domingo, 12 de janeiro de 2014
A discriminação do pai

É fatal. Um pai que queira ser pai está feito. É socialmente discriminado. E não há quotas que lhes valham.
Existe um claro mau feminismo das mães em relação aos pais. As mães, e a sociedade portuguesa em geral concorda, estão absolutamente convictas de que valem mais que os pais e os filhos são primeiro das mães e depois dos pais - que são mais das mães do que dos pais. Há cada vez mais excepções, é certo, mas o preconceito ainda está indecentemente latente. Os pais portugueses têm uma longa luta pela frente.
Apesar da evolução, de existirem inúmeros casos de sucesso em que os pais conseguiram conquistar a igualdade no respeitante aos filhos, ainda estamos na fase da condescendência. A verdade é que ainda é estranho olhar para os pais como seres autónomos: os pais portugueses ajudam as mães, mais do que isso é estranho. A ideia não é serem livres, é serem obedientes às mães. Quando se vê um pai sozinho a levar um bebé à creche, a mudar fraldas, a dar a primeira papa, a levar o filho ao pediatra, numa reunião na escola ou a fazer os trabalhos de casa com o filho, olha-se para este ser com alguma condescendência. "Coitado... a mulher deste não deve ser boa coisa", pensam as outras mães. Ou então, pior, "Que querido! Este deve ajudar imenso". É fatal. Um pai que queira ser pai está feito. É socialmente discriminado. E não há quotas que lhes valham.
As mães portuguesas acham que há territórios dos filhos que são só delas. Que a escola, o médico, a comida, a higiene, os trabalhos de casa, a vida quotidiana do filho é delas. É uma coisa feminina, quase tão feminina como uma loja de lingerie. E é assim porque sim.
A nossa sociedade está convicta de que há coisas que não devem evoluir, que não devem mudar por mais revoluções que se façam, e uma delas é o lugar do pai atrás da mãe. Um pai pode ser mais autoritário, pode até ser déspota, pode ser o homem mais poderoso do concelho, mas nos filhos dele quem manda realmente é a mãe. Ele pode sustentá-los, castiga-los, levá-los ao parque ao fim-de-semana, ensiná- -los a andar de bicicleta, mas quem sabe de que marca de iogurtes é que o menino gosta é a mãe, quem tira as espinhas do peixe é a mãe. Pai que saiba uma coisa destas ou é "um querido" ou é "um coitado". É assim como o Restaurador Olex: cada coisa no seu lugar e o lugar do homem é a trabalhar para sustentar a casa. Não há cá mariquices de licenças de paternidade ou de sair mais cedo do trabalho porque o filho está doente. Para isso estão cá as mães.
E o pior de tudo, o que faz com que não se evolua deste estado de coisas, é que as mães até concordam. As mães querem ajuda, não querem partilhar o trono. Há uma história que mostra bem o estado das coisas deste feminismo paternal que versa sobre uma mãe a gabar-se do casamento dos filhos: "A minha filha casou muito bem: o marido ajuda em tudo, cozinha, passa a ferro, toma conta dos miúdos. Uma maravilha. Já o meu filho teve azar: ele é que cozinha, passa a ferro e até muda as fraldas do bebé." E assim se vão educando patrões que acham uma mariquice os pais dividirem a licença de maternidade.
Inês Teotónio Pereira
Ionline, 2014-01-11, visto aqui
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Oferecer aventais aos marialvas da pátria
Fazer filhos como coelhinhos irlandeses

Fala-se muito da Irlanda, da "saída à irlandesa" e não sei quê, da forma como Portugal deve imitar os indicadores macro não sei das quantas de Dublin, mas ainda ninguém falou do óbvio: nós só teremos salvação se começarmos a imitar a taxa de natalidade dos irlandeses (2,05, a mais alta da Europa). Os irlandeses fazem bebés como coelhinhos diabólicos e nós temos de encontrar maneira de replicar essa fuçanga reprodutora. Porque a grande conversa da nossa geração é só uma: se os bebés não começarem a cair dos céus, o corte nas pensões actuais continuará por tempo indeterminado e as pensões do futuro terão a consistência de um gambozino. Não é uma questão de vontade, é uma questão demográfica, empírica, factual.
Soluções? Políticas de família? Ok, muito bem. Sucede que as políticas de famílias implicam um divórcio temporário entre a mulher e o emprego, e este assunto ainda levanta ansiedades em Portugal. No ano passado, numa grande reportagem do Diário de Notícias ("Porque é que os Suecos têm mais filhos?"), a jornalista Céu Neves ouviu um casal sueco típico: "não é um risco ter filhos. E isso é bem visto por todos incluindo os patrões. O que é mal visto é uma mulher de 30 anos procurar emprego, porque se espera que tenha filhos e esteja com eles nos primeiros anos de vida". Ora, se um homem português dissesse publicamente que as mulheres devem ficar em casa dois anos a tratar dos filhos, o Carmo e a Trindade cairiam no dia seguinte. O sujeito seria acusado de machismo, de salazarismo. Se uma mulher portuguesa dissesse a mesma coisa, o Carmo e a Trindade cairiam duas vezes. A senhora seria acusada de subserviência, seria queimada nos autos-de-fé das brigadas da linguagem.
