos, quando não nos agredimos, quando respeitamos a integridade e a privacidade do nosso vizinho.
Só somos humanos quando recusamos toda a espécie de violência e quando intensificamos a partilha e a solidariedade.
Só somos humanos quando nos capacitamos de que pertencemos toda à mesma (e única) humanidade.

Só somos humanos quando sentimos que o problema do outro (seja ele quem for) é também um problema meu.
Só somos humanos quando não somos indiferentes à fome, ao desemprego, à desigualdade.
Neste sentido, urge perceber que a humanidade não está em risco apenas quando falta dinheiro.
A humanidade está em risco sobretudo quando não nos aceitamos, quando não nos compreendemos, quando não nos amamos.
É hora de termos presente que a humanidade não está em perigo apenas lá longe, no palco das guerras.
A humanidade está igualmente em perigo à nossa beira, ao nosso lado, à nossa porta, sempre que não estimamos o próximo, sempre que promovemos a intriga ou fomentamos a discriminação.
4. Não há dúvida de que a desumanidade desponta como o pior mal em que alguém pode incorrer.
Neste capítulo, todos temos pecados a expiar e todos temos um longo caminho de regeneração a percorrer.
Porque é que tem de vir uma tragédia mostrar que, lá no fundo, ainda nos resta alguma humanidade? Porque é que só somos havemos de ser humanos nas tragédias. Ainda não entendemos que a maior tragédia é precisamente a desumanidade?
Fonte: aqui

quarta-feira, 4 de maio de 2016

"Comunicação e Misericórdia – um encontro fecundo".

50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
A Igreja celebra em 8 de maio o Dia das Comunicações Sociais e o Papa mais uma vez publicou uma Carta Pastoral para nos ajudar a refletir o tema proposto para este ano: "Comunicação e Misericórdia – um encontro fecundo".
Mais uma vez o Papa Francisco nos quer ajudar a descobrir que no coração da comunicação existe, antes de tudo, uma profunda dimensão humana. Comunicação que não é somente uma "actual ou moderna tecnologia, mas uma profunda relação interpessoal".
As redes sociais, hoje tão em voga, devem ser usadas para aproximar as pessoas e não para as desunir, para ajudar a construir fraternidade e paz e não um ambiente de guerrilha e provocação. Não gosto nada de ver que o que as pessoas mais partilham são frases ou pensamentos de desconfiança nos outros ou de factos negativos.
Comuniquemos o que edifica e constrói um mundo melhor!

Veja AQUI a MENSAGEM do Papa Francisco para o 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

terça-feira, 3 de maio de 2016

O otimismo representa meia batalha vencida

Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.
Roberto Shinyashiki


O mundo pertence aos otimistas: os pessimistas são meros espectadores.
Dwight Eisenhower


Os tristes acham que o vento geme;  os alegres acham que ele canta.
Luis Fernando Veríssimo

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Naquele consultório, falava-se de tudo e de todos

