terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Rapa cabelo para evitar bullying


O caso chegou àss redes sociais e o professor já é um herói mundial. Ao perceber que um de seus alunos estava sofrendo 'bullying' por ter perdido o cabelo por causa de uma doença desconhecida, o professor iraniano Ali Mohammadian decidiu rapar a cabeça para mostrar solidariedade. Dentro de pouco tempo, todos os alunos da classe raparam também os seus cabelos e o bullying acabou. As informações são do jornal inglês "The Guardian".
Em dezembro, o professor postou a sua foto sem cabelo ao lado do aluno no Facebook, para mostrar apoio ao menino Mahan Rahimi.
O gesto solidário foi reconhecido pelo Presidente do Irão, Hassan Rouhani, que elogiou a atitude do professor e decidiu apoiar financeiramente o tratamento médico do aluno.
"Estou tão feliz que isso tenha tocado muitos corações. As pessoas reagiram de forma extremamente positiva", confessa o professor, de 45 anos, ao The Guardian por telefone a partir de Marivan, revelando que agora "toda a escola quer rapar a cabeça".
A mesma publicação conta que no início deste mês, Mohammadian postou uma foto sua na rede social Facebook explicando que o jovem de oito anos Mahan Rahimi "estava a isolar-se depois de ficar careca. O sorriso desapareceu do seu rosto e eu estava preocupado com o seu desempenho escolar. Foi por isso que pensei em rapar a cabeça para levá-lo de volta ao caminho certo".
"Quando eu entrei no meu Facebook, no dia seguinte [à publicação], não podia acreditar no número de pessoas que tinham gostado e partilhado o post", diz ao The Guardian.
Com a repercussão, o governo ofereceu apoio financeiro para o tratamento médico do menino. Até ao momento, os médicos iranianos ainda não descobriram qual é a doença no sistema imunológico que deixou Mahan careca. De acordo com o professor, algumas amostras foram enviadas para a Alemanha para um possível diagnóstico.
Fonte: aqui

É por estas e por outras que defendo o Serviço Nacional de Saúde

INEM salva mulher em hospital privado
Veja aqui

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A nossa Serra acordou assim...










Noite de invernia no sopé da Serra. Vento forte, muita chuva, granizo.
A Serra de Santa Helena acompanhou, a seu modo, o ritmo do tempo. Por isso, revestiu-se de branco, que a forma que ela tem de assinalar as fortes invernias.
Muitas são as pessoas que demandam a Serra para usufruir do seu encanto e para as brincadeiras na neve. Mas é recomendável todo o cuidado ao circular para que nada de desagradável possa acontecer.
Santa Helena, sempre magnífica, adquire, quando coberta de neve, um fascínio muito especial. É única.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O que é a solidão?

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

Francisco Buarque de Holanda

sábado, 1 de fevereiro de 2014

No que ao respeito diz respeito


O termo respeito e outros que tais da mesma família gramatical são utilizados em contextos tão diversificados que o conceito por eles veiculado se torna manifestamente plurívoco. Desde o governo que protesta respeitar o Tribunal Constitucional, mas prepara legislação em parte contradicente dos seus acórdãos, à pessoa que assegura não ter medo de uma trovoada, mas um certo respeito, passando pela simples referência “a respeito de…”, tudo serve, até o envio de “os meus respeitos” à pessoa que recentemente me apresentaram. Afirmações como “a pessoa que se preza dá-se ao respeito e exige que a respeitem”, “é preciso respeitar a autoridade”, “respeitar os valores axiológicos”, “respeitar a distância entre veículos” e “respeitar os direitos dos trabalhadores” ou “respeitar o código do trabalho” são princípios comummente aceites. Já não serão para levar a sério estribilhos como “o trabalho é sagrado: respeita-o, não lhe toques”. E é de ingénua enunciação, de desviante entendimento ou de interpretação muito restrita a asserção popular que ouvi quando a RTP, em 1985, apresentou o filme “O obcecado”: perante o facto de um indivíduo que sequestrou uma mulher e lhe infligiu os piores tratos pondo-a, por várias vezes, às portas da morte, algumas telespectadoras comentavam: “Que grande safado! Tratou-a de resto, mas, graças a Deus, não lhe fez mal, nunca lhe falou ao respeito”.