Moral da história? Se as suecas vivem bem com a ideia de ficarem dois anos em casa com os filhos, muitas e muitas portuguesas vêem isso como um sinal de subserviência e retrocesso. Mas eu percebo a reacção. As suecas não tiveram até 1974 um regime que consagrava legalmente o marialvismo. A minha mãe nunca aceitaria ficar em casa, precisava de um emprego, a sua identidade dependia dessa consagração pública . A geração da minha mulher não é muito diferente. As portuguesas ainda sentem necessidade de mostrar que não são as dondocas dos bordados. Além disso, vivem debaixo do grande medo: acham que serão despedidas se assumirem a gravidez e um largo período de licença. O medo não é descabido: se o patrão sueco vê a maternidade com bons olhos, o patrão tuga nem por isso . Mas, verdade seja dita, este ambiente laboral é apenas o espelho do ambiente caseiro. Na Suécia, não há tradição da empregada, porque os homens também ajudam nas tarefas domésticas. Perdão: esqueçam o "também ajudam". Na Suécia, os homens e as mulheres dividem as tarefas domésticas. Políticas de natalidade? Oferecer aventais aos marialvas da pátria.
Henrique Raposo, aqui
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
É oficial. Imposto sobre as pensões passa a abranger quem aufere mais de 1.000 €
Cortes são progressivos e variam entre os 3,5% e os 10% para montantes entre os 1.000 e os 4.611 euros. Daqui em diante, podem chegar aos 40%.

As pensões a partir dos 1.000 euros, independentemente da natureza da entidade pagadora, vão passar a pagar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES). Até agora, a CES era aplicada às reformas iguais ou superiores a 1.350 euros.
Os cortes vão ser de 3,5% sobre o montante total da pensão para quem aufere entre 1.000 e 1.800 euros, quando até aqui eram de 3,5% entre 1.350 e 1.800 euros. Deste valor em diante, a taxa sobre progressivamente. Um exemplo: quem auferir 1.000 euros vai perder 35 euros com a CES, quando não perdia nada até aqui.
Quem auferir mais de 1.800 euros e menos de 3.750 euros, vai sofrer um corte de 3,5% sobre 1.800 euros e de 16% sobre o remanescente entre 1.800,01 euros e 3.750 euros (perfazendo uma taxa global que varia entre 3,5% e 10%). Por exemplo, uma pensão de 2.000 euros vai perder 95 euros: isto é, quase 32 euros relativos aos 16% entre 1.800,01 euros e 2.000 euros, aos quais se juntam 63 euros dos 3,5% aplicados sobre 1.800 euros. Neste escalão em concreto, não há alterações ao que era praticado até aqui.
Entre os 3.750 euros e os 4.611 euros, o corte vai ser de 10% sobre o total da pensão. Por exemplo, uma pensão de 4.000 euros perde 400. Até aqui, a taxa era de 10% entre 3.750 euros e 5.030.
Para pensões superiores a 4.611 euros, e cumulativamente a uma redução de 10% sobre o valor base, vai haver um corte de 15% sobre o montante que ficar entre 4.611 euros e 7.126. Por exemplo, uma pensão de 6.000 euros perde 670 euros: vai pagar 461 euros relativos aos 10% que são aplicados até 4.611, mais 209 euros relativos aos 15% entre 4.611,01 e 6.000 euros. Até aqui, esta regra era aplicada entre os 5.030 e os 7.545 euros.
Outra diferença. Para pensões superiores a 7.126 euros, e cumulativamente a uma redução de 10% sobre o valor base e de 15% sobre o montante entre 4.611,01 euros e 7.126, vai ser aplicada uma taxa de 40% sobre o montante que ultrapassar os 7.126 euros. Por exemplo, uma pensão de 8.000 euros perde 1.527 euros: 800 euros relativos a 10% sobre o montante total, 377 euros sobre o montante entre 4.611,01 euros e 7.126 euros e 350 euros relativos aos 40% acima de 7.126 euros. Até aqui, esta regra era aplicada a partir dos 7.545 euros.
Os descontos para a ADSE também sofrem alterações. O Executivo decidiu aumentar a taxa de desconto para 3,5%, subindo um ponto percentual.