Cheguei e dirigi-me ao balcão. Uma senhora atendeu-me com cara de poucos amigos.
"A gente paga e é atendida com esta antipatia? Oh! Mas sabes lá os problemas que podem estar na origem desta reação?"
Olhei para a sala, cheia como um ovo, e vislumbro um lugarzinho no meio. Sento-me. O médico está muito atrasado.
"Ai se fosse o padre a chegar às celebrações com este atraso, era o lindo e o bonito... Assim, comem e calam!"
Embalado pelo zum-zum fluído do ambiente, disparo para os meus pensamentos. De repente, como pedrada no charco, uma frase acorda-me:
"- É tão feio que mete medo ao susto!"
Eram duas senhoras que assim se referiam ao marido de uma amiga comum.
Ligo o radar auditivo.
Ao fundo, à esquerda, dois cavalheiros discutiam animadamente sobre futebol. As ondas verdes embatiam contra as vermelhas. O azul não entrava e eu bazei. À frente, do mesmo lado, um grupinho de mulheres torcia-se à volta de uma senhorita de belo aspeto. Doenças. Cada uma apostada em apresentar mais maleitas do que a outra. Penso que elas nem se ouviam. Cada uma queria apenas captar a intensidade da dor alheia para logo começar a montar as arribas do seu sofrimento, desnudando-o em seguida à compaixão insofrida do grupo. Então a tal senhorita era um verdadeiro armazém de doenças! Cada pacotão!
Ligo o radar direito.
Ao fundo, de pé, três homens carpiam sobre o estado da agricultura.
- É uma "desgrácia"! Não sei onde a gente vai parar... Sementes a adubos caríssimos e depois as nossas coisas ou não as querem ou querem-nas de graça! Qualquer dia, temos que andar prá aí com o saco na mão a pedinchar. A gente já nem ganha pra comer quanto mais pra pagar a Casa do Povo!"
E saraivavam sobre o governo, os comerciantes, as cooperativas.
Desse lado, na fila da frente, um homem, aparentando ares de importante, ia mexendo displicentemente numa revista, enquanto olhava superiormente pelo canto do olho.
Na minha fila, uma adolescente a quem a costureira havia roubado abundantemente no pano, parecia uma libelinha tonta. Volta e meia levantava-se, maneava-se toda até ao espelho e toca a retocar a maquilhagem. A cada volta, a saia subia um niquito! Sentava-se então, cruzava as pernoilas, enquanto os dentes não cessavam de bombardear uma pobre chiclet.
- Está quieta, rapariga! Parece que tens bichos carpinteiros no corpo! - barafustava a mãe já impaciente.
- Oh!
À frente, no meio, dois senhores carecas iam dando umas "porradas" no Costa, perante os acenos de simpatias do círculo mais próximo. Então o careca mais careca parecia apostado em suplantar o Pacheco Pereira.
Cada tirada de fazer corar a gramática e de causar enjoos à inteligência mais tolerante e compassiva. Mas percebia-se o que queria dizer. Percebia-se sobretudo os motivos do assentimento de quem ouvia. E penso que é uma pena o nosso primeiro não abandonar o palácio das suas certezas para vir aprender na universidade da vida!
Há bastante tempo que as consultas se desenrolam a passo de caracol. Mas não será por isso que a sala tem tanta gente? As pessoas não gostam de ser consultadas à pressa, precisam de tempo, merecem tempo.
- Ai, valha-me Deus! Já não me "despaxo" a horas da carreira! Tenho que telefonar ao meu home pra me vir buscar! - Caramunhava-se uma senhora de ar desgrenhado. - Minha "sinhora", veja-me aqui na lista, por favor que eu não "inxergo" estes números que parecem piolhos."!
E esticava até Lalim o telemóvel no braço.
"Hum! Há horas aqui e ainda ninguém puxou conversa sobre padres! É de admirar! Está para cair algum santo do altar abaixo!"
O altifalante chama pelo meu nome.
- Boa tarde, sr doutor!
- Boa tarde - diz quase sussurrando o médico, com um ar de indiferença e de rotina.
- Então...
- Então, sr doutor, é que estou aqui stressado pra caramba...
- Stressado?
- Pois, mandaram-me cá estar às tantas. Já são tantas!!
- Pois, sabe que as consultas têm que demorar o tempo necessário...
- Isso eu sei. Mas acho que o sr doutor já merecia um relógio que não atrasasse tanto...