Perante um panorama lexical e semântico tão diversificado, entendi dever dar-me à sinecura de apurar os significados conceptuais do vocábulo “respeito” e de alguns dos da mesma família de palavras. E, uma vez que se trata de palavra cujo étimo latino é o “respectum”, acusativo do singular de respectus, us da 4.ª declinação, consultei F. Gaffiot, em Dictionnaire Latin-Français (1934, Librairie Hachette), e Francisco Torrinha, em Dicionário Latino-Português (1945, Edições Marânus, 3.ª ed). No primeiro (pg 1352), podemos ler, para respectus, 1 action de regarder en arrière; 2 consideration, égard; 3 possibilité de regarder vers quelque-un ou quelque chose, c’est-à-dire de compter sur quelque-un ou quelque chose, recours, refuge. No segundo (pg 748), encontramos 1 ação de olhar para trás; 2 vista, espetáculo (para quem se volta para trás); 3 consideração (deferência), respeito, atenção; 4 asilo, refúgio. Ambos relacionam o vocábulo com os verbos respicere e respectare, que têm significados muito próximos do nome masculino de que ora tratamos, bem como com o nome feminino species, ei, da 5.ª declinação (que significa aparência, vista, rosto ou espécie), e com os verbos specere ou spicere (avistar, ver, olhar) e spectare (olhar, contemplar; observar, considerar, prestar atenção, esperar, ter em vista, analisar, apreciar, julgar, relacionar-se, pertencer, referir-se).

O Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora (2011, pgs 521.929.1385-1386), da coleção Dicionários Editora, tem a recensão de respeito (nome masculino, com a origem latina em respectu, já com a apócope de -m) e as correspondentes derivadas com os prefixos des- e in- (ir-, por assimilação consonântica) e com vários sufixos  em diversas aceções – 1 ato ou efeito de respeitar; 2 consideração, apreço; 3 deferência, acatamento, veneração; 4 homenagem, culto; 5 temor, receio; 6 relação, referência; 7 aspeto, ponto de vista; (no plural, respeitos) cumprimentos – e integrado em locuções, como a respeito de, com respeito a (relativamente a), conter em respeito (manter a distância, não deixar aproximar-se), de respeito (notável), dizer respeito a (ter relação com, referir-se a), faltar ao respeito a (ser descortês com, ser inconveniente com), por respeito a (em atenção a). E temos entradas lexicais para: respe ou réspice (descompostura, repreensão); respeitabilidade; respeitado e respeitador; respeitante, respeitável e respeitavelmente; respeitoso; respetivo e respetivamente; e outras com os prefixos des- e in-.
Sendo assim, o que é o respeito? Tudo o que fica dito no primeiro parágrafo condiz com a noção de respeito. Porém, o respeito pela trovoada é mesmo medo; o trabalho, por ser sagrado, não implica que se lhe não toque, mas que seja considerado ou tido em conta; e é preciso banir a hipocrisia de quem diz que respeita uma decisão, mas não a acata, ou seja, age em sentido desviante ou mesmo contrário.

Por seu turno, a Wikipédia (enciclopédia livre, acedida em 2014.02.01), que passamos a seguir de perto, esclarece que o respeito consiste num sentimento positivo de estima por uma pessoa ou para com uma entidade e também abrange ações específicas e condutas representativas de tal estima. Pode mesmo corporizar um sentimento específico de consideração pelas qualidades reais do outro ou a conduta de acordo com uma moral específica. Nestes termos, “ser rude é considerado uma falta de respeito (desrespeito) enquanto ações que honram a alguém ou a alguma coisa são consideradas respeito”. Muitas culturas dispõem de morais específicas de respeitos às quais atribuem uma importância fundamental.

Porém, “respeito” distingue-se de “tolerância” porque tolerância não compagina necessariamente nenhum sentimento positivo, e não é compatível com desprezo, o contrário de respeito. Vindo, como vimos, a palavra respeito do latim respectus, que, por sua vez, provém de respicere que significa olhar para trás e se prolonga semanticamente em respectare, evoca a ideia de julgar alguma coisa em relação ao que foi feito quando é valioso ser reconhecido. Além disso, a noção de respeito implica a sua aplicabilidade a uma pessoa que fez algo certo, mas também a qualquer coisa afirmada no passado como uma promessa, a lei, etc.