Estas alterações à CES e à ADSE foram decididas pelo Governo depois de o Tribunal Constitucional (TC) ter chumbado a convergência das pensões das Caixa Geral de Aposentações com o regime geral da segurança social, medida que previa cortes médios de 10% nas pensões dos funcionários públicos. O chumbo do TC criou um buraco de cerca de 400 milhões de euros líquidos no Orçamento do Estado para 2014.
Fonte: aqui

As pensões a partir dos 1.000 euros, independentemente da natureza da entidade pagadora, vão passar a pagar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES). Até agora, a CES era aplicada às reformas iguais ou superiores a 1.350 euros.
Os cortes vão ser de 3,5% sobre o montante total da pensão para quem aufere entre 1.000 e 1.800 euros, quando até aqui eram de 3,5% entre 1.350 e 1.800 euros. Deste valor em diante, a taxa sobre progressivamente. Um exemplo: quem auferir 1.000 euros vai perder 35 euros com a CES, quando não perdia nada até aqui.
Quem auferir mais de 1.800 euros e menos de 3.750 euros, vai sofrer um corte de 3,5% sobre 1.800 euros e de 16% sobre o remanescente entre 1.800,01 euros e 3.750 euros (perfazendo uma taxa global que varia entre 3,5% e 10%). Por exemplo, uma pensão de 2.000 euros vai perder 95 euros: isto é, quase 32 euros relativos aos 16% entre 1.800,01 euros e 2.000 euros, aos quais se juntam 63 euros dos 3,5% aplicados sobre 1.800 euros. Neste escalão em concreto, não há alterações ao que era praticado até aqui.
Entre os 3.750 euros e os 4.611 euros, o corte vai ser de 10% sobre o total da pensão. Por exemplo, uma pensão de 4.000 euros perde 400. Até aqui, a taxa era de 10% entre 3.750 euros e 5.030.
Para pensões superiores a 4.611 euros, e cumulativamente a uma redução de 10% sobre o valor base, vai haver um corte de 15% sobre o montante que ficar entre 4.611 euros e 7.126. Por exemplo, uma pensão de 6.000 euros perde 670 euros: vai pagar 461 euros relativos aos 10% que são aplicados até 4.611, mais 209 euros relativos aos 15% entre 4.611,01 e 6.000 euros. Até aqui, esta regra era aplicada entre os 5.030 e os 7.545 euros.
Outra diferença. Para pensões superiores a 7.126 euros, e cumulativamente a uma redução de 10% sobre o valor base e de 15% sobre o montante entre 4.611,01 euros e 7.126, vai ser aplicada uma taxa de 40% sobre o montante que ultrapassar os 7.126 euros. Por exemplo, uma pensão de 8.000 euros perde 1.527 euros: 800 euros relativos a 10% sobre o montante total, 377 euros sobre o montante entre 4.611,01 euros e 7.126 euros e 350 euros relativos aos 40% acima de 7.126 euros. Até aqui, esta regra era aplicada a partir dos 7.545 euros.
Os descontos para a ADSE também sofrem alterações. O Executivo decidiu aumentar a taxa de desconto para 3,5%, subindo um ponto percentual.
Estas alterações à CES e à ADSE foram decididas pelo Governo depois de o Tribunal Constitucional (TC) ter chumbado a convergência das pensões das Caixa Geral de Aposentações com o regime geral da segurança social, medida que previa cortes médios de 10% nas pensões dos funcionários públicos. O chumbo do TC criou um buraco de cerca de 400 milhões de euros líquidos no Orçamento do Estado para 2014.
Fonte: aqui
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
A boleia de uma vida. Francisco deixa amigo andar de Papamóvel
Entre 50 mil pessoas, Francisco reconhece um amigo: um padre argentino da sua antiga diocese, a de Buenos Aires. Chama-o até si e convida-o a subir para o Papamóvel. E comenta: "esta imagem vai correr mundo". O padre Baez sorri, surpreendido e acaba, mais tarde, por comentar no twitter: "Vou alterar a minha biografia. O pobre padre que andou de Papamóvel com o PapaFrancisco". Baez ainda teve direito a um lugar especial durante a audiência geral e a conversar com Francisco no final. - See more at: http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=612288#sthash.kJsL2pQ4.Mi9o3bDz.dpuf
Conversa corrida entre 1643 e 1715
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:
Colbert:- Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino:- Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert:- Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino:- Criando outros.
Colbert:- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino:- Sim, é impossível.
Colbert:- E sobre os ricos?