Ana Coxa e Igualdina

Há mais de quatro décadas. Viviam no mesmo povo.
Igualdina era um mulherão, forte, alta, espadaúda. Dizia-se que era capaz de pegar numa saca de batatas de 100 quilos e transportá-la mais célere do que qualquer valente homem. Ana era coxa, franzina, baixita. Mas com língua de meia légua.
Tinham terrenos pegados e, muitas vezes, as rixas aconteciam. E era sempre a Ana Coxa que começava. Ora "porque os teus filhos deixaram ir os animais para aquilo que é meu", ora "porque andas a regar na minha hora", ora "porque atravessaste a minha lameira, e isto tem dono"...
Igualdina olhava-a com desdém lá desde a sua altura.Virava costas e seguia o seu caminho. Só que a outra não largava. Mancando e andado, seguia a vizinha, azucrinando-lhe os ouvidos.
Quando os cordelinhos da paciência ameaçavam romper-se, Igualdina virava-se para trás e sussurrava entre dentes: "Não tarde a aquecer-te o forno!" A outra afinava então, cacarejando em tom desafiador um chorrilho de ofensas, mais vasto e sinuoso do que a linha do Douro.
Desesperada, espumejando de raiva, Igualdina voltava-se para trás, dava uns passos apressados , pegava na cabeça da Ana, metia-a entre as suas pernas, levantava-lhe a saia e aí vai disto! Deixava cair com força e  velocidade supersónica aquelas manápulas no "rabo" da pobre coxa. Esta nem gritar podia, pois além de o saião da grandalhona lhe tapar a boca, as suas pernas apertavam o garganete da infeliz palradeira a ponto de ficar quase sem "suspiração".
Era o que se dizia então no povo: "Uns têm as palavras, outros têm as obras."


Uma semana de muita paz para todos.

domingo, 1 de maio de 2016

Poque são criticadas as pessoas que fazem algo pelos outros?

Quando uma pessoa se mete na sua vidinha, vive fechado na concha dos seus interesses, nada faz pelos outros, essa pessoa não é criticada.
Quando uma pessoa é capaz de dar tempo, disponibilidade, cooperação, serviço à comunidade, aí já é criticada, denegrida, exposta, injustiçada, quando não difamada...


Tinha de ser exatamente ao contrário. Quem merece ser criticado é quem nada faz pelos outros, nunca se expõe, vive no mundo do seu umbigo, é egoísta.
Quem "dá o corpo ao manifesto" em favor dos outros e do bem comum merece ser reconhecido, estimado, estimulado, respeitado.


O ser humano não existe para viver em concha. Não é esta a vocação. Água estagnada e parada apodrece.
Somos humanos quando nos abrimos, partilhamos, colaboramos, arriscamos.


E mais baixo ainda é quando aqueles que nada fazem pelos outros aparecem como paladinos da crítica aos que colaboram em prol do próximo e do bem comum.
Só tem autoridade para criticar quem é capaz de fazer algo pelos outros.


"Não te magoa quem quer, é quem pode", diz a sabedoria popular. E só o pode fazer quem tem autoridade para tal, desde que o faça com verdade e caridade.
Lembre-se, quando colabora, mesmo que sofra por tal, recebe o melhor prémio, o da sua consciência. E, como na hora da verdade, quem vai responder diante de Deus não é a língua dos outros, mas a sua boa ou má consciência, seja fiel a esta. Isto é próprio de gente livre!

sábado, 30 de abril de 2016

Os críticos da praça

Há quem critique com conhecimento de causa e o faça para com a intenção de ajudar as melhorar as coisas.
Há quem critique mas sem deixar de colaborar.
Há quem  faça da crítica o seu modo de estar na vida, criticando  toda a gente mesmo quando pouco ou nada conhece sobre os assuntos que critica.
Há quem critique para agradar, mas receber aplausos, achando-se o melhor, o mais engraçado, o mais popular.
Há quem critique porque ouviu criticar.
Há quem critique para se defender a si mesmo de participar, partilhar e ajudar.
Há quem critique para esconder a má consciência.
Há quem critique por vício ou mania doentia.
Há quem critique sem se informar, só porque sim...


"Antes que fales, pensa no que dizes."
"A boca fala da abundância do coração."
"Só tem autoridade para criticar quem tem disponibilidade para colaborar."