Por isso, assumo atitudes de respeito quando: respeito o nome de Deus não O invocando em vão, porque é sagrado e Lhe presto o culto latrêutico; cumpro a lei e os regulamentos; reconheço os direitos humanos; guardo as distâncias em relação aos perigos e às pessoas a quem devo reverência (recorde-se a “mesura” das cantigas de amor medievas); ajudo aqueles com quem devo colaborar ou que precisem da minha atenção e auxílio; acato as decisões de quem de direito e obedeço aos meus superiores hierárquicos naquilo que não contrarie a lei e a consciência pessoal e profissional; sigo escrupulosamente a minha consciência, contra as pressões, ambições, oportunismos e acomodações; relaciono-me com as pessoas, cumpro os meus deveres e exerço os meus direitos ou a contento ou reivindicando-os com firmeza e persistência; abordo as diversas matérias em que me sinto competente por força do conhecimento ou por disposição legal e mobilizo todos os assuntos relacionados com elas consoante a sua pertinência; preservo o alheio, o sagrado, o valioso; e curvo-me perante os símbolos das realidades imateriais ou das coletividades que integro ou que outros integrem. Mas, sobretudo, disponho-me a olhar para trás, ou seja, a refletir responsavelmente sobre as minhas opções de vida e de ação e os meus atos em concreto, a ver o que pode melhorar, e até que ponto há alguém que precise de ser ouvido, atendido ou ajudado. Por outro lado, numa linha de convivência sadia, dou livremente a minha opinião, sem a impor, e considero as opiniões e a postura dos outros, evitando qualquer juízo precipitado ou desnecessário. E não deixo de cumprir o que prometi no quadro da fidelidade à palavra dada ou aos juramentos e declarações em que empenhei a minha palavra de honra.

E, ao mesmo tempo, não descuro os deveres para comigo, tanto materiais e corporais como culturais e espirituais, na convicção de que, se não me habituo ao autorrespeito, cuidando de mim e dos meus legítimos interesses, não estou capacitado para respeitar os outros nem para deles exigir respeito.

Enfim, o cidadão que se preze autorrespeita-se, respeita, dá-se ao respeito e faz-se respeitar!
2014.02.01

Louro de Carvalho

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Você sabe o que é a doutrina social da Igreja?




A Igreja Católica tem uma visão muito clara do mundo e de suas necessidades; e por isso oferece a solução cristã para os graves problemas da humanidade segundo a Luz do Evangelho de Jesus Cristo. Mas, infelizmente muitos católicos desconhecem esta Doutrina.


A Igreja ensina que: “uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade económica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social” (GS 63,3; LE 7; CA 35).


O “Catecismo da Igreja” afirma que “um sistema que “sacrifica os direitos fundamentais das pessoas e dos grupos à organização coletiva da produção” é contrário à dignidade do homem (GS 65). Toda prática que reduz as pessoas a não serem mais que meros meios que têm em vista o lucro escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo. ” (CIC, §2424)


A Igreja ensina que os responsáveis pelas empresas têm perante a sociedade a responsabilidade econômica e ecológica pelas suas operações (CA 37). Eles “têm o dever de considerar o bem das pessoas e não apenas o aumento dos lucros. Entretanto, estes são necessários, pois permitem realizar os investimentos que garantem o futuro das empresas, garantindo o emprego”. (CIC ,§2432)


“Levando-se em consideração as funções e a produtividade, a situação da empresa e o bem comum, remuneração do trabalho deve garantir ao homem e aos seus familiares os recursos necessários a uma vida digna no plano material, social, cultural e espiritual” (GS 67,2).


A Igreja valoriza sobretudo o trabalho. Ensina que o valor primordial do trabalho depende do próprio homem, que é seu autor e destinatário. Por meio de seu trabalho, o homem participa da obra da Criação. Unido a Jesus Cristo, o trabalho pode ser redentor.


Vale a pena ler o artigo todo. AQUI

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Onde vai haver emprego este ano?

Veja aqui

La portada envenenada de 'Rolling Stone' al Papa Francisco


El Papa, en la portada de Rolling Stone

Lombardi lamenta las críticas de la revista a Benedicto XVI

La portada envenenada de 'Rolling Stone' al Papa Francisco

El portavoz del vaticano acusa a la publicación de hacer "periodismo superficial"



El portavoz del Vaticano, Federico Lombardi, lamentó hoy que en el artículo de la revista "Rolling Stone" sobre el papa Francisco se haya descrito de manera negativa el pontificado su predecesor, Benedicto XVI.


Veja aqui

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Recomeçaram as obras da 2ª parte do Centro Paroquial



Veja  aqui.