Mazarino: -E os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
É mais fácil ser Presidente da República…

Segundo
a agência Ecclesia, citando a Rádio Vaticano, o Papa Francisco aboliu, a
partir de hoje, 6 de janeiro, a “concessão da honorificência pontifícia
‘Monsenhor’ para os sacerdotes diocesanos com menos de 65 anos”. Tal medida,
que não é retroativa, ou seja, os já monsenhores com menos uns pozinhos de
longevidade que os daquela idade, agora idade de honorificência pontifícia, que
já ostentavam o título com a categoria que o suportava, não o vão perder com
esta decisão. Quer dizer: o Papa quer “reformar o Estado”, isto é, a parte
externa e meritocrática do governo da Igreja, mas não é desmancha-prazeres
caprichoso, nem faz tábua rasa dos direitos adquiridos, como o nosso Governo da
República, nem está a cortar nos vencimentos dos outros ou nas pensões (Ao que
parece, estará a cortar nele próprio! – Quer dizer que não andou na escola dos
nossos políticos, as Jotinhas).
Mais
uma novidade: não aposta o Papa na convergência dos trabalhadores do setor
público com os do setor privado, isto é, só os padres seculares, os das
dioceses, podem aceder ao estatuto do monsenhorato; os religiosos, ou seja, os
que fazem os três votos evangélicos e são obrigados à vida em comunidade, não
terão acesso a esse estatuto. Depois, a única honorificência pontifícia que
“poderá ser conferida aos padres seculares (os não religiosos) é a de ‘capelão
de Sua Santidade’” e esses terão, como já foi dito, de ostentar a bela idade
de, pelo menos, 65 anos.
Francisco
ter-se-á inspirado nos cortes operados por Paulo VI, em 1968, na sequência
quase imediata do Concílio Vaticano II (que ele supervisionou, na sua maior
parte, e pôs em plena execução), passando os 14 “graus” do título de
“monsenhor”, a ficar reduzidos a apenas três: protonotário apostólico, prelado
de honra de Sua Santidade e capelão de sua santidade. Agora, passa-se de três
para um. Porém, o mecanismo da concessão continua como dantes: a concessão é da
competência de Sua Santidade, segundo indicação dos bispos, a sacerdotes cujo
trabalho tenha sido particularmente importante para a Igreja, não
necessariamente para a salus animarum.
Mas
uma coisa é certa: são menos exigentes as condições para poder ocupar a
Presidência da República em Portugal, a não ser em caso de muito forte
revolução: nacionalidade portuguesa, 3 anos de idade e gozo dos direitos
políticos, “a bem da República. São mais afuniladas as exigências para ser
monsenhor: estado sacerdotal não religioso, 65 anos de idade e trabalho
particularmente importante para a Igreja, ad maiorem gloriam Dei.
Parabéns
aos que não são atingidos por este látego restritivo. Só lhes resta crescer e
aparecer! E continuar a construção do Reino… sem aumento de vencimento. É a
pandemia da crise!
Louro
de Carvalho
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Trabalhara sucessivamente numa instituição de solidariedade social, numa Câmara Municipal e numa empresa privada
Chegou-me já dias um longuíssimo email. O autor dizia que estava reformado depois de longos anos em que trabalhara sucessivamente numa instituição de solidariedade social, numa Câmara Municipal e numa empresa privada, todas numa das maiores cidades deste país.
Na mensagem que recebi, o autor faz uma análise e uma reflexão sobre o modo como se sentiu tratado pelas três entidades, como pessoa e como trabalhador.
Vou sintetizar.
1. Foi na empresa privada que me senti mais respeitado como pessoa. Ali nunca me apercebi de "gorilas", espiões, "pessoas de mão" do chefe. Era reconhecido o mérito de cada colaborador e havia um clima sadio, sem trincas nem intrigas. A gestão sempre cultivou com sucesso a máxima: "elogios públicos, repreensões privadas".
Estava implantada a cultura do mérito e do respeito pela pessoa do colaborador. Ordenados legais, sempre à horinha. Posso afirmar que os direitos dos trabalhadores eram espeitados e que éramos convidados à participação. O nosso ponto de vista, mesmo quando não aceite, era escutado.
2. Como trabalhador da Câmara, procurei dar o meu melhor, sentindo-me um colaborador em favor do bem comum. Nada tenho que dizer quanto à legalidade. Não apreciei algum clima de intrigas mormente nos momentos eleitorais. Detestei aquele espírito de subserviência ao chefe, fosse qual fosse o chefe, desde que isso servisse de rampa de lançamento para a progressão na carreira ou para a projeção pessoal. E alguns dos meus colegas cultivavam tal espírito até ao ridículo.
3. Numa instituição de solidariedade social, talvez a maior de uma das maiores cidades do país, passei os primeiros anos da minha vida laboral. Se ali aprendi muito, porque estava a começar, também deixei o melhor do meu entusiasmo jovem.
Não guardo as melhores impressões desse tempo. Ali havia o culto do chefe que se julgava o rei e senhor de tudo. Tudo girava à volta dele que punha e dispunha dos colaboradores como jogador das peças de xadrez.