Amanhã é o Dia da Mãe

Muitos parabéns a todas as mães!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

"Santa Helena fotografou"



Indiferença perante a oferta...

"(...) essa misericórdia toda que agora se proclama e oferece a rodos, mas que a maior parte dos cristãos não procura, não quer, não agradece, nem aceita."
J. Correia Duarte

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Batismo – Inconsistências

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Sinceramente, sinto que devo começar esta crónica reconhecendo-me publicamente pecador e imperfeito, muito longe de corresponder ao que Deus e a Igreja querem e esperam de mim.
Posto isto, continuo.
Diz o Papa Francisco que nós, os que fazemos parte da Igreja de Jesus, não somos nem temos que ser perfeitos, porque a Igreja não é necessariamente uma comunidade de justos, mas um povo de discípulos que procuram seguir Jesus o melhor possível.
É verdade. Sem dúvida. Contudo, não posso deixar de dizer que uma coisa é a falta de santidade e de perfeição que ainda não adquirimos, e outra, bem diferente, é a falta de seriedade e de coerência que mostramos: nos actos e nas palavras.
No tema em título e em análise, sempre me impressionou e incomodou a ligeireza e a imponderação com que a maior parte dos pais e dos padrinhos das crianças por eles apresentadas ao Baptismo respondem ao sacerdote que, à entrada do templo, os interroga sobre o compromisso que assumem nesse momento de educar os filhos e afilhados na fé e na vida cristã: os pais, de educar; os padrinhos, de ajudar.
Há cinquenta e três anos que venho fazendo essa pergunta e nunca algum pai, mãe, padrinho ou madrinha me respondeu que não. E no entanto, venho depois a verificar, da parte de muitos deles, um total e absoluto desleixo e desinteresse no cumprimento de tal compromisso. Incluídos muitos dos que assistem às reuniões de preparação.
Chegados depois à Pia Baptismal, e convidados os pais e os padrinhos a manifestarem a alegria da fé e a renúncia ao pecado, dizem todos a tudo que sim. E aqui vem a maior incongruência, de cortar o coração: pais e padrinhos que nunca põem os pés nas igrejas e só lá voltam quando os trouxerem numa urna ou num caixão, pais e padrinhos que vivem a vida inteira num contínuo afastamento da comunidade cristã e num total desleixo e desinteresse pela Eucaristia Dominical e pelos demais Sacramentos, pais e padrinhos que vivem em situação divergente e mesmo oposta às normas morais que o Evangelho ensina e a Igreja recomenda, dizem a tudo que sim: que crêem; que renunciam; que não querem nada com o demónio, nem com a mentira, nem com o pecado.
E toca a baptizar!
Mas se algum sacerdote, por imperativo dos cânones ou descargo de consciência, apresenta qualquer obstáculo ou manifesta qualquer dificuldade em baptizar uma criança, os pais recorrem ao bispo, ao papa se o bispo lhes não dá razão, e agora (está na moda…) até chamam a televisão e os jornais, para publicitar melhor o crime e amedrontar mais e melhor o “criminoso”!
Peço que os meus leitores me perdoem, mas não resisto a pôr aqui a expressão usada um dia por Cunhal: os sacerdotes são obrigados em alguns momentos a engolir mesmo “sapos vivos”.
Não é fácil. Mas, tal como as coisas estão, parece que nada mais há a fazer!
O Baptismo não é um rito mágico que tudo resolve e faz. Também não é um direito que todos temos, sem mais não. Também não é uma oportunidade para arranjar uns compadres simpáticos a quem devemos ou de quem esperamos favores. Também não é uma festa tradicional que se organiza para juntar a família e os amigos, num seleccionado restaurante, em data em que todos possam estar, mesmo que a criança tenha de esperar alguns anos, muitos. O Baptismo é um Dom de Deus e é uma dádiva da Igreja que nunca merecemos nem agradeceremos suficientemente, e é também um Compromisso de Vida com Jesus e com a Igreja, que se assume para sempre: os adultos, por si; os pais e os padrinhos pelas crianças.
Que Deus me perdoe, mas eu acho que a misericórdia divina não consegue cobrir tudo, e sobretudo estas nossas incoerências!
Nem sequer essa misericórdia toda que agora se proclama e oferece a rodos, mas que a maior parte dos cristãos não procura, não quer, não agradece, nem aceita.
Pe. J. Correia Duarte,
in Voz de Lamego