As praxes são uma praxis perigosa

Estamos em clima de profundo debate sobre as praxes. Também tenho o meu pensamento sobre este assunto. Parece que a pergunta mais frequente é esta, o problema são as praxes ou são os abusos que as praxes implicam? – Parece bem e a pergunta desde logo suscita a reflexão.
Sempre considerei as praxes um pouco extravagantes. Os que as aplicam sobre os pobres caloiros aproveitam para mostrarem um certo exibicionismo, a sua prepotência e o complexo de superioridade, porque são os mais velhos no percurso académico. Estes que chegam são vítimas, que devem ser humilhados, com o pretexto da integração.
Tudo o que vou presenciando está claramente dentro do abuso e da humilhação. Os defensores das praxes dizem-nos que servem para integrar na comunidade académica e na sociedade. Não posso estar mais de acordo com esta ideia.
Vejamos então. Se considerarmos que vivemos numa sociedade onde dominam alguns fortes sobre uma maioria de fracos, que os humilha e explora quanto podem, obviamente, que as praxes servem precisamente para isso, vejam como é a comunidade escolar académica e depois a sociedade que vos espera, os dominadores somos nós, humilhamos-vos agora para que vocês amanhã sejam dominadores e humilhem também os outros. Detesto esta mentalidade, mas é a predominante na nossa sociedade.
Por isso, os abusos nas praxes não se fazem esperar, até ao ponto de já terem feito sofrer muitos jovens e alguns já passaram pelo crivo da morte. Uma coisa que pretende ser uma brincadeira, um convívio ou uma confraternização, chegar ao ponto de fazer sofrer e matar, não pode mais ser considerado de brincadeira. Há sim humilhações graves nas praxes, há crimes que devem ser punidos. Por exemplo, pessoas a rastejar no chão e chamar-lhes de burros; colocar-lhes orelhas de burro sobre a cabeça; fazer as pessoas se lançar sobre poças de lama; utilizar urina ou excrementos nas pseudo brincadeiras; entre tantos outros elementos que não lembra ao diabo para fazer parte desta coisa terrível que chamam de praxe. Se isto não humilha, então, não sei o que é humilhar…
Tudo com uma lógica terrível que não ensina para o saudável convívio, para a igualdade entre os cidadãos, mas sempre com o pior princípio que rege esta nossa sociedade, quem humilha já foi humilhado, agora contribui para que no futuro estes humilhados encontrem razões para humilhar. Ora, esta rede de má educação resulta da forma como a sociedade convive entre si. A educação está toda voltada para aí, para os dominadores que podem humilhar os mais fracos. E assim parece não ter um fim. Mais grave ainda é que, parecemos legitimar esta mentalidade e se não nos falarem em sofrimento e morte, convivemos bem com isso.
Não sei que medidas devem ser tomadas, mas que face aos abusos, algo terá que ser feito. Não basta a mediatização de seis mortes na Praia do Meco, sabe-se lá em que circunstâncias aconteceram, sabemos isso sim que no contexto das praxes, para que passado algum tempo tudo volte ao normal e só se volte a falar de praxes quando acontecerem mais mortes.
Os argumentos para defender as praxes por vezes redundam em patéticos. Um membro da Associação de Estudantes da Universidade da Madeira considerava que as praxes servem para aferir quais são os alunos que tem mais necessidades económicas. Um lindo argumento. Como será feita esta aferição? Será que lhes aplicam um balde de uma porcaria qualquer sobre a cabeça e logo aferem pelo teor ou intensidade da reacção do humilhado? Será pela intensidade dos berros? Ou ainda pela genica com que rastejam num chão coberto de lama ou excrementos? – Poupem-nos de mais barbaridades…
Perante tudo isto o que parece não haver dúvidas é que as praxes tornaram-se uma praxis perigosa. Muito mal andarão os pais que têm filhos à beira de entrar nas universidades. Vivem com o coração nas mãos com aquela incerteza se não estão a enviar os seus filhos para as garras de outros jovens que não têm mãos a medir nem escrúpulos nenhuns face ao prazer que lhes dá humilhar quem é iniciado numa caminhada. E tais ditas brincadeiras podem levar à morte. Porque resultam em terrorismo que amedronta e com certeza que marca as pessoas para toda a vida.
Será então preciso criar medidas que evitem os abusos e que se responsabilize criminalmente quem enveredar pelo caminho da humilhação. Deve haver coragem firme para que a humilhação deixe de ser uma realidade nos lugares da educação. O futuro de todos nós o exige e precisamos de uma sociedade onde deixa de existir dominadores que humilham até à saciedade os mais fracos. Todos iguais entre iguais, é o que devem ensinar as nossas escolas e as universidades essencialmente.
Fonte: aqui

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Algumas verdades duras sobre divórcio e comunhão

A Igreja não pode mudar o que Jesus ensinou.
Mas pode ser mais sensível pastoralmente?