Os ordenados eram baixíssimos e os tempos do trabalhador dependiam dos caprichos do chefe, sempre intempestivo e ameaçador para com quem não se sujeitasse aos seus caprichos. As nossas opiniões não eram tidas nem achadas e existia um certo espírito pidesco, espicaçado e mantido pelo chefe para quem a instituição era ele.
O folclore estava nas veias do chefe. Tudo o que fosse evento social em que ele ressaltasse como o centro e a personagem principal, era realizado, independentemente dos custos e dos sacrifícios pedidos aos colaboradores. Embora fisicamente fosse baixote, tinha um ego de gigante.
O chefe era egocêntrico, mas não era parvo. Por isso, aproveitava as ocasiões públicas para rasgados elogios aos colaboradores, transmitindo assim para fora a ideia de que na instituição os trabalhadores eram muito respeitados e tidos em conta, o que mais nos magoava.
Nesses tempos, muito longe da crise atual, dei muitas vezes a pensar comigo mesmo, pois, dado o clima pidesco, não me atrevia a partilhar com colegas: "Se em vez do despesismo do chefe, sempre em prol do seu exibicionismo pessoal, houvesse mais sobriedade nos gastos, talvez os trabalhadores pudessem ganhar um pouco mais, sentindo respeitados os seus tempos de trabalho, e a solidariedade pudesse ser mais abrangente, desprendida e otimizada."
Na mensagem que recebi, o autor faz uma análise e uma reflexão sobre o modo como se sentiu tratado pelas três entidades, como pessoa e como trabalhador.
Vou sintetizar.
1. Foi na empresa privada que me senti mais respeitado como pessoa. Ali nunca me apercebi de "gorilas", espiões, "pessoas de mão" do chefe. Era reconhecido o mérito de cada colaborador e havia um clima sadio, sem trincas nem intrigas. A gestão sempre cultivou com sucesso a máxima: "elogios públicos, repreensões privadas".
Estava implantada a cultura do mérito e do respeito pela pessoa do colaborador. Ordenados legais, sempre à horinha. Posso afirmar que os direitos dos trabalhadores eram espeitados e que éramos convidados à participação. O nosso ponto de vista, mesmo quando não aceite, era escutado.
2. Como trabalhador da Câmara, procurei dar o meu melhor, sentindo-me um colaborador em favor do bem comum. Nada tenho que dizer quanto à legalidade. Não apreciei algum clima de intrigas mormente nos momentos eleitorais. Detestei aquele espírito de subserviência ao chefe, fosse qual fosse o chefe, desde que isso servisse de rampa de lançamento para a progressão na carreira ou para a projeção pessoal. E alguns dos meus colegas cultivavam tal espírito até ao ridículo.
3. Numa instituição de solidariedade social, talvez a maior de uma das maiores cidades do país, passei os primeiros anos da minha vida laboral. Se ali aprendi muito, porque estava a começar, também deixei o melhor do meu entusiasmo jovem.
Não guardo as melhores impressões desse tempo. Ali havia o culto do chefe que se julgava o rei e senhor de tudo. Tudo girava à volta dele que punha e dispunha dos colaboradores como jogador das peças de xadrez.
Os ordenados eram baixíssimos e os tempos do trabalhador dependiam dos caprichos do chefe, sempre intempestivo e ameaçador para com quem não se sujeitasse aos seus caprichos. As nossas opiniões não eram tidas nem achadas e existia um certo espírito pidesco, espicaçado e mantido pelo chefe para quem a instituição era ele.
O folclore estava nas veias do chefe. Tudo o que fosse evento social em que ele ressaltasse como o centro e a personagem principal, era realizado, independentemente dos custos e dos sacrifícios pedidos aos colaboradores. Embora fisicamente fosse baixote, tinha um ego de gigante.
O chefe era egocêntrico, mas não era parvo. Por isso, aproveitava as ocasiões públicas para rasgados elogios aos colaboradores, transmitindo assim para fora a ideia de que na instituição os trabalhadores eram muito respeitados e tidos em conta, o que mais nos magoava.
Nesses tempos, muito longe da crise atual, dei muitas vezes a pensar comigo mesmo, pois, dado o clima pidesco, não me atrevia a partilhar com colegas: "Se em vez do despesismo do chefe, sempre em prol do seu exibicionismo pessoal, houvesse mais sobriedade nos gastos, talvez os trabalhadores pudessem ganhar um pouco mais, sentindo respeitados os seus tempos de trabalho, e a solidariedade pudesse ser mais abrangente, desprendida e otimizada."
domingo, 5 de janeiro de 2014
Morreu Eusébio

Eusébio, pessoa humilde, faleceu hoje, aos 71 anos de idade.
Morreu um dos maiores símbolos da modalidade. O maior jogador português da sua geração e sobretudo um grande ser humano e um exemplo de ‘fair-play’.