quarta-feira, 27 de abril de 2016

As mulheres-mães


Contava-me, há dias, uma senhora com uma criança de quatro anos:
– Ontem o meu filho disse-me: "Hoje ficas todo o dia comigo, pois ontem estiveste sempre a trabalhar".
O trabalho com horário completo das mães com filhos pequenos e sem folgas para estarem e brincarem com eles é uma violência contra elas e os próprios filhos. E sabemos que muitas mulheres continuam a ter ainda que fazer sozinhas toda a vida de casa. Cozinhar, limpar, arrumar – tudo é com elas.
Todos gostaríamos que houvesse mais filhos. "Economias fortes e sistemas geríveis de pensões de reforma dependem simultaneamente de taxas de fertilidade e de taxas de emprego mais altas". É a OCDE, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico, que o diz, ao apresentar a série "Bebés e Patrões".
O relatório daquela série sobre Portugal refere ser elevada a percentagem das portuguesas que trabalha: quase dois terços. Sublinha que mais de quatro quintos estão a tempo completo. É uma proporção muito elevada: na Suíça é 55 por cento. A OCDE diz ao Estado para dar mais dinheiro aos pais que tratam dos filhos em vez de o entregar a organizações. Sugere também que dê mais aos pais com menos dinheiro – através dos impostos ou da segurança social. A solução da OCDE para o trabalho feminino está no reforço do tempo parcial. A OCDE tem também uma palavra para os patrões. Como a maternidade encarece o trabalho feminino, ou o Estado compensa este encarecimento ou o empresário tem que discriminar as mulheres. Por isso esta organização manda-o dar mais benefícios às empresas que aceitam responsabilidade pela fertilidade. O relatório sugere ainda aos patrões que ofereçam horários mais flexíveis às mães ou aos pais que tomem conta dos filhos.
Outrora as mulheres trabalhavam em casa ou no campo, mas por conta própria. Assim, tinham mais disponibilidade para estar com os filhos. E as crianças ganhavam com isso. Hoje até há quem se esqueça de ir buscar o filho à creche ou tempos livres. De quem será a culpa?
Fonte: aqui

Se não houvesse Deus, não haveria ateus

Ateísmo é, suponho, o exemplo supremo de uma fé simples. O homem diz que não há Deus; se ele o diz de coração, é um tipo de homem assim designado na Escritura. Mas, de qualquer modo, quando o diz, disse-o; e parece não haver mais nada a dizer.
É como se a conversa se esvaziasse.
A verdade é que a atmosfera de excitação, pela qual o ateu vive, é uma atmosfera de desafiante e vibrante teísmo mas, de modo, nenhum, ateísmo; é uma atmosfera de desafio, mas não de negação. Irreverência é um parasita muito servil da reverência; e morre de fome como o seu senhor esfomeado.
Depois desta primeira excitação sobre o mero efeito estético da blasfémia a coisa some-se no seu próprio vácuo. Se não houvesse Deus, não haveria ateus."
G.K. Chesterton: "Where All Roads Lead."

terça-feira, 26 de abril de 2016

Deus e os problemas

Não diga a Deus que tem um grande problema, diga ao seu problema que você tem um grande Deus. Nunca se esqueça que Deus jamais lhe dá uma cruz maior do que a que pode carregar!
(Almir Santana Rios)