Pululam boatos, imprensa afora, de que o papa Francisco vai relaxar em breve o tratamento dado pela Igreja católica às pessoas que se divorciaram e voltaram a se casar. Um artigo da Reuters sugere um racha entre o arcebispo Gerhard Müller, presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, e o cardeal hondurenho Óscar Maradiaga, cabeça do "G8" do papa, o conselho consultivo de cardeais.

Em primeiro lugar, devemos lembrar qual é a doutrina da Igreja sobre o divórcio e o posterior casamento. A Igreja católica ensina que o sacramento do matrimônio é indissolúvel, com base nos ensinamentos do próprio Cristo: “o que Deus uniu, o homem não pode separar”.

No entanto, a Igreja reconhece também que, por causa da fraqueza humana, há casamentos que se rompem. Às vezes, a única solução é a separação, inclusive com o divórcio civil. Se o casamento foi válido, porém, o casal continuará casado mesmo depois de se divorciar perante o tribunal civil; assim, se os indivíduos se casarem novamente com outros cônjuges, cometerão adultério e seu novo casamento que não pode existir aos olhos da Igreja. Surge daí a questão de saber se o primeiro casamento foi realmente válido. A diocese deve ter canonistas qualificados que analisarão o casamento e decidirão se ele era válido ou não. Se o casamento não fosse válido, significa que ele nunca existiu de verdade: neste caso, é possível conceder o decreto de nulidade.

Todo casamento é considerado válido a não ser que se prove o contrário. E, até que a invalidade do casamento seja comprovada e o decreto de nulidade seja concedido, os divorciados que se casaram com outros cônjuges não podem ser admitidos à comunhão, por estarem vivendo em adultério. Muitos padres acham que essa abordagem é excessivamente legalista e dura. Em resposta aos bispos alemães que defendem uma abordagem mais leniente, o arcebispo Müller já afirmou que não haverá mudança. O cardeal Maradiaga contestou a afirmação de Müller dizendo: "Irmão, a vida não é assim".

O problema, de fato, é complexo, mas as soluções podem ser ainda mais difíceis. Quem adota uma postura mais leniente argumenta que a misericórdia do Senhor é eterna e questiona se Jesus, que acolheu a todos, afastaria as pessoas da sua mesa simplesmente por causa de uma situação matrimonial irregular. Para a mulher que foi pega em adultério, argumentam eles, Jesus disse: “Nem eu te condeno”. Quem defende uma abordagem mais rigorosa, por sua vez, enfatiza o comentário final do Senhor a essa mesma mulher flagrada em adultério: "Vai e não peques mais". A misericórdia é oferecida, mas espera-se também o arrependimento e a mudança de vida.

De alguma forma, temos de acolher a todos com a compaixão e com a misericórdia de Cristo, conservando, ao mesmo tempo, a indissolubilidade do casamento e o compromisso do matrimônio para toda a vida. O cardeal Maradiaga adota uma abordagem pastoral prática ao dizer que "a vida não é assim". Acontece que a doutrina moral católica não é determinada apenas pelas circunstâncias. A moralidade é estabelecida através de certos critérios objetivos revelados. O cardeal de Honduras diz que as coisas não são tão pretas ou brancas, mas deve-se salientar que não haveria tons de cinza se não existissem, nitidamente, o preto e o branco. Em outras palavras: sem um padrão objetivo, não pode haver outros padrões; e, por definição, um padrão objetivo é imutável e aparentemente “duro”.

O que fazer então diante desse dilema pastoral? Se cada padre interpreta a lei do seu jeito e, na tentativa sincera de ser misericordioso, permite que os seus fiéis em casamentos irregulares comunguem, ele pode, na sua bondade, estar fazendo mais mal do que bem. Os efeitos negativos de cada padre adotar uma postura mais branda são muitos. Em primeiro lugar, é preciso levar em consideração o parceiro que “sofreu” o divórcio: se um casamento termina por causa de adultério e um dos parceiros é deixado sozinho pelo outro, o que estaremos dizendo a essa pessoa quando readmitirmos o cônjuge adúltero à comunhão sem nenhuma consequência?