Os seus golos, as suas jogadas, arte e explosão, ficarão para sempre na memória de quem gosta de futebol.
Obrigado, Eusébio!
Descansa em paz.
Terá razão a gritaria contra os carros caros?
1. Cada um usa o que é legitimamente seu naquilo em que acredita.
2. Há uma gritaria enorme de gente escandalizada quando alguém compra um carro caro. Que tal e que sim, que é um vergonha ter um carro tão caro em tempos de grandes dificuldades para muito gente.
3. Como se pode ver pelo quadro acima, quem compra um carro caro está a contribuir forte e feio para o bem comum. Atente-se nos impostos pagos ao Estado, o mesmo será dizer, a todos os cidadãos.
4. E se quem compra um carro de luxo não o fizesse e arrecadasse o dinheiro? Quanto deixaria de ganhar o Estado, isto é, todos nós?
E se quem compra um carro de luxo optasse antes por comprar um utilitário? Quem ficaria a perder não seria o Estado, isto é, todos nós?
5. Numa sociedade que vive para a aparência, também pode acontecer aquilo que, brincando, se diz: "Tem um BM na garagem e fome à mesa..."
Mas isto já é uma questão de prioridades e de opções pessoais de cada cidadão.
6. Claro que me parece de bom senso que antes do carrão esteja a alimentação, a casa, a educação dos filhos, a empresa, o futuro. Mas isto tem a ver com educação, cidadania, família, valores que muitas vezes escasseiam ou estão ausentes.
7. Agora ninguém se pode queixar do carro caro que alguém legitimamente possui porque paga caro para a comunidade. Impostos com língua de palmo...
sábado, 4 de janeiro de 2014
Que mensagem nos trazem os Magos?
Brilhar como astros no mundo! Os Magos seguiram a estrela e assim chegaram a Jesus, à grande Luz que, vindo a este mundo, ilumina todo o homem (cf. Jo 1, 9). Como peregrinos da fé, os Magos tornaram-se, eles mesmos, estrelas que brilham no céu da história, e nos indicam a estrada! Todos nós, que agora seguimos, por outro caminho, devemos “brilhar como astros no mundo” (cf. Fil 2, 15), à frente dos homens, a indicar o caminho certo da vida, o rumo, a salvação!
Cada um de nós possa, finalmente, chegar ao Presépio, dobrar os joelhos, diante do Menino, e rezar: “Emanuel, Deus connosco, ilumina-me para saber reconhecer-Te em todos os sinais da Tua presença. Deus da Luz, ilumina-me e faz de mim um farol para todos os que Te procuram” (adaptado da oração para a noite de Natal).
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
"Se Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé"

Num povo desta comunidade paroquial, ao fim da Missa, falava cá fora com um grupo de pessoas. Então olhei para um muro ao lado da capela e reparei num presépio estilizado e iluminado que havia sido montado no referido muro. Era já noite e o efeito era giro.
Então contaram que a ideia surgiu para trazer o presépio para fora do templo. Assim o Menino poderia também iluminar os que não vão ao templo.
"Deu muito trabalho e apanhámos um frio de rachar", comentava uma pessoa.
Dei os parabéns pela ideia que achei oportuníssima.
Mas o que a seguir ouvi, ficou a vibrar-me no coração:
- Olhe que se não estivermos atentos, qualquer dia teremos pessoas que já não sabem o que é um presépio... Nem que Jesus nasceu para nos vir salvar...
Não, ninguém lhes "encomendou o sermão". Foram os leigos que tiveram a ideia e a puseram em prática. E isto, para mim, é gostoso mesmo!
É esta Igreja que eu sonho. Uma Igreja onde os leigos assumam em totalidade a sua missão batismal, tomem iniciativas, se comprometam, tenham voz e vez. Em comunhão, porque somos o povo de Deus em comunhão.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Pai e mãe: o que cada um oferece?

As funções do pai e da mãe são totalmente diferentes, e o filho precisa dos dois para o seu equilíbrio: ela introduz o filho no mundo dos afetos, na esfera íntima; ele proporciona independência, abrindo-o ao mundo exterior.
Quem explica isso nesta entrevista é María Calvo, presidente, na Espanha, da Associação de Centros de Educação Diferenciada e autora do livro "Padres destronados. La importancia de la paternidad".
Em alguns âmbitos, ao invés de falar de "pai" e "mãe", opta-se por "progenitor 1" e "progenitor 2". Isso quer dizer que não há diferenças entre o que cada um deles oferece ao seu filho?
As funções do pai e da mãe são totalmente diferentes; não se pode pensar que são iguais.
A diferença entre o pai e a mãe são percebidas inclusive pelo bebê. Um experimento em Israel mostrou que os bebês prematuros ganhavam peso mais rapidamente quando eram visitados pelo pai. O pai confere um estímulo psicológico ao filho, que ele percebe.
Em outra pesquisa, psiquiatras mostraram que as crianças, quando percebem a presença do pai, inclinam as costas e mexem as sobrancelhas de forma especial, porque intuem que ele os pegará no colo, e percebem que ele os pega de maneira diferente à da mãe.
Concretamente, qual é a contribuição da mãe e qual é a do pai?
Muito simples: quando a mãe está sozinha com o filho, tende-se a criar uma relação quase de casal entre mãe e filho. Seu amor e sua neuroquímica são tão fortes, que são capazes de dar tudo. Esta relação não é saudável para os filhos, que precisam de autonomia.
O pai entra em jogo para separar este binômio (não me refiro ao pai que se identifica com um modelo patriarcal, que é o contrário). O pai, ao romper a relação tão íntima, confere liberdade.
Esta liberdade ajuda o filho a identificar-se como ser independente e autônomo, já que a relação só com a mãe pode ser limitadora para o filho; a mãe parece tentar prolongar a relação uterina para sempre e, por isso, vemos adultos com relacionamentos doentios. O pai dá liberdade também à mãe, que, de outra forma, poderia acabar sendo escravizada.
Isso ocorre em diversas culturas e níveis sociais, é algo biológico.
Também é interessante saber que o pai aproxima o filho da realidade, da realidade autêntica, não da virtual, na qual a mãe o coloca para que não tenha sofrimento e dor.
Por outro lado, o pai não costuma dar ao filho o que ele precisa imediatamente. Assim, o filho aprende o autocontrole, aprende que nem tudo se consegue na hora em que se quer. E aprende a empatia: se sente fome, frio etc., pode compreender quem passa por isso também.
A natureza nos deu este equilíbrio: a mãe oferece intimidade (o mundo dos afetos, o íntimo) e o pai, a independência (o mundo exterior, o público). Quando falta algum dos pais, isso afeta o equilíbrio do filho.
Quais são as consequências da ausência do pai na educação dos filhos?
As diferenças se referem a uma herança vital de valores, ao equilíbrio psíquico e pessoal. A situação atual é provocada, em grande medida, pela ideologia de gênero; é um momento único na história da humanidade.
Em países anglo-saxônicos, foram realizados diversos estudos que estabelecem uma relação de causa-efeito entre ausência paterna e violência nos filhos, fracasso escolar e drogas.
Atualmente, quase 25 milhões de crianças estão crescendo sem seu pai biológico. Isso provoca um desequilíbrio social.
Como é possível potencializar a paternidade?
É verdade que antes havia um modelo machista, no qual o homem só controlada a parte econômica e os resultados acadêmicos, mas não podemos esquecer o lado positivo da paternidade, como a capacidade de estabelecer normas, impor disciplina e limites. Ao mesmo tempo, é preciso aproveitar os traços mais atuais da paternidade, como um maior envolvimento emocional do pai.
É preciso respeitar o estilo de atuação do homem, que é masculino, e que complemente o da mulher.
Quando a mulher percebe isso, ela ganha liberdade, os filhos ganham um pai e o casal ganha confiança, diálogo. Os pais não são mães defeituosas: são pais.
Fonte: aqui
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
A quarta edição do 'reality show' da TVI

A quarta edição do 'reality show' da TVI, chegou ao fim na madrugada de 1 de janeiro.
O Luís sagrou-se vencedor de Casa dos Segredos 4.
Talvez tenha andado distraído, mas não encontrei entre as pessoas com quem mais convivo grandes comentários a um dos programas mais ...vistos nas televisões portuguesas.
Uma vez ou outra passei os olhos pela televisão. Não fixei o nome dos concorrentes, porque me interessava analisar comportamentos e posturas.
Não conheço os critérios de admissão dos candidatos, nem me inteirei perfeitamente das regras de funcionamento.
Por isso, os meus juízos são muito limitados.
Do que vi, pareceu-me:
1. Muitas vezes presenciei linguagem e atitudes de baixíssimo nível. E acredito que a maioria dos jovens portugueses não se reveja em certos comportamentos.
2. Pelo que li, nunca uma rapariga ganhou o 1º prémio e já foram quatro os programas. Qual o motivo?
3. Pareceu-me que as intrigas grassaram na casa. Por jogo? Por competição a todo o custo? Por má formação dos concorrentes?
4. Pareceu-me que, em geral, os rapazes estiveram melhor do que as raparigas (ia a chamar-lhe meninas, mas penso que a maioria não merece).
5. Será por ser kota? Mas aleija-me forte e feio ver uma rapariga a ser depravada na linguagem, nas atitudes, nos comportamentos. Uma nódoa fica mais nódoa quando cai num pintura de rara beleza. E a mulher é bela, sensível...