Em segundo lugar, o que estaremos dizendo aos filhos e netos de casais divorciados? Ao relaxarmos a disciplina da Igreja, damos a entender que os casamentos podem ser rompidos e que casamentos posteriores podem ser feitos à vontade. Mesmo sem ter essa intenção, uma abordagem branda é tacitamente indulgente com o divórcio e com o novo casamento, prejudicando o senso de compromisso matrimonial das gerações futuras. Quando somos indulgentes com o “recasamento” de alguém, ensinamos aos seus filhos que o “recasamento” depois do divórcio é aceitável.

O terceiro problema de se abordar com indulgência o divórcio e um posterior casamento é o fato de que não necessariamente conseguimos o desejado efeito dessa compaixão. O padre quer trazer as pessoas à plena comunhão com a Igreja e oferecer a elas o acolhimento de Cristo. Mas o que eu pude ver, mais de uma vez, é que tanto os potenciais conversos à Igreja quanto as pessoas afastadas da fé não ficam impressionados com o comportamento leniente de um padre no tocante à disciplina da própria Igreja. Uma ex-batista que queria vir para a Igreja acabou se afastando da paróquia em que um padre católico se mostrava relapso com o seu casamento: "Por que eu me tornaria católica", questionou ela, "se o padre passa por cima das regras da própria Igreja e trata a situação séria do meu casamento de uma forma tão superficial?".

A abordagem leniente ensina aos divorciados recasados que os seus compromissos matrimoniais não importavam de verdade. Quando um padre ignora o processo de nulidade, ele diz ao casal divorciado e recasado: "O casamento de vocês e as decisões de vida de vocês não são importantes o suficiente para que eu as leve a sério". Esta postura trata o casamento com a mesma leviandade com que o mundo o trata: as pessoas podem se casar sem pensar muito no assunto, porque, no fim das contas, ele não tem tanta importância.

Mas a dificuldade pastoral continua. O que fazer, afinal, com tantos católicos afastados da Igreja por causa do casamento desfeito? E mais importante ainda: o que fazer com as vítimas inocentes dos casamentos desfeitos? É justo que o cônjuge abandonado seja condenado a uma vida de solidão, e, caso ele próprio se case de novo, é justo cortá-lo da Igreja?

Um caminho a ser seguido pode ser o de focar o trabalho dos tribunais matrimoniais no âmbito local. Os pedidos de decreto de nulidade seriam administrados de modo mais descentralizado, tornando o processo mais acessível. Podem-se criar fundos para cobrir os custos dos processos de nulidade e para prestar uma formação pré-matrimonial mais profunda, que ajude as pessoas a entender a seriedade do compromisso e a assumir casamentos válidos, em primeiro lugar.

A resposta para o problema, certamente, não é deixar a questão aberta ao total “faça-se como cada um quiser”. As modificações no sistema atual, a fim de torná-lo mais sensível pastoralmente, devem auxiliar a Igreja a defender a santidade do casamento, ajudando a reconciliar os católicos afastados e a curar as almas e os corações machucados.
Fonte: aqui

domingo, 26 de janeiro de 2014

Os meus filhos no parlamento

Eles sabem que apesar da política, no dia a seguir vão à escola, têm trabalhos de casa e no fim-de-semana levantam-se tarde e podem jogar playstation