E o amigo/a que pensa deste programa?
O Luís sagrou-se vencedor de Casa dos Segredos 4.
Talvez tenha andado distraído, mas não encontrei entre as pessoas com quem mais convivo grandes comentários a um dos programas mais ...vistos nas televisões portuguesas.
Uma vez ou outra passei os olhos pela televisão. Não fixei o nome dos concorrentes, porque me interessava analisar comportamentos e posturas.
Não conheço os critérios de admissão dos candidatos, nem me inteirei perfeitamente das regras de funcionamento.
Por isso, os meus juízos são muito limitados.
Do que vi, pareceu-me:
1. Muitas vezes presenciei linguagem e atitudes de baixíssimo nível. E acredito que a maioria dos jovens portugueses não se reveja em certos comportamentos.
2. Pelo que li, nunca uma rapariga ganhou o 1º prémio e já foram quatro os programas. Qual o motivo?
3. Pareceu-me que as intrigas grassaram na casa. Por jogo? Por competição a todo o custo? Por má formação dos concorrentes?
4. Pareceu-me que, em geral, os rapazes estiveram melhor do que as raparigas (ia a chamar-lhe meninas, mas penso que a maioria não merece).
5. Será por ser kota? Mas aleija-me forte e feio ver uma rapariga a ser depravada na linguagem, nas atitudes, nos comportamentos. Uma nódoa fica mais nódoa quando cai num pintura de rara beleza. E a mulher é bela, sensível...
E o amigo/a que pensa deste programa?
“Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”

“A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por
isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por
vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor.”
“Às guerras feitas de confrontos armados
juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos
campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de
famílias, de empresas.”
“As novas ideologias, caracterizadas por generalizado
individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços
sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo
e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados «inúteis». Assim, a
convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des pragmático e egoísta.”
“Cristo abraça todo o ser humano e deseja que
ninguém se perca. «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 17). Fá-lo sem
oprimir, sem forçar ninguém a abrir-Lhe as portas do coração e da mente. «O que
for maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que
serve – diz Jesus Cristo –. Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 26-27). Deste modo, cada actividade deve
ser caracterizada por uma atitude de serviço às pessoas, incluindo as mais
distantes e desconhecidas. O serviço é a alma da fraternidade que edifica a
paz.”
(Mensagem
do Papa para o Dia Mundial da Paz)
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Dizer «obrigado» no último dia do ano
«Se a tua única oração na vida for "obrigado", isso bastará (Mestre Eckhart)». A
gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus.
In O sopro da vida interior, ed. Paulinas, aqui
gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus.
Quando inclinamos as nossas cabeças em sinal de gratidão, reconhecemos que as obras de Deus são boas. Reconhecemos que não podemos salvar-nos por nós próprios. Proclamamos que a nossa existência e todas as coisas boas que ela tem, não vêm do nosso expediente, fazem parte da obra de Deus. A gratidão é o aleluia à existência, o louvor que ressoa através do Universo, como um tributo à presença de Deus, constante entre nós, incluindo neste momento.
Obrigado por este novo dia.
Obrigado por este trabalho.
Obrigado por esta família.
Obrigado pelo nosso pão de cada dia.
Obrigado por esta tempestade e pela humidade que ela traz à terra seca.
Obrigado pelas correções que me fazem crescer.
Obrigado pelas flores silvestres que dão cor à ladeira.
Obrigado pelos animais de estimação que nos unem à natureza.
Obrigado pela necessidade que me mantêm vigilante em relação à tua generosidade na minha vida.
Sem dúvida, a gratidão ilimitada salva-nos do sentimento de autossuficiência, que nos leva a esquecermo-nos de Deus.
O louvor não é uma virtude ociosa na vida. Diz-nos: «Lembra-te de Quem és devedor. Se nunca tiveres conhecido a necessidade, nunca virás a conhecer Quem é Deus nem quem és tu.»
A necessidade testa a nossa confiança. Dá-nos a oportunidade de permitir que os outros nos apoiem nas nossas fraquezas, dando-nos conta que, no fim, só Deus é a medida da nossa plenitude.
Quando conhecemos a necessidade, somos melhores seres humanos. Pela primeira vez, conhecemos a solidariedade para com os mais pobres dos pobres. Fazemos nossa a dor do mundo e devotamo-nos a trabalhar em favor daqueles que sofrem.
Finalmente, é a necessidade que nos mostra que é preciso muito pouco para se ser feliz.
Mal percebemos todas estas coisas, encontramo-nos face a face, tanto com a Criação, como com o Criador. É um momento de aleluia em que descobrimos Deus e a sua bondade para connosco.
Aprendamos a vir à oração com um coração de aleluia, para que ela possa ser sincera.
Joan ChittisterIn O sopro da vida interior, ed. Paulinas, aqui
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
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