As crianças não querem saber nem sabem o que é política. É um tema que obviamente acham entediante. A actualidade política, a composição do governo ou os debates quinzenais são coisas que interessam tanto aos nossos filhos quanto física quântica. Política e física quântica são mais ou menos a mesma coisa: uma enorme e incompreensível seca. Eles não percebem o que é um orçamento rectificativo, qual a questão subjacente aos estaleiros de Viana do Castelo ou qual o sentido da moção de Passos Coelho no que diz respeito à candidatura de Marcelo às eleições presidenciais. No entender deles, não há questões, mas apenas complicações. Complicações incompreensíveis que não fazem qualquer sentido para a sua vida diária. Eles sabem que apesar da política e da polémica do Professor Marcelo, no dia a seguir vão à escola, têm trabalhos de casa e no fim-de-semana levantam-se tarde e podem jogar playstation.
Mas se eles percebem pouco os conteúdos, ainda menos entendem as discussões. Agora imaginem o que é assistir a um debate político travado em chinês. É chinês, por isso só damos atenção aos gestos e ao tom das intervenções, nada mais, o que torna o espectáculo no mínimo cómico. Foi assim que os meus filhos se sentiram no parlamento.
Há uns dias levei-os ao parlamento tal como os professores levam os seus alunos em visitas de estudo. Eles não queriam, é certo, a curiosidade era nula. Mas não tiveram alternativa. Recomendei que tinham de se portar bem, que não podiam correr, gritar nem fazer birras ou ficavam dois anos sem acesso ao computador. E lá foram eles, em filinha, rumo à casa da Democracia. Sentei-os, então, nas galerias a assistirem a um debate sobre a reabertura do troço Covilhã-Guarda na Linha da Beira Baixa. Era o que havia no dia. A criançada não se mexeu. De boca aberta observaram todo o plenário sem emitirem um único som. Expliquei que cada um dos deputados só podia falar três minutos e expliquei onde estavam sentados os diversos partidos, a presidência, quem eram as senhoras sentadas no meio do salão a escrever e quem era o Fernandes Tomás retratado na parede a discursar nos primórdios na Monarquia Liberal. Eles nada.
Meia hora de debate e chegaram as dúvidas: porque é que ninguém está a ouvir quando os senhores estão a falar? Porque é que nós temos de estar calados se está toda a gente a gritar e a falar? Onde é que estão o primeiro-ministro e o Presidente da República? Porque é que toda a gente ultrapassa os três minutos? Onde é casa de banho? Sobre o troço Covilhã-Guarda nem uma questão.
Expliquei tudo. Fui obviamente em defesa dos deputados que não fazem parte da comissão competente do troço Covilhã-Guarda e que por isso não prestavam muita atenção ao debate sobre o tema mas que, certamente, estavam a tratar de outros assuntos respeitantes às suas comissões. "Mas, se não ouviram, porque é que batem palmas?" Pois, é assim.... Também não explorei muito o tema do "ruído na sala" ou os "à partes". Apenas que fazem parte da "dinâmica parlamentar" assim como uma bola de futebol faz parte de um recreio da escola.
Dali fomos almoçar e nunca mais voltámos a falar desta visita ao parlamento. Quanto à política, eles ainda não entenderam bem o conceito, sabem que é qualquer coisa que está entre as discussões técnicas, os "à partes" e o processo que irá levar o Professor Marcelo a candidatar-se a Belém. Qualquer coisa que está entre uma brincadeira de gente grande e a física quântica. O pior é que desta vez não sei se isto passa com a idade.
Inês Teotónio Pereira
Ionline, 2014-01-25

PELA PAZ


sábado, 25 de janeiro de 2014

Holandesa de 9 anos - Ponham o som bem alto e arrepiem-se até à medula…

AMIGO

Amigo é aquele que deixa o outro livre.
Amigo não aprisiona. Amigo não força. Respeita.
Homero, em plena antiguidade, ilustrou a situação: «Peca igualmente quem apressa o hóspede que não quer partir e quem o detém quando este já está partindo. O hóspede deve ser bem tratado se fica, e não deve ser impedido de partir se assim o deseja».
Amigo não exige. Por isso, agradece sempre. Porque tudo o que recebe é dádiva. Não pagamento!
Fonte: aqui

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A jovem que tinha um problema de consciência

Tem 16 anos e estuda numa escola pública. Há dias, a caminho da escola na companhia de uma amiga, encontram na chão 60 euros. Olharam em volta e viram que ali pertinho existia um café. Dirigiram-se lá e procuraram saber se alguém havia perdido dinheiro. Perante a resposta negativa, as jovens perguntaram uma à outra o que fariam com dinheiro encontrado. Finalmente decidiram-se. Dividiram ao meio.
A meio da tarde, o telefone da mãe da pequena de 16 anos tocou. Era a filha que disse: "Mãe, estou com um problema de consciência". E contou a história do dinheiro encontrado. Após uma palavra de apoio e de compreensão, aquela mãe solicitou à filha que fosse pensando e que à noite refletiriam as duas no assunto, mas que estivesse calma.
A noite, como combinado, as duas sentaram-se para conversar. "Sabes, mãe, com este dinheiro poderia jantar com os meus amigos ou comprar uma peça de roupa. Mas não é isto que eu quero. Não me saberia bem..."
Como mãe e filha fazem voluntariado semanal numa instituição que recolhe crianças abandonadas, a mãe propôs que o referido dinheiro fosse encaminhado para o menino institucionalizado a quem a jovem dava explicações. Depois de deixar assentar a ideia, a pequena soltou: "Ah! Acho uma boa ideia. Faremos isso na próxima ida à instituição."
Consultada a psicóloga que apoia mais de perto a referida criança, logo o dinheiro reverteu a seu favor. A alegria da jovem foi intensa, vinda mesmo do centro do coração, contagiante.
Ao contar-me esta cena pelo telefone, a mãe disse-me: "Mais uma ocasião para dar graças a Deus pelos meus filhos. Não imagina como este facto me encheu a alma e a vida. A minha filha, em plena reguilice adolescente, revela estes sentimentos, esta nobreza de alma, esta sensibilidade! Vale a pena ser persistente e educar para os valores! Seja Deus louvado!"

Como ser feliz? Não tendo filhos?

 Recente estudo sobre a relação entre felicidade e filhos apresenta notáveis lacunas



O segredo de um casamento feliz é não ter filhos?

Esta foi, pelo menos, uma das principais conclusões de um estudo finalizado em novembro de 2013 pela Open University, do Reino Unido, e apresentado na semana passada na Biblioteca Britânica. Intitulado "Relações de casal no século 21", o estudo comparou pais casados e solteiros com casais sem filhos e concluiu que os casais sem filhos estavam mais satisfeitos com o relacionamento e mais propensos a se sentir valorizados na relação.

Coordenado pelo Dr. Jacqui Gabb e financiado pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social, o estudo pediu que 4.500 entrevistados descrevessem a sua satisfação geral no atual relacionamento. Homens e mulheres sem filhos tenderam a avaliar a sua relação como "muito positiva" e disseram sentir-se mais valorizados pelo respectivo parceiro em comparação com os casais com filhos. Mas o estudo também descobriu que as mulheres sem filhos estavam menos satisfeitas com a vida em geral, e que as mães eram mais felizes do que os outros entrevistados, fossem homens ou mulheres, mesmo nos casos em que a relação delas com o parceiro não fosse bem sucedida.

As mulheres se mostraram duas vezes mais propensas do que os homens a dizer que os filhos são o que há de mais importante na sua vida; já os homens, inclusive os pais, tenderam a classificar a parceira como o mais importante. Os pais foram duas vezes mais propensos do que as mães a listar a "intimidade sexual" como fator muito importante e citaram a falta de intimidade como o maior problema no relacionamento.

Sem surpresas, o estudo constatou que as exigências da criação dos filhos deixaram os pais com menos tempo para o próprio relacionamento.

Um dos aspectos do relacionamento que os pesquisadores não abordaram, porém, foi o efeito dos compromissos espirituais na vida dos indivíduos. Os entrevistados na pesquisa online foram divididos por idade, sexo, estado civil e orientação sexual: não houve nenhuma pergunta sobre a sua fé. Será que a crença em Deus e o apreço pelo significado mais profundo da vida não teriam tido um efeito profundo na satisfação pessoal, mesmo durante os períodos de estresse? Será que o privilégio de compartilhar da criação de Deus através da concepção e da criação de um filho não traz uma alegria sem igual para ambos os pais, mesmo imersos em responsabilidades superiores a qualquer outra que eles tenham experimentado antes da vinda dos filhos?

Em segundo lugar, o estudo deixou de considerar um fato que pode ser óbvio para os casais há muito tempo juntos: que os relacionamentos passam por fases e que, embora haja menos tempo para si mesmos durante os anos agitados da criação dos filhos, os parceiros que assumiram um compromisso de vida um com o outro como casal podem voltar a encontrar profunda intimidade quando os filhos já estão crescidos.

Mas o maior defeito da pesquisa do Dr. Gabb e da sua equipe parece estar na sua definição de "felicidade".

O Dr. Peter Kreeft, do Boston College, menciona três tipos de realização pessoal: o primeiro tipo, o "prazer", envolve o corpo. O segundo tipo, a "alegria", que é mais do que prazer, está na mente e nos sentimentos. E, mais intenso do que a alegria, o terceiro tipo é a "felicidade”, a satisfação que brota do fundo do coração, do espírito, do centro de si mesmo. O estudo da Open University parece focar apenas no prazer da intimidade sexual do casal e na “alegria” entendida como a percepção de cada parceiro sobre o quanto o outro o valoriza.
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